A Polícia Federal investiga se ordem para os bloqueios de eleitores no Nordeste, na operação desencadeada pelo ex-ministro da Justiça, Anderson Torres, que está preso, partiu de Bolsonaro.
04 de abril de 2023, 17:44h
Após a investigação e prisão de Anderson Torres, ex-ministro da Justiça, acusado de omissão e/ou facilitação da tentativa de golpe de estado em 08 de janeiro de 2023, e de ter ido à Bahia para coordenar a ação da Polícia Rodoviária Federal (PRF) contra eleitores de Lula, às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais de 2022, a Polícia Federal está agora investigando se a ordem teria partido de Jair Bolsonaro, ex-presidente do Brasil e candidato à reeleição.
Segundo informações divulgadas por Bela Megale no jornal O Globo em 4 de abril, a PF já teria certeza da participação de Torres na ação e agora está aprofundando a investigação para descobrir se ele teria recebido ordens de Bolsonaro.

De acordo com relatos, Torres fez um levantamento entre o primeiro e o segundo turno para identificar as regiões onde Lula foi mais votado e, a partir disso, organizou a operação para tentar impedir que os eleitores votassem novamente no segundo turno.

A Polícia Federal descobriu que o levantamento teria sido materializado na forma de um “boletim de inteligência” produzido pela ex-diretora de Inteligência do Ministério da Justiça, Marília Alencar. Ela é uma delegada que posteriormente trabalhou com Torres na Secretaria de Segurança do Distrito Federal.
Para dar ênfase à importância da operação, Torres viajou para Salvador no dia 26 de outubro, acompanhado pelo diretor-geral da PF, Márcio Nunes, e pelo brigadeiro Antonio Lorenzo, seu secretário-executivo. Eles se reuniram com o superintendente da Polícia Federal na Bahia, Leandro Almada, e seus dois assessores diretos, os delegados Flávio Marcio Albergaria Silva e Marcelo Werner Derschum Filho.
Durante a reunião, Torres teria dito: “A função de vocês aqui é tão estratégica que se eu pudesse trocaria de lugar com vocês”.
Sob o pretexto de que estava recebendo denúncias de compras de votos pelo Partido dos Trabalhadores (PT) no estado, Torres tentou convencer os agentes a realizarem operações de bloqueio nas ruas e estradas.
Ele queria que pelo menos 90% do efetivo da Polícia Federal fosse para as ruas e estradas no domingo da eleição, o que seria atípico para o período. O tom de Torres na reunião causou espanto nos policiais, e o superintendente da PRF na região não esconderam dos subordinados qual era o objetivo da operação.
No entanto, a operação organizada por Torres não teve o efeito desejado, e os eleitores conseguiram votar apesar dos bloqueios. Agora, Torres e seus ex-subordinados na PRF deverão ser indiciados pela Polícia Federal. A investigação continua para descobrir se Bolsonaro também está envolvido na ação.
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