Principais entregas:
- A incapacidade dos EUA de cumprir acordos, e o caráter ilusório do memorando com o Irã
- A recomposição dos estoques de petróleo americanos como verdadeiro motor do acordo
- A inviabilidade militar de uma guerra total contra o Irã — logística, poder aéreo e tropas
- A guerra já foi perdida — e os EUA não têm capacidade para vencê-la
- O Irã não está parado: reergue a economia, o exército e segue vendendo petróleo
- Trump e as manobras políticas até as eleições de meio de mandato
Internacional, Nacional, Geopolítica, Economia
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Por PolitikBr I Brasília, Em 06/07/2026, 16h:21min, leitura: 9min
Editor: Rocha, J.C.

Essa é uma análise documental. Para visualizar “o todo” recomendamos a leitura dos demais artigos, que se somam ao tema de hoje. Boa leitura.
O novo artigo do Wall Street Journal diz que Donald Trump foi informado sobre opções de guerra total no Irã, mas decidiu continuar com as negociações. O problema — e Scott Ritter, ex-inspetor de armas da ONU e oficial de inteligência dos EUA, não deixa dúvidas — é que essa narrativa é uma farsa. “Não existe um plano de guerra total com o Irã”, afirmou Ritter em entrevista ao canal Dialogue Works: “A gente já fez o plano de guerra total. E nós perdemos. O que mais a gente pode fazer?”
A declaração de Trump expõe o centro da análise de Ritter: os Estados Unidos não têm capacidade militar, logística ou política para travar uma guerra contra o Irã, nos termos que a retórica belicista de Washington insinua. O que sobra, então, é um jogo de aparências — um memorando de entendimento que não é um cessar-fogo, mas uma pausa para reabastecimento, e uma dança geopolítica na qual ambos os lados sabem que o outro está blefando.

O Memorando Que É Nada
A questão está no memorando de entendimento assinado entre os Estados Unidos e o Irã. Para o público, ele foi apresentado como um passo rumo à desescalada. Para Scott Ritter, se trata de uma peça de ficção jurídica.
“O J.D. Vance acabou de dizer que não existe, porque o memorando não é uma pausa”, afirmou Ritter. “O memorando deveria ser um cessar-fogo que abriria um período de 60 dias de negociações. Seria uma interrupção total das hostilidades. Foi isso que o J.D. Vance disse, que não há fim da guerra. Isso é só para ganhar tempo, para reabastecer o petróleo e depois tudo volta a ser como antes.”
O raciocínio é: se o memorando não interrompe a guerra, se os EUA se comprometem com nada, além de reabastecer os seus estoques de petróleo pesado, então o Irã está negociando com quem não tem palavra. E Ritter é enfático: “Os Estados Unidos são incapazes de cumprir acordos.”
Essa constatação — de que os EUA não são confiáveis como parceiros de negociação — é um fio condutor da análise de Ritter. A mesma conclusão, vale lembrar, foi alcançada pela Rússia em relação ao papel de Washington na guerra da Ucrânia: os EUA não são mediadores, são fomentadores do conflito. A Rússia, como o Irã, aprendeu que acordos com os americanos são meros intervalos entre hostilidades.

A Economia do Petróleo Como Motor do Acordo
Aqui está o ponto que Ritter expõe: o memorando não é sobre paz, é sobre petróleo.
“O que o presidente pediu para a gente fazer é usar esse memorando de entendimento para, de certa forma, reabastecer a economia mundial do petróleo, repor alguns estoques e depois ver como as coisas ficam”, disse J.D. Vance, em entrevista ao podcast de Ben Shapiro, reproduzida pelo site durante a entrevista de Ritter.
A tradução é: os EUA estão com os estoques estratégicos de petróleo pesado em níveis críticos. O Estreito de Hormuz, por onde passa grande parte do petróleo global, está instável. A guerra contra o Irã não foi vencida — e, na visão de Ritter, jamais seria. Então, o que resta a Trump é ganhar tempo, reabastecer as reservas estratégicas de Petróleo e esperar as eleições de meio de mandato, antes de um novo round contra o Irã.
“Tudo que o Trump está fazendo é jogar joguinhos idiotas. Realmente idiotas e desonestos”, afirmou Ritter. “Ele é um mentiroso, um charlatão, uma fraude. Ele é o Donald Trump.” (Scott Ritter)
O tom da fala não é gratuito: para Ritter, Trump não tem um plano estratégico, apenas o instinto de sobrevivência política. A guerra contra o Irã, na visão do analista, foi perdida no momento em que os EUA não conseguiram impor a sua vontade por meios militares. O que se vê agora é um governo que mente para o povo americano; que usa a mídia para sustentar a mentira, e espera que os eleitores não façam as perguntas certas antes das eleições.

A Inviabilidade Militar da Guerra Total
Ritter não se limita à crítica política — ele fundamenta a sua análise na realidade militar. E a realidade, segundo ele, é que os EUA não têm como travar uma guerra total contra o Irã.
“Bombardear de novo com armas que a gente nem tem? Invadir com divisões que nem existem?”, pergunta Ritter, retoricamente. “Não é como se estivéssemos mandando dezenas de milhares, centenas de milhares de soldados para a região, acumulando munição, combustível, e todo o equipamento necessário para uma longa campanha terrestre. A gente não tem essa capacidade.”
Aqui, Ritter toca no ponto nevrálgico: a logística. Qualquer operação militar de grande escala contra o Irã exigiria montar uma base de apoio na região (lembrando que a esmagadora maioria – se noticia 90% – das facilidades militares americanas, por todo o Oriente Médio, foram destruídas ou severamente danificadas pelos contra ataques do Irã ), concentrar tropas, munição, combustível e equipamentos. Isso levaria meses e seria detectado — e atacado — pelo Irã assim que começasse. “De onde viriam essas tropas? Como elas chegariam lá?”, pergunta Ritter:
“Quando você envia dezenas de milhares de soldados, eles precisam pousar em algum aeroporto. Eu acho que o Irã vai saber qual é esse aeroporto quase imediatamente, assim que o primeiro avião chegar. E esse aeroporto vai ficar inutilizado, sendo atacado o tempo todo.”
Ritter também descarta a possibilidade de uma operação anfíbia ou de tomada de ilhas estratégicas, como a ilha de Karg. “A gente vai acabar criando uma situação…, com nossas forças presas num pedacinho de terra, que vai ser esmagado por mísseis iranianos que a gente não tem como interceptar.”
E, para os que ainda acreditam em uma campanha aérea decisiva, Ritter lembra a história:
“Vá para a Guerra do Golfo, em 2003, quando a 101ª Divisão Aerotransportada tentou enviar os seus (helicopteros)Apaches para Karbala. Cada Apache voltou com dano de combate. Essa é a realidade.”
A Guerra Já Foi Perdida — e o Irã Sabe Disso
O argumento final de Ritter é o mais incômodo para Washington: a guerra contra o Irã, no sentido estratégico, já acabou. E os EUA perderam.
“Quero lembrar a eles que o Irã venceu a guerra porque a gente não conseguiu fazer isso”, afirmou Ritter. “E nada mudou. Na verdade, só piorou pra nós.”
A conclusão é que, enquanto os EUA gastam retórica e reabastecem os seus estoques de petróleo, o Irã não está parado. “O Irã está fortalecendo a sua capacidade militar. O Irã está fortalecendo a sua economia. Da última vez que eu verifiquei, era o Irã que tinha um monte de petroleiros saindo do Golfo Pérsico – 30 – para o mar aberto, indo para o mercado. Eles venderam muito petróleo. Estão ganhando muito dinheiro. Estão levantando recursos.” lembrou Ritter.

Se o Irã, de fato, quisesse impor a sua vontade, Ritter argumenta que a estratégia seria clara: fechar o Estreito de Hormuz de forma permanente até ter um tratado de paz de verdade. Mas, na visão do analista, o Irã também está jogando o jogo — porque ambos os lados sabem que a guerra não será vencida, e que o melhor é se preparar para o próximo round.
A Política Interna Como Moldura
Por fim, Ritter conecta a crise internacional à política doméstica americana. O objetivo de Trump, segundo ele, é manter o eleitorado desinformado até as eleições de meio de mandato. “Se cobrarem, ele vai perder a Câmara, vai perder o Senado e vai passar o resto do mandato sendo alvo de impeachment.”
É uma visão realista: o governo americano mente para o povo porque a verdade — a derrota estratégica, a incapacidade militar, a farsa do memorando — seria politicamente insustentável.
“Um ponto essencial da democracia americana é o cidadão poder cobrar dos seus representantes eleitos o que eles fazem em seu nome. Para isso, a gente precisa ser um eleitorado bem informado”, disse Ritter. “É dever e responsabilidade do governo ser preciso quando descreve os problemas para o povo americano.”
Nota ao Leitor
Este artigo buscou compilar, em uma análise única e aprofundada, os elementos factuais e contextuais que cercam a avaliação do analista em geopolítica, Scott Ritter, sobre a derrota estratégica dos EUA diante do Irã, e a natureza ilusória do memorando de entendimento assinado entre as partes. As fontes utilizadas são públicas e estão devidamente listadas para a sua verificação.
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Referências utilizadas nesse artigo
- You Tube (2026): SCOTT RITTER. Entrevista ao canal disponível em – https://youtu.be/douO37wyS70
- PolitikBr (2026): https://politikbr.org/2026/04/14/scott-ritter-o-horrendo-assassinato-das-criancas-de-minab/
- PolitikBr (2026): https://politikbr.org/2026/06/16/a-pax-americana-de-joelhos-o-acerto-de-contas-ira-eua-e-o-crepusculo-do-sionismo-estrategico/
- Brasil 247: “Scott Ritter: EUA sofrem derrota estratégica humilhante no Irã”.
- Nova Resistência (2026): https://novaresistencia.org/2025/04/12/trechos-da-impactantes-da-entrevista-de-scott-ritter-guerra-contra-o-ira/
- PolitikBr (2026): “Os Estoques de Petróleo dos EUA e a Espada Nuclear Iraniana Forçaram a Capitulação de Washington”.
- PolitikBr (2026): https://politikbr.org/2026/06/19/a-assinatura-em-versalhes-trump-antecipou-o-acordo-com-o-ira-para-roubar-a-cena-e-ja-ameaca-rompe-lo/
- PolitikBr (2026): https://politikbr.org/2026/06/18/os-termos-da-rendicao-o-que-o-acordo-eua-ira-realmente-diz-e-por-que-trump-ja-o-violou/
- A Nova Democracia: https://anovademocracia.com.br/ira-derrota-estrategica-vietna-imperialismo/