Tailândia Vê o BRICS como Plataforma Estratégica para Ampliar Comércio, Investimentos e Cooperação Econômica

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Por PolitikBr I Brasília, Em 29/08/2026, 19h:42min, leitura: 5min

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O tabuleiro geopolítico global ganha mais um movimento calculado. Enquanto o Ocidente se debruça sobre as próprias crises, a Tailândia — até pouco tempo vista como um país alinhado ao bloco ocidental — dá um passo firme em direção ao Sul Global.

Em entrevista exclusiva à TV BRICS, o vice-primeiro-ministro e ministro das Relações Exteriores da Tailândia, Sihasak Phuangketkeow, deixou claro: o país vê no BRICS uma plataforma estratégica para ampliar comércio, investimentos e cooperação econômica.

A declaração não é retórica vazia. A Tailândia ingressou no BRICS como país parceiro em 1º de janeiro de 2025, e já está em campanha para se tornar membro pleno ainda em 2026. A adesão plena representará um marco na reorientação da política externa tailandesa, tradicionalmente ancorada em alianças com os Estados Unidos e o Japão.

“O BRICS pode desempenhar um papel muito importante na manutenção do livre fluxo de comércio e investimentos. O grupo também pode servir como um veículo para que todos nós possamos interagir e explorar oportunidades econômicas”, afirmou Phuangketkeow.

A fala do chanceler revela mais do que uma simples avaliação positiva do bloco. Ela sinaliza uma percepção cada vez mais difundida entre as nações em desenvolvimento: o BRICS deixou de ser um fórum de debate para se consolidar como uma alternativa concreta à ordem econômica liderada pelo Ocidente. E a Tailândia não quer ficar de fora.

Mas há um componente estratégico que vai além da retórica diplomática. O país deve assumir a presidência da ASEAN em 2028, e Bangkok pretende usar essa posição para dar atenção especial à integração econômica regional, e à manutenção do papel central da organização. Nesse contexto, o BRICS surge como um contrapeso — e um complemento — à agenda da ASEAN.

Phuangketkeow destacou também a importância da interação entre governos e o setor privado. Segundo ele, os governos têm papel essencial na criação de um ambiente favorável ao comércio e aos investimentos, enquanto as empresas são responsáveis por transformar essas condições em atividade econômica concreta.

Outro ponto relevante é a conectividade. O chanceler citou a Rodovia Trilateral Índia-Mianmar-Tailândia como um potencial corredor estratégico entre o Sudeste Asiático e o Sul da Ásia. “Quando estiver concluída, ela se tornará um importante corredor para o comércio, os investimentos e os contatos entre as populações”, afirmou.

O movimento tailandês não é isolado. A Indonésia já foi anunciada como novo membro pleno do BRICS, e outros países do Sudeste Asiático, como o Vietnã e a Malásia, também estão no radar do bloco. O que se desenha é uma verdadeira reorganização das alianças econômicas na região.

Para a Tailândia, a aposta no BRICS é também uma aposta na multipolaridade. Em um mundo cada vez mais dividido entre Estados Unidos e China, o país busca espaço para manobrar — e o BRICS oferece exatamente isso: uma plataforma onde não é preciso escolher lados para fazer negócios.

O desafio, claro, é transformar a retórica em resultados. A adesão plena ao BRICS ainda depende de aprovação dos membros fundadores e do cumprimento de critérios que vão além da boa vontade diplomática. Mas a sinalização já foi dada: a Tailândia quer estar no centro da nova geografia econômica global.

Quer saber mais? Leia a matéria completa e acompanhe a cobertura do Brasil 247: Tailândia vê BRICS como plataforma estratégica para ampliar comércio e investimentos

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