Principais entregas:
- Análise técnica do Dr. Theodore Postol sobre o Patriot
- A escalada do conflito EUA-Irã em junho de 2026
- A diferença entre os sistemas PAC-2 e PAC-3
- A manipulação midiática das taxas de interceptação
- As implicações geopolíticas para a OTAN e a Rússia
- O colapso estratégico das bases americanas no Golfo
- O apelo por transparência e dados reais
Internacional, Geopolítica, Economia
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Por PolitikBr I Brasília, Em 01/07/2026, 16h:45min, leitura: 10min
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Editor: Rocha, J.C.

Essa é uma análise documental. Para visualizar “o todo” recomendamos a leitura dos demais artigos, que se somam ao tema de hoje. Boa leitura.
O Especialista e a Farsa
O Dr. Theodore Postol, professor emérito do MIT, e uma das vozes mais autorizadas em tecnologias de defesa e análise de sistemas de mísseis, volta à nos dar a sua visão sobre o engodo da falsa eficiência de armamentos, que absolutamente inexiste.
Em participação no podcast do Coronel Daniel Davis, Postol desmonta a propaganda militar-industrial que, há décadas, vende ao contribuinte americano a ilusão de um escudo antimísseis infalível.
“O Patriot PAC 3 destrói o seu alvo literalmente colidindo com ele. O Patriot PAC 2 tenta destruir o seu alvo explodindo todo tipo de peças de aço contra o alvo”, explica o Dr. Postol, estabelecendo a diferença fundamental entre as duas versões do sistema de defesa antimísseis. O problema, segundo ele, surge quando o PAC-2 explode no céu e erra o alvo – uma ocorrência muito mais comum do que os comunicados oficiais admitem.

E prossegue o professor: “Se você quiser determinar se a explosão do Patriot PAC-2 resultou na destruição da ogiva do míssil, você não verá o míssil continuando a se aproximar”. Postol apresenta um vídeo onde é possível observar claramente a ogiva de um míssil iraniano atravessando as explosões de dois interceptores Patriot PAC2 e continuando em direção ao solo, onde provoca uma explosão, com temperatura de até 5.000 graus. Além da obliteração local, o deslocamento do ar – diante do súbito aumento de temperatura na detonação da ogiva – aumenta o raio de destruição até, e mesmo acima, de 100 m do epicentro do impacto.
A Mentira dos 90%
Um dos momentos mais reveladores da entrevista ocorre quando Postol confronta diretamente a alegação de uma taxa de interceptação de 90% – dos sistemas anti misseis americanos: “Como você pode ter uma taxa de interceptação de 90% se as interceptações podem ser vistas? Você deveria ver impactos.” Ele mostra, quadro a quadro, – em outros vídeos de dezenas de mísseis iranianos atingindo alvos em Israel -, apenas uma única interceptação, que pode ser confirmada.
“O que você está vendo é apenas nada acontecendo, exceto que 2 ou 3% das vezes parece que um míssil balístico foi interceptado”, afirma o professor, reduzindo a eficiência do sistema a um número irrisório, bem distante dos 90% propagandeados pela indústria de defesa.

A diferença crucial que o público leigo não percebe, e que os generais e políticos convenientemente ignoram, está no tipo de míssil interceptado. Postol explica que sistemas como o PAC-3 podem ter alguma eficácia contra mísseis não balísticos, como o ATACMS, que viajam a cerca de 1 km/s e se comportam como “uma aeronave supersônica”. No entanto, contra mísseis balísticos reais, que entram na atmosfera a velocidades entre 2,5 e 3 km/s, a realidade é bem diferente:
“A velocidade de cruzamento é de 4,5 km/s”, calcula Postol, referindo-se ao encontro entre um míssil balístico iraniano a 3 km/s e um interceptor a 1,5 km/s. “As coisas não são fáceis para o interceptor”.
A Guerra de Junho de 2026
O cenário em que essas deficiências tecnológicas dos sistemas de defesa anti mísseis americanos se manifestam, envolve ainda um novo recrudescimento do conflito entre os EUA, Israel e o Irã em junho de 2026. Após um breve cessar-fogo negociado em Versalhes – que muitos analistas consideraram uma manobra política de Trump para roubar a cena no G7 – as hostilidades recomeçaram com intensidade renovada.
O Irã respondeu à retaliação dos EUA a uma suposta violação do cessar fogo, pelo Irã, com ataques a pelo menos 4 bases norte-americanas no Oriente Médio, intensificando os bombardeios em uma escalada que ameaça sair do controle.
Segundo reportagens da imprensa internacional, as bases dos EUA no Golfo estão “à beira do colapso estratégico” após os ataques iranianos.

A ironia é que, mesmo diante da evidente ineficácia do sistema Patriot, o Pentágono e as empreiteiras continuam recebendo contratos bilionários. “Um contrato de 4,7 bilhões de dólares, mais que não funciona”, ironiza Postol, referindo-se a novos acordos para o sistema Patriot. “E eles estão muito orgulhosos disso. O dinheiro está indo muito bem”
A Estratégia de Engano e a Manipulação da Mídia
Postol relembra como, durante a Guerra do Golfo de 1991, a imprensa era manipulada por imagens enganosas. “A imprensa olhava para o céu e via essas bolas de fogo dos Patriots PAC-2 e dizia: ‘Interceptação, interceptação, interceptação'”, conta o professor, mencionando um vídeo em que um jornalista no solo anunciava interceptações a cada explosão, até ver uma grande explosão no solo e finalmente perceber que os mísseis estavam chegando ao chão.
A confusão deliberada entre PAC-2 e PAC-3 é uma ferramenta crucial nessa estratégia de desinformação. Postol esclarece: “Se tivéssemos visto o Interceptor 1 e 2 como PAC-3, não os teríamos visto porque ambos erraram. O que veríamos se acertassem é uma grande bola de fogo.” O PAC-3, por não ter uma grande ogiva, é quase invisível em voo – a menos que cause a detonação da ogiva do míssil inimigo.
A Incapacidade Diante de Mísseis Manobráveis
Um aspecto particularmente alarmante da análise de Postol é a incapacidade do Patriot de lidar com mísseis que realizam manobras evasivas. “Aqui vemos um objeto que está mudando de direção subitamente. Você sabe que ele está mudando de direção porque o chão deveria estar se movendo também. Não é o movimento da câmera, é o objeto mudando de direção” .
O professor prossegue: “Aqui está um objeto que está literalmente em espiral. Você acha que vai acertar isso com um PAC-3? Quer dizer, você não tem chance de acertá-lo”.
Essa capacidade de manobra, torna os mísseis iranianos – assim como os mísseis hipersônicos russos e chineses – praticamente imunes ao sistema Patriot: A combinação de alta velocidade, trajetórias imprevisíveis, e a capacidade de dispersar sub munições, transforma a defesa antimísseis em um exercício de futilidade.


O Silêncio Cúmplice do Governo e do Congresso
Talvez o aspecto mais perturbador revelado por Postol seja a conivência institucional com essa farsa. “Tenho conversado com soldados que acreditam que o seu trabalho é defender o país, não mentir para os políticos”, revela o professor. “O que me disseram unanimemente, de diferentes instituições e de diferentes países, é que eles não têm nenhum dado sobre o desempenho do Patriot, além de slides dos fabricantes que reivindicam uma taxa de interceptação de 90%”.
O apelo de Postol é direto: “Se o Congresso é sério – e tenho minhas preocupações sobre o Congresso ser sério – qualquer pessoa no governo que tenha poder deveria conseguir esses dados. É um crime contra o nosso país que as pessoas não estejam exigindo esses dados dos fabricantes”.
“Os fabricantes estão roubando do povo americano”, acusa Postol. “E também estão aumentando a vulnerabilidade do país a futuros problemas militares, porque temos um grande problema militar. Essas unidades de defesa não são mais capazes de lidar, ou nunca foram, na verdade, capazes de lidar com ameaças de mísseis balísticos”
O Perigo para a Europa e a OTAN
Postol estende o seu alerta para as implicações geopolíticas da farsa do Patriot, particularmente no contexto da guerra na Ucrânia e das tensões com a Rússia.
“Se essa má gestão pela OTAN eventualmente resultar em empurrar os russos para começar a atacar a Europa Ocidental, o que rezo para que não aconteça – rezo por isso todos os dias – mas se os russos começarem a atacar a Europa Ocidental com mísseis balísticos, você não terá ajuda alguma. Não terá defesa alguma contra mísseis balísticos. Nenhuma. Zero”.
A conclusão é sombria: “Os europeus ocidentais que estão gritando que querem uma guerra com a Rússia deveriam pensar mais de duas vezes, ou mais de três vezes, antes de entrar em uma guerra com a Rússia onde mísseis balísticos cairão sobre a Europa Ocidental”.

O Que Está em Jogo
Mais do que bilhões de dólares desperdiçados em tecnologia ineficaz, o que está em jogo é a segurança real das nações que dependem desses sistemas para a sua defesa. A discrepância entre a realidade documentada por especialistas como Postol e a ficção vendida pela indústria de defesa, e seus aliados no governo americano, cria uma vulnerabilidade estratégica de proporções alarmantes.
“Além de roubar do povo americano, colocar em risco a segurança futura do nosso país”, enfatiza Postol. “Porque se há um problema com o sistema, precisamos tentar fazer ajustes de planejamento, ajustes estratégicos e ajustes táticos, da melhor forma possível, para lidar com essa deficiência incrível”.
A questão que fica, e que Postol coloca diretamente ao governo dos EUA, ao governo de Israel e às corporações Raytheon e Lockheed Martin, é simples: “Onde está a evidência de que vocês têm interceptações?”.
Nota ao leitor: Este artigo buscou compilar, em uma análise única e aprofundada, os elementos factuais e contextuais que cercam o desempenho real do sistema de defesa antimísseis Patriot, e a escalada do conflito entre os EUA/Israel e o Irã em 2026. As fontes utilizadas são públicas e estão devidamente referenciadas para sua verificação.
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Referências utilizadas nesse artigo:
- Postol, T. (2026, Junho). Prof Ted Postal PROVES Patriot Intercept Rate of Iranian Missiles SINGLE DIGITS [Entrevista em vídeo]. Daniel Davis / Deep Dive. Disponível em: https://youtu.be/92P4HWyRjhQ
- Agência Brasil. (2026, Junho). Irã responde à retaliação dos EUA e atinge bases norte-americanas. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2026-06/ira-responde-retaliacao-dos-eua-e-atinge-bases-norte-americanas
- PolitikBr. (2026, maio) THE TRIAD OF DETERRENCE: Does Iran Already Have the Bomb? Jiang, Postol, and Mearsheimer Converge on the Same Warning
- Folha de S.Paulo. (2026, Junho). EUA voltam a atacar Irã 10 dias após anunciar acordo de cessar-fogo. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/06/eua-voltam-a-atacar-ira-10-dias-apos-anunciar-acordo-de-cessar-fogo.shtml
- Agência Brasil. (2026, Junho). Irã e EUA intensificam ataques e ameaçam escalar o conflito. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2026-06/ira-e-eua-intensificam-ataques-e-ameacam-escalar-o-conflito
- PolitikBr (2026, janeiro). https://politikbr.org/2026/01/13/oreshnik-o-missil-que-destruiu-a-seguranca-energetica-europeia/
- PolitikBr. (2026, Junho). Os estoques de petróleo dos EUA e a espada nuclear iraniana forçaram a capitulação de Washington. Disponível em: https://politikbr.org/2026/06/23/os-estoques-de-petroleo-dos-eua-e-a-espada-nuclear-iraniana-forcaram-a-capitulacao-de-washington/
- PolitikBr. (2026, Junho). A assinatura em Versalhes: Trump antecipou o acordo com o Irã para roubar a cena e já ameaça rompê-lo. Disponível em: https://politikbr.org/2026/06/19/a-assinatura-em-versalhes-trump-antecipou-o-acordo-com-o-ira-para-roubar-a-cena-e-ja-ameaca-rompe-lo/
- Notícia Brasil. (2026, Junho). Bases dos EUA no Golfo estão à beira do colapso estratégico após ataques do Irã, diz mídia. Disponível em: https://noticiabrasil.net.br/20260630/bases-dos-eua-no-golfo-estao-a-beira-do-colapso-estrategico-apos-ataques-do-ira-diz-midia-51803383.html