Trump e a “Terra da Liberdade” Que Lhe Convém

Principais entregas deste artigo:

  • O anúncio de Trump proibindo o acesso da CNN, MS NOW (antiga MSNBC) e Politico à Casa Branca.
  • A acusação presidencial de “notícias falsas” como justificativa para a medida.
  • A ameaça de estender o veto a outras organizações de imprensa.
  • A reação imediata dos veículos, que anunciaram uma ação judicial conjunta.
  • O precedente de 2025 com a Associated Press e o questionamento sobre a Primeira Emenda.
  • O contexto do pagamento de US$ 8 milhões ao Politico, distorcido por Trump.

Internacional, Nacional, Política, Economia, Geopolítica

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Por PolitikBr I Brasília, Em 22/09/2026, 16h:51min, leitura: 7min

Editor: Rocha, J.C.

Essa é uma análise documental. Para visualizar “o todo” recomendamos a leitura dos demais artigos e publicações relacionadas, que se somam ao tema de hoje. Boa leitura.

A administração do presidente Donald Trump anunciou, na última sexta-feira (18), a proibição do acesso de jornalistas da CNN, da MS NOW (antiga MSNBC) e do site Politico à Casa Branca. A decisão, comunicada por Trump em sua rede social, Truth Social, representa mais um capítulo no confronto aberto entre o republicano e a imprensa, a quem acusa de promover “notícias falsas” e “ficção”.

A justificativa apresentada pelo presidente é a de que esses veículos de comunicação não deveriam publicar “mentiras” sobre ele, ao seu governo ou aos Estados Unidos. Trump também citou nominalmente o Politico, alegando que o veículo teria recebido US$ 8 milhões do governo do ex-presidente Joe Biden. A acusação, no entanto, ignora o fato de que o valor corresponde às assinaturas do conteúdo do Politico, mantidas por diversos órgãos governamentais, e não a um repasse ilegal para manter o site funcionando. O presidente ainda criticou a MS NOW, associando a mudança de nome à perda de audiência e credibilidade.

As acusações de que Donald Trump mente e/ou deturpa de forma recorrente ou compulsória são uma marca central do debate político norte-americano, desde a sua primeira campanha à presidência. Os críticos, adversários democratas e até mesmo verificadores de fatos independentes, apontam um padrão de declarações falsas ou distorcidas, enquanto o próprio Trump, obviamente, e os seus defensores rejeitam os rótulos, alegando perseguição política e distorção por parte da mídia tradicional.

Trump foi inclusive o vencedor do indesejado prêmio Mentira do Ano 2015, dado pelo site Politifact, uma organização apartidária que coloca as declarações de figuras públicas sob escrutínio.

A organização já ganhou um prêmio Pulitzer por seu trabalho e afirmou que “nenhum outro político tem tantas declarações com uma pontuação tão negativa”.

Agora, em 2026, diante de uma enxurrada de mentiras que Trump e os seus principais auxiliares, se esmeram em tentar tornar verdade, como os sucessos fantasiosos das “estrondosas vitórias contra o Irã”, que nunca acontecem, Trump tenta calar a imprensa que não lhe adula, que não lhe convém.

A reação, no entanto, dos veículos de comunicação, objeto de cerco e coerção em seu trabalho, foi imediata. Em comunicado conjunto, a CNN, o MS NOW e o Politico informaram que notificaram o governo sobre uma ação judicial para proteger os seus direitos e defender o princípio de que “o governo não decide o que a imprensa informa ou publica”.

Os veículos argumentam que a Casa Branca revogou as suas credenciais sem aviso prévio e por discordar de sua cobertura — o que fere a Primeira Emenda da Constituição americana, que garante a liberdade de imprensa.

O episódio não é isolado. Em 2025, a Casa Branca já havia restringido o acesso da Associated Press à eventos presidenciais e ao Air Force One, após a agência se recusar a adotar o nome “golfo da América” em vez de “golfo do México”. A medida, à época, também foi contestada na Justiça. Agora, o novo veto provoca questionamentos semelhantes.

O Reporters Committee for Freedom of the Press já classificou a medida de Trump como inconstitucional. Segundo a organização, a Casa Branca não pode convidar alguns jornalistas e banir outros apenas porque não gosta da cobertura realizada. Afinal, Trump é servidor público ou não? Ele pode tudo? Tenta ser uma espécie decadente de “imperador”, pecha frequentemente citada pelo presidente do Brasil – Luiz Inácio Lula da Silva – quando se refere a ele, como agora na abertura da Assembleia Geral da ONU?

Trump tem fixação por nomes. Além do “golfo da América”, ele recentemente se envolveu em outra picuinha com o premier do Canadá Mark Carney, ao assinar um decreto – em agosto de 2026- para rebatizar oficialmente o Lago Ontário como “Lago América”.

Essas bobagens vindas de Trump mostram o maciço uso de uma das principais estratégias de manipulação de massas da extrema direita, descritas por Chomsky: a “distração”, para tentar tirar o foco da sociedade dos problemas reais dos EUA, como a trilionária dívida de US$ 40 trilhões, a pobreza, o galão do diesel escalando acima de US$ 10.00, e a humilhante derrota estratégica sofrida em sua guerra – e de Israel – contra o Irã.

Trump fez do confronto com a mídia uma marca registrada de sua carreira política. Ameaças e insultos a jornalistas têm sido comuns ao longo de seus dois mandatos, e o presidente já alertou que outros veículos poderiam sofrer o mesmo destino, sem especificar quais. A medida, no entanto, expõe uma contradição central: um presidente que se diz defensor da liberdade em uma nação que se orgulha de ser a “terra da liberdade” agora decide quem pode ou não entrar na casa do povo para fazer perguntas.

A liberdade de imprensa não é um privilégio da mídia, mas um direito do cidadão de ser informado por fontes independentes do poder. Ao negar credenciais a veículos que lhe são desfavoráveis, Trump não está apenas punindo jornalistas; está tentando controlar o fluxo de informação que chega ao público americano. E isso, como diria o próprio presidente em outros contextos, é algo que se espalha como um câncer.

Quer saber mais? Leia a matéria completa:

Nota ao leitor:

Este artigo buscou compilar, em uma análise única, os fatos associados à recente investida contra a liberdade da imprensa americana em ter o direito à livre opinião, pelo governo Trump. A liberdade de expressão é um dos principais pilares da democracia americana, que Trump só verbaliza ou defende, quando lhe convém. As fontes públicas utilizadas estão listadas abaixo para a sua verificação.

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