Pacientes de países ricos estão começando a viajar para a China em busca de tratamentos médicos avançados, inclusive terapias CAR-T contra cânceres do sangue. O caso da médica australiana Amanda Harvey é emblemático: depois de esgotar as opções disponíveis na Austrália, ela pesquisou tratamentos nos Estados Unidos e no Reino Unido, mas considerou os custos proibitivos. Na China, segundo seu relato, gastou cerca de A$110 mil, contra uma estimativa de aproximadamente A$1 milhão nos EUA ou Reino Unido.
O mais impressionante, porém, não é apenas a diferença de preço. É o tempo. Amanda afirma que suas células CAR-T ficaram prontas em oito dias, enquanto o processo nos EUA poderia levar dois a três meses.
A China vem construindo uma poderosa infraestrutura de biotecnologia, pesquisa clínica e medicina de precisão, combinando escala industrial, política pública e capacidade hospitalar. O resultado começa a transformar o país em um novo polo de turismo médico de alta complexidade.
O Brasil apresenta outra experiência singular: o SUS, baseado nos princípios de universalidade, integralidade e gratuidade. O país também possui uma medicina privada competitiva internacionalmente e vem desenvolvendo suas próprias pesquisas em terapias celulares.
Categoria: Economia
Cezinha de Madureira: O Pastor do Tráfico de Influência e o Guru que Abençoou o “Terrivelmente Evangélico”
A Polícia Federal deflagrou a terceira fase da Operação Transparência contra o deputado Cezinha de Madureira (PL-SP), pastor da Assembleia de Deus Ministério Madureira e aliado próximo do ministro André Mendonça. A investigação apura os supostos crimes de tráfico de influência, exploração de prestígio, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
Cezinha, que não é advogado, vendia acesso a gabinetes de ministros do STF, STJ e TSE. O modus operandi envolvia a advogada Mariângela Fialek (“Tuca”), que captava clientes e redigia peças processuais, e a esposa do deputado, Valéria Rodrigues Linhares, que assinava contratos de honorários. Valores chegavam a R$ 2 milhões por “taxa de sucesso”.
O caso ganhou destaque com a apreensão de R$ 510 mil em dinheiro vivo na bagagem de Valéria no aeroporto de Congonhas. O advogado que a socorreu foi Daniel Bialski, o mesmo que defende Daniel Vorcaro — o banqueiro do Banco Master que Cezinha levou a um encontro secreto com André Mendonça no Instituto Iter, em março de 2025.
A operação, autorizada por Flávio Dino, ocorre na véspera do julgamento sobre a conduta de Alexandre de Moraes.
A PF ressalva que não há indícios de participação de magistrados nos crimes. O que se investiga é a mercancia da influência — a venda, por Cezinha, da promessa de acesso ao Supremo.
A economia de Lula a 21 dias da eleição — Números Robustos e Indecisão do Eleitor
Esta edição do Rapidinha analisou o desempenho da economia brasileira a 21 dias das eleições de 2026, com foco nos indicadores favoráveis ao governo Lula: a menor inflação acumulada pré-eleitoral desde o Plano Real (17,9%), a deflação de agosto e a expectativa de novo corte da Selic, o desemprego em 5,3% (menor da série histórica) e a projeção de superávit comercial recorde de quase US$ 100 bilhões.
Pezeshkian, os Emirados e a Verdade que Washington Não Quer que Você Ouça
O presidente iraniano Masoud Pezeshkian concedeu uma entrevista à India Today em 12 de setembro de 2026, à margem da cúpula do BRICS em Nova Délhi, na qual falou sobre quem o Irã considera como seus aliados naturais — os países do Golfo, incluindo os Emirados Árabes Unidos — do que considera seu verdadeiro adversário: as bases militares americanas instaladas em solo emiradense. “Não temos problemas com os Emirados”, disse. “Temos um problema com as bases americanas nesses países, de onde atacam nosso país.” Pezeshkian descreveu os emiradenses como “irmãos” e acusou Washington de usar as bases para atacar o Irã, vender armas para fomentar divisões e explorar o petróleo regional. O encontro com o príncipe herdeiro Khaled bin Mohamed bin Zayed, o primeiro desde o início do conflito em fevereiro de 2026, sinaliza uma possível reaproximação entre Teerã e Abu Dhabi, facilitada pelo foro do BRICS. A Declaração de Nova Délhi, adotada por unanimidade, pede máxima contenção no Oriente Médio, e serve como contenção institucional para que as divergências não fraturem o bloco. Pezeshkian também defendeu o Novo Banco de Desenvolvimento como instrumento de desdolarização e de resistência ao unilateralismo americano.
Putin, o BRICS e a Nova Arquitetura Global: A Cúpula de Nova Délhi e a Reconfiguração do Poder Mundial
Na XVIII Cúpula do BRICS, em Nova Délhi, O presidente da Rússia, Vladimir Putin, apresentou números que desmontam a centralidade do G7: os países do BRICS geraram mais de 40% do PIB mundial nos últimos cinco anos, contra 29% do G7. Putin criticou o uso da coerção e destruição física pelo Ocidente para manter a sua posição e defendeu a cooperação multilateral. A cúpula também avançou na ampliação do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), presidido por Dilma Rousseff, e no BRICS Pay, sistema de pagamentos em moedas locais, alternativo ao SWIFT.
Com 11 membros plenos e mais de 30 países na fila de adesão, o BRICS se consolida como o principal fórum de articulação do Sul Global, em um mundo multipolar.
André Mendonça – o “Terrivelmente Evangélico”: A Transparência Seletiva e o Sigilo que Interessa a Quem?
O ministro Edson Fachin, presidente do STF, determinou que André Mendonça, relator dos casos Master e Dark Horse, quebre o sigilo de todos os documentos ligados à Petição 15.556 e à Operação Compliance Zero em 24 horas. A decisão atende à pedido da PGR, que apontou que Mendonça havia liberado apenas parte dos procedimentos (já de conhecimento de todos), mantendo sob sigilo “grande parte” das investigações correlatas — incluindo o inquérito do Dark Horse, que envolve o financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro.
Alexandre de Moraes acusou Mendonça de ter feito uma “escolha seletiva”, liberando apenas o que lhe era conveniente.
Gilmar Mendes pediu que Fachin assuma a relatoria dos casos e adie a sessão de 15 de setembro.
Mendonça também negou ao ministro Cristiano Zanin o acesso integral aos dados do celular de Daniel Vorcaro, alegando risco à investigação.
O caso expõe a crise de credibilidade do STF e a disputa em torno do que o público pode ver ou não, pela resistência do atual relator, que deve ser substituído à bem da transparência da atuação do STF.
André Mendonça – O Terrivelmente Evangélico: Os Supostos Vícios da Atuação do Ministro Podem Levar à Anulação de Todos os Processos dos Casos INSS e Master
Este artigo da série “André Mendonça – O Terrivelmente Evangélico” detalha como a “atuação anômala” do ministro, apontada pela Polícia Federal, abriu caminho para uma enxurrada de pedidos de anulação e suspeição nos casos do INSS e do Banco Master. As revelações da jornalista Daniela Lima, do UOL, indicam que o ministro pode ter participado ativamente de negociações de delação premiada e que o afastamento do diretor-geral da PF pode ter sido um embaraço à Operação Dark Horse. A crise institucional no STF se aprofunda, com o presidente Edson Fachin estudando retirar os casos das mãos de Mendonça. O custo final pode ser o naufrágio de duas das maiores investigações de corrupção do país.
André Mendonça – o Terrivelmente Evangélico: O Afastamento do Chefe da PF como Embaraço à Operação Dark Horse
Este artigo da série “André Mendonça – o Terrivelmente Evangélico” analisa, com base nas revelações da jornalista Daniela Lima, o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Passos Rodrigues, como um embaraço calculado à Operação Dark Horse. O texto expõe a guerra interna no STF, a falsa equivalência das decisões de Fachin, a estratégia de Flávio Dino e o timing suspeito que liga o ministro André Mendonça à proteção de aliados e ao ataque a adversários. Uma leitura crítica e direta sobre os bastidores do poder.
A vantagem estratégica da China que desafia tarifas e guerras
Este artigo analisa o impressionante crescimento de 25% nas exportações chinesas no último ano — um feito que ocorre apesar das tarifas globais de Trump contra a China e os demais países. A China não apenas resistiu às perturbações geopolíticas como as transformou em vantagem estratégica, ampliando a sua presença no Sudeste Asiático, na América Latina e na África, enquanto os EUA vêem seu déficit comercial com o país asiático se aprofundar. O controle chinês sobre terras raras e o avanço em semicondutores e veículos elétricos consolidam uma nova realidade: a China venceu a guerra econômica sem disparar um único tiro.
O Paradoxo do Crescimento da Renda e a Migração do Capital – Caso China
Este artigo analisa o fenômeno da migração da indústria manufatureira de baixo valor agregado para fora da China, impulsionado pelo crescimento dos salários e pela elevação da renda per capita chinesa. Com base em dados salariais comparativos (China vs. Vietnã, Bangladesh, Etiópia), estatísticas de investimento chinês em Bangladesh e números de participação no mercado de vestuário dos EUA, o texto demonstra como o sucesso econômico chinês está redesenhando a geografia industrial global. O artigo também aborda a oportunidade e os desafios para países como o Brasil nesse novo cenário, citando a análise do economista Marcos Troyjo.