O dia da Pátria e o clamor por justiça: sem anistia

“Quem pede anistia antes de ser condenado já admite a própria culpa.” (Lula)

No 7 de setembro de 2025, o sentimento predominante nas ruas e nos palcos foi de repúdio ao projeto de anistia à Bolsonaro e à tentativa de reescrever a história do golpe de 8 de janeiro.

Este site é livre de propagandas invasivas.
Obrigado por ler este artigo! Se inscreva

PolitikBr é uma mídia independente. Sem lado. Informar não é “torcida”. Não é distorcer, manipular ou mentir.

Por PolitikBr I Brasília, Em 09/09/2025, 06h:35, Leitura: 2 min

Sem anistia: The Town 2025

Manifestações promovidas por artistas no The Town e por movimentos populares entoaram, para multidões e câmeras, a palavra de ordem “sem anistia”, e pesquisas recentes apontam que a maioria da população apoia o STF no julgamento dos réus golpistas, bem como nas medidas de prisão domiciliar impostas ao ex-presidente — que, emblematicamente, mantém-se em silêncio, sem coragem para enfrentar a maré da opinião pública.

O público do The Town 2025 é estimado em cerca de 100 mil pessoas por dia, com programação entre 06 e 14 de setembro, no Autódromo de Interlagos, em São Paulo. A expectativa oficial é atingir cerca de 600 mil pessoas no público total.

O contraste entre as duas mobilizações é flagrante: do lado da extrema direita (bolsonarismo), “anistia já” e palavras de ordem contra o Supremo, com uma gigantesca bandeira dos EUA em negação ao verde-amarelo pátrio, símbolo maior da submissão, da vassalagem e do viralatismo dessa gente que se acha “patriota”. Já nos atos da esquerda e progressistas, o patriotismo e o respeito à democracia ganharam o centro; não se pediu atalho, mas justiça. O público não só rejeita a anistia como lembrou Lula: “Quem pede anistia antes de ser condenado já admite a própria culpa.” E Bolsonaro, isolado e monitorado, permanece mudo, porque toda declaração seria autoincriminatória, e cada novo ato só evidencia sua irrelevância e seu temor ao veredicto popular e judicial.

A postura do STF, defendida publicamente por ministros como Barroso e Gilmar Mendes, também reforça o sentimento coletivo: os julgamentos têm sido “à luz do dia”, transparentes e com direito de defesa assegurado. Quando governadores aliados do bolsonarismo, como Tarcísio, recorrem ao discurso de “perseguição”, apenas ampliam a percepção de que a direita busca blindagem antecipada — e não justiça efetiva para quem liderou ou colaborou com tentativas de golpe.

A raiz da questão é profunda: setores que projetam sua derrota no campo jurídico querem se salvar no tapetão da anistia. Mas nem a indignação da classe artística, nem o compromisso dos movimentos democráticos, nem a lucidez que invade o próprio eleitorado parecem dispostos a entregar a história à impunidade. O dia da Pátria, em 2025, cravou a palavra de ordem: no Brasil, o crime contra a democracia não passará em branco.