04 de abril de 2023, 11:47h
Em 2018, em plena campanha eleitoral que elegeu Bolsonaro, eu perguntei a um dos porteiros noturnos do prédio em que moro: O senhor vai votar em quem? Ele pensou um pouco e respondeu: No Bolsonaro. E eu perguntei novamente: Mas por que no Bolsonaro? E veio a resposta: Porque eu tenho medo do comunismo. E eu de novo perguntei: Mas o senhor sabe o que é o comunismo? E, surpreendentemente, ele disse: Eu não sei mas eu tenho medo.” Para fins de contexto, o tal porteiro é evangélico e, mesmo com toda a destruição de valores e de direitos elementares do trabalhador que Bolsonaro promoveu no Brasil, ele votou novamente nele em 2022.


Com o objetivo de analisar a relação entre a transição religiosa que vem acontecendo no Brasil e o voto no primeiro turno das eleições presidenciais de 2022, foi elaborado um gráfico que apresenta a associação entre a razão de votos válidos para Lula em relação a Bolsonaro (RLB) e a razão entre o número de evangélicos e o número de católicos (REC) para todas as Unidades da Federação. Os dados utilizados foram obtidos no censo demográfico de 2010, último levantamento disponibilizado pelo IBGE. O gráfico tem como finalidade testar se o aumento do número de evangélicos nos Estados está relacionado com uma maior proporção de votos em Bolsonaro, e se a maior presença católica está correlacionada com uma maior proporção de votos em Lula.
Observando a curva logarítmica vermelha presente no gráfico, podemos notar que existe uma relação positiva entre o avanço da transição religiosa e a relação entre os votos de Lula e Bolsonaro, com um R2 de 64,1%. É importante ressaltar que a variável religião não é a única explicação para o resultado eleitoral de 2022, mas sem dúvida ela tem uma associação significativa.
Analisando o gráfico, podemos perceber que os Estados que estão mais avançados na transição religiosa para o evangelismo (Rondônia, Roraima, Acre, Espírito Santo e Rio de Janeiro) deram uma vitória significativa para Bolsonaro. Por outro lado, os Estados do Nordeste, que possuem a menor proporção de evangélicos e a maior proporção de católicos, deram uma vitória expressiva para o candidato do PT. O Piauí, que tem a menor REC (maior proporção de católicos), foi o Estado que apresentou a maior proporção de votos para Lula (maior RLB). Porém, como a religião não é a única explicação, podemos observar que Santa Catarina, um dos Estados com maior proporção de votos em Bolsonaro (baixa RLB), apresentou uma baixa presença evangélica (baixa REC).
Em síntese, o voto evangélico, majoritariamente em favor de Bolsonaro, exerceu influência nas eleições presidenciais de 2022, evitando que o resultado fosse decidido no primeiro turno. Isso porque Lula teve a maioria dos votos entre católicos, outras religiões e os sem religião, de acordo com diversos Institutos de Pesquisa, mas não foi suficiente para obter a maioria dos votos.
O voto evangélico majoritariamente em Bolsonaro parece ter como principais razões o engajamento maciço das igrejas evangélicas através de seus pastores e bispos, que se tornaram agentes políticos, doutrinadores da forma esquizofrênica de que se alimenta o bolsonarismo, e também pelo fato dos influenciadores evangélicos terem se atirado de corpo e alma na candidatura Bolsonaro, seja em 2018, seja em 2022, em busca de benesses e poder politico, como por exemplo, o perdão de dívidas bilionárias a essas igrejas em termos de impostos, e também a distribuição dos recursos orçamentários da União, como o escândalo envolvendo pastores que cobravam propina equivalente a 1 kg de ouro para interceder junto ao Ministro da Educação e Cultura à época.
A atuação de dois pastores dentro do Ministério da Educação (MEC) nos últimos dois anos do governo Bolsonaro expôs um suposto esquema de tráfico de influência dentro da pasta. Desde a posse do ministro pastor Milton Ribeiro, em junho de 2020, os religiosos Gilmar Santos e Arilton Moura levaram dezenas de prefeitos para reuniões e, segundo acusações, cobravam propina para facilitar o repasse de verbas para esses municípios.
Um acordo entre o governo federal e o Congresso Nacional derrubou, o veto do presidente para o perdão do débito das igrejas e templos religiosos. Essa derrubada do próprio veto – Bolsonaro temia incorrer em crime de responsabilidade – foi incentivada pelo próprio Bolsonaro, jogando dessa forma o ônus do absurdo perdão nas mãos do Parlamento.
Comandado pelo líder do governo na Câmara, deputado Ricardo Barros (PP/PR), o placar na Câmara (439 a 19) e no Senado (73 a 1) abriu a porteira para o perdão da dívida.


A outra estratégia da doutrinação e verdadeira lavagem cerebral dos religiosos evangélicos, em relação aos seus fiéis, foi a da disseminação maciça de fake news de toda a ordem, em especial aterrorizando os evangélicos com mentiras de que se Lula fosse eleito, ele iria fechar os templos evangélicos e, finalmente, para completar esse enredo macabro de manipulação de mentes, estórias bizarras envolvendo práticas sexuais contra crianças e outras sandices se tornaram prática comum, inclusive disseminadas pela atual senadora Damares Alves.
A mística de que se Lula fosse eleito, o comunismo que aterrorizou e creio que ainda aterroriza o porteiro do prédio, seria implantado no Brasil, foi e é o maior temor dos evangélicos. Haja visto que eu falo de um senhor evangélico de mais de 50 anos, que viveu todos os anos de governança do PT que antecederam Temer e Bolsonaro. Ele “apagou da memória” ou ela foi apagada pelo discurso dos pastores e mentirosos religiosos e não religiosos políticos, que durante todo aquele período houve plena liberdade religiosa no Brasil, e que o Brasil não se tornou nem de longe comunista. Eles também desprezaram o fato de que foi Lula quem sancionou a lei que criou o Dia Nacional da Marcha para Jesus.
E sobre o comunismo em si, o vídeo que mostramos a seguir do Ministro da justiça Flavio Dino se declarando comunista, e em cima do qual os entrevistadores quiseram ‘lacrar”, mostra o quão toscos são aqueles pseudo letrados, humilhados que foram de forma bem humorada e sutil por Flávio Dino.
Quando perguntado o ministro disse: “Eu sou comunista graças a Deus”.
A busca da justiça social pelo socialismo é um tema muito discutido em todo o mundo. O socialismo é uma ideologia política e econômica que busca a igualdade social, a distribuição justa de recursos e a eliminação das desigualdades sociais e econômicas.
Os socialistas acreditam que o sistema capitalista é inerentemente desigual, favorecendo os ricos e oprimindo os pobres. Eles argumentam que a busca do lucro e da acumulação de capital leva à exploração dos trabalhadores e à concentração da riqueza, fruto do trabalho de todos, nas mãos de uma minoria.
Para alcançar a justiça social, os socialistas defendem a garantia de direitos sociais básicos, como saúde, educação, moradia e emprego, para todos os cidadãos.
Apesar das controvérsias, a busca da justiça social pelo socialismo continua a ser um tema importante no mundo de hoje, especialmente em meio às crescentes desigualdades sociais e econômicas que o porteiro da noite, religioso, evangélico, parece pouco se importar, apesar de estar na base da pirâmide social e não no topo.
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