Moraes condena Bolsonaro a 43 anos de prisão

Enfim o resultado do julgamento que todos nós aguardávamos. No Brasil de 2025, a democracia foi posta à prova e respondeu à altura. O ministro Alexandre de Moraes leu em sessão pública seu voto condenatório contra Bolsonaro e mais sete integrantes do núcleo golpista, atribuindo ao ex-presidente uma pena de 43 anos de prisão punição seguida imediatamente pelo voto do ministro Flávio Dino e prevista, há semanas, como a sentença pela gravidade dos crimes tentados contra o Estado Democrático.

PolitikBr é uma mídia independente. Sem lado. Informar não é “torcida”. Não é distorcer, manipular ou mentir.

Este site é livre de propagandas invasivas.
Obrigado por ler este artigo! Se inscreva

Por PolitikBr I Brasília, Em 09/09/2025, 19h:49, Leitura: 3 min

Moraes, meticuloso, organizou cada crime em “atos executórios”, apresentou documentos, depoimentos e argumentos que não deixam dúvidas: o golpe foi planejado, tentado e só não se consumou pela resiliência das instituições. O Brasil, que tantas vezes titubeou diante dos golpistas do passado, lava a alma agora nesse novo tempo — um país que pune o ataque à democracia e rechaça a cultura do perdão. E claro, não poderíamos esperar menos. Em Brasília houve atos de vandalismo, destruição e fogo em alguns pontos. Uma reedição medíocre do que se tentou no 08 de janeiro de 2023.

Mas, enquanto o STF trabalha à luz do dia, a sombra da chantagem internacional aparece dos EUA. Donald Trump, sempre ele; em busca de manter influência sobre apoiadores da extrema-direita, declara abertamente que “poderá usar ação militar” para impedir a prisão de Bolsonaro, um revival da retórica intervencionista de Washington, já direcionada ao Brasil em 1964, agora de novo ao Brasil de 2025, à Venezuela, ao Panamá, ao Canadá e à Groenlândia. Só que o mundo é outro. Como declarou Lula: O mundo não precisa de um imperador. Muito menos de um obtuso e abusivo topetudo cor de abóbora. Desta vez, ainda, a China e a Rússia imediatamente se pronunciaram em defesa da soberania brasileira e se associaram, nos bastidores e na diplomacia aberta, à posição de Lula: o Brasil é peça-chave dos BRICS e não aceita ameaça de força militar estrangeira. Veja só o abismo em que Trump está conduzindo os EUA, e a todos nós.

Lula, incisivo, responde sem titubear: “O processo judicial é competência da Justiça Brasileira. Não aceitamos tutela nem ingerência.” Os EUA, cada vez isolados e em declínio de influência, se debatem em suas incongruências e se deparam agora não com uma América Latina submissa, mas com um bloco global cada vez mais coeso e disposto a dar resposta à altura às chantagens. Se em 64 a Quarta Frota americana selou o destino da democracia brasileira, em 2025, a China, a Rússia e as grandes economias do Sul global estão do lado da soberania nacional e da democracia.

Trump, em vez de salvar Bolsonaro, só agrava sua situação e aproxima o Brasil dos verdadeiros parceiros do século XXI. O STF marca sua independência e o Brasil não se curva.