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O Comandante do Caos: a Desordem Mundial e a Guerra de Escolha de um Presidente Entre a Mentira e o Delírio

Internacional, Geopolítica, Economia

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Por PolitikBr I Brasília, Em 30/03/2026, 19h:15, leitura: 8 min

Editor: Rocha, J.C.

A agressão militar dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã não pode ser compreendida apenas sob a ótica geopolítica clássica. Ela exige um olhar mais profundo — um olhar que considere não apenas interesses estratégicos, mas a própria condição do homem que ocupa a Casa Branca.

E é aqui que o debate deixa de ser diplomático para se tornar inquietante.

A guerra que não sabe explicar a si mesma

O primeiro elemento que salta aos olhos não é militar — é discursivo.

Donald Trump afirma, repetidamente, que “a guerra foi vencida”. E, no mesmo fôlego, envia tropas, 3 mil mariners, há mais chegando à região, enquanto finge negociar; da mesma forma que fez a um mês atrás em conluio com Netanyahu. Enquanto os representantes americanos negociavam com o Irã, já havia sido tomada a decisão do ataque – não tão surpresa assim – do dia 28 de fevereiro. Então ele ameaça escalar e ao mesmo tempo fala em fantasiosas negociações, que todos sabem serem mentirosas. Essa contradição não é episódica — ela é estrutural.

Nesse artigo, trazemos as opiniões de alguns dos mais importantes jornalistas políticos sobre essas idas e vindas de Trump.

Como observou James O’Brien em: ‘Aquele homem está louco!’ | James O’Brien reage às últimas alegações da Casa Branca :

“Esta guerra foi vencida… então por que enviar mais tropas?”

Essa dissonância não é apenas retórica. Ela revela a ausência de coerência. Não há objetivo claro, não há definição estável do conflito — ora é “operação”, ora é “guerra”, ora é “mudança de regime”.

E, em um momento particularmente revelador, Jesse Dollemore – “A desastrosa coletiva de imprensa de Trump PROVA que ele não tem ideia do que está acontecendo” – , lembra uma das declarações de Trump:

“Temos realmente uma mudança de regime.”

Em outros momentos ele diz: “Não queremos mudança de regime”. Ele, quando admite o objetivo de “mudança de regime” diz: O líder deles foi morto. Um outro entrou. Então, a hora que a gente quiser a gente pode matar ele também. Isso, na lógica de Trump, é mudança de regime.

O colapso da narrativa e o improviso como método

Lawrence O’Donnell – Lawrence: Trump sounded like ‘spoiled child’ in trying to negotiate out of war he claims he’s won – , em tom sarcástico, sintetiza o absurdo da situação ao afirmar que Trump:

“soa como uma criança mimada tentando negociar a saída de uma guerra que ele mesmo começou”

A crítica é mais do que estilística — ela aponta para um padrão: decisões impulsivas seguidas de tentativas desesperadas de contenção.

Lawrence ainda destaca:

“Milhares de tropas não conseguem vencer uma guerra contra um país de 90 milhões de pessoas.”

A comparação histórica, segundo Lawrence, é devastadora: nem mesmo a Segunda Guerra Mundial foi vencida sem coalizões massivas e mobilização total. A ideia de controle absoluto — “teremos controle de tudo o que quisermos” — não é apenas irrealista. É, nas palavras do próprio comentarista:

delirante”

Um presidente informado por vídeos de explosões

Se há um ponto que sintetiza o grau de disfunção, ele aparece de forma quase surreal nas revelações sobre os briefings presidenciais.

Segundo fontes citadas:

“os briefings de guerra são feitos com vídeos de coisas explodindo”

Não se trata de caricatura. Se trata de método.

A informação complexa — inteligência estratégica, análises diplomáticas, cenários de escalada — é substituída por clipes visuais simplificados. Um formato que, como alertam autoridades, pode estar impedindo o presidente de compreender o quadro real da guerra.

O senador Chris Van Hollen foi direto:

“Temos um presidente delirante… isso é um fato observável.”

A cognição como variável geopolítica

Jesse Dollemore – A desastrosa coletiva de imprensa de Trump PROVA que ele não tem ideia do que está acontecendo – vai ainda mais longe:

“Nada disso faz sentido… tudo isto deveria ser muito alarmante para o mundo”

E completa, sem rodeios:

“Ele não está apto… certamente não é o comandante-chefe”

Aqui, a crítica ultrapassa a política e entra no campo da capacidade cognitiva.

Trump fala de “presentes secretos” do Irã que não pode revelar. Confunde termos, altera narrativas em tempo real, contradiz declarações feitas minutos antes.

Em um trecho particularmente emblemático:

“Eles nos deram um presente… mas não vou dizer o que é”

A fala seria risível — não fosse o contexto: uma guerra envolvendo uma das regiões mais estratégicas do planeta.

A economia como refém da improvisação

Enquanto a retórica oscila, os efeitos concretos se acumulam.

O Estreito de Ormuz, vital para o fluxo global de petróleo, torna-se palco de tensão. O próprio conflito cria o problema que a guerra afirma tentar resolver.

Como observado:

“Trump está tentando conquistar algo que existia antes da guerra: a livre navegação”

O PolitikBr publicou esse artigo – O PEDÁGIO DE HORMUZ: Irã Cobra US$ 2 Milhões por Petroleiro e Reescreve as Regras do Jogo – mostrando que agora, o “dono do portão”, está cobrando US$ 2 milhões por petroleiro – nacionalidade não beligerante ao Irã – para ganhar “passagem livre” pelo Estreito de Ormuz, de forma similar ao que faz o Egito em relação ao canal de Suez. Na prática, o trânsito por Ormuz, que sempre foi livre, agora é pago. Parabéns senhor Presidente !

A ruptura interna: milhões nas ruas

O desgaste de Trump não é apenas externo. Ele reverbera dentro dos próprios Estados Unidos.

Segundo reportagem do Correio Braziliense, mais de 9 milhões de pessoas eram esperadas nos protestos contra Trump nesse sábado (28/03) — um número que indica não apenas oposição, mas ruptura social profunda. Foram mais de 3000 cidades, espalhadas nos 50 estados, protestando contra Trump. Vamos lembrar ainda que as pesquisas de opinião mostram que a parcela dos americanos que aprovam o presidente está nesse momento entre 33 e 38%.

Esse imenso contingente de americanos anti Trump, se comparecerem em massa às eleições de novembro, deve levar a uma acachapante derrota dos republicanos, que deverão perder o controle das duas casas legislativas. Dessa forma, não sendo viável, por questões políticas, se invocar a vigésima quinta emenda para destituir Trump da presidência, se torna mais factível o impeachment, se os democratas tomarem o controle das rédeas.

A guerra de Trump, nesse contexto, nunca foi ferramenta de unidade nacional, e agora é um claro catalisador de divisão interna. A administração caótica e mentirosa do senhor Trump está em maus lençóis.

A síntese: entre a mentira e o delírio

A convergência das análises é impressionante. De diferentes vozes, emerge um diagnóstico comum:

  • incoerência estratégica
  • contradição discursiva
  • improvisação permanente
  • preguiça mental
  • possível deterioração cognitiva
  • mentiroso contumaz

E talvez a frase mais dura — e mais reveladora — seja esta:

“Temos um presidente delirante… e isso agora é um fato observável.”

E Lawrence – he Last Word With Lawrence O’Donnell 3/29/26 | ️ Breaking News Today March 29, 2026 – diz que enquanto Donald Trump manda fuzileiros para o possível ataque ao Irã – até porque não há decisão ainda ou há? – declara sobre o andamento da guerra: “Eu não ligo”

Quando essa avaliação deixa de ser marginal e passa a ser repetida por analistas, jornalistas e políticos, o problema já não é mais retórico.

É sistêmico.

A guerra de Trump contra o Irã não é apenas um conflito internacional.

Ela é um espelho.

Reflete a crise de liderança, a erosão institucional e a transformação da política em espetáculo — onde as decisões são tomadas em impulsos, percepções e narrativas frágeis ou fabricadas.

Esse artigo foi baseado em:

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