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Por PolitikBr I Brasília, Em 29/05/2026, 08h:00min, leitura: 9min
Editor: Rocha, J.C.
Em sua participação no podcast de Daniel Davis no dia 27 de maio de 2026, Larry Johnson foi direto ao ponto. Ele não especulou. Ele não usou condicionais. Ele afirmou:
“A Rússia está pronta para tomar Kiev. As forças russas estão posicionadas, os planos estão prontos, e a única coisa que falta é a ordem política. Quando ela vier, Kiev cairá em questão de dias — talvez horas.”

Larry Johnson, que possui décadas de experiência em análise de inteligência, baseou a sua afirmação em três fatores principais. O primeiro é o estado das Forças Armadas da Ucrânia. Após mais de quatro anos de guerra, com perdas que Ritter fala serem de 2 milhões de mortos e 5 milhões de feridos, o exército ucraniano não é mais a força combativa que já foi. As linhas defensivas que a OTAN teria ajudado a Ucrânia a construir, como Ritter já havia apontado, não existem, de fato — o dinheiro do “cinturão de fortalezas” de Donetsk, segundo Ritter, foi desviado por corruptos.
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O segundo fator é a exaustão da capacidade de resistência ucraniana. Johnson observa que, diferentemente de 2022, quando a invasão russa foi recebida com uma onda de voluntários e resistência popular, a Ucrânia de 2026 está demograficamente colapsada. Homens em idade de lutar são escassos. A idade média das tropas ucranianas, quando existem reposições, é de homens de 40 a 50 anos, muitos sem treinamento adequado.
O terceiro fator é a nova doutrina russa de guerra urbana. Diferentemente das batalhas iniciais em Mariupol e Bakhmut, onde a Rússia sofreu pesadas baixas em ataques frontais, a doutrina atual é metódica e devastadora:
“Os russos não vão mais fazer ataques de infantaria contra áreas urbanas – Na verdade, essa tática foi abandonada pelos russos logo após os primeiros reveses em perdas humanas. Ela foi substituida pela infiltração de pequenos grupos de penetração, composto por 3 a 6 homens, afim de localizar as posições inimigas e direcionar o fogo de blindados, mísseis e drones. Eles vão usar a aviação tática, os mísseis de cruzeiro, os drones e as bombas planadoras FAB para destruir sistematicamente as posições defensivas. Uma vez que a resistência organizada é neutralizada, as tropas terrestres entram para ocupar os escombros. É assim que eles tomaram Bakhmut. É assim que eles tomaram Avdiivka. É assim que eles tomarão Kiev.”
Johnson lembrou que Kiev não é uma fortaleza inexpugnável. A sua geografia — uma cidade plana, cortada pelo rio Dnieper — torna difícil uma defesa elástica. E, crucialmente, a defesa aérea que a OTAN forneceu à Ucrânia é, como o ataque russo de 24-25 de maio demonstrou, ineficaz contra os mais modernos mísseis russos.
A Conexão com a Análise de Ritter: O Ataque a Kiev Foi uma Demonstração
Aqui, a análise de Johnson se conecta perfeitamente com a de Ritter. Ambos concordam que o ataque massivo a Kiev na madrugada de 24 para 25 de maio não foi o evento principal. Foi, como Ritter afirmou, uma demonstração.
Ritter, na entrevista de 26 de maio, foi enfático:

“A Rússia fez uma demonstração algumas noites atrás para os ucranianos. Atingiu um alvo legítimo, mas apenas demonstrando o que poderia acontecer. (…) A Rússia está se preparando para apagar o centro de Kiev. As pessoas precisam entender isso.”
O que Ritter chama de “apagar o centro de Kiev” e o que Johnson chama de “tomar Kiev” são, na verdade, duas faces da mesma moeda. O “apagamento” se refere à destruição dos centros de decisão — o parlamento, a administração presidencial, o ministério da defesa. A “tomada” se refere à ocupação militar da cidade após a resistência organizada ter sido aniquilada.
Ambos os cenários convergem para o mesmo ponto final: o fim da Ucrânia como Estado funcional.

O Fórum de São Petersburgo e o Corredor Báltico: A Faísca para a Guerra com a OTAN
O que torna o momento atual particularmente perigoso é a convergência de dois eventos: a iminente ofensiva russa sobre Kiev e o planejado ataque ucraniano — com apoio britânico — ao Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo, que se reunirá na próxima semana.
Ritter alertou:
“Zelensky está se preparando para lançar uma grande campanha de drones em junho, apoiado pelos britânicos. Ele pode tentar atacar o Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo, o maior fórum do seu tipo no mundo, maior que Davos, que se reunirá na próxima semana. A Rússia não pode permitir que isso aconteça. Então a Rússia vai apagar Kiev.”
Mas o ataque a São Petersburgo, se ocorrer, não virá do território ucraniano diretamente. Virá através do chamado corredor báltico — drones lançados da Estônia ou da Letônia, voando sobre o Báltico e atingindo o norte da Rússia. E é aí que a situação se tornará verdadeiramente explosiva.
Ritter foi claro:
“Se a Ucrânia atacar o Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo na próxima semana, lançado através do corredor báltico, então você verá a Letônia ser apagada. Isso é uma eliminação de um estado báltico, um membro da OTAN, e não há nada que a OTAN possa fazer a respeito.”
A OTAN Está Vazia: A Realidade que Ninguém Quer Enfrentar
A pergunta óbvia é: por que a OTAN não poderia fazer nada? A resposta, segundo Ritter e Johnson, é simples: a OTAN está militarmente exaurida.
Ritter:
“A OTAN não tem nada hoje. Zero, zero capacidade de fazer qualquer coisa. Além disso, as falas deles são retórica vazia, porque eles não têm a base industrial para se rearmar.”
Johnson complementa:
“Os Estados Unidos estão envolvidos em uma guerra com o Irã. As reservas de munição que poderiam ser enviadas para a Europa foram consumidas na Ucrânia e agora estão sendo consumidas no Oriente Médio. A Europa, por sua vez, não tem energia, não tem unidade política e não tem a indústria bélica para sustentar uma guerra de alta intensidade contra a Rússia. Eles têm retórica. Eles não têm projéteis.”
O que isso significa na prática? Se a Rússia decidir atacar uma base de lançamento de drones na Estônia ou na Letônia, a OTAN terá que decidir entre:
- Invocar o Artigo 5º e iniciar uma guerra contra a Rússia — uma guerra para a qual, como Ritter e Johnson apontam, não tem munição, nem tropas, nem logística, nem apoio popular.
- Recuar e admitir que a sua própria “linha vermelha” era uma ficção, que a dissuasão da OTAN faliu, e que os países bálticos estão por sua conta.
Ritter não tem dúvidas sobre qual será a escolha. Johnson parece que também não.
O Preço da Cegueira: Uma Nação Morta, Uma Aliança Humilhada
Enquanto os estrategistas ocidentais continuam a repetir os mantras de que a Rússia está “fraca” e que a Ucrânia está “vencendo”, a realidade no terreno é outra.
Os números de Ritter são estarrecedores, horrendos, mas precisam ser repetidos:
“Mais de 2 milhões de ucranianos estão mortos. 5 milhões de ucranianos estão feridos. A eliminação total do futuro genético da Ucrânia. Está morta como sociedade, morta como nação. Não sobreviverá a isso, não importa o que aconteça.”

E a batalha por Kiev, quando vier, não será uma exceção a essa regra. Será o capítulo final de uma tragédia que poderia ter sido evitada — se a OTAN tivesse ouvido os alertas de Ritter, de Johnson, de Jeffrey Sachs, de Douglas MacGregor, de todos aqueles que, há anos, apontam que a estratégia ocidental na Ucrânia não é apenas falha, mas suicida.
O contraste entre a análise desses homens e a fantasia vendida por generais como David Petraeus é um abismo de negligência criminosa. Enquanto Ritter descreve um massacre, Petraeus fala em “otimismo”. Enquanto Johnson prevê a queda de Kiev, a CNN mostra gráficos de “avanços ucranianos” de poucos metros. Enquanto a realidade se desenrola em cores vivas, sangue derramado, a propaganda ocidental insiste em pintá-la de rosa.
O Silêncio que Precede o Trovão
Estamos, neste momento, no olho do furacão. O ataque a Kiev de 24-25 de maio foi o aviso. A demonstração. O tiro de advertência. O que está por vir — seja o “apagamento” do centro de Kiev, seja a tomada da cidade pelas forças russas, seja o ataque a um país da OTAN no corredor báltico — será de uma magnitude que ainda não testemunhamos nesta guerra.
A Rússia, como Ritter deixou claro, não está mais interessada em negociação. A diplomacia, nas palavras dele, está “morta, literalmente”. O único desfecho aceitável para Moscou é a rendição incondicional da Ucrânia.
Nota ao leitor: Este artigo buscou compilar, numa análise única e aprofundada, as previsões de Larry Johnson e de Scott Ritter sobre o iminente avanço russo sobre Kiev e o fechamento do corredor báltico, com ênfase na exaustão militar da OTAN e no colapso demográfico da Ucrânia. As fontes utilizadas são públicas (entrevistas em vídeo e artigos de notícias) e estão devidamente listadas para sua verificação. A reprodução de falas visa dar transparência à análise, sem qualquer edição tendenciosa.
Esse artigo foi baseado em:
- “Scott Ritter: ‘A Ucrânia Está Morta'” (PolitikBr, 28/05/2026). Disponível em: https://politikbr.org/2026/05/28/scott-ritter-a-ucrania-esta-morta/
- “A Escada Para o Abismo Nuclear” (PolitikBr, 26/05/2026). Disponível em: https://politikbr.org/2026/05/26/a-escada-para-o-abismo-nuclear/
- Scott Ritter: “UKRAINE The DEATH OF A NATION” (entrevista ao canal World Affairs In Context, 26/05/2026). Disponível em: https://www.youtube.com/live/MWdKz8O11iM
- YouTube: Larry Johnson no podcast do coronel Daniel Davis (27/05/2026).
- Sputnik Brasil: “Caos na Ucrânia após retaliação da Rússia mostra quem controla curso dos eventos” (25/05/2026)
- Sputnik Brasil: “Mais de 50 jornalistas estrangeiros visitam local do ataque ucraniano em Starobelsk” (24/05/2026)
- Tribuna do Agreste: “Professor americano alerta: provocações contra a Rússia tornam Países Bálticos extremamente perigosos” (25/05/2026)