Este artigo compila a análise do Coronel Larry Wilkerson sobre a nova guerra entre a Arábia Saudita e os Houthis do Iêmen. Wilkerson argumenta que a incompetência militar saudita levará a uma derrota catastrófica, desencadeando o colapso das oligarquias do Golfo (Bahrein, Kuwait, Catar, EAU) e um terremoto geopolítico. Ele aponta o Irã e Omã como os prováveis vencedores e critica a ausência de uma política geopolítica coerente dos EUA para a região.
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Pepe Escobar: A Arábia Saudita, o Iêmen e o BRICS em Ascensão
A nova escalada entre a Arábia Saudita e os houthis do Iêmen pode parecer, à primeira vista, apenas mais um capítulo da longa guerra iemenita. Mas a entrevista de Pepe Escobar ao podcast de Nina sugere uma leitura muito mais ampla: o conflito estaria expondo as transformações profundas que estão ocorrendo no equilíbrio de poder do Oriente Médio.
O ponto estratégico está na geografia. De um lado, Bab el-Mandeb, porta de entrada do Mar Vermelho. Do outro, o Estreito de Hormuz, passagem essencial para o petróleo do Golfo. Com os dois pontos sob crescente tensão, qualquer escalada regional pode produzir efeitos que ultrapassam as fronteiras do Oriente Médio.
Escobar sustenta que Mohammed bin Salman estaria enfrentando uma situação particularmente delicada porque a antiga garantia de segurança americana já não teria a mesma previsibilidade. A atual hesitação de Washington em assumir uma nova intervenção militar direta contra os houthis reforça essa percepção.
Pepe Escobar: O Pacto de Meca e a Espiral de Demência do Império
A escalada no Oriente Médio atingiu um novo patamar nesse final de agosto de 2026. O Pacto de Meca entre a Arábia Saudita, o Paquistão e a Turquia, uma aliança militar de defesa coletiva, busca reposicionar a segurança regional. Simultaneamente, os Houthis impuseram um bloqueio naval no Mar Vermelho, atacando petroleiros sauditas e invalidando a eficácia do pacto, em certa medida. Israel escalou a tensão ao bombardear uma base síria, que poderia ser usada pela Turquia, enquanto a administração Trump tentou, sem sucesso, subornar alguns dos generais do IRGC para dividir o Irã, revelando o seu completo desespero diante da derrota geoestratégica e militar que sofreu. A especulação sobre a adesão iraniana ao pacto de Meca – uma especulação – tem potencial para reconfigurar o xadrez geopolítico, apontando para o fim da presença americana na região, e o início de uma nova ordem de segurança regional. A ameaça iminente de um ataque nuclear dos EUA ao Irã, debatida abertamente, mostra a “espiral de demência” de um império em decadência.
Transition Protocol: As Últimas Notícias do Front Militar e Geopolítico no Oriente Médio
A análise de Pepe Escobar, Larry Johnson e Mr. Z, no site Transition Protocol, de 17 de julho de 2026 revela uma escalada crítica no Oriente Médio. Os EUA estão bombardeando a infraestrutura civil iraniana (Chabahar) como parte de uma guerra pela conectividade e pelo controle das rotas de energia, visando corredores como o Norte-Sul (Rússia, Irã, Índia).
A mudança tática mais significativa é a adoção do sistema chinês Beidou pelo Irã, que substituiu o GPS americano, tornando os mísseis iranianos precisos e imunes a “spoofing”. Isso preocupa Israel e os EUA.
Por outro lado, a China pressiona o Paquistão – na qualidade de mediador entre as partes – para restaurar o MoU de Versalhes até segunda (20/07), temendo que a escalada comprometa o Corredor Econômico China-Paquistão (CPEC) e a inciativa cinturão e rota.
O Paquistão, como mediador, teria recebido instruções claras de Pequim para trazer as partes de volta ao acordo original de 14 pontos.
O ataque saudita ao aeroporto de Sanaa, rompendo a trégua com os Houthis, ameaça abrir um novo front no Mar Vermelho. Em razão disso, os Houthis retaliaram e ameaçam fechar o estreito de Bab al-Mandab, rota fundamental para a travessia pelo canal de suez. O Paquistão, apesar do pacto militar com a Arábia, não atacará o Irã, priorizando a relação com a China e os interesses de seus 40 milhões de xiitas. Por fim, o Irã sinaliza a revisão da sua doutrina nuclear e a saída do NPT, com o parlamento já aprovando a aceleração do programa nuclear. O prazo para a desescalada é segunda feira; caso contrário, uma guerra total e a proliferação nuclear se tornam iminentes.
PEPE ESCOBAR: As Últimas da Guerra do Consórcio EUA/ISRAEL Contra o IRÃ
Pepe Escobar analisa a guerra no Estreito de Ormuz: dois bloqueios. O iraniano, na verdade um pedágio aprovado pelo parlamento, cobra US$ 2 milhões por petroleiro (ou yuan/cripto) – para um petroleiro transportando 2000.000 de barris- e permite a passagem de nações não hostis. O americano, posicionado no Golfo de Omã, é um “bloqueio de covardes” — longe dos mísseis iranianos de curto alcance, mas vulnerável aos hipersônicos. O alvo real, segundo Escobar, é a China. O secretário do Tesouro americano disse abertamente que “a China não vai poder mais receber petróleo do Irã”. A China, no entanto, tem alternativas: gasodutos da Rússia, da Ásia Central e de Mianmar, além de reservas estratégicas de 1,3 bilhão de barris. O cenário mais aterrorizante é a entrada dos houthis no conflito, fechando o “triângulo de Al-Aqsa” (Bab al-Mandeb, Yanbu e Suez), o que levaria o petróleo a US$ 200 o barril. Escobar revela o plano sinistro: provocar um jejum de petróleo e dólares para forçar uma reestruturação da dívida americana às custas do mundo. O cessar-fogo expira na próxima semana. O próximo movimento pode ser o afundamento de um destroyer americano — e a imagem definitiva da derrota do império.
Idas e Vindas: Trump Anuncia Força Extrema Contra o Irã nas Próximas 2 ou 3 Semanas
No 32º dia de uma guerra que prometeu vencer em 4, Trump anunciou em pronunciamento nacional que os EUA atacarão o Irã com “força extrema” nas próximas 2 a 3 semanas, prometendo “fazê-los voltar à Idade da Pedra”. A contradição expõe o desespero: se a guerra está vencida, por que mais bombardeios? Enquanto isso, a Europa age sem os EUA: Macron diz que é “irrealista” abrir Ormuz pela força; Starmer reúne 35 países, excluindo Washington, para negociar. Os houthis entraram na guerra, atacando Israel com mísseis e ameaçando bloquear Bab el-Mandeb. Israel luta em 4 frentes e está à beira do colapso. O petróleo disparou para US$ 106, e a AIE estima perda de 12 milhões de barris/dia — a pior crise energética desde 1973. A Rússia lucra, vendendo petróleo com prêmio. E, no limite, a tese nuclear de Postol e Mearsheimer paira: se Israel usar a bomba, o Irã responderá com seus próprios artefatos, e o resultado pode ser o fim de Israel. Quem é o desmiolado afinal?
O Precipício Anunciado: Ataque ao Irã Ignora Alertas e Coloca o Mundo Em Risco
Neste 28 de fevereiro de 2026, a aliança EUA-Israel lançou um ataque surpresa contra o Irã, contrariando todas as análises políticas sérias que apontavam para o desastre eleitoral e estratégico dessa ação. A decisão, fortemente influenciada pelo lobby sionista, ignora que Trump enfrenta um ambiente político doméstico hostil e que um novo conflito no Oriente Médio seria sua sentença de morte nas urnas de novembro.