Ali Khamenei: Mártir do Islã, Lágrimas, Revolta e Pedidos de Vingança pelo Líder Supremo

Principais entregas:

  • O assassinato do Aiatolá Ali Khamenei em ataque conjunto dos EUA-Israel
  • A cerimônia fúnebre como palco de luto e afirmação política
  • A presença internacional e o isolamento diplomático dos EUA e de Israel
  • Os gritos de vingança e a retórica belicista de Trump
  • O Irã como potência emergente em um mundo multipolar

Internacional, Nacional, Geopolítica, Economia

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Por PolitikBr I Brasília, Em 05/07/2026, 17h:06min, leitura: 10min

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Editor: Rocha, J.C.

Essa é uma análise documental. Para visualizar “o todo” recomendamos a leitura dos demais artigos, que se somam ao tema de hoje. Boa leitura.

Teerã, julho de 2026.

A capital iraniana se transformou em um mar negro de luto e fúria. O que as câmeras do mundo estão registrando não é apenas o funeral de um líder, mas o retrato cru de uma nação que, diante da perda, encontrou na dor o combustível para a revolta.

O Aiatolá Ali Khamenei, o líder supremo, que por 36 anos conduziu os destinos da República Islâmica, foi assassinado em 28 de fevereiro de 2026, nos primeiros momentos de uma guerra traiçoeira e não provocada – enquanto se negociava em Genebra -, dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã.

Ali Khamenei morreu em sua residência, ao lado de sua família, em um ataque americano com mísseis Tomahawk que, segundo relatos, transformou o complexo em escombros. Entre os mortos, a sua filha, o seu genro, a sua neta e a sua nora — uma execução covarde que, na cultura persa, não é apenas um ato de guerra, mas um atentado contra a própria santidade do lar.

E os mesmos mísseis que mataram Khamenei e a sua família, ainda foram usados para aterrorizar a população iraniana. Os Estados Unidos, deliberadamente, mataram 165 crianças, mais os seus professores, em uma escola em Minab. Cruel. sórdido.

A cerimônia fúnebre, que começou no dia 3 de julho, e que vai até o dia 9, é descrita pelas autoridades como o maior enterro de Estado da história moderna do Irã, com a expectativa de receber entre 15 e 20 milhões de enlutados.

O corpo de Khamenei, envolto na bandeira iraniana e encimado por seu turbante preto, foi colocado em um grande palco negro que lembra a Kaaba, no centro do complexo de orações Imam Khomeini Grand Mosalla. Ao seu lado, quatro outros caixões, menores, com os restos mortais de sua família.

Uma imagem, em particular, se tornou o símbolo mais marcante da cerimônia, até agora: o caixão minúsculo de Zahra Mohammadi Gulpayegani, a avó de Khamenei .

“Os caixões mais pequenos são os mais difíceis de carregar”, observou um repórter, capturando a essência de uma tragédia, que transcende a política e toca a alma humana.

Mas o luto no Irã é também um ato político. As ruas de Teerã, longe de serem palco apenas de lágrimas, ecoam com gritos de vingança. “Morte à América”, entoava a multidão, enquanto outros, em uníssono, clamavam: “Nossa palavra de ordem é uma só: vingança, vingança” e “Nós mataremos, mataremos aquele que matou nosso Imam”. Não se deve menosprezar a determinação de um povo em guerra santa.

As bandeiras negras do luto se misturam à cartazes pedindo a morte do presidente Donald Trump . O funeral, portanto, não é um enterro; é uma declaração de guerra contínua, uma reafirmação de que o “Grande Satã” (EUA) e o “Pequeno Satã” (Israel) são os inimigos a serem combatidos até o fim. Uma iraniana entrevistada resumiu o sentimento coletivo: “Eu tenho uma sensação muito estranha sobre o fato de que vamos guardar o funeral para o nosso líder. Eu realmente tenho uma sensação ruim porque eu perdi um pai antes, mas isso é muito, muito pesado para mim” .

E a resposta de Trump ao espetáculo de dor foi, na melhor das hipóteses, desastrosa e, na pior, grotescamente insensível. Assim como foi o deboche com as milhares de vítimas do recente terremoto da Venezuela: Um exemplo do pior mau-caratismo.

Em uma entrevista à Axios, o presidente americano, assistindo ao funeral, declarou: “Eles estão todos lá. Um tiro [e podemos eliminá-los a todos], mas não vamos fazer isso porque então não teríamos ninguém com quem negociar” . Em outro momento, sugeriu que as lágrimas dos enlutados eram “falsas” .

Trump declara isso porque está frustrado. Ele esperava que os iranianos se revoltassem contra o regime, assim que começaram os ataques de 28 de fevereiro. Isso não aconteceu. Ao contrário, somente serviu para desarticular completamente a oposição interna ao regime; e calou completamente a oposição iraniana no exterior: como defender o assassinato de iranianos? Os dissidentes ficaram sem voz. Parabéns senhor Trump, por tornar mais forte o regime; unir ainda mais o povo iraniano em torno das suas lideranças.

As declarações de Trump eram feitas enquanto o mundo assistia à milhões de pessoas em pranto. A fala não foi uma gafe diplomática; foi a exposição crua de uma mentalidade que reduz a vida humana, e a soberania de uma nação, a meras variáveis em um jogo de xadrez geopolítico.

A embaixada iraniana na Armênia respondeu com uma elegância afiada, em uma postagem no X:

“As pessoas podem ser mortas, mas os ideais não. Vocês mataram o Aiatolá Khamenei, mas, na realidade, quebraram um frasco de perfume cujo perfume se espalhou por todos os lugares”.

Essa declaração é um chamado à resistência e à luta contra a tirania e a opressão, em todas as formas.

O mundo se torna cada vez mais perigoso, por causa de personalidades enlouquecidas e repugnantes, como Donald Trump e asseclas.

Entretanto, se a retórica de Trump é a de um valentão armado até os dentes, a cena geopolítica em Teerã contou uma história diferente. Enquanto Washington e os seus aliados europeus assistiam de longe — ou, no caso de Trump, assistiam com desdém — delegações de mais de 100 países desembarcaram em Teerã para prestar homenagens ao líder assassinado.

O que ocorre nesse momento, em Teerã, não é um evento marginal. Ao contrário. É demonstração de força diplomática, que muitos analistas qualificam como uma “vitória” para o Irã.

Até a Arábia Saudita e o Catar, alvos da guerra pelo Irã, por abrigarem bases militares americanas que atacaram o país, se fizeram representar. E essas presenças não são por acaso. Se trata da construção de uma ordem de segurança local, sem a presença dos Estados Unidos – The intricate chess game of interests and alliances being built in the Middle East.

O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, e o chefe do exército, Asim Munir, lideraram uma delegação de alto nível. A Arábia Saudita, outrora arquirrival, enviou o vice-ministro das Relações Exteriores, Waleed Al-Khuraiji. O Catar foi representado pelo presidente do Parlamento. A Turquia, único membro da OTAN presente, enviou o seu vice-presidente. A Rússia, representada pelo vice-presidente do Conselho de Segurança, Dmitri Medvedev, não apenas compareceu, mas se encontrou com o presidente Pezeshkian para discutir a expansão da cooperação bilateral. China, Índia, Armênia, Geórgia, Tajiquistão, Uzbequistão e até mesmo a Bulgária, através de representantes do partido republicano, marcaram presença .

A presença de quase todas as potências do “Sul Global”, e de importantes aliados regionais dos EUA no funeral, é um marco inequívoco da transição para um mundo multipolar.

Como observou Wang Jin, diretor do Centro de Estudos Estratégicos da Universidade Noroeste da China:

“a presença de estados não ocidentais mostrou que os esforços para isolar o Irã não alcançaram o efeito pretendido” .

A Arábia Saudita, por exemplo, mesmo após ter sido alvo de ataques iranianos durante o conflito, priorizou a estabilidade e o diálogo, mantendo o acordo de reaproximação mediado pela China em 2023 . Isso demonstra uma visão pragmática, que não passa mais pelo crivo exclusivo de Washington.

A pergunta que ecoa nos corredores do poder em Teerã, e que os analistas militares, como o Comandante Robinson Farinazzo, presente na cerimônia, tentam responder, é: qual o próximo passo?

Farinazzo, em seu relato direto de Teerã, destacou que “o Irã está lutando há 47 anos contra os Estados Unidos e seus aliados ocidentais. E sobreviveu até agora”. Para ele – a mesma opinião de todos os outros analistas em geopolítica – , uma vitória militar dos EUA só seria possível com uma invasão terrestre maciça, um cenário que considera improvável, devido ao alto custo de atrito que o exército americano não está preparado para suportar. Ele também notou que “Trump não consegue aliados para essa aventura militar”, se referindo à falta de apetite europeu para se envolver em uma guerra que considera, e é, “de Donald Trump e Netanyahu” .

O Irã, portanto, capitalizou a tragédia. Transformou o assassinato de seu líder máximo em um símbolo de resistência, que unificou a nação em torno do luto e da vingança; e demonstrou que, no tabuleiro global, não joga mais sozinho contra um oponente único, mas como protagonista de um bloco que desafia a hegemonia ocidental.

A cerimônia fúnebre, com os seus caixões, choros e gritos, não é o fim de uma era. É o nascimento de uma nova fase, mais perigosa e incerta, onde o martírio, e a política de alianças se entrelaçam, para redefinir as bases do poder no Oriente Médio.

Nota ao leitor: Este artigo buscou compilar, numa análise única e aprofundada, os elementos factuais e contextuais que cercam o assassinato do Aiatolá Ali Khamenei e o impacto geopolítico de seu funeral. As fontes utilizadas são públicas e estão devidamente listadas para sua verificação.

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