Internacional, Geopolítica, Economia
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Por PolitikBr I Brasília, Em 15/06/2026, 10h:52min, leitura: 10min
Editor: Rocha, J.C.

Essa é uma análise documental. Para visualizar “o todo” recomendamos a leitura dos demais artigos, que se somam ao tema de hoje. Boa leitura.
O anúncio de Donald Trump, no domingo (14), de que um “acordo de paz” foi alcançado com o Irã, foi recebido com ceticismo por aqueles que acompanham os detalhes — e com fúria por Benjamin Netanyahu.
O primeiro-ministro israelense, que foi excluído das negociações mediadas pelo Paquistão, agora exige o desmantelamento do Hezbollah como condição para aceitar o fim da guerra. A exigência contradiz diretamente os termos do memorando de entendimento assinado por Washington e Teerã, que prevê cessar-fogo permanente em todas as frentes — incluindo o Líbano — e a retirada das forças israelenses do sul do país.
O professor Seyed Mohammad Marandi, da Universidade de Teerã, em entrevista ao podcast do tenente-coronel Daniel Davis, revelou os bastidores das negociações e o dilema explosivo que Netanyahu enfrenta: se obedecer a Trump e aceitar os termos, a sua coalizão de extrema direita desmorona e ele admite a derrota completa; se desobedecer e continuar a guerra, humilha Trump — e o Irã mantém o Estreito de Ormuz fechado, aprofundando a crise econômica global. O mundo aguarda. Genebra é na sexta-feira (19).

Há 108 dias, os Estados Unidos e Israel lançaram uma guerra de agressão contra o Irã sob o falso pretexto de uma “ameaça nuclear iminente”. O objetivo declarado era “mudar o regime” em Teerã e “destruir” o seu programa nuclear. O resultado foi o oposto: o Irã continua com o seu programa nuclear à todo vapor, com especulações, cada vez mais frequentes, de que já teriam alcançado a dissuasão nuclear, isto é, já estariam de posse de alguns artefatos nucleares – A TRÍADE DA DISSUASÃO: O Irã Já Tem a Bomba? Jiang, Postol e Mearsheimer Convergem para o Mesmo Alerta; os iranianos promoveram uma mudança radical na geopolítica – e no poder de barganha – ao fechar e consolidar o seu controle sobre o Estreito de Ormuz; os EUA e Israel esgotaram os seus arsenais de mísseis de ataque e de defesa, na premissa falsa que poderiam derrotar o Irã usando o poderio dos bombardeios aéreos, sem o emprego de tropas em solo, como fazem os russos na Operação Militar Especial na Ucrânia – MEARSHEIMER: “Os EUA Depreciam a Inteligência Iraniana. A História Mostra que o Poder Aéreo Sozinho Não Derruba Regimes.” . O Irã – com apoio da inteligência de satélites e sistemas de coordenação integrada de ações defensivas, tanto dos russos quanto dos chineses, abateu mais aeronaves, destruiu mais instalações militares, e radares de alta vigilância, do que em todas as guerras recentes que os EUA promoveram; e forçou Washington a uma capitulação disfarçada de “acordo de paz”.
Agora, quando a assinatura do memorando em Genebra se aproxima (sexta-feira, 19), o principal obstáculo não é o Irã — é Israel.
O Acordo que Israel Não Assinou
Os termos do acordo, conforme revelados pela imprensa iraniana e confirmados por fontes americanas e paquistanesas, são claros:
- Cessar-fogo permanente e imediato em todas as frentes, incluindo o Líbano.
- Fim do bloqueio naval dos EUA e a reabertura do Estreito de Ormuz (sob “arranjos iranianos”, o que inclui a cobrança de taxas por serviços marítimos).
- Negociações sobre o fim das sanções ao Irã (60 dias).
- Retirada das forças americanas da região (compromisso dos EUA).
- Preservação da integridade territorial do Líbano – retirada de Israel do território libanês ( a intenção clara de Israel é a de anexar o sul do Líbano, criando uma zona tampão e ampliando ainda mais o seu território)

Israel não foi signatário. Netanyahu foi excluído das negociações — uma decisão consciente do Paquistão e dos EUA, que sabiam que o premiê israelense, vulnerável politicamente, tentaria sabotar qualquer acordo que não lhe desse uma “vitória”.
O Ataque à Beirute que Forçou Trump a Ceder
O professor Seyed Mohammad Marandi, em entrevista ao tenente-coronel Daniel Davis, revelou o que aconteceu nos bastidores. Na última semana, Netanyahu, em “sua estupidez total”, atacou Beirute. O Irã se preparava para retaliar. Os mísseis iranianos estavam sendo preparados para lançamento.
Foi então que Trump, desesperado para evitar uma escalada que destruiria qualquer chance de acordo e agravaria a crise econômica americana e mundial, aceitou as condições iranianas.
Marandi explica:
“Netanyahu, em sua completa estupidez, atacou Beirute. O Irã disse que iria retaliar. E Trump estava desesperado para que isso não acontecesse. Eu acredito que seja por causa da crise econômica, da crise energética que se aproxima. Então, Trump estava desesperado para que o Irã não atacasse, porque isso teria levado a um longo período de impasse novamente. O Irã parou de negociar e disse que iria atacar Israel. E então os americanos efetivamente aceitaram as condições do Irã.”
O resultado foi um acordo que, nas palavras do próprio Marandi, representa uma “vitória significativa” para o Irã. O Estreito de Ormuz será reaberto sob arranjos iranianos, incluindo a cobrança de taxas por serviços marítimos — uma forma de pedágio, ainda que rebatizada. Os EUA se comprometeram a retirar as suas forças da região. E as sanções serão negociadas nos próximos 60 dias — com a questão nuclear adiada, o que significa que o Irã mantém o seu programa de enriquecimento e a sua capacidade de dissuasão.
O Dilema de Netanyahu: Humilhar Trump ou Ser Humilhado
Agora, Netanyahu está encurralado. A sua exigência de desmantelamento do Hezbollah contradiz o acordo que Trump já endossou. O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, declarou que as forças israelenses permanecerão no Líbano, na Síria e em Gaza “indefinidamente”. O ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, foi ainda mais longe: “Não somos partes deste acordo. Não aceitaremos nada menos do que o desmantelamento do Hezbollah.”
A posição de Israel, até aqui, é de surpresa e um claro desafio à Trump. Entretanto, as declarações são puro desespero. Elas serão mantidas? Sexta feira (19) se aproxima. Mas a questão é simples: se o Irã sair vencedor, Israel sairá perdedor. Não há meio termo.
Marandi descreve o dilema israelense com precisão:
“O regime israelense tem que acabar com a ocupação e acabar com a guerra no Líbano e em todas as frentes… agora Netanyahu está em uma situação terrível. Se ele obedecer à Trump e cumprir seus compromissos, isso é uma derrota catastrófica. Se ele desobedecer à Trump e se recusar a cumprir os seus compromissos, ele humilha Trump — e o Irã não cumprirá as suas obrigações. O Estreito de Ormuz não será aberto.”
Em outras palavras: Netanyahu pode escolher entre:
- Obedecer à Trump, aceitar o cessar-fogo e retirar as suas forças do Líbano — o que significa admitir a derrota completa, fazer desmoronar a sua coalizão de extrema direita e enfrentar o colapso político.
- Desobedecer à Trump, continuar a guerra no Líbano — o que humilha o presidente americano, que declarou publicamente que um acordo foi alcançado, e interromperá a reabertura do Estreito de Ormuz, aprofundando a crise econômica global.
O cenário é, para Netanyahu, catastrófico. E, para Trump, é um pesadelo político. O presidente americano, que já declarou vitória, agora corre o risco de ver o seu “acordo” sabotado pelo seu próprio aliado.
A Posição Europeia: Apoio ao Acordo, Condenação Indireta a Israel
Enquanto Netanyahu se debate, a União Europeia já se posicionou. O presidente do Conselho Europeu, Antônio Costa, saudou o acordo e afirmou que a UE está “pronta para ajudar a cimentar uma paz duradoura”.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, pediu a “restauração imediata e sem condicionantes da liberdade de navegação” no Estreito de Ormuz.
A mensagem implícita à Israel é clara: a Europa não apoiará qualquer tentativa de sabotagem. O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, também saudou o acordo como um “momento de enorme significado”.
O presidente libanês, Joseph Aoun, expressou esperança de que o acordo ponha um “fim definitivo” ao conflito entre Israel e o Hezbollah.
Israel, mais uma vez, está isolado.
O que Vem Agora?
O memorando será assinado na sexta-feira (19) em Genebra. Entre agora e lá, Netanyahu terá que decidir. Se optar por sabotar o acordo, Trump será humilhado publicamente — algo que o presidente americano, conhecido pela sua vaidade, não tolerará. Se ele optar por obedecer, a sua coalizão desmorona e ele entrará para a história como o primeiro-ministro que perdeu uma guerra para o Irã.
Marandi, no entanto, não tem ilusões sobre a confiabilidade americana:
“Nós não confiamos em Trump. Não confiamos no regime Trump, e eu não acho que ninguém neste planeta confie. Nem o povo americano confia. Portanto, não estamos criando expectativas. Mas, se ele não implementar o acordo, nós vencemos. Se ele implementar, nós vencemos. De qualquer forma, sua retirada será lembrada.”
Nesse vídeo, o professor Jeffrey Sachs fala, em entrevista ao podcast do também professor Gleen Diesen, que o acordo pode ser simplesmente uma trégua estratégica de Trump. Talvez até o fim da eleição de meio mandato nos Estados Unidos – outubro de 2026.
Há muita desconfiança em tudo que os EUA prometem cumprir em termos de acordos e, no fim, nada cumprem. Os violam sistematicamente. Portanto, é aguardar, primeiro, a aceitação de Netanyahu. Em segundo lugar, o tempo.

Entretanto, a assinatura do acordo – se ocorrer – em Genebra será um momento histórico — não porque a paz esteja garantida, mas porque formalizará o óbvio: os Estados Unidos perderam a guerra para o Irã. E Israel, contra a sua vontade, agora enfrenta a escolha mais difícil de sua história recente.
O mundo aguarda. Genebra é na sexta-feira (19).
Nota ao leitor: Este artigo buscou compilar, numa análise única e aprofundada, os elementos factuais e contextuais que cercam o impasse criado pela exigência israelense de desmantelamento do Hezbollah como condição para aceitar o acordo de paz entre os Estados Unidos e o Irã — desde os bastidores das negociações, e o ataque à Beirute que forçou Trump a ceder, até o dilema de Netanyahu entre humilhar o presidente americano ou admitir a derrota completa. A análise do professor Seyed Mohammad Marandi, da Universidade de Teerã, ao podcast do tenente-coronel Daniel Davis, é apresentada como um contraponto à narrativa oficial de Washington e Tel Aviv. As fontes utilizadas são públicas e estão devidamente listadas para sua verificação.
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Esse artigo foi baseado em:
- YouTube (Daniel Davis Deep Dive): Breaking: IRAN DEAL COMPLETE Trump Says (entrevista com Seyed Mohammad Marandi) (14/06/2026)
- The Guardian: Middle East crisis live: US and Iran say peace deal reached but Israel rules out withdrawing from Lebanon (15/06/2026)
- Diário de Notícias: Costa e UE saúdam acordo EUA-Irão, mas Israel recusa-o e exige desmantelamento do Hezbollah (15/06/2026)
- PolitikBr: BREAKING NEWS – A CAPITULAÇÃO DE TRUMP (14/06/2026)
- PolitikBr: O Louco e o Traidor (05/06/2026)
One thought on “Netanyahu Entre Humilhar Trump ou Admitir a Completa Derrota”