Internacional, Geopolítica, Economia
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Por PolitikBr I Brasília, Em 18/06/2026, 16h:09min, leitura: 9min
Editor: Rocha, J.C.

Essa é uma análise documental. Para visualizar “o todo” recomendamos a leitura dos demais artigos, que se somam ao tema de hoje. Boa leitura.
O BRICS Pay está chegando. O sistema de pagamentos eletrônicos do bloco, que já está em fase avançada de testes, promete revolucionar o comércio internacional ao permitir transações diretas entre moedas locais (como o real, o yuan e o rublo), eliminando a necessidade do dólar como intermediário.
Conectado ao Pix brasileiro, ele representa a mais concreta ameaça à hegemonia do dólar desde o fim do padrão-ouro em 1971. Especialistas ouvidos pela Sputnik Brasil avaliam que o sistema “veio para ficar” — e que seus impactos geopolíticos e econômicos serão profundos.

BRICS Pay: O “Pix do BRICS” que Ameaça o Dólar
O BRICS Pay é um sistema de pagamentos instantâneos e descentralizados que permite liquidação direta de transações comerciais entre os países-membros do BRICS+ (Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, e os novos membros: Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Irã, Egito, Etiópia e Indonésia) [PolitikBr, 24/08/2025].
O sistema funciona como um “Pix internacional”: transações em moedas locais são convertidas diretamente, sem a necessidade de passagem pelo dólar. Isso elimina custos de conversão, reduz a exposição cambial, e — o mais importante — mina a hegemonia do dólar como moeda de reserva global.
O BRICS+ representa cerca de 40-41% da economia mundial (medida por paridade de poder de compra — PPP), enquanto o G7 (EUA, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Itália, Canadá) representa apenas 28-29%. O PIB nominal dos países do BRICS+ já ultrapassa US$ 25 trilhões [PolitikBr, 24/08/2025].
Se o comércio intra-BRICS (que já movimenta centenas de bilhões de dólares anualmente) passar a ser feito em moedas locais, a demanda global por dólares cairá drasticamente. E, como o economista Richard Wolff explicou – RICHARD WOLFF: “The Petrodollar Is Dead…Trump Lives in Denial.”-, o sistema do petrodólar — que obrigava todos os países a comprar petróleo em dólares — já está morto. A Arábia Saudita não renovou o acordo com os EUA, o Irã vende petróleo em yuan, e o BRICS Pay é a pá de cal final do dólar como moeda de reserva, e de chantagem dos Estados Unidos.
O que sustenta a rolagem da colossal dívida americana de US$ 40 trilhões, e crescendo, é a capacidade do governo de emitir títulos da dívida (Treasury Bonds), e vender esses títulos para investidores estrangeiros e instituições financeiras globais — usando o dólar como moeda de reserva. Se a demanda global por dólares cair (porque países do BRICS+ passam a usar as suas próprias moedas), o governo americano terá dificuldade em financiar a rolagem da sua dívida. Se ele entrar em default, isso será um cataclisma na economia mundial. Para se proteger desse evento, há um movimento, em curso, de troca dessas reservas em títulos americanos por bens tangíveis, em especial o ouro e outros metais, como a prata, por exemplo. Países como a China, a Rússia, o Brasil, a Índia, e vários outros, vem fazendo isso silenciosamente ao longo dos últimos anos.
E o por quê da Arábia Saudita não ter renovado o acordo do Petrodólar? Parece evidente. Os EUA irão “quebrar” em algum momento à frente.
O pagamento diário do serviço da dívida americana é da ordem de US$ 2,6 bilhões. Em um ano, cerca de US$ 952 bilhões. Se os compradores estrangeiros de títulos americanos (China, Japão, países do Golfo) começarem a reduzir as suas compras (ou a vender os títulos existentes, o que já vem acontecendo), o governo americano será forçado a oferecer juros mais altos para atrair novos compradores — o que aumenta ainda mais o custo do serviço da dívida, criando um ciclo vicioso. Acelerando, por consequência, o risco de quebra da economia.
O BRICS Pay, ao permitir que os países do bloco realizem transações em suas próprias moedas, reduz a necessidade de acumular dólares — e, portanto, reduz a demanda por títulos do Tesouro americano. É o começo do fim do “privilégio exorbitante” que os EUA desfrutam desde 1944.

O senador e pré-candidato à presidência em 2026, Flávio Bolsonaro, reuniu-se, por 5 minutos, com o presidente Donald Trump na Casa Branca. Ele confirmou publicamente ter pedido a classificação das facções criminosas brasileiras PCC e CV, como organizações terroristas. O que acabou sendo feito pelo governo americano que, hipocritamente, fecha os olhos às organizações criminosas americanas que exportam, legalmente ou não, armas para países como o Paraguai, e que acabam sendo contrabandeados para o Brasil, indo parar nas mãos do PCC, do CV e de outras organizações criminosas.
Além do mais, ao classificar o PCC e o CV como organizações terroristas, a cooperação entre a PF e o FBI no combate ao narcotráfico e às organizações criminosas foi severamente afetado. Pela lei americana, a competência de combate às organizações terroristas é da CIA e não do FBI. Portanto, a tempestuosa medida de Trump enfraquece o combate ao crime organizado. Mas ela serve de escudo à legitimar intervenções e ações ilegais da CIA em território brasileiro.
A ação de Flávio – visando um bônus eleitoral para a disputa em outubro de 2026- foi amplamente criticada pelo empresariado e pelo setor financeiro nacional, porque expõe diretamente o Brasil à sanções internacionais e restrições à aplicações de capital estrangeiro.
Tudo leva à crer que Trump usou Flávio para, em algum momento à frente, barganhar com o Brasil uma possível suspensão da classificação do PCC e do CV como organizações terroristas, em troca de algum benefício ou compensação, pela perda de arrecadação das empresas de cartão de crédito e outros players financeiros que operam no Brasil, e que aqui tem visto seus elevados lucros diminuirem, face ao uso cada vez maior do sistema Pix pelos brasileiros.
Esse editor acabou de vender um bem próprio a uma pessoa física. O valor pactuado foi recebido instantaneamente via o sistema pix. Dessa forma, confirmado o pagamento – liquidação da operação – o bem foi entregue ao serviço de entrega para ser encaminhado ao comprador. Taxa zero. Em segundos. Há nada mais moderno e seguro do que isso no mundo.
Para ilustrar o porquê da obsessão e dos ataques de Trump ao Pix, preparamos um comparativo com o sistema similar americano (Zelle) – governança por bancos privados – contra o Pix – governança pelo Banco Central do Brasil.
O Zelle é uma rede privada de pagamentos digitais baseada nos Estados Unidos, criada para facilitar a transferência eletrônica e instantânea de dinheiro entre contas bancárias americanas. Para enviar ou receber fundos, os usuários precisam apenas vincular a sua conta a um número de celular dos EUA ou a um e-mail, que servem como chaves de identificação.
Diferente do ecossistema centralizado que os brasileiros conhecem – Pix, o Zelle foi desenvolvido e é operado pela Early Warning Services — uma empresa privada que pertence a um consórcio dos maiores bancos dos EUA, incluindo o Bank of America, JPMorgan Chase e Wells Fargo.

O Pix é o sistema de pagamentos mais avançado do mundo, elogiado por economistas como Paul Krugman – Nobel Prize winner publishes article praising Brazil’s PIX system – , e é um instrumento de soberania financeira nacional. Não de barganhas econômicas e/ou políticas.
O economista e professor da Universidade de Massachusetts (UMass Amherst), Richard Wolff, já havia alertado que a “desdolarização” é um movimento irreversível — e que o BRICS Pay é a alternativa concreta ao domínio do dólar e do SWIFT – RICHARD WOLFF: “The Petrodollar Is Dead…Trump Lives in Denial.”
O Que Vem Agora?
O BRICS Pay será lançado oficialmente em 2026, com testes-piloto já em andamento. O sistema, conectado ao Pix, permitirá que cidadãos brasileiros façam pagamentos em outros países do bloco usando QR Code, e que estrangeiros paguem em reais no Brasil [PolitikBr, 24/08/2025].
O impacto do sistema será sentido primeiro no comércio bilateral entre os países do BRICS+. Com o tempo, outros países do Sul Global poderão aderir à plataforma, ampliando ainda mais o alcance do sistema.

A reação americana já está em curso: o governo Trump está tentando conter o avanço do BRICS Pay por meio de tarifas, sanções e pressão diplomática. Mas, como Richard Wolff observou, “o rato que rugiu” — Trump — já não tem mais o poder de deter o movimento de desdolarização.
O Futuro é Multipolar — e o Brasil Precisa Escolher um Lado
O BRICS Pay é um dos pilares da nova arquitetura financeira multipolar que está emergindo. Ele não substituirá o dólar (e nem é esse o objetivo), mas reduzirá drasticamente a dependência global pela moeda americana.
O Brasil, como membro fundador do BRICS e criador do Pix, tem um papel central nessa transição. A conexão do BRICS Pay com o Pix é um ativo estratégico que poucos países possuem, e que devemos preservá-lo à todo o custo.
Nota ao leitor: Este artigo buscou compilar, numa análise única e aprofundada, os elementos factuais e contextuais que cercam o avanço do BRICS Pay como sistema de pagamentos alternativo ao dólar e ao SWIFT, e a tentativa do candidato da extrema direita brasileira (Flávio Bolsonaro) de subordinar o Brasil aos interesses dos Estados Unidos. As fontes utilizadas são públicas e estão devidamente listadas para a sua verificação.
Agradecimento:
Em apenas 18 dias de junho de 2026, o PolitikBr foi acessado a partir de dezenas de países – talvez o seu. Agradecemos aos leitores dos Estados Unidos, Japão, Brasil, Israel, China, Irã, Rússia, Canadá, Polônia, Reino Unido, e de tantos outros países que nos acompanham. Seguimos dedicados à verdade e à paz, em todos os idiomas.
Esse artigo foi baseado em:
- Sputnik Brasil: BRICS Pay vem aí para ficar — analistas comentam perspectivas e desafios (15/06/2026)
- PolitikBr: BRICS Pay: O “Pix dos BRICS” (24/08/2025)
- PolitikBr: Nobel Prize winner publishes article praising Brazil’s PIX system.
- PolitikBr: RICHARD WOLFF: “O Petrodólar Está Morto…Trump Vive em Negação” (09/06/2026)
- PolitikBr: BRICS Pay: The “BRICS’ Pix”
- PolitikBr: The Perfect Storm: BRICS Pay/UNIT. The Final Nail in the Coffin for the Dollar and the Silent Collapse of American Hegemony.
- BBC: https://www.bbc.com/portuguese/articles/crepejyw5d7o