Principais entregas deste artigo:
- A análise do coronel Larry Wilkerson sobre a intersecção entre o conflito EUA-Irã, a crise energética global e o colapso do comércio marítimo nos estreitos de Ormuz, Suez e Panamá, que juntos representam 60 a 70% do tráfego de commodities do mundo.
- A denúncia de Wilkerson sobre a onda religiosa que capturou o Pentágono, personificada em Pete Hegseth, que se apresenta como instrumento de Deus para conduzir o aparato militar mais letal da Terra.
- O alerta sobre a possibilidade real de uso de armas nucleares no conflito com o Irã, incluindo a discussão entre Trump e Netanyahu sobre permissão nuclear, e a resposta iraniana de entrar em modo de defesa CBR (química, biológica, radiológica).
- A avaliação de que a economia global já está em recessão, com dois terços dos estados americanos nessa condição, e o custo humano catastrófico em Gaza, que Wilkerson estima em mais de meio milhão de mortos.
- A tese central de que Israel pode estar caminhando para um colapso existencial, e que a guerra contra o Irã foi orquestrada por Netanyahu para arrastar os Estados Unidos a um conflito que não sabem como terminar.
Internacional, Economia, Geopolítica, Política
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Por PolitikBr I Brasília, Em 08/10/2026, 20h:50min, leitura: 09min
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(Editado em 09/10/2026, 06h:34min)
Editor: Rocha, J.C.

Essa é uma análise documental. Para visualizar “o todo” recomendamos a leitura dos demais artigos e publicações relacionadas, que se somam ao tema de hoje. Boa leitura.
A Tempestade Perfeita nos Mares
O coronel Larry Wilkerson, ex-chefe de gabinete do Secretário de Estado Colin Powell, não é conhecido por alarmismo gratuito. A sua trajetória de 31 anos no exército americano e a sua passagem pelo mais alto escalão da diplomacia dos EUA, conferem às suas análises um peso que vai além da especulação. Mas na entrevista concedida ao podcast Dialogue Works, sob a condução de Nima R. Alkhorshid, Wilkerson pinta um quadro que beira o apocalíptico — e que merece atenção precisamente por sua sobriedade habitual.
O ponto de partida é a geografia do comércio global. Wilkerson lembra que estamos falando de 60, talvez 70% do tráfego de commodities do mundo passando por três gargalos, simultaneamente comprometidos: o Estreito de Ormuz, o Canal de Suez e o Canal do Panamá. “Eu não estou apenas falando de óleo, gás, GNL, hélio e tudo mais”, enfatiza ele. “Estou falando de muitas e muitas coisas que passam pelas marés todos os dias, passam por aquele caminho.”

A combinação de tensões militares no Oriente Médio, com problemas de infraestrutura em outros pontos críticos, cria o que o coronel chama sem rodeios de “um desastre”.
A dimensão econômica dessa equação é imediata. Wilkerson observa que “dois terços, o império (EUA) agora é dois terços dos estados em recessão”.
A guerra combinada dos EUA e de Israel contra o Irã, longe de ser um evento isolado, acelerou uma espiral que já estava em curso. O preço do diesel nos Estados Unidos atingiu recordes históricos – O preço médio atual do diesel nos EUA é de US$ 6,52 por galão (cerca de R$ 8,61 por litro), enquanto o preço máximo registrado recentemente chegou a US$ 8,42 por galão ( R$ 11,12 por litro) na Califórnia – , e medidas emergenciais como a autorização do uso de diesel tingido para veículos rodoviários na Louisiana, e depois em todos os 50 estados por ordem executiva de Trump são, nas palavras de Wilkerson, “não exatamente um grande indicador econômico” .

O Pentágono como Púlpito
Se há um ponto em que Wilkerson se detém com particular intensidade, é o fenômeno que ele chama de “Grande onda religiosa” (sionismo cristão) — a quarta ou quinta onda de fervor religioso coletivo na história americana, dependendo do historiador consultado. A anterior, lembra ele, produziu a Lei Seca, que por sua vez gerou o crime organizado. A atual produziu Pete Hegseth.
O secretário da guerra americano é descrito por Wilkerson como “a apoteose” desse movimento. Hegseth, se apresenta publicamente pregando, bíblia na mão, como um religioso nato, o cristianismo na liderança militar; realizando cultos mensais no Pentágono e trazendo pastores nacionalistas cristãos para orações.
Ele é caracterizado por Wilkerson como alguém que agora “está falando por Deus”. E não qualquer Deus: “o Deus do Antigo Testamento, o Deus de Deuteronômio na Terra”. A função de Hegseth, na visão de Wilkerson, é ser “a boca da paz de Deus na Terra para o mais poderoso instrumento militar na face da Terra”. Em resumo, um perigoso fanático religioso.
Wilkerson revela que recebe relatos de militares em serviço através da Military Religious Freedom Foundation, organização da qual é membro do conselho consultivo. Um desses relatos, citado em artigo de sua autoria, descreve um comandante abrindo uma reunião de prontidão de combate, exortando as suas tropas a não terem medo do que está acontecendo no Irã, porque “tudo isso faz parte do plano divino de Deus”, citando o Livro do Apocalipse e afirmando que “o presidente Trump foi ungido por Jesus para acender o fogo sinalizador no Irã e causar o Armagedom” .
“É assustador assistir a essas pessoas”, diz Wilkerson. “Totalmente assustador.”
A Sombra Nuclear
O momento mais grave da entrevista, no entanto, vem quando Wilkerson aborda o que ele descreve como uma conversa entre Trump e Netanyahu sobre a possibilidade de Israel usar uma arma nuclear. Não houve, segundo ele, uma decisão definitiva pró ou contra. Mas houve uma decisão deliberada: “que eles lessem com cuidado aquele telefonema, para que os iranianos pensassem que Trump havia dado permissão”. A estratégia era plantar a dúvida, deixar Teerã acreditar que a autorização existia.
E os iranianos, segundo Wilkerson, reagiram exatamente como se esperava. “Por que os militares iranianos, em todas as suas configurações — RGC, Militaria Nacional e Milícia — entraram no que eu chamo de modo CBR? Eles recentemente entraram no modo de defesa contra química, biológica e armas nucleares.” Wilkerson destaca o custo operacional dessa decisão: equipamentos adicionais, procedimentos que reduzem a capacidade de combate convencional. “Por que os iranianos teriam feito isso, colocado uma ordem geral para esse efeito, se não tivessem recebido algum tipo de alerta de uso potencial de armas nucleares?”

A conclusão de Wilkerson é direta: “Isso confirma a ideia de que eles leram isso, para que o Irã pensasse que o grande estava vindo.”
Gaza e a Contabilidade do Horror
Wilkerson cita o relatório de Ralph Nader sobre o que ele chama de “a contagem de casualidades em Gaza”. O número oficial, baseado em mortes registradas em hospitais, gira em torno de 600 mil segundo Nader. Mas Wilkerson vai além: “Não há testemunhos hospitalares para revelar esse genocídio. Eles foram todos bombardeados.” As bombas de 2.000 libras usadas pelos israelenses, diz ele, “não deixam corpos para contar. O que deixam são órgãos espalhados por toda parte.”
A estimativa pessoal de Wilkerson é que o número real de mortos — mulheres, crianças, idosos, e “talvez um pouco de lutadores do Hamas” — ultrapassa meio milhão. “Eu acho que ele está certo”, diz Wilkerson sobre Nader. “Eu acho que a contagem de casualidades em Gaza é de mais de meio milhão.”

O Colapso que se Aproxima
A pergunta que paira sobre toda a análise de Wilkerson é sobre Israel. As pessoas nas ruas, relata ele, lhe dizem que nunca viram o país em estado tão convulsivo. “Algumas dessas pessoas eram de 65, 70 anos de idade.” Wilkerson relembra o documentário israelense sobre o assassinato de Yitzhak Rabin — banido em Israel e depois nos EUA — que expõe a atmosfera de violência política que Netanyahu fomenta durante eleições. “Isso é o que ele está fazendo de novo”, alerta.
A tese de Wilkerson, desenvolvida em outras entrevistas, é que Israel pode estar caminhando para um colapso existencial. Se as capacidades nucleares do Irã se tornarem incontestáveis, e Israel se sentir estrategicamente encurralado, as armas nucleares podem entrar na equação. “Estamos entrando em uma dimensão inteiramente nova”, diz ele, na qual guerra convencional, colapso econômico e a política bélica de se levar ao limite, até nuclear, deixam de ser cenários separados para se tornarem riscos sobrepostos.
Quer saber mais? Leia a matéria completa no podcast Dialogue Works, com Nima R. Alkhorshid: Cel. Larry Wilkerson: O Mundo Está Caminhando Para o Desastre
Nota ao leitor:
Este artigo buscou compilar, em uma análise única, os fatos associados à recente entrevista concedida pelo coronel Larry Wilkerson ao podcast Dialogue Works, a respeito do momento atual do oriente médio, que pode resultar em uma catástrofe nuclear envolvendo toda a região, e as atrocidades com mais de 500 mil mortes de palestinos em Gaza, perpetradas pelos israelenses As fontes públicas utilizadas estão listadas abaixo para a sua verificação.
Agradecimento:
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Referências Utilizadas:
- Dialogue Works (2026). Col. Larry Wilkerson & Larry Johnson: Trump Discusses NUCLEAR OPTION on Iran in Secret White House Talks. https://shows.acast.com/dialogue-works/episodes/nima-r-alkhorshid-trump-discusses-nuclear-option-on-iran-in
- Daily Kos (2026). Trump Plays God, Too, But Badly – a guest post by Col. Lawrence Wilkerson, US Army (Retired). https://www.dailykos.com/stories/2026/3/12/2372825/community/trump-plays-god-too-but-badly-a-guest-post-by-col-lawrence-wilkerson-us-army-retired/
- USA Today (2026). Trump, Louisiana Governor Jeff Landry take action to cut diesel costs. https://www.usatoday.com/story/news/2026/10/06/what-is-red-dyed-diesel-and-why-does-trump-order-make-it-cheaper/92116049007/
- USA Today (2026). Pete Hegseth heralds Trump administration at Nashville convention. https://www.usatoday.com/story/news/politics/2026/02/19/pete-hegseth-champions-trump-administration-as-defender-of-godliness/88750390007/
- ScheerPost (2026). Lawrence Wilkerson Warns Israel Faces Collapse as War With Iran Nears Nuclear Edge. https://scheerpost.com/2026/03/29/lawrence-wilkerson-warns-israel-faces-collapse-as-war-with-iran-nears-nuclear-edge/
- YouTube (2026). Cel. Larry Wilkerson: O Mundo Está Caminhando Para o Desastre | Dialogue Works. https://youtu.be/E8Z8Vt-FR0c