Pepe Escobar: A Arábia Saudita, o Iêmen e o BRICS em Ascensão

A nova escalada entre a Arábia Saudita e os houthis do Iêmen pode parecer, à primeira vista, apenas mais um capítulo da longa guerra iemenita. Mas a entrevista de Pepe Escobar ao podcast de Nina sugere uma leitura muito mais ampla: o conflito estaria expondo as transformações profundas que estão ocorrendo no equilíbrio de poder do Oriente Médio.

O ponto estratégico está na geografia. De um lado, Bab el-Mandeb, porta de entrada do Mar Vermelho. Do outro, o Estreito de Hormuz, passagem essencial para o petróleo do Golfo. Com os dois pontos sob crescente tensão, qualquer escalada regional pode produzir efeitos que ultrapassam as fronteiras do Oriente Médio.

Escobar sustenta que Mohammed bin Salman estaria enfrentando uma situação particularmente delicada porque a antiga garantia de segurança americana já não teria a mesma previsibilidade. A atual hesitação de Washington em assumir uma nova intervenção militar direta contra os houthis reforça essa percepção.

Putin, o BRICS e a Nova Arquitetura Global: A Cúpula de Nova Délhi e a Reconfiguração do Poder Mundial

Na XVIII Cúpula do BRICS, em Nova Délhi, O presidente da Rússia, Vladimir Putin, apresentou números que desmontam a centralidade do G7: os países do BRICS geraram mais de 40% do PIB mundial nos últimos cinco anos, contra 29% do G7. Putin criticou o uso da coerção e destruição física pelo Ocidente para manter a sua posição e defendeu a cooperação multilateral. A cúpula também avançou na ampliação do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), presidido por Dilma Rousseff, e no BRICS Pay, sistema de pagamentos em moedas locais, alternativo ao SWIFT.
Com 11 membros plenos e mais de 30 países na fila de adesão, o BRICS se consolida como o principal fórum de articulação do Sul Global, em um mundo multipolar.

A Guerra que Putin diz estar perto do fim — e o que isso realmente significa

Este artigo analisa a declaração do presidente russo Vladimir Putin, durante encontro com o premiê indiano Narendra Modi na cúpula da OCX, de que a Rússia “está caminhando para o fim do conflito ucraniano”. O texto contextualiza a fala no cenário da guerra em 2026, com intensificação dos ataques russos. Além disso, destaca o papel da Índia como aliada estratégica da Rússia no Sul Global e o movimento de Putin para consolidar alianças fora do eixo Ocidental.

Tailândia Vê o BRICS como Plataforma Estratégica para Ampliar Comércio, Investimentos e Cooperação Econômica

Com base na entrevista exclusiva do vice-primeiro-ministro e ministro das Relações Exteriores da Tailândia, Sihasak Phuangketkeow, à TV BRICS, este artigo analisa a visão do país sobre o bloco como plataforma estratégica para ampliar comércio e investimentos. A reportagem original foi publicada pelo Brasil 247.
O tabuleiro geopolítico global ganha mais um movimento calculado. Enquanto o Ocidente se debruça sobre as próprias crises, a Tailândia — até pouco tempo vista como um país alinhado ao bloco ocidental — dá um passo firme em direção ao Sul Global.

O Manifesto do Apocalipse Tecnocrático: Como a Palantir e a Cabala do Vale do Silício Planejam Engolir o Mundo

Este artigo dissecada o projeto ideológico da Palantir, empresa liderada por Alex Karp e Peter Thiel, que visa substituir a democracia por uma “monarquia tecnocrática global”.
Com base em transcrições de entrevistas e análises de especialistas, o texto expõe como a Palantir articula um discurso de superioridade civilizacional, militarização total dos dados e eliminação da política como mediação social.
A empresa já opera no Brasil através de contratos com o FNDE e o Butantan, tratando o país como uma “colônia de dados” perfeita.
O artigo conecta o sucesso financeiro da empresa à implementação de um neofascismo que utiliza a tecnologia para automatizar o controle social, substituindo a agência humana por algoritmos. E conclui que a reação a esse processo deve ser política e não meramente tecnológica.

Encarando a Realidade: A China e o Desmoronamento da Miragem Ocidental

A narrativa de excepcionalismo americano colide com a realidade de uma China que, em 2025, já era a maior economia do mundo em Paridade de Poder de Compra (PPC), líder em inovação tecnológica (patentes de IA, robótica e energia verde), e detentora de uma infraestrutura que torna obsoleta a dos EUA.

Analistas como Martin Jacques destacam a superioridade da governança tecnocrática chinesa (engenheiros no poder), contra o modelo ocidental dominado por advogados e políticos sem experiência executiva. A experiência de expatriados americanos, como Bradley Cray, revela a cruel realidade: na China, a classe média pode pagar por saúde, educação, transporte e alimentação de qualidade a uma fração do custo americano, e viver sem o medo de tiroteios em escolas.

Enquanto os EUA se afogam em dívidas, infraestrutura em ruínas, e uma elite política comprometida com interesses corporativos, Pequim executa planos decenais para dominar as cadeias globais de suprimentos. A China já não é apenas a “fábrica do mundo”, mas o seu principal centro de inovação, e o parceiro comercial indispensável para o Sul Global. A quase inevitável dominância global da China não parece caminhar para uma do cópia do passado colonial e neocolonial ocidental, mas um novo modelo de ganha-ganha. O sonho americano não se mudou para a Ásia; ele morreu na América, enterrado pela ganância e pela miopia de sua classe dirigente.

O Intrincado Xadrez de Interesses e Alianças em Construção no Oriente Médio

O artigo analisa a guerra de agressão dos EUA-Israel contra o Irã não apenas pelo prisma dos danos militares, mas sobretudo pelo redesenho político e estratégico em curso no Oriente Médio. Relatórios e análises recentes indicam que os Estados Unidos sofreram perdas materiais muito maiores do que a narrativa ocidental admite, incluindo dezenas de aeronaves perdidas ou danificadas e centenas de estruturas ou equipamentos atingidos em bases americanas na região. Esses danos não são apenas militares: eles abalam a ideia de que a presença americana no Golfo representa proteção automática para seus aliados.

A tese central é que a guerra acelerou a formação de um novo xadrez regional, com Irã, Arábia Saudita, Egito, Turquia, Paquistão, China e Rússia recalculando posições. O Golfo começa a perceber que bases americanas podem ser mais passivo do que garantia. A normalização com Israel fica congelada. O Paquistão surge como mediador e corredor logístico. A China ganha centralidade sem disparar um tiro. O Estreito de Hormuz se torna instrumento de poder iraniano. O resultado é uma região ainda instável, mas cada vez menos disposta a aceitar que Washington e Tel Aviv sejam os únicos autores do roteiro.

O Efeito Borboleta: Flávio Bolsonaro, Vorcaro, a Direita em Colapso e o Destino do Brasil em 2026

A eleição de 2026 no Brasil funciona como um experimento de mecânica quântica: pequenos eventos – áudios, discursos, entrevistas – reconfiguram a correlação de forças de um projeto de país inteiro. De um lado, está a visão de um Brasil soberano, multipolar, integrado ao BRICS e ao Sul Global; de outro, a perspectiva neocolonial de subordinação à extrema direita trumpista, hostil à China e ao multilateralismo.

O senador Flávio Bolsonaro, herdeiro do espólio político do pai condenado por tentativa de golpe, tentou se vender como “o favorito do mercado”, mas o escândalo Vorcaro‑Master detonou sua aura de probidade. Ex‑aliados como Julian Lemos o acusam de operar esquemas de propina em torno do filme sobre Jair Bolsonaro, e um pastor de direita, Ottoni de Paula, passou a denunciá‑lo como mitômano e “guloso”, afirmando que suas mentiras podem entregar a eleição a Lula no primeiro turno.

A direita começa a olhar para o próprio abismo: insistir em Flávio, dizem vozes internas, pode afundar o campo conservador inteiro. Cada novo fato colapsa a função de onda da “nova direita racional” e torna mais nítida a escolha diante do país: um Brasil pequeno, dependente e submisso ou um Brasil protagonista de uma ordem multipolar em disputa.

Macron para Lula: “Você é um grande guerreiro”

Ao lado de sua fala firme na abertura — tradição brasileira desde Oswaldo Aranha em 1947 —, Lula recebeu uma declaração inesperada e carregada de significado: Emmanuel Macron, presidente da França, se dirigiu a ele e disse: ” E vi seu discurso”, e a seguir chamou Lula de “um grande guerreiro”. Os dois líderes andaram de braços dados, mostrando a sintonia das agendas entre o Brasil e a França.