“Não somos terroristas, somos vítimas do terrorismo”, diz o presidente do Irã na ONU

Principais entregas deste artigo:

  • O discurso do presidente iraniano, Massoud Pezeshkian, no segundo dia da Assembleia Geral da ONU, negando que o Irã seja um “estado terrorista” e afirmando que o país é vítima de terrorismo de Estado praticado pelos EUA e Israel.
  • A inversão de acusações: Pezeshkian respondeu diretamente à declaração de Trump no mesmo púlpito, que havia chamado os iranianos de terroristas no dia anterior.
  • O contexto da guerra iniciada em 28 de fevereiro de 2026, com ataques de EUA e Israel contra o Irã, e o bloqueio do Estreito de Ormuz como retaliação, que provocou choque nos mercados energéticos globais.
  • A posição iraniana sobre o programa nuclear: rejeição a armas nucleares, mas defesa intransigente do direito ao conhecimento e à energia nuclear pacífica.

Internacional, Nacional, Política, Economia, Geopolítica

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Por PolitikBr I Brasília, Em 24/09/2026, 08h:32min, leitura: 8min

Editor: Rocha, J.C.

Essa é uma análise documental. Para visualizar “o todo” recomendamos a leitura dos demais artigos e publicações relacionadas, que se somam ao tema de hoje. Boa leitura.

O presidente do Irã, Massoud Pezeshkian, subiu ao púlpito da Assembleia Geral da ONU em Nova Iorque nesta quarta-feira com um texto preparado. Mas o texto, ao que parece, foi deixado de lado. Diante de uma plateia que no dia anterior havia ouvido Donald Trump chamá-los de terroristas, Pezeshkian respondeu no mesmo tom — ou melhor, na mesma acusação invertida.

“Ontem, o presidente dos Estados Unidos disse que nós éramos terroristas”, disse ele. “Nós temos sido vítimas do terrorismo.”

A frase resume o tom de um discurso que buscou reposicionar o Irã não como agressor, mas como alvo de uma campanha de terrorismo de Estado conduzida por Washington e por Tel Aviv.

Pezeshkian lembrou que o seu país “vem de um Irã em que nosso estimado líder supremo foi assassinado, sem qualquer base legal ou justificativa”, e que “eles terrorizaram o nosso líder, sem nenhuma razão legal, sem nenhuma prova”.

A referência é o assassinato do líder supremo iraniano — um evento que, no contexto da guerra de agressão dos EUA e de Israel iniciada em 28 de fevereiro de 2026, funciona como o marco zero de uma escalada que transformou o Oriente Médio.

Pezeshkian disse: “O Irã nunca foi o início de nenhuma guerra. O Irã jamais foi agressor, nunca iniciou uma guerra e sempre demonstrou o seu compromisso com a mesa de negociações. Eles nos impuseram a guerra, mas provamos que não temos medo de lutar, e não fugimos da negociação em nome da paz.”

O contexto da guerra e o bloqueio de Ormuz

O discurso de Pezeshkian não acontece no vácuo. A guerra entre EUA/Israel e o Irã, iniciada em 24 de fevereiro, já dura sete meses. Em junho de 2026, o PolitikBr publicou uma análise de Patrick Henningsen – PATRICK HENNINGSEN: 2026. O Ano da Pior Derrota Geoestratégica dos EUA – que descrevia o conflito como “o ano da pior derrota geoestratégica dos EUA” — um conflito que expôs a fragilidade das cadeias de suprimento militares americana,s e a incapacidade de Washington de ditar os termos da paz, por ser um Estado interventor, subversor e belicista.

Pezeshkian mencionou especificamente o Estreito de Ormuz, a artéria por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial, e outros insumos essenciais, como a maioria dos fertilizantes nitrogenados, ácido sulfúrico e hélio.

Em resposta aos ataques de 28 de fevereiro, Teerã bloqueou Ormuz e passou a controlar o trânsito pelo estreito, quase literalmente se transformando no “dono do portão” — uma medida que “provocou um terremoto nos mercados, e um aumento generalizado da inflação nos EUA e no mundo, devido à alta nos preços do petróleo e do gás natural”.

O presidente iraniano declarou que o seu governo “não permitirá que o estreito de Ormuz seja usado para realizar agressões contra seu país”. É uma formulação cuidadosa: o Irã não diz que fechará o estreito permanentemente, mas estabelece que o seu uso como plataforma de agressão não será tolerado. Na prática, Teerã transformou o controle de Ormuz em moeda de troca geoestratégica.

“Nem armas nucleares, nem privação do conhecimento nuclear”

Um dos pontos centrais do discurso foi a questão nuclear — tema que Washington usa como justificativa para a pressão máxima sobre Teerã. Pezeshkian foi inequívoco:

“O Irã não considera as armas nucleares uma fonte de segurança, mas também não abrirá mão de seu direito à ciência, à indústria e à energia nuclear pacífica.”

A citação de Pezeshkian “nem armas nucleares, nem privação do conhecimento nuclear” sintetiza a posição iraniana: rejeição a armas atômicas, mas a recusa absoluta em aceitar que o conhecimento nuclear seja “privilégio exclusivo de um punhado de países”.

É uma posição que o Irã tem sustentado há anos, mas que ganha novo peso no contexto pós-guerra. Pezeshkian falou em nome de um país que, apesar de bombardeiros e sanções, não apenas sobreviveu como prosperou e emergiu do conflito com uma posição moral e geopolítica extremamente fortalecida.

Há, no entanto, especialistas como Postol e outros que dizem – A Iminência de Um Ataque Nuclear Israelense ao Irã e a Provável Resposta Nuclear Iraniana – que o Irã é capaz de produzir de 10 a 15 artefatos nucleares, em dias ou semanas, com os 450 kg de urânio enriquecido a 60% que já possui, bastando para tal – se já não o fizeram – enriquecer esse material a 90% (grau de enriquecimento necessário a um artefato nuclear); e que o Irã teria cogitado explodir um desses – supostos – artefatos em seu próprio território, como prova inconteste de dissuasão nuclear – um teste subterrâneo.

A guerra como teste de narrativa

O discurso de Pezeshkian na ONU foi, em essência, um exercício de inversão narrativa. A administração Trump tentou enquadrar o Irã como um “estado terrorista” — uma designação que carrega peso jurídico e político. Pezeshkian respondeu com a mesma arma retórica, mas apontando na direção oposta: terrorismo de Estado é o que os EUA e Israel fazem; do qual o Irã é vítima.

“Eu venho de um Irã onde eles aterrorizaram o nosso líder”, disse ele. A repetição da palavra “terror” não é acidental. É uma tentativa de reclamar o vocabulário e virá-lo contra os acusadores.

Se o discurso terá efeito prático, além da retórica, é outra questão. Mas a imagem de um presidente iraniano usando o púlpito da ONU para acusar Washington de terrorismo de Estado é, por si só, um dado político extraordinário. E nesse momento, a delegação dos EUA se retirou da sala. O que mais ela poderia fazer?

A Assembleia Geral da ONU não produz decisões vinculantes. Mas produz narrativas. E a narrativa que Pezeshkian levou à Nova Iorque, em 23 de setembro de 2026, é a de um país que, longe de se ajoelhar, escolheu lutar — e diz que não tem medo de negociar. E isso é inspirador. O mundo está farto dos EUA e de sua jornada insana e prepotente de intimidação e agressão. O Irã nos diz que há outro caminho; do que aceitar passivamente.

Quer saber mais? Leia a matéria completa Irã não é um estado terrorista, diz presidente na ONU

Nota ao leitor:

Este artigo buscou compilar, em uma análise única, os fatos associados ao discurso do presidente do Irã, na Assembleia Geral da ONU, em resposta às acusações dos EUA, dizendo que o país não é um Estado terrorista, mas que, ao contrário, é vítima de terrorismo de Estado, promovido tanto pelos Estados Unidos quanto por Israel, o que é absoluta verdade. As fontes utilizadas são públicas e estão listadas abaixo para a sua verificação.

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