Internacional, Geopolítica
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Por PolitikBr I Brasília, Em 01/01/2026, 17h:31, leitura: 7 min
Editor: Rocha, J.C.
No primeiro dia de 2026, o cenário geopolítico internacional segue gravitando em torno de um eixo incontornável: o conflito entre a Rússia e aquilo que se convencionou chamar de Ocidente Coletivo, tendo a Ucrânia como palco central ou proxy, já que se trata de uma guerra por procuração contra a Federação Russa.
Após quase 04 anos de combates, sanções, guerra informacional e uma avalanche de análises, muitas vezes contaminadas por manipulações e desejos políticos, começa a emergir um consenso cada vez mais difícil de se ignorar, vindo de analistas independentes: a Rússia não está apenas vencendo — a sua vitória estratégica já está consolidada.
Poucas vozes no Ocidente são tão qualificadas e diretas para expor essa realidade quanto a do analista militar e ex-inspetor de armas da ONU, Scott Ritter.
Scott Ritter: por que a sua análise importa?
Scott Ritter ocupa uma posição singular no debate estratégico contemporâneo. Ex-oficial de inteligência do Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos, ganhou projeção internacional como um dos inspetores de armas da ONU mais rigorosos no Iraque, justamente por confrontar narrativas oficiais quando estas não resistiam aos fatos. A credibilidade de Ritter não nasceu de alinhamentos ideológicos, mas de análises frias de capacidades militares, doutrina, logística e estrutura de comando — livre do ilusório pensamento político que frequentemente contamina a grande mídia.
Essa postura cobra um preço elevado. Ritter é alvo constante de ridicularização e marginalização pelo establishment ocidental. Ainda assim, seu histórico é incômodo para seus críticos: as suas previsões sobre a evolução da guerra na Ucrânia vêm se confirmando com precisão perturbadora.
Na entrevista que Ritter concedeu à Nima Alkhorshid se percebe que a sua análise não é “pró-Rússia”; ela é, simplesmente, pró-realidade — um conceito cada vez mais raro no debate público.
A máquina de guerra russa
Em sua longa entrevista Ritter desmonta, ponto a ponto, a narrativa de uma Rússia exaurida, à beira do colapso militar ou operando de forma desorganizada. O quadro que emerge de sua análise é o oposto.
Segundo ele, as forças russas atingiram um elevado grau de eficiência operacional e profissionalismo. Aperfeiçoaram as suas táticas, consolidaram o uso integrado de drones e implementaram um sistema eficaz de rotação de tropas, no qual os soldados não apenas descansam fora da linha de frente, mas retornam para ciclos contínuos de treinamento. Não se trata de um exército improvisando sob pressão, mas de uma força militar que aprende, se adapta e evolui.
Como o próprio Ritter sintetiza: não é o retrato de uma força em desordem — é o retrato de um comando que sabe exatamente o que está fazendo.
Outro aspecto relevante destacado por ele é a transparência estratégica. Longe de ocultar seus movimentos, a Rússia passou a promover fóruns públicos e debates internos sobre a guerra. Isso não é ingenuidade: é confiança. Confiança de quem controla tanto o terreno quanto a narrativa doméstica, em contraste com o clima de histeria, censura e desinformação que frequentemente marca o discurso do lado oposto.
A Rússia real, além do campo de batalha
Ritter também desloca o olhar para além da linha de frente, convidando o observador ocidental a enxergar a Rússia real — das regiões orientais como Yakutia, Vladivostok e Sakhalin até os grandes centros urbanos. Sim, diz ele: há problemas. Sempre houve. Mas o país funciona. A vida segue. As pessoas discutem preços nos mercados, trabalham, planejam o futuro.
Não há colapso social, nem caos sistêmico. O contraste entre essa realidade e a imagem apocalíptica frequentemente projetada no Ocidente, revela mais sobre a necessidade de propaganda do que sobre a situação concreta do país.
Terrorismo, desespero e negação
A solidez russa no campo da guerra convencional ajuda a explicar a escalada de ações assimétricas e terroristas por parte da Ucrânia e de seus apoiadores. A tentativa de assassinato do presidente Vladimir Putin por meio de um ataque envolvendo 91 drones –O Jogo das Sombras: a Tentativa de Assassinato de Putin – representa o ápice desse desespero estratégico: uma operação de complexidade inédita — e fracassada.
Mais reveladora que a tentativa em si foi a reação imediata de setores da inteligência ocidental, que se apressaram em negar qualquer envolvimento ucraniano ou ocidental antes mesmo de investigações independentes. Se trata de um roteiro conhecido de “tentativa de controlar danos”, motivado pelo pânico diante das consequências que o ataque deve desencadear, por parte dos russos.
A tentativa frustrada de assassinar Putin apenas reforçou a robustez do aparato de segurança russo.
Em paralelo, ataques terroristas contra civis russos continuam, como o recente episódio em Kherson. Pelo menos 24 pessoas morreram e 50 ficaram feridas após um ataque com drones ucranianos, contra um café e um hotel na vila costeira de Khorly, durante a celebração do Ano Novo.
Essas não são ações de quem acredita estar vencendo no campo de batalha, mas táticas de intimidação destinadas a infligir dor e tentar alterar a percepção da população de que a guerra já está perdida para os ucranianos. São, na prática, a confirmação da tese de Ritter: diante de uma máquina militar que não pode ser derrotada em confronto direto, resta o recurso ao irregular, ao assimétrico e ao covarde.
A logística da derrota
A leitura de Ritter encontra forte ressonância em outras vozes dissidentes do meio militar, como a do coronel Douglas Macgregor. A partir de outro ângulo, Macgregor enfatiza o papel central da logística — e como a Rússia, de forma metódica, neutralizou os principais hubs logísticos ucranianos, incluindo Odessa – Coronel Douglas MacGregor: A Neutralização de Odessa como Hub Logístico no Jogo de Guerra Rússia x OTAN.
Sem capacidade consistente de receber, armazenar e distribuir munições e equipamentos em escala, qualquer esforço de guerra se torna inviável. A neutralização desses eixos não foi episódica, mas parte de uma campanha sistemática destinada a estrangular as linhas vitais do adversário.
Ritter e Macgregor, por caminhos distintos, descrevem a mesma realidade: uma campanha russa lenta, disciplinada e devastadoramente eficaz, que prioriza a preservação de forças próprias e a destruição da capacidade de combate inimiga — em vez de avanços territoriais espetaculares e custosos.
A realidade que insiste em se impor
A guerra na Ucrânia já tem um vencedor. A insistência do Ocidente em alimentar um conflito perdido, com dinheiro, armas e mais de 02 milhões de vidas de combatentes ucranianos; uma diáspora da população ucraniana de mais de 10 milhões, deixou de ser uma política racional — se tornou patológica. Uma patologia movida por orgulho ferido, interesses da indústria bélica e uma desconexão profunda com a realidade do campo de batalha.
A Rússia de 2026 não é a União Soviética exaurida dos anos 1980, tampouco a Rússia caótica dos anos 1990, que, como lembra Ritter, chegou a aprender a odiar a si mesma. É um país que, sob cerco, reencontrou a sua identidade nacional, fortaleceu a sua base industrial e militar e vem demonstrando uma resiliência implacável; enquanto, por outro lado, aumenta a sua influência no cenário geopolítico global, a níveis nunca antes visto.
Enquanto o Ocidente debate narrativas, a Rússia consolida fatos.
Negar essa realidade — seja pela desqualificação automática de analistas como Ritter, pela negação reflexa de atos terroristas ou pela promessa recorrente de vitórias ilusórias — apenas prolonga o sofrimento e adia o inevitável: a necessidade de negociar a paz nos termos impostos pela realidade do campo de batalha.
A guerra, em essência, já terminou. O que falta agora é que o Ocidente Coletivo desligue o rádio da propaganda e aceite o silêncio incômodo da derrota.
Esse artigo foi baseado em:
- https://youtu.be/HUglfRjV6MM
- https://noticiabrasil.net.br/20260101/46623911.html
- https://politikbr.org/2025/12/30/o-jogo-das-sombras-a-tentativa-de-assassinato-de-putin/
- https://noticiabrasil.net.br/20260101/46617908.html
- https://politikbr.org/2025/12/23/coronel-douglas-macgregor-a-neutralizacao-de-odessa-como-hub-logistico-no-jogo-de-guerra-russia-x-otan/