O JORNAL “O ESTADO DE SÃO PAULO” E O CANDIDATO NANICO QUE APELA À MILEI, À TRUMP E À NETANYAHU

O editorial mais corrosivo da elite paulista contra a extrema direita. E o que ele revela sobre a crise da direita brasileira.

Principais entregas:

  • O editorial do Estadão que chamou Flávio Bolsonaro de “minúsculo”, nanico.
  • A aposta do senador na “extrema direita internacional”: Milei, Trump e Netanyahu
  • A ausência de apoio do Centrão e a falta de um vice na chapa
  • A crítica ao “avatar de Jair Bolsonaro produzido por inteligência artificial”
  • O legado da família Bolsonaro: dar a Lula a chance de “permanecer mais quatro anos no poder”
  • Os R$ 61 milhões de Daniel Vorcaro que “desapareceram”

Internacional, Geopolítica, Economia, Corrupção

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Por PolitikBr I Brasília, Em 29/07/2026, 20h:57min, leitura: 10min

Editor: Rocha, J.C.

Essa é uma análise documental. Para visualizar “o todo” recomendamos a leitura dos demais artigos, e publicações relacionadas, que se somam ao tema de hoje. Boa leitura.

O Editorial de um dos mais populares e influentes jornais mainstream do Brasil, o Estado de São Paulo – Estadão, literalmente, demoliu a candidatura do senador Flávio Bolsonaro, após um bizarro reality show, que foi o lançamento, esvaziado, de sua candidatura à presidência em 2026; em que Flávio cedeu lugar, embevecido, às grosserias e baixarias de ninguém mais ninguém menos do que o histriônico Javier Milei, presidente da Argentina, que vem servindo de “correia de transmissão” de Trump, em seus ataques ao Brasil. Um cachorrinho vira latas. Patético.

Se não fosse tal espetáculo degradante aos Argentinos que tem hombridade e vergonha na cara, pelo menos, essa coisa esdrúxula, serviu para que a elite tradicional quebrasse o silêncio cúmplice e viesse a expor, sem meias palavras, aquilo que já se sussurrava nos corredores do poder.

Para o sistema político brasileiro, esse momento chegou com a convenção do Partido Liberal que consagrou Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como candidato à Presidência da República.

E quem mais haveria de ser? Depois da “briga de foice entre o enteado e a madrasta”? Encenação. Parece que sim. E, com o gran finale do apaziguamento fake, com a conjuração de “todos os exércitos de pessoas do bem”, como se pessoas do bem só fossem aqueles da turma deles.

Mas sobre o tal reality show, a coisa foi tão abjeta, que o candidato à presidência – nanico nas intenções de votos – Ronaldo Caiado, tirou uma “casquinha” da desgraça que Milei causou à Flávio, tal a repulsa de todos. Junto com Kassab, Caiado disse:

“Ele [Flávio Bolsonaro] traz o presidente de outro país, bate boca com o atual governo, que cai na armadilha e também baixa o nível, e em nada contribui”, afirmou Kassab. O presidente do PSD acrescentou que a convenção do PL acabou prejudicada pelo episódio: “Essa convenção foi realmente um ponto muito negativo para o candidato Flávio Bolsonaro”.

O jornal O Estado de S. Paulo, um dos mais antigos e influentes veículos de comunicação do país, de corte liberal-conservador, e de origem associada à elite paulista, em seu editorial não deixou espaço para interpretações dúbias. Não se trata de um artigo assinado, da opinião de um colunista que pode ser contestado. Se trata de um editorial, a voz institucional do jornal, uma declaração inequívoca de sua visão de mundo.

E a visão do Estadão sobre a candidatura de Flávio Bolsonaro é devastadora…

“Um candidato nanico”

O editorial começa com uma ironia precisa: “Um desavisado poderia imaginar que o candidato do PL à Presidência da República é Javier Milei, tamanho o protagonismo do presidente argentino na convenção do partido destinada a consagrar Flávio Bolsonaro” .

A afirmação não é gratuita. Ela expõe o vazio central da candidatura de Flávio: ele não tem agenda própria, não tem discurso próprio, não tem projeto de país.

O que ele tem, segundo o jornal, é apenas o sobrenome. “Sem nada a oferecer ao eleitor além do sobrenome de seu pai, Flávio revelou seu verdadeiro tamanho no evento: minúsculo”.

A escolha da palavra “minúsculo”, nanico, não é casual. Ela remete à imagem de um candidato que não se sustenta por si mesmo, que precisa de muletas externas para não cair. E as muletas que Flávio escolheu são reveladoras: o argentino Javier Milei, o americano Donald Trump, o israelense Benjamin Netanyahu, e um “avatar de Jair Bolsonaro produzido por inteligência artificial”, para dar algum sentido à sua candidatura.

O Estadão não condena apenas a ausência de conteúdo. Condena a estratégia de Flávio, de atrelar o seu destino político à atores externos que não têm compromisso com o Brasil. Milei, que veio ao Brasil “não para apoiar Flávio, mas para criar um incidente que o colocasse nas manchetes”. Trump, que quer “instalar no Palácio do Planalto um títere – um lacaio – para impulsionar o seu projeto de converter a América Latina em seu quintal”.

O patriotismo proclamado por Flávio é, portanto, mais uma das farsas da extrema direitaaliás, o Brasil está farto dessa gente – , cujo objetivo é transformar o Brasil em vassalo dos Estados Unidos de Trump

A direita internacional e o espetáculo do ultraje

A convenção do PL foi, nas palavras do Estadão, um espetáculo constrangedor. Milei, ao lado de um “embevecido Flávio”, atacou “aos gritos e palavrões” o presidente Lula e o ministro Alexandre de Moraes. O jornal reconhece que há razões para criticar ambos, mas afirma que é preciso fazê-lo “com um mínimo de civilidade”, especialmente quando a crítica parte de um chefe de Estado estrangeiro em solo brasileiro.

O editorial sugere que Flávio, em razão de sua “própria insignificância”, está cada vez mais à mercê de forças que não controla, numa campanha que começa a apostar no ultraje para impulsionar suas chances de vitória.

A crítica é tanto mais corrosiva quanto mais precisa. O candidato que se apresenta como defensor da “pátria” está, na verdade, terceirizando a sua campanha para líderes estrangeiros que têm os seus próprios interesses.

Milei, cada vez mais impopular na Argentina, usou o Brasil como palanque. Trump, obcecado em conter a ascensão do Sul Global, quer um aliado dócil no Planalto. Netanyahu, enredado em suas próprias guerras, vê no bolsonarismo um eco do sionismo cristão que o apoia incondicionalmente.

O bônus do sobrenome e o ônus da candidatura

O bônus é conhecido: o sobrenome Bolsonaro ainda carrega um eleitorado significativo, suficiente para garantir à Flávio um lugar no segundo turno, independentemente de qualquer coisa que seja dita ou apresentada sobre a sua trajetória política [ MyNews ]

O ônus, no entanto, é igualmente pesado:

  • A falta de apoio do Centrão. Flávio não conseguiu o apoio dos principais partidos do Centrão, que apoiaram o governo de seu pai. O Centrão, pragmático por definição, não vislumbra na candidatura de Flávio um projeto que lhe traga retorno.
  • A ausência de vice. Flávio chegou à convenção sem definir quem seria seu companheiro de chapa.
  • A disputa familiar. A fratura com Michele Bolsonaro, que não quer ser coadjuvante na herança política do clã, permanece.
  • O escândalo do Banco Master. Os recursos de Daniel Vorcaro, solicitados por Flávio, continuam a gerar suspeitas. A pergunta que o jornalista Reinaldo Azevedo fez ecoa ainda hoje: “Onde foram parar os R$ 61 milhões?” [https://youtu.be/shu1ubbkbfY]
  • A ausência do pai. Jair Bolsonaro está preso e inelegível. Flávio tem o sobrenome, mas não tem o carisma do pai.

O legado da família Bolsonaro

O Estadão encerra o editorial com uma afirmação que deveria fazer os apoiadores de Flávio refletirem:

“Eis aí o legado da família Bolsonaro ao Brasil: dar a um presidente medíocre, com ideias envelhecidas e sem projeto de futuro para o país, como Lula, a chance real de permanecer mais quatro anos no poder. Imperdoável” [Estadão, 28/07/2026] .

A crítica é dupla. Não poupa Flávio, nem poupa Lula. Mas atribui à família Bolsonaro a responsabilidade por uma eventual reeleição do petista. Ao apresentar um candidato frágil, sem substância, sem projeto, que só existe para resgatar o “legado” do pai, o bolsonarismo estaria, na visão do jornal, condenando o Brasil a mais quatro anos de Lula.

Entretanto, devemos lembrar que, à essa altura do “campeonato”, Lula é o favorito em todos os cenários, em consultas públicas sobre a eleição. Mérito dele e de seu governo. Não há como negar isso, goste o Estadão ou não.

O que o editorial revela

O editorial do Estadão não é apenas uma crítica à Flávio Bolsonaro. É o retrato de uma crise mais profunda da direita brasileira. A incapacidade de produzir um líder que vá além do sobrenome, que apresente um projeto de país viável, na visão deles, que dialogue com a sociedade civilizada, em vez de apelar para o ultraje e a agressão.

Flávio Bolsonaro é o símbolo dessa crise. Um candidato medíocre, acusado publicamente de traição ao próprio país e de corrupção, que só existe porque o pai existiu. Um político sem história, sem credibilidade moral, sem compromisso com a democracia, como o próprio Estadão define.

O jornal conclui que falta a Flávio “o que nenhuma ferramenta de inteligência artificial jamais será capaz de gerar: credibilidade moral, história política independente, compromisso com a democracia e um eleitorado que o siga por convicção, não por imposição” [Estadão, 28/07/2026] .

Enquanto isso não for construído, e talvez nunca seja, o PL terá “um avatar mal ajambrado de Jair Bolsonaro como seu candidato a presidente”.

Nota ao leitor: Este artigo buscou compilar, em uma análise única e aprofundada, os elementos factuais e contextuais que cercam o editorial do jornal O Estado de S. Paulo sobre a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República, a sua aposta na “extrema direita internacional” e as fragilidades estruturais de sua campanha. As fontes utilizadas são públicas e estão devidamente listadas para sua verificação.

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