O que Scott Ritter viu, que a OTAN se recusa a enxergar?
Internacional, Geopolítica, Economia
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Por PolitikBr I Brasília, Em 28/05/2026, 10h:09min, leitura: 16min
Editor: Rocha, J.C.
Há uma diferença abissal entre ver o que aconteceu e compreender o que ele anuncia. Entre assistir a um ataque e decifrar a mensagem estratégica que ele carrega. Entre registrar o caos em Kiev e perceber que aquele caos não foi um fim, mas um prelúdio.
Na madrugada de 24 para 25 de maio de 2026, 90 mísseis hipersônicos russos — Oreshnik, Tsirkon, Kinzhal – e 600 drones — caíram sobre o coração da capital ucraniana. Centros de decisão foram atingidos. O sistema de defesa aérea, fornecido pela OTAN, assistiu impotente. A grande mídia ocidental, a CNN à frente, mostrou as imagens dos estragos e repetiu o mantra de que a Rússia “ataca civis indiscriminadamente”. A narrativa foi montada: mais um episódio de “barbárie russa”
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Enquanto a grande mídia ocidental, a CNN à frente, mostrava imagens dos estragos e repetia o mantra de que a Rússia “ataca civis indiscriminadamente”, poucos — muito poucos — se perguntaram: como isso foi possível? Onde estava a inteligência ocidental? Por que os planejadores da OTAN e de Kiev não viram isso chegando?

Falando de CNN, Maria Vladimirovna Zakharova, diplomata de carreira, e atual diretora do Departamento de Informação e Imprensa do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Federação Russa afirmou:
“As forças ucranianas contratam a CNN para filmar o trabalho de seus assassinos com drones”.
“A diplomata apontou que, quando a Rússia convida os correspondentes da CNN para que possam avaliar por si próprios as consequências da ação dos drones ucranianos em assassinatos de civis, incluindo crianças, e destruição da infraestrutura civil, os jornalistas norte-americanos “alegam férias, problemas logísticos e uma série de outros motivos” ” (Sputnik)
Mas vamos ao assunto principal.
No dia 26 de maio, menos de 48 horas depois do ataque russo, Scott Ritter, analista em geopolítica, se sentou diante das câmeras do podcast do coronel Daniel Davis e fez algo que os estrategistas da OTAN, e os porta-vozes de Kiev, parecem incapazes de fazer: ele interpretou os fatos. Ele explicou o que aquele ataque realmente significava. E, mais do que isso, ele previu — com clareza — o que muito provavelmente ainda está por vir.
Scott Ritter é ex-oficial de inteligência do Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos, ex-inspetor de armas da ONU, consultor para assuntos de segurança em energia, e atualmente um dos analistas militares mais respeitados — e mais controversos — do mundo.
O PolitikBr publicou, no dia 26 de maio, o artigo “A Escada para o Abismo Nuclear“, descrevendo os acontecimentos que já se desenrolavam. Mas o que poucos sabem é que Ritter já havia traçado o roteiro que se seguiria.
Este artigo é, portanto, um exercício de escuta. Vamos revisitar as principais análises e previsões de Ritter — feitas após o ataque a Kiev, mas antes do próximo passo russo — e confrontá-las com a cegueira deliberada dos planejadores da OTAN. E, ao fazê-lo, perguntar: quem, afinal, entende algo desta guerra?


“Aquilo Foi uma Demonstração. Agora, Kiev Será Apagada.”
A primeira grande contribuição de Ritter, na entrevista de 26 de maio, foi reinterpretar o ataque que o mundo acabara de testemunhar. Enquanto a mídia ocidental o tratava como “o mais intenso da guerra” e um “ato de terror indiscriminado”, Ritter o chamou pelo nome correto: uma demonstração.
“A Rússia fez uma demonstração algumas noites atrás para os ucranianos. Atingiu um alvo legítimo, mas apenas demonstrando o que poderia acontecer.”
Ele explicou que os ataques anteriores — aqueles que a CNN chamou de “os mais intensos” — foram, na verdade, proporcionados e limitados. A Rússia usou o Oreshnik, mas contra alvos específicos: centros de produção de drones FPV, muitos deles escondidos em escolas, museus e shopping centers. Atingiu aquilo que, sob a lei da guerra, eram alvos legítimos, porque haviam sido transformados em infraestrutura militar.
Mas Ritter foi além. Ele afirmou que aquela demonstração não foi o fim. Foi o aviso. E o que virá a seguir, segundo ele, será de outra ordem:
“A Rússia está se preparando para apagar o centro de Kiev. As pessoas precisam entender isso. (…) Vai ser algo que ninguém jamais viu antes.”
A diferença entre a análise de Ritter e a dos especialistas ocidentais é que ele compreendeu a necessidade estratégica da Rússia de responder não apenas ao ataque terrorista a Starobelsk (21 jovens mortos enquanto dormiam em um abrigo), mas à crescente pressão interna de veteranos de guerra e nacionalistas russos que exigem de Putin uma ação decisiva. Ele não tratou Putin como um “autocrata irracional“, mas como um líder que precisa equilibrar forças — e que, naquele momento, já não podia mais recuar.
“Putin não tem escolha a não ser agir agora, porque senão ele joga a favor da narrativa promovida pelos britânicos na mente do povo russo. (…) Isso importa com as pessoas nacionalistas de direita, que querem que esta guerra seja vencida.”
A OTAN, presa à sua própria propaganda de que a Rússia está “fraca” e “isolada”, simplesmente não consegue modelar essa variável. Para os estrategistas ocidentais, a pressão interna na Rússia é um detalhe menor, algo que “não se vê nos gráficos”. Para Ritter, é o fator decisivo.
A diferença entre a previsão de Ritter e a análise da OTAN é que Ritter entende a necessidade estratégica da Rússia de responder não apenas ao ataque terrorista a Starobelsk, mas à crescente pressão interna de veteranos de guerra e nacionalistas russos que exigem de Putin uma ação decisiva. Ele não tratou Putin como um “autocrata irracional”, mas como um líder que precisa equilibrar forças — e que, naquele momento, já não podia mais recuar.
“Putin não tem escolha a não ser agir agora, porque senão ele joga a favor da narrativa promovida pelos britânicos na mente do povo russo. (…) Isso importa com as pessoas nacionalistas de direita que querem que esta guerra seja vencida.”
A OTAN, presa à sua própria propaganda de que a Rússia está “fraca” e “isolada”, simplesmente não consegue modelar essa variável. Para os estrategistas ocidentais, a pressão interna na Rússia é um detalhe menor, algo que “não se vê nos gráficos”. Para Ritter, é o fator decisivo.
“A Ucrânia É uma Nação Morta”: Os Números do Colapso
Talvez a afirmação mais chocante de Ritter — e a mais sistematicamente ignorada pela mídia ocidental — seja a de que a Ucrânia, como nação, já está morta. Não amanhã. Não depois da guerra. Agora.
Ritter afirma, com base em dados que ele, reiteradamente, diz serem subestimados pelas fontes oficiais:

“Mais de 2 milhões de ucranianos estão mortos. 5 milhões de ucranianos estão feridos. A eliminação total do futuro genético da Ucrânia. Está morta como sociedade, morta como nação. Não sobreviverá a isso, não importa o que aconteça.”
Esses números são quase impossíveis de se verificar de forma independente, dada a guerra de informações. Mas mesmo os números mais conservadores — os da ONU, os do governo ucraniano (que historicamente minimiza as suas perdas) — apontam para centenas de milhares de mortos e mais de um milhão de feridos graves. E Ritter, que não tem compromisso com a auto-censura, os apresenta em sua magnitude real: o colapso demográfico completo.

Em 27 de março de 2023, o PolitikBr publicou o número de mortes e feridos no, então, conflito, e não uma guerra aberta, como agora. Em um momento, como agora também, que não se tinham notícias confiáveis, independentes, sobre o número de mortos e feridos.
As notícias, naquele momento, eram que as baixas do exército ucraniano e do exercito russo passariam de 100 mil mortos e feridos para cada lado, com 40 mil mortes de civis. Entretanto, essa informação não era de uma fonte confiável, isto é, vinha do general Mark Milley, presidente do Estado-Maior Conjunto dos EUA.
No artigo de 27 de março 2023, nós havíamos citado uma declaração de Ritter:
“Se eu tivesse um desejo, seria que eles parassem de lutar pelo Ocidente e pelo fantoche Zelensky. [Para] ficarem com a Rússia que libertará a Ucrânia do Ocidente e unirá um povo completamente destruído”
Ali eram 100.000 mortos. Agora 2.000.000….
E Ritter detalha o mecanismo dessa destruição:
“Eles – os russos – estão matando literalmente milhares de ucranianos por dia, senhoras e senhores. E não milhares de russos, acreditem em mim. Milhares de ucranianos por dia estão sendo massacrados.”
Ritter descreve a Batalha de Pokrovsk como um exemplo:
“A batalha de Pokrovsk custou a eles 60 a 80 mil mortos. Eles estão prestes a perder 100 mil nas batalhas de Slovyansk-Kramatorsk. Isso é real. É um massacre que está acontecendo.”
Compare essa linguagem com a de David Petraeus, o general americano que, na mesma semana, dava entrevistas dizendo que via “motivos para otimismo” na Ucrânia.
A desconexão entre a realidade do campo de batalha e a fantasia vendida pelos “especialistas” ocidentais é um abismo de negligência criminosa.
Ritter explica por que a Ucrânia não pode mais vencer, mesmo com toda a ajuda ocidental:
“A Ucrânia fará de tudo para provocar uma escalada. Essa é a tática deles, porque eles não podem lutar contra a Rússia sozinhos. Mas talvez a Europa lute contra a Rússia. E se a Europa for para a guerra, como os ucranianos parecem pensar, os EUA irão para a guerra junto com a Europa.”
Ou seja: a estratégia ucraniana não é mais vencer no campo de batalha — isso é impossível. A estratégia é provocar uma guerra direta entre a OTAN e a Rússia, na esperança de que, no caos, algo mude. É uma aposta de quem já perdeu o jogo e está disposto a incendiar o mundo.
“A Resposta de Zelensky foi Lançar 300 Drones em Moscou. Ele não Aprendeu.”
Ritter também analisou, na entrevista, a reação ucraniana ao ataque russo. E a sua leitura é devastadora para a competência de Zelensky e seus conselheiros.
“Zelensky respondeu lançando quase 300 drones em Moscou. Todos foram abatidos, mas Zelensky disse: ‘não terminamos’. Ele está se preparando para lançar uma grande campanha de drones em junho, apoiado pelos britânicos. Ele pode tentar atacar o Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo, o maior fórum do seu tipo no mundo, maior que Davos, que se reunirá na próxima semana.”
Aqui, Ritter identifica o erro de cálculo fatal de Kiev: ao invés de interpretar o ataque russo como um aviso para recuar e negociar, Zelensky o interpretou como um sinal para escalar ainda mais. E ao fazê-lo, ele cai exatamente na armadilha que Ritter descreve: dá à Rússia a justificativa que ela precisa para o próximo nível de destruição.
“A Rússia não pode permitir que isso aconteça. Então a Rússia vai apagar Kiev.”
Nessa entrevista de ontem – 27/05/2026 – também ao podcast do coronel Daniel Davis, o analista em geopolítica Larry Johnson opinou que a Rússia estaria pronta pra tomar kiev.
Vá somando os pontos…

“O Corredor Báltico Será Fechado”: A Previsão do Próximo Passo
Talvez o próximos passo na escala, pelos russos, — e que os planejadores ocidentais simplesmente descartam como “blefe” — seja a de que o próximo alvo não será a Ucrânia, mas os países bálticos. Isso significaria testar, na prática, a disposição da OTAN em ir à guerra, já que o artigo 5 da Aliança obrigaria a isso.
“A Ucrânia está lançando drones que passam pela Polônia, pelo corredor báltico e atingem as proximidades de São Petersburgo. O corredor báltico será fechado. (…) Se a Ucrânia atacar o Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo na próxima semana, lançado através do corredor báltico, então você verá a Letônia ser apagada. Isso é uma eliminação de um estado báltico, um membro da OTAN, e não há nada que a OTAN possa fazer a respeito.”
Ritter argumenta, com base na história recente (a revolta de Prigozhin em junho de 2023, que ele afirma ter sido orquestrada pelos britânicos), que a Rússia já demonstrou que está disposta a correr riscos muito altos para preservar a sua estabilidade interna.

E, diferentemente de 2023, a OTAN hoje está militarmente exaurida. Como Ritter afirma:
“A OTAN não tem nada hoje. Zero, zero capacidade de fazer qualquer coisa. Além disso, as falas deles são retórica vazia, porque eles não têm a base industrial para se rearmar.”
Os EUA estão envolvidos em uma guerra com o Irã. A Europa não tem munição, não tem energia, não tem unidade política. Se a Rússia decidir atacar uma base de lançamento de drones na Estônia ou na Letônia, a OTAN terá que decidir entre invocar o Artigo 5º e iniciar uma guerra nuclear, ou recuar e admitir que a sua própria “linha vermelha” era uma ficção.
Ritter não tem dúvidas sobre qual será a escolha.
Ritter vs. Petraeus
Para além da análise e das previsões, o que torna a contribuição de Ritter tão valiosa é o contraste com os “especialistas” ocidentais que ainda dominam a grande mídia. No mesmo dia em que Ritter falava em “apagar Kiev” e na “morte de uma nação”, o general David Petraeus, em entrevista à CNN, dizia:
“Eu realmente venho dizendo há quase um ano que posso imaginar uma situação em que, se houver apoio suficiente para os ucranianos… eles podem começar a infligir tantas baixas à Rússia quanto eles estão recrutando por mês.”
É sabido há muito tempo que no início da guerra, a relação entre as baixas ucranianas para as baixas russas eram de 7 a 10 para 1. Mais à frente, na estúpida escalada contra Kursk, essa relação chegou a 17 para 1. Então, o que Petraeus fala é propaganda barata, desconectada da realidade.
Petraeus, o homem que comandou o “surge” no Iraque e que é reverenciado pelo establishment de Washington, continua vivendo em 2007. Ele não entendeu que a guerra mudou, que os drones mudaram a guerra, que a economia russa mudou, que o mundo multipolar mudou. Ele olha para gráficos de linhas e vê o que quer ver.
Ritter, que é um analista independente, que realmente esteve no campo de batalha como oficial de inteligência, que realmente inspecionou armas de destruição em massa, que realmente estudou a doutrina militar soviética e russa por décadas, e que vê o que está diante de seus olhos.
E o que ele vê é terrível.
A Cegueira como Crime
Ao publicarmos “A Escada para o Abismo Nuclear”, documentamos os fatos do ataque a Kiev e da escalada no corredor báltico. Agora, documentamos a interpretação desses fatos e as previsões para o futuro imediato, feitas por Scott Ritter, quando a maioria dos analistas ocidentais ainda insistem em repetir os mantras da “vitória ucraniana”.
A pergunta que fica é: por que a OTAN e os planejadores de Kiev não enxergam o que Ritter enxerga com tanta clareza? A resposta, infelizmente, é que eles estão reféns de sua própria propaganda.
Para admitir que a Rússia pode — e vai — escalar ainda mais, eles teriam que admitir que a sua estratégia dos últimos três anos foi um fracasso completo. Que as sanções não funcionaram. Que o apoio militar não funcionou. Que a Ucrânia está, como Ritter disse, “morta como nação”.
E isso é algo que o orgulho burocrático e o complexo militar-industrial não pode suportar. Então eles continuam repetindo os mantras: “a Rússia está fraca”, “o moral russo está baixo”, “a Ucrânia está vencendo”. Enquanto isso, o próximo ataque se aproxima. O corredor báltico range sob o peso da provocação. E a Rússia, uma vez mais, dita o ritmo da guerra.
Ritter nos deu o mapa. Ele nos disse o que o ataque à Kiev realmente significou — uma demonstração. Ele nos disse o que virá a seguir — o apagamento do centro de Kiev, o fechamento do corredor báltico, possivelmente a destruição de um país da OTAN. Ele nos disse o preço que a Ucrânia já pagou — 2 milhões de mortos, 5 milhões de feridos, uma nação morta.
“O campo de batalha agora foi estendido para a esfera política doméstica russa e está ressoando. É um campo de batalha diferente, um conceito diferente. E a Rússia não permitirá que isso continue.”
O ataque a Starobelsk — o assassinato de 21 estudantes dormindo em um abrigo, um ato de terror puro — não foi apenas um crime de guerra. Foi uma tentativa deliberada de quebrar a vontade política da Rússia, de criar uma crise interna que forçasse Putin a recuar ou a ser substituído. E o Ocidente, ao não condenar veementemente o ataque e ao tentar equilibrar a narrativa (“a Rússia também ataca civis”), se tornou cúmplice dessa estratégia.
Agora, a Rússia responde não no campo de batalha tático, mas no estratégico. Apagar Kiev não é uma operação militar no sentido clássico; é uma mensagem política para a Europa e para os EUA. É a destruição da capital como símbolo.
Nota ao leitor: Este artigo buscou compilar, numa análise única e aprofundada, a precisão das previsões de Scott Ritter sobre a escalada do conflito na Ucrânia, contrastando a sua análise com a cegueira deliberada dos planejadores militares da OTAN e de Kiev. As fontes utilizadas são públicas (entrevista em vídeo e artigos de notícias) e estão devidamente listadas para a sua verificação. A reprodução de falas de Scott Ritter visa dar transparência à análise, sem qualquer edição tendenciosa.
Esse artigo foi baseado em:
- “A Escada Para o Abismo Nuclear” (PolitikBr, 26/05/2026). Disponível em: https://politikbr.org/2026/05/26/a-escada-para-o-abismo-nuclear/
- Scott Ritter: “UKRAINE The DEATH OF A NATION” (entrevista ao canal World Affairs In Context, 25/05/2026). Disponível em: https://www.youtube.com/live/MWdKz8O11iM?si=zvM20xkBB_L1Nni_
- Sputnik Brasil: “Caos na Ucrânia após retaliação da Rússia mostra quem controla curso dos eventos” (25/05/2026)
- Sputnik Brasil: “Mais de 50 jornalistas estrangeiros visitam local do ataque ucraniano em Starobelsk“ (24/05/2026)
- Sputnik Brasil: “Exercícios nucleares da Rússia se tornam ‘sinal de alerta’ para Europa“ (21/05/2026)