André Mendonça – O Terrivelmente Evangélico: Antecedentes e as “Jogadas de Vorcaro”

Da série Ministro André Mendonça, o “terrivelmente evangélico”.

Nesse artigo, segundo Luís Nassif – Jornal GGN

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Por PolitikBr I Brasília, Em 05/09/2026, 16h:41min, leitura: 7min

Editor: Rocha, J.C.

Essa é uma análise documental. Para visualizar “o todo” recomendamos a leitura dos demais artigos e publicações relacionadas, que se somam ao tema de hoje. Boa leitura.

O encontro secreto

Em 14 de março de 2025, André Mendonça recebeu Daniel Vorcaro – o banqueiro preso por corrupção, que lesou o público em mais de R$ 12 bilhões na sede do Instituto ITER, em São Paulo. O encontro, que durou cerca de duas horas, foi articulado pelo advogado Ciro Rocha Soares e pelo deputado Cezinha de Madureira (PL-SP). Em áudios revelados, o advogado diz a Vorcaro: 

“Fala, Vorcarinho, trabalhando por você! Levei o André lá no Vasco agora, pra fazer um terno”.

Mendonça admite o encontro, mas afirma que foi “uma única vez”, e que se limitou a ouvir o banqueiro sobre um processo de precatórios. A defesa, no entanto, soa frágil: por que tratar de um processo do STF na sede de um instituto particular? Em que o ministro e a esposa eram cotistas? – André Mendonça e esposa deixaram o negócio pouco tempo depois dele ser acusado de enriquecimento por conta do Instituto, em que recebeu mais de R$ 10,7 milhões via contratos públicos, 90% desses contratos com dispensa de licitação– Ele poderia ter recebido Vorcaro em seu gabinete oficial. Por quê não o fez?

As 37 notas fiscais

O ITER, instituto de cursos jurídicos fundado por Mendonça, emitiu 37 notas fiscais para clientes privados entre 11 e 14 de março de 2025. A cronologia é reveladora:

  • 11 de março: Nota Fiscal nº 189
  • 14 de março: Encontro com Vorcaro + Nota Fiscal nº 226

Em três dias, foram 37 notas fiscais — um volume atípico que levanta perguntas sobre quem eram esses clientes, e se há alguma relação com o banqueiro ou com o escândalo do Banco Master.

O pânico e a tentativa de apagar os rastros

Quando a reportagem de Paulo Motoryn veio a público, Mendonça entrou em pânico. Em 2 de setembro de 2026, confirmou o encontro e, no mesmo dia, anunciou que deixaria a sociedade do ITER. Depois, apresentou duas notas fiscais de uma alfaiataria de luxo, totalizando R$ 26.430, para negar que tivesse recebido ternos de presente.

O ministro também gravou um vídeo para líderes evangélicos, agradecendo orações e apoio. O movimento resgatou a imagem do “terrivelmente evangélico” e transformou o ministro em ícone da direita bolsonarista.

Há acusações, que parecem mais que justificadas, que André Mendonça, o ministro do STF indicado ao cargo pelo ex-presidente, e condenado a 27 anos e 03 meses de prisão, Jair Bolsonaro, venha conduzindo, tanto o inquérito do INSS quanto o do banco Master, para favorecer o candidato da extrema direita Flávio Bolsonaro – que recebeu ao menos R$ 70 milhões de Vorcaro para, supostamente, financiar o filme Dark Horse. Apesar de todas as evidências, até hoje o ministro nada fez contra Flávio, Mas, ao contrário do tratamento dado à Flávio, ele autorizou busca de apreensão de adversários políticos aliados de Lula, como Jaques Wagner. Dois pesos e duas medidas? É o que parece. A regra para um não vale para todos?

O ataque a Moraes e a crise no STF

Mendonça, que é relator do inquérito sobre as fraudes do Banco Master no STF, retirou o sigilo de investigações que envolviam conversas entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes. A tentativa era clara: envolver Moraes no escândalo. Com que fins? Já se sabe que ele agiu ao arrepio da lei, e que as investigações que ele conduziu como polícia, e não como magistrado, tinham alvos certos. Por essas e outras já se articula o impeachment do “terrivelmente evangélico”.

A estratégia, no entanto, gerou uma crise sem precedentes no STF. Moraes acusou Mendonça de abuso de poder e pediu sua inclusão no inquérito das fake news. O presidente do STF, Edson Fachin, retirou Mendonça do inquérito de Moraes e deu prazo para ambos se explicarem.

A análise de Nassif

Segundo Luís Nassif, do GGN, as “jogadas de Vorcaro” revelam um padrão: Mendonça montou uma carreira burocrática na AGU, sempre se cercando de pessoas influentes, e deu uma “tacada muito alta” ao tentar implodir o sistema de justiça, a pouco mais de um mês das eleições de 2026. A intenção, diz Nassif, é geopolítica: uma guerra híbrida entre o bolsonarismo e Trump para “bagunçar” as eleições brasileiras.

O silêncio da grande mídia

Nassif também critica o silêncio dos grandes jornais. Enquanto O Globo – que faz um “jornalismo de guerra” contra Lula-, a Folha e o Estadão deram pouca relevância ao escândalo; a cobertura se concentrou em ataques a Moraes e Gilmar Mendes. Para Nassif, os jornalões estão “totalmente à reboque do Departamento de Estado americano” e alinhados com a agenda de implodir a democracia brasileira. Parece até que Mendonça seria um tipo de “cavalo de Tróia”, plantado no STF para tentar destruir a principal instituição republicana brasileira. Mas com que intenção? Parece mais que óbvio.

Conclusão

O caso André Mendonça é um capítulo sombrio da política brasileira. Um ministro do STF que usa o seu cargo para atacar adversários, mantém negócios particulares com um banqueiro preso por fraude financeira e, quando descoberto, recorre ao pânico e à fé para se proteger. A pergunta que fica é: até onde vai a blindagem do “terrivelmente evangélico”?

Quer saber mais? Leia a matéria completa e o vídeo original no YouTube: AS JOGADAS DE VORCARO COM ANDRÉ MENDONÇA

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