As Portas do Inferno se Abrirão’: o Alerta de Jeffrey Sachs

Principais entregas deste artigo:

  • A interpretação histórica de Jeffrey Sachs sobre a passagem da hegemonia britânica para a americana e a permanência de uma mentalidade imperial na política externa ocidental.
  • A denúncia do uso de golpes de Estado, operações clandestinas e intervenções militares como instrumentos de dominação internacional, com destaque para o Irã em 1953.
  • A análise das origens históricas dos conflitos na Ucrânia e no Oriente Médio, incluindo o legado do imperialismo britânico e a política americana de contenção de potências rivais.
  • O alerta sobre a escalada das tensões entre os Estados Unidos e a China, especialmente em torno de Taiwan, e o risco de confronto entre as potências nucleares.
  • A advertência de que a busca pela supremacia mundial, em vez da cooperação entre os países, pode conduzir a humanidade a uma catástrofe nuclear.

Internacional, Nacional, Economia, Geopolítica, Política

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Por PolitikBr I Brasília, Em 22/10/2026, 17h:56min, leitura: 18min

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Editor: Rocha, J.C.

Essa é uma análise documental. Para visualizar “o todo” recomendamos a leitura dos demais artigos e publicações relacionadas, que se somam ao tema de hoje. Boa leitura.

O império que não aceita perder o mundo

Na recente palestra do professor e economista Jeffrey Sachs – “All Hell Will Break Loose” — Jeffrey Sachs’ Stunning Warning – sobre a crise geopolítica mundial, tivemos uma rara visão integrada de conectar guerras, golpes de Estado, disputas territoriais e rivalidades entre grandes potências, a uma mesma questão fundamental: a resistência de um sistema de poder à perda de sua posição dominante. O alerta que emerge dessa análise é sombrio.

Se a humanidade continuar tratando a supremacia de uma potência como condição indispensável para a segurança internacional, poderá abrir as portas para uma guerra nuclear de consequências inimagináveis.

Sachs não apresenta a crise atual como uma sucessão de acontecimentos isolados, muito menos como resultado exclusivo das decisões de um único governante. A sua visão parte de uma perspectiva histórica mais ampla: durante aproximadamente 250 anos, entre meados do século XVIII e o final do século XX, o Ocidente concentrou grande parte do poder econômico, financeiro, militar e político mundial. Primeiro, sob a liderança do Império Britânico; depois, com a ascensão dos Estados Unidos, que herdaram parte expressiva das instituições, dos métodos e da visão estratégica do antigo poder imperial. O problema, sustenta o professor, é que a mudança na distribuição mundial de riqueza e influência não foi acompanhada por uma transformação equivalente na mentalidade das lideranças ocidentais.

A supremacia britânica do século XIX não se limitou ao comércio, à indústria ou ao domínio dos mares. Ela também se apoiou na expansão colonial, na intervenção nos assuntos internos de outros países, e na convicção de que Londres tinha o direito de determinar os rumos de regiões inteiras.

A expressão Pax Britannica, frequentemente utilizada para designar aquele período de predominância, não deve ser confundida com uma paz universal: tratava-se de uma ordem na qual a estabilidade do sistema imperial dependia, em grande medida, da capacidade britânica de impor seus interesses. As duas guerras mundiais do século XX, interpretadas por Sachs também como guerras devastadoras entre potências europeias, acabaram por enfraquecer definitivamente as condições que sustentavam aquele império global. A liderança internacional passou, então, aos Estados Unidos.

O argumento central de Sachs é que essa transição não representou uma ruptura completa com o passado. Washington teria absorvido e multiplicado práticas e pressupostos da política imperial britânica, entre eles a disposição de interferir na composição de governos estrangeiros, quando seus dirigentes fossem considerados inconvenientes aos interesses estratégicos americanos.

Em vez de reconhecer que o fim da Guerra Fria poderia inaugurar uma etapa de cooperação entre as antigas potências adversárias, os Estados Unidos teriam interpretado a dissolução da União Soviética, em 1991, como uma oportunidade histórica para consolidar a sua própria hegemonia. Na visão de Sachs, o problema não está apenas em quem ocupa o centro do poder mundial, mas na pretensão de que esse centro tenha o direito permanente de estabelecer as regras para todos os demais países.

Do petróleo iraniano à política de mudança de regimes

Para sustentar essa interpretação, Sachs recorre à episódios históricos concretos. Um dos mais emblemáticos é o golpe de 1953 contra o primeiro-ministro iraniano Mohammad Mossadegh, cujo governo havia nacionalizado a indústria petrolífera do país. A decisão confrontou diretamente os interesses britânicos pelo petróleo iraniano, o que levou à união dos esforços das inteligências do Reino Unido e dos Estados Unidos na operação que derrubou o governo. O resultado foi o fortalecimento do xá Mohammad Reza Pahlavi, cuja monarquia se tornou um importante aliado ocidental na região. Para Sachs, esse episódio ajuda a explicar por que a relação entre o Irã e as potências ocidentais carrega uma herança histórica muito anterior à Revolução Islâmica de 1979, e aos confrontos contemporâneos.

O economista também cita a pesquisa da cientista política Lindsey O’Rourke, autora do livro Covert Regime Change, publicado em 2018, para dimensionar o uso de operações de mudança de regime pela política externa americana. Segundo os números apresentados por Sachs, o estudo identificou 64 operações clandestinas e seis operações abertas de mudança de regime conduzidas pelos Estados Unidos entre 1947 e 1989.

Agora, a poucos dias das eleições em segundo turno no Brasil, ocorre algo similar. Trump e a META tem interferido de forma clara, cooptando apoios ao aliado – e que lhe promete ser vassalo – Flávio Bolsonaro (extrema direita), em oposição ao nacionalista, democrata e que não se presta a bajular um ser tão horrível e desequilibrado como Donald Trump, em sua obsessão de transformar toda a América Latina em “quintal dos EUA”, o pouquinho que resta aos EUA, já que perderam a dominância sobre o “core do mundo” – Eurásia e África.

O ponto essencial dessa argumentação é a diferença entre diplomacia e coerção: negociar significa reconhecer a existência de interesses divergentes e procurar uma solução; promover a derrubada de governos significa tentar eliminar o interlocutor ou substituí-lo por uma liderança considerada mais conveniente e servil. O caso Milei é um exemplo atual. Clássico.

Essa lógica de coerção, coação e subversão, segundo Sachs, não desapareceu com o fim do confronto ideológico entre Washington e Moscou. Ao contrário, teria sobrevivido à própria justificativa anticomunista, que durante décadas serviu para legitimar intervenções.

Se a Rússia abandonou o sistema soviético e adotou uma economia de mercado, por que continuou a ser tratada como adversária estratégica? Por que a ascensão econômica e tecnológica da China passou a ser vista como ameaça à segurança americana? A resposta proposta pelo professor é que a disputa não se resume à ideologia. O que incomoda Washington seria, sobretudo, a existência de outros centros de poder capazes de agir de forma independente.

Sachs recorre até mesmo à história da Grécia antiga para ilustrar os riscos dessa postura dos EUA. No diálogo dos mélios, relatado por Tucídides em sua obra sobre a Guerra do Peloponeso, Atenas exige submissão de uma pequena comunidade que deseja permanecer neutra. A mensagem ateniense é brutal: a neutralidade dos mais fracos seria incompatível com a preservação da autoridade imperial.

A analogia serve ao professor para questionar a lógica moderna segundo a qual os países precisam escolher um lado, aceitar alianças militares determinadas por terceiros e subordinar as suas decisões estratégicas aos interesses de uma grande potência. A história antiga, lembra Sachs, também demonstra que a arrogância de um poder dominante pode produzir a sua própria ruína.

Ucrânia: a expansão da influência militar e o risco de confronto

A guerra na Ucrânia ocupa um lugar central nessa interpretação. Sachs sustenta que a expansão da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) em direção ao leste europeu, e a perspectiva de uma aproximação militar da Ucrânia com a aliança, contribuíram decisivamente para a crise. Ele também atribui papel importante à derrubada pelos EUA do governo ucraniano, neutro entre o Ocidente e a Rússia, em fevereiro de 2014, e à influência americana e inglesa sobre os acontecimentos que se seguiram e que culminaram na Operação Militar Especial Russa, que caminha para o quinto ano.

Na visão de Sachs, Washington tratou as preocupações russas com a expansão militar ocidental como se fossem irrelevantes, enquanto Moscou considerava a aproximação da OTAN às suas fronteiras como ameaça existencial. O fracasso em construir um arranjo diplomático capaz de acomodar essas preocupações teria contribuído para a escalada.

Sachs relaciona esse quadro à Guerra da Crimeia, iniciada em 1853, quando o Império Britânico participou de uma guerra contra a Rússia em meio à disputa pelo equilíbrio de poder na região. A comparação pretende demonstrar que determinadas rivalidades persistem ao longo dos séculos, ainda que mudem os países que ocupam o papel principal.

O perigo maior, entretanto, na visão do professor, está no envolvimento de potências nucleares em uma guerra prolongada. Quando os conflitos deixam de ser limitados à disputas locais e passam a mobilizar alianças militares, armamentos avançados e interesses estratégicos de grandes potências, os riscos de erro de cálculo aumentam.

Uma decisão tomada para demonstrar firmeza pode ser interpretada pelo adversário como preparação para um ataque. Uma tentativa de dissuasão pode provocar uma resposta militar. E uma escalada inicialmente concebida como controlável pode escapar ao controle de quem a iniciou. É precisamente essa possibilidade que torna tão grave o quadro descrito por Sachs.

Oriente Médio: a herança de uma divisão imperial

Se a Ucrânia revela a persistência das rivalidades estratégicas na Europa, o Oriente Médio mostra como decisões imperiais do passado continuam a influenciar conflitos contemporâneos. Sachs conecta parte do que ocorre hoje à Primeira Guerra Mundial, à derrota do Império Otomano e à disputa entre as potências vencedoras pela reorganização dos territórios da região. O Reino Unido procurava preservar rotas marítimas e interesses estratégicos que ligavam o Mediterrâneo à Índia, uma das principais possessões do Império Britânico. Nesse processo, foram feitas promessas conflitantes à diferentes atores regionais, enquanto Londres buscava manter a sua própria capacidade de influência.

A Declaração Balfour, de 1917, e o posterior Mandato Britânico da Palestina, fazem parte dessa herança histórica. A questão palestina, que atravessou a criação do Estado de Israel em 1948 e as guerras subsequentes, permanece um dos problemas centrais da política internacional. Sachs enfatiza que a ausência de uma solução política duradoura, capaz de assegurar direitos e segurança tanto a israelenses quanto a palestinos, alimenta ciclos sucessivos de violência. Em sua avaliação, o apoio militar e diplomático dos Estados Unidos à Israel também se tornou parte de uma estratégia regional mais ampla, que associa a segurança israelense à capacidade americana de projetar poder no Oriente Médio.

A análise se estende ao Irã e à sucessão de intervenções militares, e tentativas de derrubada de governos na região, à serviço dos sionistas. Sachs menciona os casos do Iraque, da Líbia, da Síria, do Líbano, do Sudão e da Somália, países atingidos por guerras, intervenções ou prolongadas crises internas, para argumentar que a tentativa de reorganizar o Oriente Médio pela força produziu consequências muito diferentes das prometidas por seus defensores.

A guerra contra o Iraque, em 2003, e a intervenção na Líbia, em 2011, são exemplos importantes desse debate. A derrubada de um governo não garante a construção de instituições estáveis, a reconciliação entre grupos rivais ou a paz. Em determinadas circunstâncias, pode destruir estruturas estatais sem oferecer uma alternativa viável, abrindo espaço para fragmentação política, conflitos internos e instabilidade regional. É o legado das intervenções americanas por todo o Oriente Médio e África, além do Afganistão.

O raciocínio de Sachs é que a segurança de longo prazo não pode ser construída apenas pela superioridade militar de um lado. Sem uma solução política para as disputas regionais, cada demonstração de força corre o risco de preparar o terreno para uma nova rodada de confrontos.

China e Taiwan: o ponto de ruptura?

O terceiro eixo da palestra do professor é a rivalidade entre os Estados Unidos e a China. Sachs observa que a aproximação entre os dois países, iniciada na década de 1970, e aprofundada nas décadas seguintes, permitiu a expansão do comércio, dos investimentos, e das relações econômicas. A revolução político-econômica chinesa, especialmente a partir das reformas iniciadas no final do século XX, se tornou um caso único da história moderna. Na avaliação do economista, esse avanço deveria ser compreendido como uma oportunidade para ampliar a prosperidade mundial, e não como uma ameaça que precisa ser contida. E é assim que os EUA passaram a ver a China.

A mudança da postura americana, segundo Sachs, ganhou força quando a China passou a demonstrar capacidade de competir em setores tecnológicos estratégicos. A Iniciativa Cinturão e Rota, que promove investimentos em infraestrutura e conectividade internacional, e o programa industrial Made in China 2025 simbolizam essa transformação. A China deixou de ser vista apenas como uma plataforma de produção de baixo custo e passou a ocupar posições relevantes em áreas como veículos elétricos, tecnologias digitais, semicondutores, energias renováveis, espaço e inteligência artificial, dentre outras. Para Sachs, tentar frear esse avanço por meio de barreiras econômicas, pressões estratégicas e alianças militares não assegura a prosperidade americana. Ao contrário, produz uma disputa prolongada que prejudica a todos os envolvidos.

Taiwan representa, nesse cenário, um dos pontos mais perigosos de possível escalada. O fornecimento de armamentos americanos à ilha, as declarações de autoridades de Washington sobre uma eventual defesa militar e a posição chinesa sobre a sua soberania em relação à ilha criam um ambiente de tensão permanente. Sachs adverte que uma declaração unilateral de independência por Taiwan poderia desencadear uma crise de consequências imprevisíveis, sobretudo se os Estados Unidos fossem arrastados para um confronto direto com a China.

O professor teme que Taiwan possa acabar em uma situação semelhante à da Ucrânia: transformada no centro de uma disputa entre potências muito maiores, sofrendo as consequências de uma rivalidade que ultrapassa os seus próprios interesses para controlar.

É nesse ponto que o título da palestra encontra a sua expressão mais dramática. Ao advertir que, caso Taiwan declare independência, “all hell could break out” — algo como “as portas do inferno poderão se abrir” —, Sachs não descreve um desfecho inevitável. Ele aponta para um risco que pode ser evitado, desde que os dirigentes envolvidos compreendam os limites da força e a necessidade de preservar canais diplomáticos. A frase sintetiza o argumento de toda a exposição: em um mundo nuclear, uma crise regional não precisa permanecer regional, e a confiança excessiva na capacidade de controlar uma escalada pode ser fatal.

O relógio do Juízo Final e a urgência da diplomacia

Para dimensionar a gravidade da situação, Sachs recorre ao Relógio do Juízo Final, criado em 1947 pelo Bulletin of the Atomic Scientists. O indicador simbólico procura representar o grau de perigo que a humanidade enfrenta diante de ameaças nucleares e de outros riscos globais. Na palestra, o professor recorda que, com o fim da Guerra Fria, a distância simbólica da meia-noite chegou a 17 minutos. Desde então, segundo a sua exposição, o ponteiro voltou a se aproximar da meia noite, atravessando as sucessivas administrações americanas. Sachs interpreta essa trajetória como um sinal de que o encerramento do confronto entre os Estados Unidos e a União Soviética não foi aproveitado para construir uma ordem internacional mais cooperativa.

A referência ao relógio é mais do que uma imagem retórica. Ela representa o problema de uma humanidade que acumulou capacidade tecnológica para destruir a si própria, mas ainda não conseguiu estabelecer mecanismos políticos suficientemente sólidos para impedir que rivalidades entre governos conduzam a uma catástrofe.

As armas nucleares não eliminam as disputas de poder; mas tornam as suas consequências potencialmente irreversíveis. O risco não depende apenas da intenção deliberada de iniciar uma guerra nuclear. Acidentes, falhas de comunicação, interpretações equivocadas, e decisões tomadas sob pressão, também podem desencadear uma sequência de acontecimentos difícil de interromper.

Sachs, contudo, não termina a sua análise em tom fatalista. Como economista, ele defende que o mundo dispõe de recursos e possibilidades tecnológicas para ampliar o bem-estar de suas populações, desde que a cooperação substitua a lógica permanente da competição pela supremacia.

A experiência chinesa de desenvolvimento é apresentada por ele como exemplo da capacidade de transformação que investimentos em educação, infraestrutura, tecnologia e planejamento podem produzir. Em sua perspectiva, outras regiões, incluindo a África, também poderiam avançar de forma significativa, se encontrassem condições políticas e econômicas adequadas.

Essa conclusão é particularmente importante porque desloca a discussão para além da simples disputa sobre qual país deve liderar o planeta. O problema não se resolve trocando um império por outro. Uma ordem internacional mais estável depende do reconhecimento de que nenhuma potência pode, indefinidamente, impor a sua vontade a todas as demais, sobretudo em um cenário em que diferentes países possuem armas nucleares e capacidade de retaliação. A segurança de um Estado não pode ser construída de maneira duradoura à custa da insegurança permanente dos outros.

A palestra de Jeffrey Sachs merece atenção justamente por reunir, em uma mesma narrativa histórica, episódios que muitas vezes são examinados separadamente. O seu diagnóstico é, ao mesmo tempo, sombrio mas esperançoso. Ainda assim, a pergunta que se coloca diante do público é incontornável: por quanto tempo a humanidade poderá conviver com uma política internacional baseada na coerção, na intimidação, e na crença de que a supremacia militar oferece uma solução definitiva para conflitos políticos?

O alerta não deve ser entendido como uma profecia, mas como um chamado à responsabilidade. O inferno de uma guerra nuclear global não é um destino inevitável. É uma possibilidade que a diplomacia, a prudência estratégica e a disposição para negociar ainda podem ajudar a evitar. O mundo precisa compreender que a verdadeira vitória não será de uma potência sobre as demais, mas da humanidade sobre a lógica que transforma toda divergência em uma luta pela dominação.

Quer saber mais? Assista à palestra completa de Jeffrey Sachs: https://youtu.be/yWxnCT5_-Zk

Nota ao leitor:

Este artigo buscou compilar, em uma análise única a visão do professor Jeffrey Sachs sobre a crise geopolítica mundial, em uma perspectiva de entender e conectar fatos históricos que levaram às guerras, golpes de Estado, disputas territoriais e rivalidades entre as grandes potências. O alerta que emerge dessa análise é sombrio, mas esperançoso. Se a humanidade continuar tratando a supremacia de uma potência como condição indispensável para a segurança internacional, poderá abrir as portas para uma guerra nuclear de consequências inimagináveis. As fontes utilizadas são públicas e estão disponíveis para a sua verificação.

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