A Guerra que o Ocidente Perdeu: A Falência da Estratégia na Ucrânia

Principais Entregas

  • O colapso demográfico e militar da Ucrânia
  • A sabotagem das negociações de paz de Istambul
  • A falência da indústria de defesa ocidental
  • A nova fase da guerra: da contenção à aniquilação
  • O realinhamento estratégico da Rússia

Internacional, Geopolítica, Economia

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Dedicado à Verdade e à Paz.

Por PolitikBr I Brasília, Em 25/06/2026, 08h:43min, leitura: 13min

Editor: Rocha, J.C.

Essa é uma análise documental. Para visualizar “o todo” recomendamos a leitura dos demais artigos, que se somam ao tema de hoje. Boa leitura.

Há uma diferença abissal entre ver o que acontece no campo de batalha e compreender o que ele anuncia. Entre registrar o avanço das tropas russas e perceber que aquele avanço não é um movimento tático, mas a sentença de morte de uma nação. Entre ouvir os mantras da “vitória ucraniana” repetidos pelos porta-vozes da OTAN e reconhecer que aquelas palavras são o eco de uma estratégia falida.

Larry C. Johnson, ex-analista da Agência Central de Inteligência, e atualmente uma das vozes mais lúcidas da análise geopolítica independente, oferece em sua entrevista ao podcast Neutrality Studies, de Pascal Lottaz,  uma visão realista do que realmente está em jogo na Ucrânia. E não é somente Johnson que nos traz esse retrato catastrófico. Outros analistas independentes, com o tenente coronel Daniel Davis, o analista e ex-militar Scott Ritter, Pepe Escobar e vários outros, dizem a mesma coisa: a Ucrânia é nação em ruínas, sem futuro, e já vítima da cobiça de seus vizinhos, que dela querem um naco quando a guerra terminar – The Great Loot: Leaked NATO Maps Reveal European Countries’ Pirate Covetousness Over Ukraine’s Resources

Mas a tese de Johnson é simples, arrasadora e sistematicamente ignorada pela grande mídia ocidental: a Ucrânia, como nação soberana, já está morta. O que resta é um corpo que ainda se move por inércia, sustentado por transfusões de sangue ocidental que se tornam cada vez mais escassas.

O Colapso Demográfico

Talvez a afirmação mais chocante de Johnson — e a mais sistematicamente ignorada pela mídia ocidental — seja a de que a Ucrânia, como nação, já não existe mais. Não amanhã. Não depois da guerra. Agora.

Scott Ritter, nesse artigo, afirma, com base em dados que ele reiteradamente diz serem subestimados pelas fontes oficiais:

Mais de 2 milhões de ucranianos estão mortos. 5 milhões de ucranianos estão feridos. A eliminação total do futuro genético da Ucrânia. Está morta como sociedade, morta como nação. Não sobreviverá a isso, não importa o que aconteça.

Esses números são quase impossíveis de verificar de forma independente, dada a guerra de informações. Mas mesmo os números mais conservadores — os do governo ucraniano (que historicamente minimiza suas perdas) — apontam para centenas de milhares de mortos e mais de um milhão de feridos graves.

E Johnson em sua entrevista ainda diz: O mecanismo dessa destruição é impiedoso.

Eles — os russos — estão matando literalmente milhares de ucranianos por dia, senhoras e senhores. E não milhares de russos, acreditem em mim. Milhares de ucranianos por dia estão sendo massacrados”.

Johnson descreve a Batalha de Pokrovsk como um exemplo:

“A batalha de Pokrovsk custou a eles 60 a 80 mil mortos. Eles estão prestes a perder 100 mil nas batalhas de Slovyansk-Kramatorsk. Isso é real. É um massacre que está acontecendo.”The Fall of Prokovsk and the Manipulation of Information

Compare essa linguagem com a de David Petraeus, o general americano que, na mesma semana, dava entrevistas dizendo que via “motivos para otimismo” na Ucrânia. A desconexão entre a realidade do campo de batalha e a fantasia vendida pelos “especialistas” ocidentais é um abismo de negligência criminosa.

Johnson explica por que a Ucrânia não pode mais vencer, mesmo com toda a ajuda ocidental:

“A Ucrânia fará de tudo para provocar uma escalada. Essa é a tática deles, porque eles não podem lutar contra a Rússia sozinhos. Mas talvez a Europa lute contra a Rússia. E se a Europa for para a guerra, como os ucranianos parecem pensar, os EUA irão para a guerra junto com a Europa.

Ou seja: a estratégia ucraniana não é mais vencer no campo de batalha — isso é impossível. A estratégia é provocar uma guerra direta entre a OTAN e a Rússia, na esperança de que, no caos, algo mude. É uma aposta de quem já perdeu o jogo, e está disposto a incendiar o mundo.

O Pecado Original de Istambul

Johnson, como outros analistas independentes, aponta um momento em que a guerra poderia ter terminado — e não terminou, por uma decisão deliberada do Ocidente (Joe Biden e Boris Johnson).

Em abril de 2022, poucas semanas após o início da invasão russa, as delegações da Ucrânia e da Rússia se reuniram-se em Istambul para negociar um acordo de paz. Os termos eram claros e, para muitos analistas, razoáveis: a Ucrânia se comprometeria com a neutralidade permanente, em troca de garantias de segurança de várias potências, incluindo os Estados Unidos e o Reino Unido. A Rússia retiraria as suas tropas das áreas ocupadas, com exceção da Crimeia e de partes do Donbass, cujo status seria negociado posteriormente.

As negociações avançaram. O ministro das Relações Exteriores da Turquia, que mediou o processo, declarou que um acordo estava próximo. O próprio Zelensky, em março de 2022, reconheceu publicamente:

“Há aqueles no Ocidente que não se importam com uma guerra longa, porque isso significaria esgotar a Rússia, mesmo que isso implique a ruína da Ucrânia e custe vidas ucranianas.”

Mas o acordo nunca foi assinado. Em 10 de abril de 2022, Boris Johnson, então primeiro-ministro do Reino Unido, visitou Kyiv em uma missão que mudaria o curso da história.

Segundo relatos de múltiplas fontes — incluindo o líder da bancada parlamentar ucraniana, David Arakhamia, e o ex-primeiro-ministro israelense Naftali Bennett — Boris Johnson teria transmitido uma mensagem clara a Zelensky: não negocie com Putin. A Rússia deve ser derrotada.

Existe, contudo, uma contradição que permanece sem resposta. Se o próprio Zelensky reconhecia, em março de 2022, que “há aqueles no Ocidente que não se importam com uma guerra longa, porque isso significaria esgotar a Rússia, mesmo que isso implique a ruína da Ucrânia e custe vidas ucranianas”, por que aceitou abandonar as negociações de Istambul?

A hipótese mais benevolente é que Zelensky acreditou nas promessas de apoio militar ocidental, e foi convencido de que uma combinação de sanções econômicas, armamentos da OTAN e isolamento diplomático, acabaria impondo uma derrota estratégica à Rússia. Essa interpretação, porém, entra em contradição com a sua própria declaração, que demonstrava plena consciência de que, parte dos aliados ocidentais, enxergava a guerra sob uma lógica geopolítica mais ampla, do que a simples defesa da Ucrânia.

Outras interpretações, mais controversas, apontam para pressões políticas, dependência crescente do apoio financeiro ocidental ou mesmo para alegações recorrentes de corrupção envolvendo membros do governo ucraniano e o enorme fluxo de recursos da guerra, que se imaginava que viria. No decorrer desses mais de 04 anos de guerra, houve várias acusações de corrupção atribuídas tanto a Zelensky, quanto à sua família e à membros do seu gabinete.

Johnson, no entanto, oferece uma leitura ainda mais profunda do episódio:

A Rússia iniciou a ofensiva contra a Ucrânia com 125.000 a 160.000 soldados, o que soa como muito. Mas quando você os estende por uma frente de mil milhas, não é nada. E, no entanto, o objetivo declarado, daquele movimento inicial, era levar a Ucrânia à mesa de negociações. Funcionou. Mas então foi sabotado pela Grã-Bretanha.

A sabotagem ao acordo em negociação, segundo Johnson, portanto, não foi um ato isolado de um líder excêntrico. Foi a expressão de um consenso mais amplo no Ocidente: a guerra contra a Rússia não era sobre a Ucrânia, era sobre “esmagar” a Rússia. A paz era um obstáculo a esse objetivo, e, portanto, deveria ser descartada.

“A Ucrânia, nação que existia há cinco anos, deixará de existir. Esse processo é irreversível.” (Tucker Carlson)

A declaração de Tucker Carlson, ecoando os dados apresentados por analistas independentes como Johnson e Scott Ritter, é a confissão de um homem que ajudou a construir a máquina de propaganda que sustentou a guerra por procuração contra a Rússia. É o testemunho de alguém que viu de perto o que os Estados Unidos fazem — e sempre fizeram: fabricar guerras.

Mas Por que a Rússia Está Vencendo?

Johnson sustenta que a correlação de forças evoluiu significativamente em favor da Rússia desde 2022.

Ele argumenta que a Rússia iniciou a operação militar com uma força relativamente limitada, mas utilizou os anos seguintes para ampliar seu efetivo, fortalecer sua base industrial e expandir sua capacidade de produção militar.

Segundo Johnson:

“Agora eles estão numa situação em que possuem entre um milhão e meio e dois milhões de militares mobilizados. A base industrial está muito firme. Os sistemas de armas foram ampliados e aperfeiçoados.”

Ele afirma que a Rússia não apenas manteve a sua economia funcionando durante a guerra, como também conseguiu expandir a sua capacidade militar, sem recorrer a uma mobilização total da sociedade.

Outro ponto destacado por Johnson é que Moscou desenvolveu uma vantagem significativa em determinadas categorias de armamentos, especialmente mísseis hipersônicos, drones e bombas guiadas de grande alcance.

Ao mesmo tempo, ele avalia que a Ucrânia enfrenta dificuldades crescentes para sustentar o esforço de guerra, devido às elevadas perdas humanas, à dependência de ajuda externa e à redução gradual do entusiasmo político de alguns governos ocidentais.

Johnson também argumenta que os ataques de drones realizados pela Ucrânia em território russo possuem impacto estratégico limitado e não alteram a tendência geral do conflito.

Na sua avaliação, esses ataques servem mais para gerar efeitos psicológicos e políticos do que para modificar o equilíbrio militar no campo de batalha, lembrando que o número de baixas entre ucranianos e russos é de 7 para 1, chegando a 17 para 1 em algumas operações ofensivas, como a incursão em Kursk. As perdas ucranianas são tão elevadas, que o país já não tem mais capacidade de repor as suas tropas, sem depender de mercenários.

Atualmente, a Rússia está gastando cerca de 6% do seu produto interno bruto na guerra, na indústria de defesa. Os Estados Unidos, que nem sequer estão conduzindo a guerra diretamente, têm uma indústria de defesa que representa cerca de 3% a 4% do PIB. Durante a Segunda Guerra Mundial, a Grande Guerra Patriótica, 40% da economia americana estava dedicada ao esforço militar.

Os russos estão em uma posição mais forte agora do que em qualquer momento.

O Ocidente e o cálculo estratégico equivocado

Uma das críticas centrais de Johnson é dirigida às lideranças ocidentais.

Ele argumenta que os Estados Unidos e a Europa subestimaram a capacidade da Rússia de resistir às sanções econômicas e de reorganizar a sua indústria militar.

Segundo a sua análise, o conflito produziu efeitos opostos aos esperados:

  • A Rússia se tornou mais autossuficiente;
  • A cooperação estratégica entre a Rússia e a China se aprofundou; com a Rússia entendendo que o seu futuro não era ao lado dos europeus, que sempre a rejeitou e tentou lhe aniquilar como Estado, mas sim o leste. A Eurásia. Essa é, na verdade, a visão estratégica que sempre assombrou os EUA: que a Rússia se voltasse para o leste. Que estabelecesse elos perenes, extremamente fortes, com o inimigo que está lhe tomando o “trono” como a potência hegemônica do mundo: a China. Esse arranjo está situado no “core” do planeta. E quem controla o “core” controla o mundo.
  • O BRICS ganhou relevância internacional;
  • O sistema financeiro alternativo liderado pela China – CIPS – avançou mais rapidamente.

Johnson também critica severamente a política energética europeia.

Na sua visão, a ruptura com a energia russa barata contribuiu para enfraquecer a competitividade industrial da Europa, aumentando custos e acelerando processos de desindustrialização em alguns setores.

O Tabuleiro que Se Desfaz

A análise de Larry Johnson, somada aos artigos do PolitikBr e às reflexões de analistas como Scott Ritter, pinta um quadro sombrio para a Ucrânia e para o Ocidente. O que se desenha é uma derrota estratégica de proporções históricas, não apenas no campo de batalha, mas na própria arquitetura de segurança europeia.

A Ucrânia, que entrou na guerra como um Estado soberano, sairá dela como um país arrasado, sem população, sem economia, sem futuro. O Ocidente, que apostou na derrota da Rússia, vê a sua própria credibilidade desmoronar, a sua indústria de defesa colapsar e os seus aliados se realinharem com Pequim e Moscou.

A análise de Larry Johnson aponta para uma transformação geopolítica mais ampla do que o próprio conflito ucraniano.

Na sua visão, a guerra revelou limitações da capacidade industrial do Ocidente, ao mesmo tempo ele sustenta que a liderança russa considera que o conflito entrou numa fase terminal, na qual os avanços militares no terreno terão peso crescente sobre qualquer futura negociação.

Se sua análise estiver correta, o resultado final da guerra não redefinirá apenas as fronteiras da Ucrânia, mas também o equilíbrio de poder entre a Rússia, a China, os Estados Unidos e a Europa nas próximas décadas.

Nota ao leitor: Este artigo buscou compilar, numa análise única e aprofundada, os elementos factuais e contextuais que cercam a guerra na Ucrânia, com ênfase na análise de Larry Johnson sobre o colapso militar ucraniano, a falência da diplomacia ocidental e a iminência de uma derrota estratégica da OTAN. As fontes utilizadas são públicas e estão devidamente listadas para verificação.

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Referências utilizadas nesse artigo:

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