O Ocidente Coletivo Contra a Parede — Enquanto Trump Negocia, a Ucrânia se Desfaz

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Por PolitikBr I Brasília, Em 07/09/2026, 08h:20min, leitura: 6min

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Editor: Rocha, J.C.

Essa é uma análise documental. Para visualizar “o todo” recomendamos a leitura dos demais artigos e publicações relacionadas, que se somam ao tema de hoje. Boa leitura.

A guerra no Leste Europeu caminha para o quinto ano, e o que se vê é um tabuleiro em que as peças do Ocidente Coletivo já não se movem com a mesma convicção de antes. Enquanto os EUA ensaiam um acordo para encerrar o conflito — em um movimento que cheira mais à cálculo eleitoral para as eleições de meio de mandato, do que a genuína preocupação humanitária —, a Ucrânia sangra em silêncio, esvaziada de homens, munição, combustíveis e talvez o mais grave, de esperança.

A visita da delegação de Trump à Kiev, neste domingo (6), foi tratada pela mídia como um passo significativo. Steve Witkoff, enviado especial para “missões de paz”, e Jared Kushner, genro e emissário do presidente norte-americano, desembarcaram na capital ucraniana após conversas com Vladimir Putin em Moscou. Ambos saíram “muito encorajados” do encontro com Volodymyr Zelensky, segundo Witkoff, sem, no entanto, revelarem qualquer avanço concreto. “Substancial” e “importante” foram os adjetivos usados — palavras bonitas que, na prática, escondem o vazio de uma negociação que ainda não produziu resultados palpáveis. Na verdade, nenhum.

O que se discute, nos bastidores, é a preparação da Ucrânia para o próximo inverno, conforme revelou um responsável ucraniano à Associated Press. Não se fala em vitória. Se fala em sobrevivência. Zelensky insiste em uma paz que não deixe “aberta a porta a uma nova agressão russa”, mas a verdade é que, no campo de batalha, a Ucrânia já não tem muito com o que negociar. E quanto mais o tempo passa, pior fica a situação para os ucranianos. A tomada de Odessa e o fim do estado funcional do que restar da Ucrânia, é uma possibilidade concreta.

90% de desmilitarização: os números que a mídia finge que ignora

Enquanto a grande imprensa ocidental martela a narrativa da resistência ucraniana, e insistem em dizer que a Ucrânia irá vencer a Rússia, Ray McGovern, ex-analista da CIA, joga um balde de água fria no discurso oficial. Veterano da agência de inteligência, ele afirmou que a desmilitarização da Ucrânia já atingiu 90%. “Os ucranianos não têm praticamente mais nada”, declarou.

O diagnóstico é cruel, mas realista. Kirill Budanov, chefe do Gabinete da Presidência ucraniana, admitiu que o país precisaria de 30 mil novos soldados por mês apenas, para manter a situação atual das ações militares — e a situação atual, como se sabe, não é nada boa. O problema é que não há 30 mil soldados para recrutar. A falta de pessoal é um enorme problema para a Ucrânia, assim como a capacidade de manter as tropas já mobilizadas, num contexto de altas taxas de deserção.

Em outras palavras: a Ucrânia está, para todos os efeitos, militar e economicamente exausta. Falida. E o Ocidente, que prometeu armas e apoio “enquanto for necessário”, já não tem mais o que oferecer aos ucranianos que possa mudar os rumos do conflito, que desde o início se sabia que seria perdido.

A dança das cadeiras em Kiev

A visita de Witkoff e Kushner não foi um ato isolado. Ela ocorre num momento em que os EUA tentam, desesperadamente, costurar um acordo antes do inverno. O cálculo é óbvio: uma guerra congelada em pleno outono europeu não é bom para a imagem de nenhum presidente americano em ano eleitoral.

Os enviados de Trump se reuniram com Zelensky em duas rodadas de discussão, seguidas por uma terceira com representantes europeus — França, Reino Unido e Alemanha. O discurso foi o de sempre: “Queremos evitar a perda de vidas, queremos que esta guerra termine de forma justa”. Mas a realidade é que os europeus, em especial, os ingleses e os alemães não querem que essa guerra termine, mesmo que às custas da destruição completa da Ucrânia, ou pior, de uma guerra aberta entre a OTAN e a Rússia, já que os ingleses, abertamente, agora são atores às claras do conflito e, por várias vezes, os russos já avisaram que isso pode acabar muito mal para Londres e, por extensão, para toda a Europa.

O que está em jogo

A verdade, incômoda para uns e conveniente para outros, é que a Ucrânia já perdeu esta guerra. Perdeu no campo de batalha, perdeu na economia, perdeu na demografia. O que resta agora é uma negociação sobre os termos da derrota — se ela será honrosa ou humilhante, se virá com garantias ou com promessas vazias.

Os EUA, por sua vez, jogam a partida final de um xadrez geopolítico que começou muito antes de 2022. A tentativa de Trump de surfar numa “paz” negociada, às vésperas das eleições de meio de mandato, é tão transparente quanto cínica. Mas, como diz o ditado, na guerra e na política, o que importa não é a verdade — é a percepção da verdade.

E a percepção, neste momento, é de que o Ocidente Coletivo está contra a parede. A Rússia esmaga, a Ucrânia se desfaz, e os EUA negociam, não com a força de quem vence, mas com a pressa de quem precisa de uma saída.

Quer saber mais? Leia a matéria completa: Desmilitarização da Ucrânia já chegou a 90%, diz ex-analista da CIA

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