Cel. Larry Wilkerson: A queda das Oligarquias Árabes do Oriente Médio – a maior derrota militar da história

Principais entregas deste artigo:

  • A análise do Coronel Larry Wilkerson sobre a nova guerra entre a Arábia Saudita e os Houthis do Iêmen, que pode levar ao colapso da Casa de Saud.
  • A tese de que a incompetência militar saudita, combinada com a competência dos Houthis, resultará em uma derrota avassaladora e no fim das oligarquias do Golfo Pérsico.
  • O efeito dominó geopolítico que levaria ao colapso dos regimes do Bahrein, Kuwait, Catar e Emirados Árabes Unidos (EAU).
  • A visão de Wilkerson sobre os prováveis vencedores deste cenário: o Irã e o Sultanato de Omã, as únicas nações a sobreviverem ao terremoto geopolítico.
  • A contextualização da entrevista com as análises anteriores do PolitikBr sobre a escalada nuclear e a crise energética global.

Internacional, Nacional, Economia, Geopolítica, Política

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Por PolitikBr I Brasília, Em 17/10/2026, 19h:52min, leitura: 7min

Editor: Rocha, J.C.

Essa é uma análise documental. Para visualizar “o todo” recomendamos a leitura dos demais artigos e publicações relacionadas, que se somam ao tema de hoje. Boa leitura.

O Coronel Larry Wilkerson, ex-chefe de gabinete do Secretário de Estado Colin Powell, não é um analista dado ao alarmismo. Mas em sua mais recente entrevista ao podcast Dialogue Works, com Nima R. Alkhorshid, ele pinta um cenário que, nas suas próprias palavras, se assemelha ao “1792 na França”. A nova guerra entre a Arábia Saudita e os Houthis do Iêmen, segundo ele, não é apenas mais um conflito regional; é o gatilho para o maior terremoto geopolítico da história moderna do Oriente Médio, que pode resultar na queda das oligarquias árabes e na maior derrota militar da história.

O Desastre Anunciado: A Incompetência Saudita vs. a Competência Houthi

Wilkerson é direto: a Arábia Saudita está perdendo. E feio. Ele descreve o exército saudita como “supremamente desprofissional” e “incompetente no ar, no chão, e se estivesse no mar, provavelmente no mar também”. Em contraste, os Houthis são apresentados como um poderoso grupo “militar extremamente competente”, que aprende com os seus erros e se adapta rapidamente. Wilkerson rejeita a ideia de que os Houthis são meros fantoches do Irã ou da China, afirmando que, embora haja algum apoio, “basicamente, eles estão fazendo isso – a guerra contra os sauditas – sozinhos”.

A consequência dessa equação, para o coronel, é inevitável: “o colapso da Arábia Saudita”. A Casa de Saud, que por décadas manteve o reino unido através de uma aliança com os wahabistas, está “sendo ameaçada existencialmente pela primeira vez na história”.

O Efeito Dominó: A Queda das Oligarquias do Golfo

Wilkerson não para na Arábia Saudita. Ele projeta que o colapso do reino saudita criará um vácuo de poder que se espalhará por toda a região do Conselho de Cooperação do Golfo (GCC). O Bahrein, Kuwait, Catar e os Emirados Árabes Unidos (EAU) são citados como regimes que enfrentarão suas próprias populações, que “vão se levantar no meio daquele colapso”.

Ele lembra que o Bahrein já esteve perto de colapsar durante a Primavera Árabe e só sobreviveu pela intervenção militar saudita e americana. “Nós não vamos voltar para o Bahrein, não vamos voltar para o Kuwait, não vamos voltar para nenhum desses Estados”, adverte Wilkerson, sugerindo que os EUA não terão capacidade ou vontade de intervir novamente.

Os Vencedores: Irã e Omã

Em meio ao caos projetado, Wilkerson aponta dois sobreviventes: O Irã e Omã. Ele os descreve como “os dois únicos Estados da região que sobreviverão quando isso acabar”. A razão, segundo ele, é que ambos possuem governos que, em algum grau, olham para a maioria de seus povos, ao contrário das monarquias do Golfo que servem apenas às suas elites.

Wilkerson vê uma espécie de justiça poética nisso: “Eu acho que isso é a justiça de Deus, se você quiser. Mas, no entanto, a justiça de Deus vai ser levada a todas essas pessoas, e nós vamos ver uma mudança cataclísmica na região, possivelmente, e isso vai se espalhar.”

A Expansão do Conflito: Iraque, Jordânia e Turquia

O coronel alerta que o conflito não ficará contido. O Iraque, que ele diz ter sido destruído pela invasão americana de 2003, pode ser arrastado novamente. A Jordânia, que “está vivendo de nosso dinheiro”, não sobreviveria a esse terremoto. E a Turquia, com o seu passado otomano e ambições regionais, “está assistindo com atenção”, pronta para tirar vantagem do caos que virá.

A Crítica à Estratégia Americana: A Ausência de Geopolítica

Wilkerson faz uma crítica contundente à política externa dos EUA. Ele define geopolítica como “geografia e política”, nessa ordem. Para ele, os EUA não têm mais uma política geopolítica para a região, apenas uma estratégia de “poder marítimo” que se tornou obsoleta. Ele critica a atual administração, incluindo o vice-presidente Vance, o secretário da guerra Pete Hegseth e o secretário de Estado Marco Rubio, por pensarem como “agentes imobiliários”, focados em tomar propriedades e recursos, sem entender a complexidade do terreno humano e histórico.

“Nós estamos mal posicionados para fazer qualquer coisa sobre esse caos, exceto sair (do Oriente Médio)”, conclui ele, sobre a necessidade de uma retirada estratégica antes que seja tarde demais.

A Regionalização do Conflito e o Retorno do “Império”

Wilkerson prevê que a regionalização do conflito no Oriente Médio será quase simultânea a uma escalada na Europa. Ele vislumbra uma “linha de conflito” que se estenderá de Kaliningrado (Rússia), no Báltico, até Bandar Abbas, no Irã. Nesse cenário, os EUA, o “império” ainda que em declínio, seriam forçados a retornar. E, ironicamente, na vanguarda desse retorno, estariam os Houthis, os mesmos que humilharam a Arábia Saudita.

Um Ponto de Inflexão na História

A análise de Larry Wilkerson não é uma previsão, mas um diagnóstico sombrio de uma trajetória em curso. A nova guerra entre a Arábia Saudita e os Houthis é o catalisador de um colapso que pode redesenhar o mapa do Oriente Médio. A queda das oligarquias árabes, a ascensão do Irã como potência regional, e a retirada humilhante dos EUA são os pilares de um novo ordem que se desenha. Como o próprio Wilkerson sugere, o mundo pode estar testemunhando o fim de uma era e o início de outra, muito mais volátil e imprevisível.

Quer saber mais? Leia a matéria completa no podcast Dialogue Works, com Nima R. Alkhorshid: Cel. Larry Wilkerson: A queda das Oligarquias Árabes do Oriente Médio – a maior derrota militar da história

Nota ao leitor:

Este artigo buscou compilar , em uma análise única, as impressões do analista dos EUA, e Coronel, Larry Wilkerson, sobre a nova guerra entre a Arábia Saudita e os Houthis do Iêmen. Wilkerson argumenta que a incompetência militar saudita levará a uma derrota catastrófica da Arábia Saudita, desencadeando o colapso das oligarquias do Golfo (Bahrein, Kuwait, Catar, EAU) e um terremoto geopolítico. As fontes públicas utilizadas estão listadas abaixo para a sua verificação.

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