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Lula Responde a Trump: Não Aceitamos Tutela de Quem Quer que Seja

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Por Política em Debate I Brasília, Em 07/07/2025, 19h:01

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de fato, não nos parece o mínimo preocupado com Bolsonaro. Os reais problemas de Trump são a crise interna envolvendo Musk e seu novo partido politico (America Party); a economia americana em franca decadência, diante de uma imensa dívida pública, que começa a afetar a credibilidade dos EUA em honrar os compromissos de pagamento de juros e rolagem da dívida; o conflito geopolítico envolvendo a China e Taiwan; a guerra Rússia x Ocidente coletivo e a tentativa de Trump em manter a ordem unipolar, que permitiu até agora a liderança americana no mundo, e que agora é confrontada abertamente pelo BRICS. Esses são os reais problemas externos de Trump. E não o de sair em defesa de Bolsonaro, por convicções políticas.

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A fala de Trump, cutucando Lula, nada mais é que “dor de cotovelo” diante do BRICS Meeting 2025, no Rio de Janeiro. Nada mais do que isso. Uma oportunidade de tumultuar e tirar dos holofotes do noticiário a questão BRICS. E aí Trump se manifesta, de forma falsa, saindo em defesa de Bolsonaro. Considerado por todos “carta fora do baralho”

Trump alega que Bolsonaro estaria sendo alvo de uma “caça às bruxas” por parte do Supremo Tribunal Federal (STF), comparando a situação do aliado (?) com os processos judiciais que ele próprio enfrenta nos EUA. Trump declarou que “o único julgamento que deveria acontecer é o julgamento pelos eleitores do Brasil — isso se chama eleição” e pediu que “deixem Bolsonaro em paz.

Bolsonaro, por sua vez, está inelegível até 2030, após decisões do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por abuso de poder e uso indevido dos meios de comunicação durante a campanha de 2022. Além disso, responde a processos no STF relacionados à tentativa de golpe após as eleições, sendo acusado de crimes como organização criminosa armada e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito. Isso basta para mandar Bolsonaro para atrás das grades por, pelo menos, 27 anos.

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A cúpula do BRICS e o incômodo de Trump

As declarações de Trump ocorrem em meio à realização da cúpula do BRICS no Rio de Janeiro, evento que reúne líderes das principais economias emergentes do mundo. O encontro ganhou destaque internacional não apenas pelo debate sobre temas econômicos e ambientais, mas também por marcar um momento de tensão nas relações entre os Estados Unidos e os países do bloco.

Durante a cúpula, Trump anunciou a intenção de impor uma tarifa adicional de 10% sobre países que, segundo ele, “se alinharem com as políticas antiamericanas do BRICS”. O presidente norte-americano classificou o grupo como um contraponto ao poder dos EUA e da Europa Ocidental, e prometeu retaliar economicamente qualquer país que adote posturas consideradas hostis aos interesses americanos.

O BRICS, por sua vez, divulgou um comunicado expressando preocupação com as medidas tarifárias unilaterais dos EUA, afirmando que tais ações distorcem o comércio internacional e prejudicam o crescimento econômico global. Autoridades do bloco evitaram citar diretamente Trump ou os Estados Unidos, mas a resposta coletiva evidenciou o desconforto com as ameaças vindas de Washington.

Reações no Brasil

O presidente Lula, anfitrião da cúpula, minimizou as declarações de Trump sobre Bolsonaro e o STF, ressaltando que a defesa da democracia é um tema exclusivo dos brasileiros e que o país possui instituições sólidas e independentes. Lula afirmou que “ninguém está acima da lei” e que o Brasil não aceitará pressões externas para ditar os rumos de sua política interna.

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