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KIRIAKOU: “Trump Ignorou a CIA e Seguiu as Ordens de Israel”

Internacional, Geopolítica, Economia, Política

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Por PolitikBr I Brasília, Em 30/04/2026, 11h:09, leitura: 10 min

Editor: Rocha, J.C.

John Kiriakou, ex-analista da CIA e denunciante que passou dois anos preso por revelar programas de tortura da agência, fez uma afirmação que desmonta a principal justificativa para a guerra contra o Irã. Em entrevista ao jornalista Tucker Carlson, Kiriakou revelou: as 18 agências de inteligência dos Estados Unidos não consideravam o programa nuclear iraniano uma “ameaça grave” ao país. “Não havia um programa de armas nucleares”, afirmou Kiriakou.

O aiatolá Ali Khamenei – assassinado pelos Estados Unidos – lançou uma fatwa em 2003 declarando que era um pecado desenvolver uma arma nuclear. E a CIA, duas vezes, disse que não havia um programa de armas nucleares no Irã.” O alerta que convenceu Trump a atacar, segundo Kiriakou, não partiu do sistema de inteligência americano — partiu de Israel. “Essa informação, essa mentira, veio de Israel”, disse. Carlson então fez a pergunta decisiva: “Por que um presidente acreditaria em uma agência de inteligência estrangeira antes da sua própria?” A resposta de Kiriakou foi honesta: “Não sei, essa é realmente a pergunta de 64 mil dólares.”

A declaração de Kiriakou confirma o que o PolitikBr vem documentando desde a renúncia de Joe Kent: a “ameaça iraniana” foi uma construção israelense, vendida à Trump por Benjamin Netanyahu e pelo chefe do Mossad, David Barnea. E o resultado dessa aposta cega foi a maior derrota militar estratégica dos Estados Unidos em décadas.

A Guerra que Nunca Deveria ter Começado

A guerra contra o Irã, lançada em 28 de fevereiro de 2026, foi justificada pela administração Trump com um argumento central: a “ameaça nuclear iminente” representada pelo regime dos aiatolás. A narrativa foi repetida à exaustão por Marco Rubio, Pete Hegseth e pelo próprio presidente.

Mas o que a inteligência americana realmente pensava? Kiriakou foi categórico ao afirmar que a avaliação da inteligência americana sobre o Irã nunca mudou:

“Não havia um programa de armas nucleares. O aiatolá Khamenei lançou uma fatwa em 2003, declarando que é um pecado desenvolver uma arma nuclear. E a CIA, duas vezes, disse que não há um programa de armas nucleares.”

Ele reiterou que as 18 agências de inteligência dos EUA não viam o Irã como uma ameaça iminente. “As pessoas com quem falo na agência dizem especificamente que não”, afirmou.

Kiriakou também desmontou a alegação de que o Irã teria capacidade de atingir os Estados Unidos:

“Eles não têm um sistema de entrega que pudesse entregar uma arma nuclear para os Estados Unidos.”

A alegação de que o Irã poderia lançar um míssil intercontinental até Miami era, nas palavras de Kiriakou, “fogo e espelhos”.

É bem verdade, entretanto, que as capacidades dos mísseis iranianos pegaram de surpresa os americanos e israelenses. Todos obviamente sabiam que o Irã tinha – assim como fez em junho de 2025 – atacar todo o território de Israel. A distância de Teerã – tomado como referência – até Tel Aviv é de 1907Km, bem no limite do que se noticiava em termos de alcance máximo dos mísseis iranianos: 2000Km. Mas o ataque iraniano à base militar britânica de Diego Garcia, a 4000Km de Teerã, mostrou que o Irã guarda muitas cartas e surpresas “na manga da camisa”.

Onde Trump Conseguiu Essa Ideia?

Carlson perguntou diretamente à Kiriakou: “Essa informação, essa mentira, veio de Israel?” Sim. Ele respondeu – aliás, Carlson já sabia disso. A pergunta seguinte de Carlson foi a mais importante de toda a entrevista:

Por que um presidente acreditaria em uma agência de inteligência estrangeira antes da sua própria?”

A pergunta de Tucker Carlson foi, claramente, uma tentativa de obter uma resposta que ele sabia que comprometeria Trump…Lembrando que, agora, o ex-âncora da Fox News se tornou um ferrenho opositor à Trump.

E ele respondeu: : “Não sei, essa é realmente a pergunta de 64 mil dólares.”

O PolitikBr, no entanto, já ofereceu uma provável resposta. Como John Mearsheimer afirmou em sua própria análise –MEARSHEIMER: “Trump Foi Enganado por Netanyahu e pelo Mossad” – , Trump foi “enganado” por Netanyahu e pelo chefe do Mossad, David Barnea, que o convenceram de que uma campanha de “choque e pavor”, baseada na decapitação do regime, levaria o Irã ao colapso e produziria uma vitória rápida e decisiva. Nada disso aconteceu. Um colossal erro de cálculo.

Nós publicamos que Netanyahu chegou a “conduzir” uma reunião na “Sala de Situação” da Casa Branca. Não foi um “conselho”. Não foi uma “recomendação”. Foi a exposição de um “Plano de Ação” para a investida contra o Irã. Em 11 de fevereiro de 2026, Benjamin Netanyahu entrou na Sala de Situação da Casa Branca — o centro nevrálgico do poder militar americano — a convite de Trump e, de pé, diante de um mapa do Oriente Médio, traçou os objetivos da guerra contra o Irã. Donald Trump ouviu, e disse: “parece bom para mim”

O ex-agente da CIA observou um padrão no comportamento de Trump que ajuda a explicar essa credulidade:

“Você se lembra no primeiro mandato, quando o presidente Trump se encontrou com Vladimir Putin, ele não levou seus especialistas para a reunião com ele. Putin levou os seus. Porque o presidente disse que confiava nos especialistas do outro lado mais do que confiava nos seus próprios.”

Bingo !

A Falta de Consulta aos Aliados

Kiriakou também destacou um aspecto crucial do processo de decisão: a completa ausência de consulta aos aliados tradicionais dos Estados Unidos.

“As reclamações que ouvi no Golfo são que eles não foram consultados como aliados. E na Europa, ouvi as mesmas reclamações. A única consulta aparente que estava ocorrendo era com os israelenses.”

Kiriakou contrastou essa abordagem com a de administrações anteriores:

“Antes de lançar uma guerra, você precisa comissionar estimativas da comunidade de inteligência, ouvir o Departamento de Estado, falar com aliados. Existirá um consenso em algum momento. Isso não foi o que aconteceu neste caso.”

Ele citou um exemplo concreto das consequências dessa falha de consulta:

“Eu estava na Irlanda duas semanas atrás. No hotel, me disseram que eu provavelmente teria que ir mais cedo para o aeroporto porque eles esperavam a maior manifestação da história irlandesa, por causa dos preços da gasolina e do óleo de aquecimento. A gasolina estava a 12,5 dólares por galão. E eles nos culpam por isso.”

A Quebra de um Padrão Histórico

Kiriakou lembrou que, no passado, os Estados Unidos frequentemente tomavam decisões que contrariavam os desejos de Israel quando estes não se alinhavam com os interesses americanos.

“Na Guerra do Golfo de 1990-1991 e novamente na Guerra do Iraque a partir de 2003, nós tomamos decisões que estavam no melhor interesse dos Estados Unidos, até o ponto em que os israelenses reclamaram muito de nós. Eles queriam que fizéssemos A, mas fizemos B, porque B era melhor para os Estados Unidos.”

Hoje, segundo Kiriakou, esse padrão se inverteu:

“Às vezes nos comportamos de acordo com os melhores interesses de Israel, em vez dos nossos próprios. E sinto que este é um desses casos. Estamos fazendo o jogo de Israel.”

O Que a Entrevista Revela Sobre o Momento Atual

A entrevista de Kiriakou a Carlson ocorre em um momento de crescente isolamento de Trump. Carlson, que rompeu com o presidente por causa da guerra, já foi alvo de uma investigação da CIA. Kiriakou, que conhece bem os métodos da agência, confirmou que a investigação era incomum.

A entrevista também confirma aquilo que o PolitikBr vem documentando há semanas:

  1. Não havia ameaça iminente. A inteligência americana não via o Irã como um perigo real. A alegação de “ameaça nuclear” foi uma construção política, não uma conclusão analítica.
  2. A pressão veio de Israel. O alerta que convenceu Trump a atacar não partiu da CIA, do Pentágono ou de qualquer agência americana. Partiu de Israel — provavelmente do Mossad, como Mearsheimer sugeriu.
  3. Trump escolheu acreditar em Israel. Mesmo tendo assessores (o general Caine, John Ratcliffe, J.D. Vance, Marco Rubio) alertando contra a guerra, Trump preferiu acreditar na promessa de vitória rápida de Netanyahu e Barnea.
  4. A diplomacia foi abandonada. Kiriakou observou que os Estados Unidos quase não têm embaixadores nos países do Golfo. “Não há Philip Habib para ir de país em país agora, como havia nos anos 1980”, disse ele.

O Fortalecimento do Eixo Irã-Rússia-China

Kiriakou alertou que a guerra está tendo o efeito oposto ao desejado:

“Nós forçamos os iranianos para o abraço dos chineses, dos russos e dos indianos. E vamos chegar ao ponto em que não seremos capazes de nos levantar contra aquele tipo de aliança.”

O ex-agente da CIA foi além, prevendo que o Irã sairá mais forte do conflito:

“O Irã será mais poderoso no final disso do que estava no começo.”

A Verdade

John Kiriakou não é um ativista anti-guerra qualquer. Ele é um homem que pagou um preço alto por dizer a verdade. A sua revelação de que a inteligência americana não via ameaça no Irã e de que a “informação” que convenceu Trump a atacar veio de Israel, confirma o que já publicamos antes.

A Casa Branca tentou esconder. A mídia mainstream, até agora, não deu a devida atenção. Mas a verdade, como sempre, emerge.

E a verdade é que os Estados Unidos, aparentemente, foram arrastados para uma guerra desnecessária por um aliado estrangeiro; com um presidente que preferiu acreditar em promessas falsas, do que na análise de seus próprios especialistas.

Nós não podemos, entretanto, descartar que essa guerra promovida “aparentemente sob interesses sionistas” seja, de fato, uma estratégia bem elaborada para tentar reerguer a cambaleante economia americana, com uma dívida pública de US$ 40 trilhões e subindo. Até o serviço desse colossal dívida, em algum momento, estará em perigo de ser honrado, com os EUA entrando em default.

O professor do MIT Steven Starr menciona nessa entrevista – Suicídio Estratégico: A Armadilha do Irã que Acaba com a Hegemonia dos EUA | Prof. Steven Starr, que se essa guerra perdurar e o Irã, em resposta ao ser atacado novamente – e de forma devastadora em sua infra estrutura – , destruir, em represália, todas as instalações críticas de energia e de água do Golfo, o mercado mundial perderia 49% do volume da produção de ureia (fertilizante), 30% dos fosfatados (fertilizante) e 20% de todo o volume de óleo e GNL produzido no mundo.

E quem se beneficiaria com isso? Especialmente os EUA e a Federação Russa, no que tange à energia e, também os Russos, Belarus e o Canadá, em especial, no que tange aos fertilizantes. Haveria, em consequência, escassez generalizada de alimentos, fome, notadamente no sul global, mais vulnerável e pobre.

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