A Dança das Cadeiras no Tabuleiro Energético Global

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Por PolitikBr I Brasília, Em 16/08/2026, 14h:00min, leitura: 6min

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Editor: Rocha, J.C.

A transformação do BRICS em uma força econômica global já não pode ser analisada apenas pelo tamanho de suas economias ou pelo número de países que integram o grupo. Há um outro elemento, talvez ainda mais estratégico: energia.

É justamente nesse ponto que a reportagem da Revista Fórum chama atenção para uma mudança profunda. O BRICS ampliado reúne alguns dos maiores produtores e exportadores de petróleo do planeta. Rússia, Irã, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Brasil, entre outros, colocam, sob o mesmo guarda-chuva geopolítico, uma parcela extraordinária dos recursos energéticos mundiais. E o petróleo, apesar de toda a discussão sobre transição energética, ainda é poder.

O petróleo como instrumento geopolítico

A guerra no Oriente Médio tornou essa realidade impossível de ignorar.

O fechamento do Estreito de Ormuz provocou uma perturbação de enormes proporções nos mercados mundiais. A própria Administração de Informação de Energia dos Estados Unidos (EIA) estimou que as interrupções de produção no Oriente Médio chegaram a 11,3 milhões de barris por dia em maio de 2026, consequência direta da crise envolvendo a região.

O episódio demonstra algo que vai muito além do preço da gasolina: quem controla energia, os fluxos e rotas marítimas e os mecanismos de financiamento, possui instrumentos concretos de poder internacional.

É nesse contexto que o BRICS ganha uma nova dimensão.

A Arábia Saudita, o Irã e os Emirados Árabes Unidos acrescentam ao bloco uma capacidade energética que altera significativamente o seu peso global. Somados à Rússia e ao Brasil, o BRICS passa a concentrar produtores gigantescos, reservas estratégicas imensas e importantes rotas de exportação. Isso não significa que o bloco tenha se transformado em uma organização energética integrada. Ainda existem diferenças enormes entre os seus membros — inclusive interesses conflitantes. A Índia, por exemplo, mantém relações estratégicas simultaneamente com Washington, Moscou e Pequim.

Mas existe uma convergência que não pode ser ignorada: o centro de gravidade do mercado energético mundial está cada vez menos exclusivamente submetido às estruturas financeiras e às políticas ocidentais.

E onde entra o Banco dos BRICS?

Aqui está talvez o ponto mais importante.

O Novo Banco de Desenvolvimento — o chamado Banco do BRICS — foi criado para funcionar como uma instituição para financiar a infraestrutura e o desenvolvimento sustentável dos países membros, e de outras economias emergentes. Sob a presidência de Dilma Rousseff, o banco vem ampliando a sua atuação. Em 2026, o Uzbequistão se tornou o seu décimo membro, o primeiro da Ásia Central.

O NDB já aprovou US$ 42,9 bilhões para 139 projetos, abrangendo energia, transporte, água, infraestrutura social, meio ambiente e infraestrutura digital.

Isso é muito mais importante do que simplesmente financiar petróleo. Porque a disputa real não é apenas por quem vende petróleo. É por quem financia estradas, portos, ferrovias, energia, tecnologia e comércio. E é exatamente aí que o Banco dos BRICS se torna estratégico.

A questão que incomoda Washington

Durante décadas, a arquitetura financeira internacional esteve fortemente atrelada ao dólar. Agora, essa estrutura começa a enfrentar alternativas. O surgimento de uma nova moeda no âmbito do BRICS – UNIT, lastreada 40% em ouro e 60% em uma cesta de moedas, certamente será uma ameaça à dominância do dólar, como moeda de reserva nas trocas internacionais, quando efetivamente implementada.

E é por isso que o estratégia de captação do NDB é diversificada entre diferentes mercados, moedas e instrumentos financeiros, incluindo emissões em moedas locais.

Ainda se está longe de uma substituição do dólar. Mas essa talvez seja justamente a questão: não é necessário substituir o dólar para diminuir a sua centralidade. Basta criar alternativas que antes não existiam. E o BRICS está fazendo isso enquanto acumula uma vantagem adicional: recursos naturais, energia, população, mercados consumidores e capacidade industrial.

O Brasil deveria prestar atenção

Para o Brasil, essa transformação possui significado especial. O Brasil pode ocupar uma posição ainda maior nessa nova arquitetura: produtor de energia, fornecedor de alimentos, potência ambiental e membro de uma instituição financeira alternativa às tradicionais estruturas dominadas pelo Ocidente.

Mas existe uma condição: transformar recursos naturais em poder econômico de longo prazo exige estratégia. Vender petróleo é uma coisa. Usar a renda, a tecnologia, a infraestrutura, e o financiamento associado à energia para aumentar a autonomia nacional é outra completamente diferente. É aí que está o verdadeiro jogo.

O BRICS ainda não é uma alternativa consolidada ao sistema financeiro liderado pelos Estados Unidos. Seria exagero afirmar isso. Mas também seria um erro acreditar que nada está mudando. O que está surgindo é uma arquitetura paralela, construída lentamente: bancos, mecanismos de financiamento, comércio em moedas nacionais, novas rotas logísticas, reservas energéticas e uma crescente integração entre grandes produtores e consumidores do Sul Global. O petróleo é apenas uma parte dessa equação.

A questão maior é quem terá capacidade de financiar, produzir, transportar e comercializar a energia, e todos os bens dos ciclos produtivos que movimentarão o mundo nas próximas décadas.

E, nesse tabuleiro, o BRICS já não pode ser tratado como um simples agrupamento de países emergentes.

Quer saber mais? Leia a matéria completa e, Banco do BRICS pode ter novo integrante de peso: potência petrolífera quer ampliar participação no bloco

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