Da série Ministro André Mendonça, o “terrivelmente evangélico”.
Nesse artigo, segundo o articulista Alex Solnik, do Jornal Brasil 247
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Por PolitikBr I Brasília, Em 06/09/2026, 07h:45min, leitura: 9min
Editor: Rocha, J.C.

Essa é uma análise documental. Para visualizar “o todo” recomendamos a leitura dos demais artigos e publicações relacionadas, que se somam ao tema de hoje. Boa leitura.
O feitiço virou contra o feiticeiro. O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, tentou usar o inquérito do Banco Master para atingir o colega e ministro Alexandre de Moraes — e acabou se tornando alvo da própria armadilha.
Em 3 de setembro de 2026, Moraes encaminhou ao presidente do STF, Edson Fachin, um pedido formal de investigação contra Mendonça, apontando a existência de “fortes indícios” de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade em relação à André Mendonça. A acusação central: Mendonça teria agido por “motivos políticos” para favorecer o seu próprio grupo, direcionando investigações contra Moraes, o presidente do Senado Davi Alcolumbre e o filho do presidente Lula, Lulinha.
O erro capital de Mendonça foi não seguir o rito processual. Enquanto Moraes pediu à Fachin que abrisse uma investigação — o procedimento correto —, Mendonça simplesmente a abriu por conta própria, determinando que agentes da PF lotados em seu gabinete produzissem um relatório contra o colega.
Em razão da exorbitância de André Mendonça em usar o “aparato policial” contra os opositores, agindo como investigador e juiz, o Ministro Gilmar Mendes – STF- está propondo aos seus pares que o regimento interno do tribunal proíba a permanência de policiais e de militares, nos gabinetes dos ministros.
O ditado popular se aplica com precisão ao caso, segundo Alex Solnik: “macaco velho não mete a mão em cumbuca”. Mendonça, novato no STF, e na política de alto nível, meteu a mão na cumbuca de Alexandre de Moraes — e agora corre o risco de virar personagem de outro velho provérbio: “quem com ferro fere, com ferro será ferido”.
Os fatos
O erro de principiante
André Mendonça é um novato — tanto na vida política, quanto no STF. E agiu como tal. Ao invés de seguir o rito processual e pedir ao presidente da Corte autorização para investigar Moraes, Mendonça simplesmente abriu a investigação por conta própria. E por quê ele agiu dessa forma? Porque simplesmente a corte não iria permitir que um ministro investigasse um outro. Investigação – um ato policial – caberia, nesse caso à PGR, por proposição do colegiado do STF. E parece que esse não é o caso. Afinal, não somente Alexandre de Moraes – segundo relatos da imprensa – manteve algum tipo de contato com o banqueiro preso Daniel Vorcaro, mas também outros magistrados teriam algum tipo de relação, direta ou indiretamente. Além do próprio André Mendonça, que se descobriu ter tido, o que se chamou de um “encontro secreto” com Vorcaro no Instituto Inter, que ele próprio fundou – O Ministro “Terrivelmente Evangélico” e o Estado Policial Paralelo
O que se sabe agora é que o relatório da Polícia Federal com mensagens de Daniel Vorcaro envolvendo Moraes não chegou às mãos de Mendonça por acaso. Agentes da PF que trabalham em seu gabinete teriam produzido o material a pedido dele. “Ele falou pra eles: ‘Ó, procura aí o que tem aí contra o meu colega Alexandre de Moraes’”, resume a análise.
Em outras palavras: Mendonça virou chefe da Polícia Federal. Mandou preparar o relatório.
O contra-ataque de Moraes
Dois dias depois de Mendonça pedir à Fachin que levasse ao plenário um pedido de investigação contra Moraes, o ministro-alvo revidou com força total.
Na noite de 3 de setembro de 2026, Alexandre de Moraes enviou à Fachin um pedido formal para investigar Mendonça no âmbito do inquérito das fake news. Na petição, Moraes acusa o colega de:
- Improbidade administrativa
- Abuso de autoridade
- Crime de responsabilidade (passível de impeachment)
- Quebra da “imparcialidade judicial”
- Favorecimento a “determinados grupos políticos”
- Usurpação da direção das investigações das autoridades policiais
Moraes ainda retirou o sigilo de relatórios da inteligência da PF, que detalham as supostas condutas irregulares de Mendonça.
No frigir dos ovos, uma bagunça total criada por André Mendonça.
A diferença que muda tudo
A grande diferença entre os dois ministros está no método:
- Mendonça abriu a investigação por conta própria, sem autorização de Fachin, assumindo uma “identidade policial”, ao arrepio das suas atribuições como magistrado
- Moraes fez o correto: pediu ao presidente do STF que abrisse a investigação.
Essa diferença processual é o que pode derrubar Mendonça. Ele não seguiu as regras. Agiu como se fosse o dono do processo. E agora paga o preço.
A blindagem de aliados e a caça aos inimigos
Os relatórios da PF citados por Moraes revelam um padrão perturbador: Mendonça aplicou critérios distintos conforme o espectro político do alvo.
Enquanto perseguia Moraes, Alcolumbre e Lulinha — este último sem “lastro probatório” para vinculá-lo aos crimes investigados —, Mendonça poupou aliados como Dias Toffoli e Nunes Marques, ambos com relações documentadas com Vorcaro.
O relatório da PF é taxativo: Mendonça exerceu “poderes típicos de presidência da investigação, e não de supervisão judicial”.
A análise de Alex Solnik (Brasil 247)
O jornalista Alex Solnik, do Brasil 247, resumiu a situação com precisão:
“Por ser novo, tanto na vida quanto no STF, André Mendonça não atentou para o conhecido provérbio ‘macaco velho não mete a mão em cumbuca’. Ao meter a mão na cumbuca de Alexandre de Moraes, meteu os pés pelas mãos e corre o risco de virar personagem de outro velho provérbio: ‘quem com ferro fere, com ferro será ferido’.”
Para Solnik, o que para leigos foi “meter os pés pelas mãos”, no mundo jurídico constitui indícios de crimes — improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade.
O colunista destaca ainda que, já pressentindo que a maré virou contra ele, Mendonça anunciou seu afastamento do ITER — o instituto de cursos com o qual vinha fazendo um “polpudo pé-de-meia” em contratos com governos estaduais – R$ 10,7 milhões recebidos de convênios com o setor público, 90% deles formalizados sem licitação. É muito dinheiro, diga-se de passagem.
Mendonça abriu a “caixa de Pandora”, que agora recai justamente sobre ele. As consequências, tanto para ele quanto para o seu desafeto predileto – Alexandre de Moraes – são imprevisíveis. Pode ocorrer mesmo que, para extirpar o mal pela raíz, ambos acabem impedidos. Aliás, Davi Alcolumbre, presidente do Senado, já sinalizou isso: se for aberto um pedido de “impeachment” será para os dois ministros, não somente para um. E os demais? Dias Toffoli e Nunes Marques, como seria o caso deles? Ficaria o dito pelo não dito?
E Solnik conclui: “Quem está rindo por último é Alexandre de Moraes.” Será mesmo?
Os desdobramentos
Fachin toma as rédeas
O presidente do STF, Edson Fachin, decidiu retirar o pedido de Moraes contra Mendonça do âmbito do inquérito das fake news. Ele determinou que o caso tramite em uma investigação separada.
Fachin ainda deu um prazo de cinco dias para que Moraes, Mendonça, a PGR e a PF prestem esclarecimentos. Uma tática para deixar os ânimos esfriarem. O correto, aliás.
A guerra no plenário
A crise colocou no centro da disputa três ministros cujos votos serão decisivos: Cármen Lúcia, Kássio Nunes Marques e Dias Toffoli. A decisão sobre quem será investigado — e eventualmente punido — caberá ao plenário do STF.
Onde Estamos
A história é antiga, mas sempre atual: quem trama contra o outro com armas ilegítimas, acaba sendo ferido pelas próprias armas.
André Mendonça tentou usar o poder do Judiciário como instrumento de vingança política contra Alexandre de Moraes. Determinou a produção de provas sob medida, direcionou investigações contra inimigos, blindou aliados — e violou a lei no processo, segundo as acusações de Moraes.
Agora, o “terrivelmente evangélico” enfrenta o que talvez seja o dia mais desafiador de sua vida no STF. O feitiço virou contra o feiticeiro. E o ditado se cumpre: quem com ferro fere, com ferro será ferido.
Quer saber mais? Leia a matéria completa e o vídeo original no YouTube: QUEM COM FERRO FERE – MENDONÇA x MORAES: GUERRA NO STF
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Referências Utilizadas
- Brasil 247 – Alex Solnik (2026): O feitiço virou contra o feiticeiro
- Gazeta do Povo (2026): Moraes pede investigação de Mendonça e aprofunda guerra no STF
- Gazeta do Povo (2026): Moraes deflagra guerra interna no STF contra Mendonça
- BBC News Brasil (2026): Moraes acusa Mendonça de agir por ‘motivos políticos’ e pede que colega de STF seja investigado
- BBC News Brasil (2026): Analistas sobre crise sem precedentes e enraizada no STF
- G1 (2026): Moraes pede que Mendonça seja investigado e cita ‘fortes indícios’ de abuso de autoridade e crime de responsabilidade
- G1 (2026): André Mendonça não pretende deixar relatoria do caso Master
- Agência Brasil (2026): Moraes encaminha a Fachin pedido de investigação contra Mendonça
- YouTube (2026): QUEM COM FERRO FERE – MENDONÇA x MORAES: GUERRA NO STF

