Como a OTAN, o “corredor Báltico”, e o terror ucraniano, estão forçando a Rússia à guerra. E não serão os russos que irão perder. Todos irão perder.
Internacional, Geopolítica, Economia
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Por PolitikBr I Brasília, Em 26/05/2026, 19h:50min, leitura: 12min
Editor: Rocha, J.C.
Quando a guerra deixa de ser ucraniana e passa a ser europeia
Em falando da estupidez das guerras…
Há guerras que terminam por exaustão. Há guerras que terminam por acordo. E há guerras que, por arrogância, miopia, xenofobia, fanatismo e erro de cálculo, deixam de caber dentro do teatro onde começaram. A guerra entre a Rússia e a OTAN, usando a Ucrânia como proxy, está entrando nesta terceira categoria.
A cada míssil de longo alcance fabricado pelos europeus, a cada drone lançado contra a infraestrutura energética russa, a cada incursão no espaço báltico, a cada pacote de inteligência, satélite, logística e seleção de alvos, o que se vê é a lenta remoção do disfarce: a OTAN deixou de ser apenas patrocinadora e passou a operar como participante indireta, progressivamente menos indireta, de uma guerra contra a maior potência nuclear do planeta.

O artigo anterior do PolitikBr, “SCOTT RITTER: ‘A OTAN Está Forçando a Rússia a Ir à Guerra’”, já apontava para essa virada: a tese de Ritter é que a OTAN e o Ocidente cruzaram linhas vermelhas ao transformar os Estados bálticos em plataforma de pressão e ao permitir que tecnologia, inteligência e produção ocidentais sustentem ataques em profundidade contra a Rússia.
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O ponto essencial não era gostar ou não do que disse Ritter. Era perguntar se a sequência dos fatos confirmava a sua advertência. Poucos dias depois, a resposta parece ter vindo com a brutalidade própria das guerras.
Se você observa a geopolítica sem as lentes cor de rosa da propaganda ocidental, não é difícil perceber que não estamos diante de uma guerra na Ucrânia. Estamos, na verdade, diante de uma guerra da OTAN contra a Rússia, travada por procuração, com mãos e sangue ucranianos, mas com olhos, ouvidos e dedos no gatilho, tanto de americanos quanto de europeus.

O que vimos nos últimos dias não foi mais um capítulo aleatório desse conflito. Foi, isso sim, a explicitação crua de uma estratégia deliberada de escalada. E o mais assustador: a Rússia, se vendo encurralada, respondeu com uma fúria que não deixa mais dúvidas sobre quem controla o tabuleiro. O aviso foi dado. E os países bálticos, como alerta o professor Jeffrey Sachs, se tornaram o lugar mais perigoso do planeta.
A Face do Terror Ucraniano em Starobelsk
Não é fake news. É verdade. Kiev massacrou, com um ataque de drones, jovens que dormiam em um abrigo em Starobelsk; deixando 21 mortos e 63 feridos. Que selvageria foi essa?
Mas, não espere da narrativa ocidental, nada além do mesmo. Quando a Ucrânia ataca, é “resistência”. Quando a Rússia responde, é “barbárie”. Entretanto, os fatos, esses insistem em estragar a coreografia da grande mídia.
Há poucos dias, o mundo — ou o que resta dele que ainda busca informação para além do cordão sanitário da CNN e da BBC — soube de um ataque terrorista perpetrado por forças ucranianas contra a cidade de Starobelsk. O alvo? Um abrigo. A hora? A noite. As vítimas? Jovens estudantes que dormiam. Pessoas indefesas, longe da linha de frente, massacradas em seu momento de maior vulnerabilidade.
Mais de 50 jornalistas estrangeiros, aqueles que ainda têm coragem de ver com os próprios olhos, visitaram o local e constataram a barbárie, conforme noticiado pela porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova. Foi um ataque calculado. Um ato de terror puro, desenhado para matar civis e semear o pavor. Um ataque para testar até onde vai a paciência da Rússia, afinal, aquele não fora o primeiro ataque terrorista de Kiev contra civis.
E a resposta russa veio rápido.

E se você pensa em isenção dos veículos de informação, esqueça. No dia seguinte, as manchetes não falavam de Starobelsk. Falavam da “resposta russa”. E a narrativa foi montada: “Rússia faz grande ataque contra Kiev em retaliação a ofensiva ucraniana.”
Um ataque terrorista contra civis pelos ucranianos, é tratado no título da CNN como: “….em retaliação a ofensiva ucraniana”. Vergonhoso.
As imagens da CNN Brasil mostravam prédios destruídos, mencionando, de passagem, que o ataque da Rússia seria devido a uma alegação russa de um ataque terrorista ucraniano, sem jamais mencionar o massacre de jovens no abrigo que provocou aquela reação. A memória seletiva do Ocidente é, ela mesma, uma arma de destruição em massa.
Transcrevemos o texto da CNN, nesse ponto:
“….Nossos serviços de inteligência relataram ter recebido dados, inclusive de parceiros americanos e europeus, sobre a Rússia preparando um ataque com o míssil Oreshnik. Estamos verificando essas informações”, disse Zelensky em publicação na rede social X, acrescentando: “Contamos com uma resposta do mundo – e com uma resposta que não seja posterior ao fato, mas preventiva. É preciso pressionar Moscou para que não amplie a guerra”.
As explosões e os alertas ocorrem depois que Putin acusou a Ucrânia de um ato “terrorista”, alegando que drones ucranianos atingiram um dormitório universitário em Starobilsk, cidade ocupada no leste de Luhansk, na sexta-feira (22).“

Nessa outra matéria, a CNN Brasil, em reportagem da Reuters, informou que mísseis e drones russos atingiram Kiev, danificando prédios residenciais, escritórios e escolas, matando pelo menos quatro pessoas e ferindo mais de 80, sem mencionar no texto os ataques ucranianos anteriores contra Starobelsk (CNN Brasil).
O Corredor Báltico: A Porta dos Fundos da Guerra
O que a CNN, e as outras mídias ocidentais não mostram, e o que o cidadão comum precisa entender para conectar os pontos, é a geografia da provocação. A Ucrânia, sozinha, não tem capacidade de atingir alvos em profundidade no território russo, especialmente no norte, em direção a São Petersburgo ou mesmo Moscou. Para isso, ela conta com o chamado corredor báltico. Ela também precisa dos armamentos produzidos na Alemanha, na Inglaterra, na França e em outros países beligerantes europeus. Ela precisa da “inteligência” e de informações em tempo real de satélites. Isso tudo ela não tem.
Através da Estônia e da Lituânia — membros da OTAN — drones ucranianos estão sendo lançados em direção ao coração da Rússia. Isso reduz o tempo de voo, dificulta a detecção e, mais grave, transforma o território da Aliança Atlântica em plataforma de lançamento de ataques diretos aos russos.

O professor Jeffrey Sachs, da Universidade de Columbia, um dos economistas e analistas geopolíticos mais respeitados do mundo, foi direto ao ponto em entrevista recente:
“Se somarmos a situação na Ucrânia, a russofobia dos Países Bálticos — para os quais a Europa entregou a sua política externa —, a liderança alemã falando abertamente sobre a re-militarização […] e a postura estranha da França e do Reino Unido, então temos a receita perfeita para um desastre colossal. Os Países Bálticos são agora, talvez, o lugar mais perigoso do planeta. Lá, eles literalmente fecharam a guerra, a vingança, o ódio à Rússia.”
Sachs ainda desnuda a estratégia ucraniana, que é tão cínica quanto suicida:
“A Ucrânia fará de tudo para provocar uma escalada. Essa é sua tática, porque não pode lutar contra a Rússia sozinha. Mas talvez a Europa lute contra a Rússia. E se a Europa for para a guerra, como os ucranianos parecem pensar, os EUA irão para a guerra junto com a Europa.”
É isso. Kiev sabe que está perdendo no campo de batalha convencional. A sua única e derradeira esperança é transformar este conflito regional em uma conflagração continental, arrastando a OTAN para um confronto direto com a Rússia. E os países bálticos, cegos pela russofobia, estão servindo de isca. De instrumento a essa política.
A Resposta Russa: Oreshnik, Tsirkon, Kinzhal e o Fim da Paciência
A Rússia, ao contrário do que a imprensa ocidental tenta vender, não é um Leviatã descontrolado. Moscou avisou. E avisou repetidas vezes. O ministro das Relações Exteriores, Sergei Lavrov, foi explícito: haveria uma resposta, e ela seria dura.

A resposta russa veio na forma de um ataque combinado que fez tremer as bases militares e energéticas da Ucrânia. Mas não foi um ataque qualquer. Foi uma demonstração de poder tecnológico e de intenção. Os russos empregaram o que há de mais letal em seu arsenal bélico:
- O míssil hipersônico Oreshnik, contra o qual não há defesa antiaérea conhecida.
- Os mísseis Tsirkon (Zircão) e Kinzhal (Adaga) , capazes de viajar a múltiplas vezes a velocidade do som e mudar de trajetória no ar. Mortais. Os matadores dos “Patriot” americanos.
- Uma enxurrada de drones de ataque; além de outros mísseis de cruzeiro.
O resultado foi um caos, descrito pela própria mídia independente, como nunca antes visto. Um analista citado pela Sputnik Brasil resumiu:
“Caos na Ucrânia após retaliação da Rússia mostra quem controla o curso dos eventos.”
Não nos parece uma boa ideia “cutucar um urso com uma vara curta”. Os europeus estão brincando com fogo.
E esse ataque russo não foi apenas uma “punição” pelo ataque terrorista a Starobelsk. Se tratou, de fato, de um aviso estratégico. E os europeus devem ter entendido assim.
A Rússia deixou claro que chegou ao seu limite. E mais: que pode, se assim decidir, estender esses ataques a qualquer alvo que considere legítimo em toda a Europa. Os primeiros alvos, considerados legítimos pelos russos, seriam, por exemplo, as fábricas de drones e mísseis espalhados pela Europa. A chancelaria russa listou essas instalações, dando um aviso.
O Sinal Nuclear e a Surdez Ocidental
E para que não restem dúvidas sobre a seriedade da ameaça, a Rússia realizou exercícios nucleares táticos. A Sputnik Brasil noticiou que esses exercícios se tornaram um “sinal de alerta” para a Europa. Não é blefe. É a materialização do princípio de que, numa guerra de desgaste provocada pela OTAN, o arsenal nuclear tático é a garantia de que a Rússia não será derrotada.
A Europa, no entanto, parece decidida a andar em direção ao precipício. A Alemanha fala em re-militarização. A França e o Reino Unido acenam com tropas. Os países bálticos — Estônia, Lituânia, Letônia — se oferecem como trampolim para ataques contra o território russo, esquecendo que estão à poucos minutos de voo de mísseis hipersônicos.

O coronel Douglas MacGregor, já citado em análises anteriores do PolitikBr, foi enfático: os países bálticos são alvos legítimos, e a Rússia pode, a qualquer momento, decidir “cortar o braço” que alimenta a Ucrânia.

O Que Vem a Seguir? A Escada para o Abismo
A pergunta é: e agora? A Rússia já demonstrou que não recuará. Os EUA e a OTAN vem demonstrando que não aceitarão uma derrota ucraniana. E os minúsculos países bálticos continuam provocando o vizinho gigante. Armado até os dentes.
A lógica da escalada é perversa. Cada ataque ucraniano à partir do corredor báltico exige uma resposta russa. Cada resposta russa escala a guerra. E a cada degrau que se sobe nessa escada, a possibilidade do Armageddon se torna cada vez maior.
O professor Jeffrey Sachs, um homem que dedicou a vida a estudar crises globais, não encontrou outra palavra para descrever a situação atual senão “desastre colossal”. E ele está certo.
Vamos aos números.
A Rússia possui cerca de 2.000 armas nucleares táticas. A Europa continental 100. A França e o Reino Unido possuem, juntos, aproximadamente 515 ogivas estratégicas. A Rússia, no total, tem mais de 6000 armamentos nucleares. Além de uma moderna e poderosa frota de submarinos nucleares, mísseis hipersônicos, dentre eles o Avangard, Sem mencionar os bombardeiros TU-160, vários deles modernizados nos últimos anos.
A única saída racional é a paz.
É a OTAN recuar, reconhecer os interesses de segurança russos – que são reais e foram repetidamente ignorados, desde a dissolução da União Soviética – e a Ucrânia, sem o apoio europeu, sentar à mesa de negociações. Mas a racionalidade, como sabemos, há muito abandonou a política externa ocidental, refém de uma russofobia irracional, e de interesses do complexo militar-industrial.
Enquanto isso, os jovens continuam morrendo em abrigos. As cidades continuam sendo bombardeadas. E o mundo inteiro, feito passageiro de um trem desgovernado, corre para o abismo.
Nota ao leitor: Este artigo buscou compilar, numa análise única e aprofundada, os elementos factuais e contextuais que cercam a escalada do conflito na Ucrânia, com foco no papel da OTAN, no uso do território dos países bálticos para ataques com drones contra a Rússia, no ataque terrorista ucraniano contra civis em Starobelsk e na resposta militar russa. As fontes utilizadas são públicas e estão devidamente listadas para sua verificação.
Esse artigo foi baseado em:
- Sputnik Brasil: “Mais de 50 jornalistas estrangeiros visitam local do ataque ucraniano em Starobelsk, diz Zakharova” (24/05/2026). Disponível em: https://noticiabrasil.net.br/20260524/50661734.html
- Sputnik Brasil: “Caos na Ucrânia após retaliação da Rússia mostra quem controla curso dos eventos, diz analista” (25/05/2026). Disponível em: https://noticiabrasil.net.br/20260525/caos-na-ucrania-apos-retaliacao-da-russia-mostra-quem-controla-curso-dos-eventos-diz-analista-50685206.html
- Sputnik Brasil: “Exercícios nucleares da Rússia se tornam ‘sinal de alerta’ para Europa, afirma jornal” (21/05/2026). Disponível em: https://noticiabrasil.net.br/20260521/exercicios-nucleares-da-russia-se-tornam-sinal-de-alerta-para-europa-afirma-jornal-50572276.html
- Tribuna do Agreste: “Professor americano alerta: provocações contra a Rússia tornam Países Bálticos extremamente perigosos” (25/05/2026). Disponível em: https://www.tribunadoagreste.com.br/geral/2026/05/25/907085-professor-americano-alerta-provocacoes-contra-a-russia-tornam-paises-balticos-extremamente-perigosos
- CNN Brasil: Rússia faz grande ataque contra Kiev em retaliação a ofensiva ucraniana | CNN Brasil
- Artigo de referência interna: “SCOTT RITTER: ‘A OTAN Está Forçando a Rússia a Ir à Guerra'” (PolitikBR, 2026).