Miguel Nicodelis: A China Saiu na Frente dos EUA na Próxima Revolução Tecnológica – A NEUROTEC SERÁ MAIOR QUE A IA

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Por PolitikBr I Brasília, Em 07/09/2026, 16h:08min, leitura: 5min

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Enquanto o mundo se divide entre os que abraçam a inteligência artificial como o futuro e os que a veem como uma bolha prestes a estourar, o neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis — conhecido mundialmente como o “pai da interface cérebro-máquina” — faz uma aposta ousada: a Neurotec será maior do que a IA.

Mas o que é Neurotec? O termo, cunhado por Nicolelis, se refere ao campo da neurotecnologiaa aplicação de interfaces cérebro-máquina (BMIs) para restaurar funções motoras em pacientes com lesões medulares, Parkinson, epilepsia e outras condições neurológicas.

É a tecnologia que permitiu que um paciente paraplégico chutasse a bola na abertura da Copa do Mundo de 2014, no Brasil, usando um exoesqueleto controlado pela mente. É também a mesma que, em maio de 2025, devolveu a esperança a Wang Zhiming, um paciente chinês que, um ano após uma cirurgia de estimulação elétrica da medula, e do cérebro no Hospital Xuanwu, em Pequim, já caminhava com o auxílio de muletas.

Para Nicolelis, a inteligência artificial não é nem inteligente nem artificial — Ele a chama de NINA (Nem Inteligente e Nem Artificial), que é, antes de mais nada, uma ferramenta estatística útil para mineração de dados, mas incapaz de replicar a complexidade do cérebro humano, segundo Nicodelis.

Nicodelis critica o entusiasmo exagerado em torno da IA, classificando-a como “uma das maiores ciladas” produzidas pela humanidade: “Se tudo que você vai fazer é baseado num banco de dados do que já foi feito, você não tem futuro”, alerta.

Enquanto isso, a neurotecnologia, segundo ele, é onde está a decisão do jogo — para cada um de nós, para a espécie, para o coletivo.

E é exatamente aí que a China entra em cena.

A aposta chinesa

Nicolelis mantém uma parceria estratégica com a China há anos. Em 2018, o Hospital Xuanwu da Capital Medical University, em Pequim, se tornou a primeira instituição asiática a integrar o “Walk Again Project” (WAP), o programa global de recuperação de movimentos para paraplégicos, idealizado por Nicolelis.

Em 2022, a parceria foi renovada por mais cinco anos, com a criação de um laboratório conjunto focado em aplicar a tecnologia em epilepsia, lesões medulares e Parkinson.

Em 2021, Nicolelis surpreendeu o mundo científico ao deixar a vida acadêmica na Duke University e se tornar conselheiro científico-chefe da BrainCo, uma startup chinesa de interfaces cérebro-máquina não invasivas. Sua motivação? “Tratar 10 bilhões de pessoas” — um objetivo que, segundo ele, era “grande demais para uma universidade”.

O reconhecimento veio em janeiro de 2025, quando Nicolelis recebeu o Prêmio de Amizade do Governo Chinês, a mais alta honraria concedida pela China à estrangeiros, por contribuições ao desenvolvimento do país. Em 2026, a sua tecnologia foi incluída no plano quinquenal chinês como prioridade estratégica.

Por que a China?

Nicolelis vê na China um ambiente onde a ciência avança sem as amarras do curto-prazismo financeiro que, segundo ele, domina os Estados Unidos.

Enquanto nos EUA o sistema de saúde nega UTIs à pacientes terminais para maximizar lucros — e CEOs de planos de saúde são assassinados e viram heróis nas redes sociais —, na China um paciente pagou o equivalente a 10 dólares por uma consulta.

A diferença, para Nicolelis, não é apenas econômica: é civilizacional. A China está investindo pesado em neurotecnologia, não porque é um bom negócio, mas porque vê nela uma ferramenta para salvar vidas e restaurar a dignidade humana. A prova está nos resultados concretos: pacientes paraplégicos voltaram a andar. E isso, diz ele, é apenas o começo.

O futuro sem futuro

Nicolelis não esconde o seu pessimismo em relação ao rumo que o Ocidente está tomando. “Além de um futuro sem futuro, a gente não vai saber o que é verdade”, afirma, se referindo à dependência excessiva da IA.

Para ele, a neurotecnologia representa a única via de escape — uma que coloca o ser humano, e não a máquina, no centro da decisão.

A pergunta que fica é: quem estará do lado certo da história quando a bolha da IA estourar? Nicolelis já fez sua aposta. E a China, ao que tudo indica, está fazendo a dela.

Quer saber mais? Leia a matéria completa: NICOLELIS: A CHINA SAIU NA FRENTE DOS EUA NA PRÓXIMA REVOLUÇÃO TECNOLÓGICA

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