SCOTT RITTER: “A OTAN Está Forçando a Rússia a Ir à Guerra”

O ex-inspetor da ONU – Scott Ritter – alerta que o Ocidente cruzou todas as linhas vermelhas, usando os Bálticos como trampolim para ataques à Rússia. “A Letônia está sendo marcada para morrer”. Enquanto a Europa comemora, a Rússia se prepara para uma ação decisiva. As lições de 1914 e 1939 foram esquecidas.

Internacional, Geopolítica, Economia

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Por PolitikBr I Brasília, Em 21/05/2026, 17h:37min, leitura: 10min

Editor: Rocha, J.C.

O ex-inspetor de armas da ONU e oficial de inteligência dos Fuzileiros Navais dos EUA, Scott Ritter, lançou um alerta: a OTAN não está mais apenas apoiando a Ucrânia. O Ocidente coletivo está ativamente engajado em uma escalada planejada contra a Rússia, usando os estados bálticos como plataforma de lançamento, e forçando Moscou a uma retaliação que pode significar o início de uma guerra geral na Europa. “Se não fosse pelo envolvimento do Ocidente, esses ataques não estariam acontecendo”, afirmou Ritter, referindo-se aos ataques massivos de drones contra Moscou e São Petersburgo. “As tecnologias foram desenvolvidas pelo Ocidente. A inteligência é fornecida pelo Ocidente. A produção é feita fora da Ucrânia.” A conclusão é: a OTAN está se tornando um inimigo existencial da Rússia e a forçando a ir à guerra.

E a Europa, cega por um tribalismo irracional, não percebe que está caminhando para o abismo.

Há mais de quatro anos a Rússia iniciou, forçada por três ondas de expansionismo da OTAN, a Operação Militar Especial na Ucrânia. De lá para cá, o Ocidente traçou linhas vermelhas. A Rússia as respeitou. O Ocidente as cruzou. A Rússia recuou e traçou novas linhas. O Ocidente as cruzou novamente. Esse padrão, como Ritter explica, foi mantido por um motivo: Putin é um gênio estratégico. Ele evitou uma reação exagerada que desse ao Ocidente o pretexto para uma escalada maciça.

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Mas esse tempo, segundo Ritter, acabou.

O Corredor Báltico: A Rota da Escalada

Ritter revela um fato que a mídia ocidental tenta esconder: os ataques de drones contra a infraestrutura russa estão saindo dos países bálticos. “A Letônia está sendo marcada para morrer”, disse Ritter, com a franqueza de quem entende a lógica militar.

Ele descreve um “corredor báltico bem definido” por onde os drones ucranianos passam para atingir alvos em profundidade no território russo.

A Estônia, a Letônia e a Lituânia não são mais “aliados neutros”. Esses países – ex-repúblicas soviéticas – se tornaram plataformas de ataque contra a Rússia.

A renúncia do ministro da Defesa letão, após um desses ataques ter saído do controle, não foi um ato de arrependimento profundo. Foi uma tentativa desesperada de criar “negação plausível”. Mas, como Ritter observa, a política não mudou. A escalada continua.

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A Doutrina Karaganov: Quando a Linha Vermelha é Finalmente Cruzada

O ponto central da análise de Ritter está na chamada “Doutrina Karaganov”. Ela foi formulada em 1992 e estabelece que a Rússia deve atuar como defensora ativa das minorias étnicas russas e russófonas, nos países da ex-União Soviética.

Baseando-se na proteção dessas populações, a doutrina estende o conceito de “Mundo Russo” para justificar a influência de Moscou, intervenções armadas e anexações territoriais na Eurásia.

O estrategista russo Sergei Karaganov sempre defendeu que, se o Ocidente usasse armas convencionais de uma potência nuclear (a OTAN) para atacar em profundidade a Rússia, ameaçando a sua infraestrutura estratégica, e portanto, se tornando uma ameaça existencial ao país, Moscou teria o direito de responder com armas nucleares.

Putin, por anos, resistiu a essa doutrina. Preferiu a paciência. Mas em 2025, a realidade mudou. O Ocidente não apenas desenvolveu novas armas de longo alcance, como as entregou à Ucrânia e, agora, as opera a partir de território da OTAN.

Em 2025, a nova doutrina nuclear russa foi publicada. Ela é, nas palavras de Ritter, a “doutrina Karaganov”. E o Ocidente a está testando deliberadamente. “Todo mundo sabia disso”, afirma Ritter. “Mesmo assim, o Ocidente está fazendo agora algo que cruza, descaradamente, essa linha vermelha, porque acredita que a Rússia está blefando.

O Dilema de Putin: Conter ou Agir?

Ritter descreve o dilema em que o Ocidente colocou Putin. Por anos, Moscou absorveu os golpes, reparou os danos e seguiu em frente, confiante na vitória no campo de batalha na Ucrânia.

Mas a equação do dano mudou. Entre 10% e 20% da capacidade de produção de energia da Rússia, para exportação, foi danificada de forma irreversível em curto prazo. “Esse dano vai levar meses para ser reparado”, alerta Ritter.

A Rússia tem reservas, mas elas não são infinitas. “Não é papel do Vladimir Putin deixar a Rússia chegar a um ponto em que o impacto seja realmente significativo, afirma. “O trabalho dele é evitar que isso aconteça.”

A partir do momento em que o Ocidente começou a causar danos estratégicos reais, e de longo prazo à Rússia, a paciência deixou de ser uma virtude e se tornou um risco existencial.

Ritter diz: “Se eu fosse o líder da Rússia eu já teria atacado a Ucrânia com mísseis Iskander, varrido Kiev do mapa e, em seguida, colocado um ponto final às investidas da OTAN com um ataque decisivo.”

Com toda a certeza, os “falcões russos”, como Karaganov, estão ouvindo essas palavras e, provavelmente, a moderação de Putin em agir não irá se sustentar por muito tempo.

Sputnik Brasil publicou hoje que os exercícios militares das forças nucleares russas, realizados nesta semana em parceria com Belarus, foram avaliados por um jornal suíço como um sinal claro dirigido à Europa. O periódico observou que as manobras atuais são mais amplas do que as anteriores e chamou a atenção para o momento em que ocorrem: a primavera, em vez do outono, a época habitual para tais demonstrações de força.

“Essas manobras nucleares são provavelmente um alerta para a Europa”, escreveu o jornal suíço. “A intenção é lembrá-la de que a Rússia, como potência nuclear, é uma força a ser tida em conta.” A publicação concluiu que os exercícios não apenas demonstram a capacidade de dissuasão nuclear da Rússia, mas também servem como um recado aos países europeus de que a força de Moscou não deve ser subestimada — uma mensagem que ecoa diretamente as advertências de Scott Ritter sobre a escalada da OTAN.

“A Marcha da Insensatez”: 1914 se Repetindo?

Ritter e Glenn Diesen recorrem à história para entender o momento atual. Citam Barbara Tuchman e seu livro “A Marcha da Insensatez”, sobre o verão de 1914.

Ninguém acreditava que a Primeira Guerra Mundial pudesse sair do controle. Os líderes europeus achavam que seria um pequeno conflito nos Bálcãs. Até que o mundo inteiro estava em chamas. “A guerra para a qual a gente está caminhando”, diz Ritter, “e mesmo assim, nada. Nenhum debate, nenhuma discussão, nenhuma discordância, nenhum pio. É impressionante.”

A Europa, cega pelo ódio à Rússia, não percebe o que está fazendo. Aplaude cada drone que atinge um depósito de petróleo russo. Comemora cada ataque a Moscou. Mas não define o que significa “vencer” uma guerra contra a maior potência nuclear do mundo, que agora se sente ameaçada em sua existência. E o seu líder – Putin – pressionado para por um “ponto final” nisso.

Quem São os “Chihuahuas” da OTAN?

Ritter é implacável ao analisar o papel dos países bálticos. Ele os chama de “poodles ou chihuahuas barulhentos” da OTAN, que estão provocando uma reação que pode levar à sua própria eliminação.

A advertência é clara: atacar Kaliningrado, o enclave russo no Báltico, é uma sentença de morte. “A forma mais rápida de fazer Kaliningrado deixar de ser um enclave é atacar Kaliningrado”, afirma Ritter. “Porque aí a gente vai ver os bálticos voltando a ser russos. E eles vão se tornar russos da noite para o dia.”

A questão que fica é: o que a OTAN fará se a Rússia retaliar massivamente contra um desses países? Ritter não tem dúvidas. O Artigo 5º da OTAN, que define um ataque a um membro como um ataque a todos, seria uma formalidade vazia.

Ele cita a tese de Karaganov: nenhum presidente americano trocaria Boston por Poznan (na Polônia) ou por Talim (na Estônia). Os Estados Unidos não iriam à guerra nuclear pela Estônia. E sem os Estados Unidos, a OTAN não é nada.

O Que Vem Agora: A Eliminação da Ucrânia e o Exemplo aos Bálticos

Ritter, com seu “chapéu militar”, prevê o que considera a ação mais provável da Rússia: uma resposta decisiva, não gradual.

Ele acredita que Kiev, o centro de decisão ucraniano, será “eliminado”. E que um dos estados bálticos será usado como “exemplo”.

“Um exemplo vai ser dado com um estado báltico, um exemplo decisivo”, afirma. “E depois disso, acho que vai sobrar muito pouco espaço de manobra. Praticamente nenhuma tolerância para uma retaliação ocidental.”

A Rússia não está blefando. O tempo da paciência, na visão de Ritter, acabou.

A Última Esperança: A China e a Irracionalidade de Trump

A única janela de oportunidade para evitar a catástrofe, segundo Ritter, é a China. Ele acredita que, após a visita de Putin a Pequim, os chineses possam intervir diplomaticamente, conversar com Trump e com a Europa, e fazer o Ocidente entender que a Rússia não está blefando.

O problema é que Trump, humilhado por sua derrota no Irã, é um homem fraco, encurralado e, muitas vezes, irracional. Ritter duvida que ele tenha capital político ou força de vontade para conter a histeria belicista europeia.

A Insanidade Final

A análise de Scott Ritter é um retrato do momento mais perigoso desde a Crise dos Mísseis de Cuba. A diferença é que, em 1962, os líderes em Washington e Moscou estavam conscientes do abismo. Hoje, a Europa parece determinada a pular de olhos fechados, celebrando cada passo em direção ao precipício.

O Ocidente confunde a paciência russa com fraqueza. Confunde pragmatismo com covardia. E está forçando a Rússia a uma escolha que ela nunca quis fazer: ou ela responde de forma decisiva ou ela aceita ser derrotada estrategicamente.

O tempo do debate acabou. O tempo da ação, como Ritter alerta, está sobre nós.

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