A Medusa Bolsonaro — perto deles, os Trumps parecem conservadores e comportados

Principais entregas deste artigo:

  • A análise da revista alemã Stern que compara o clã Bolsonaro à família Trump, concluindo que os americanos parecem “uma família boazinha do subúrbio” diante do caso brasileiro.
  • O recorde mundial apontado pela publicação: 18 candidatos com o sobrenome Bolsonaro nas eleições de 4 de outubro, sendo 8 do núcleo familiar direto.
  • A crítica devastadora à Flávio Bolsonaro como “a personificação do establishment” que “nunca fez nada por conta própria”.
  • A conexão entre a reportagem alemã e as investigações documentadas pelo PolitikBr sobre o caso Banco Master e os R$ 70 milhões do filme Dark Horse.
  • O contexto da condenação de Eduardo Bolsonaro à 4 anos e 2 meses de prisão e a sua fuga para os Estados Unidos com Green Card.

Internacional, Nacional, Economia, Geopolítica, Política

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Por PolitikBr I Brasília, Em 06/10/2026, 16h:35min, leitura: 10min

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Editor: Rocha, J.C.

Essa é uma análise documental. Para visualizar “o todo” recomendamos a leitura dos demais artigos e publicações relacionadas, que se somam ao tema de hoje. Boa leitura.

A revista alemã Stern, uma das publicações semanais de maior circulação da Europa, publicou na semana passada uma reportagem que deveria constranger qualquer família política do planeta. O título escolhido pela redação de Hamburgo é uma sentença: “Contra o clã Bolsonaro, os Trumps parecem uma família boazinha do subúrbio” .

O texto não poupa adjetivos. Ao contabilizar 18 candidatos com o sobrenome Bolsonaro nas eleições deste 4 de outubro — sendo oito do núcleo familiar direto — a Stern aponta o que a socióloga Débora Messenberg Guimarães, da Universidade de Brasília, classifica como possível “recorde mundial” . “Não existe nenhum Bolsonaro que não esteja na política. A não ser a filha Laura, de 15 anos”, ironiza a publicação.

A comparação com os Trump é o fio condutor da crítica. Enquanto a família americana ocupa o noticiário por escândalos pessoais de enriquecimento ilícito e uma máquina partidária profissional, os Bolsonaro transformaram a política brasileira em um negócio de família. Obviamente, também enriquecendo, como os Trump´s. A revista cita ainda as dinastias Le Pen, na França, e Bush, nos Estados Unidos, para concluir que nenhuma delas se aproxima da amplitude do clã brasileiro .


“Ele nunca fez nada por conta própria”

O trecho mais ferino da reportagem é dedicado à Flávio Bolsonaro, o candidato à Presidência ungido pelo pai condenado, e que está à frente de Lula, já que obteve mais 2 milhões de votos dos obtidos pelo presidente, em 04/10, primeiro turno. A Stern não hesita em desmontar a farsa do “antissistema”:

“No caso de Flávio Bolsonaro, isso é especialmente grotesco. O senador de 45 anos é a personificação do establishment. Ele nunca mostrou nada politicamente, além do sobrenome. Ele é o filho de Jair e, por isso, virou senador. Ele nunca fez nada por conta própria” .

A comparação com Lula é devastadora: “Lula conseguiu ir de trabalhador de fábrica à presidente. Flávio, de filho de presidente à pretendente à presidência” .

O PolitikBr vem documentando, desde 2025, exatamente o que a Stern agora expõe em escala internacional. Em julho, o site publicou uma análise do editorial do Estado de S. Paulo que chamava Flávio de “candidato nanico”, dependente de muletas externas — Javier Milei, Donald Trump, Benjamin Netanyahu e um “avatar de Jair Bolsonaro produzido por inteligência artificial” — para dar algum sentido à sua candidatura .


O caso que a Stern não menciona, mas o PolitikBr documenta

A reportagem alemã menciona “investigações sobre corrupção que rondam Flávio Bolsonaro” e o apelido “familícia” . O que a Stern não detalha é o último dos vários escândalos acumulados ao longo dos anos envolvendo o parlamentar.

Trata-se do caso Banco Master e dos R$ 69 -70 milhões canalizados para o filme Dark Horse, uma cinebiografia de Jair Bolsonaro estrelada pelo ator americano Jim Caviezel .

Segundo a investigação autorizada pelo ministro André Mendonça, do STF, Flávio negociou diretamente com Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master, o repasse de até R$ 134 milhões e teria recebido primeiro RS$ 61 milhões e depois mais RS$ 8 – 9 milhões.

O dinheiro, segundo relatórios do Coaf e da PF, transitou por um fundo no Texas -Havengate – gerido por um advogado de Eduardo Bolsonaro — o irmão condenado que vive nos Estados Unidos. Tudo em família….

A pergunta que o eleitor brasileiro ainda não teve resposta: onde foram parar os R$ 69 – 70 milhões? A promessa de Flávio de apresentar uma prestação de contas do filme “já fez aniversário de meses e nada”, constatou – há meses – o jornalista Josias de Souza .


A boa governança não recompensada

Nesse ponto, podemos remeter a esse artigo do politikbr – Lula e a Ambição da Classe Média e do Remediado, que Alimenta a Extrema-Direita – e resgatar as impressões do deputado federal Otoni de Paula, reeleito para mais um mandato em 04/10. Reproduzimos o texto publicado:

“Apesar do exitoso governo e do resgate do Brasil, diante do desastre nacional que foi a governança de Jair Bolsonaro, Lula mantém uma forte rejeição. Uma rejeição cristalizada. O deputado Otoni de Paula chegou recentemente a afirmar que o eleitorado de Flávio não se importa com escândalos de corrupção. Para esse eleitorado mais radical e extremista, o ponto central é o ódio à Lula e ao PT. As razões desse ódio, pouco importam nessa análise. Mas isso é fato. E, dessa forma, Lula registra índices de rejeição similares, e até piores, que o de Flávio Bolsonaro, ao longo do tempo.”

Então, o que se vê é o eleitor achar que as conquistas de direito de décadas estão garantidas. É um engano colossal. Um governo Flávio, assim como foi o do pai, será sinônimo de privatizações, melhor dizendo privatarias, e de extinção do que a extrema direita e o neoliberalismo veem como gastos inúteis: décimo terceiro salário, 1/ 3 do salário recebido como bônus de férias, medicamentos e mesmo o Sistema Único de Saúde (SUS) gratuito, auxilio BPC provavelmente congelado, fim de subsídeos sociais como auxílio gás, fim do programa Minha Casa Minha Vida, do FIES e outros programas e ações de inclusão e justiça social.

Esse quadro é o mesmo quadro selvagem de concentração de renda e miséria que se vê nos EUA de Trump e de Milei. Enfim.

O irmão foragido

Enquanto Flávio tenta se equilibrar entre a campanha e as investigações, Eduardo Bolsonaro já tem condenação definitiva. Em junho, o STF o sentenciou a 4 anos e 2 meses de prisão por coação no curso do processo .

O crime: articular, junto ao governo americano, sanções contra o Brasil – e ele se diz patriota, assim como o irmão Flávio – em represália ao julgamento do pai. “Não é tarefa de um deputado brasileiro fazer lobby no exterior contra o seu próprio país”, sentenciou o ministro Alexandre de Moraes .

Eduardo está nos Estados Unidos desde o início de 2025. Em julho, obteve um Green Card na categoria EB-1A, destinada a “indivíduos com habilidades extraordinárias” . Vejam só: habilidades extraordinárias… Ele nega que o documento tenha motivação política.


A implosão interna que a Stern capturou

A Stern encerra a sua análise com uma observação reveladora: Michelle Bolsonaro teria mais chances eleitorais à presidência do que Flávio Bolsonaro, mas ficou em segundo plano “por causa da postura sexista da família”. Entretanto, dos 08 Bolsonaro´s raiz que se candidataram ao pleito de 2026, ela concorreu e venceu em uma “categoria chave” – o senado – assim como o filho Carlos Bolsonaro, também eleito senador. E 06 deles foram, ao total, eleitos. Uma mini horda, por dizer assim.

Todos os candidatos que usaram “Bolsonaro” como nome de urna

Nas eleições de 2026, 18 candidaturas utilizaram “Bolsonaro” no nome de urna. Isso inclui parentes de Jair Bolsonaro, mas também candidatos sem parentesco que adotaram o nome eleitoralmente, pegando carona.

Desses 18, 6 foram eleitos no primeiro turno:

Portanto:

18 candidatos → 6 eleitos = 31,6% de aproveitamento.

Há ainda Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência, que chegou ao segundo turno contra Lula. Portanto, ele não pode ser contado como eleito ainda. Torçamos para que não o seja.

É essa a família que a Stern compara aos Trump. E é essa a família que, galga os mais altos cargos do legislativo brasileiro, e que no dia 25 de outubro à noite, ao final da apuração do segundo turno das eleições 2026, poderá ser eleita para comandar o Brasil a partir de 01 de janeiro de 2027.

Quer saber mais? Leia a matéria completa: “Gegen den Bolsonaro-Clan wirken die Trumps wie eine brave Vorstadtfamilie” — https://www.stern.de/politik/ausland/der-bolsonaro-clan—gegen-den-wirken-die-trumps-bieder-und-brav-38305422.html

Nota ao leitor:

Este artigo buscou compilar, em uma análise única, os fatos associados à recente investida contra a liberdade da imprensa americana em ter o direito à livre opinião, pelo governo Trump. A liberdade de expressão é um dos principais pilares da democracia americana, que Trump só verbaliza ou defende, quando lhe convém. As fontes públicas utilizadas estão listadas abaixo para a sua verificação.

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Referências Utilizadas:

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