O Ministro “Terrivelmente Evangélico” e o Estado Policial Paralelo

Da série Ministro André Mendonça, o “terrivelmente evangélico”.

Nesse artigo, segundo o jornalista Reinaldo Azevedo.

Rapidinha PolitikBr

Este site é uma mídia não atrelada e nem é financiada por qualquer corporação ou grupo.
Obrigado por ler este artigo! Se inscreva. Isso nos ajuda a entender a relevânca desse trabalho.

Internacional, Nacional, Política, Economia, Geopolítica

PolitikBr é uma mídia independente. Informar não é “torcida”. Não é distorcer, manipular ou mentir.

As pessoas. Talvez você, queira, como eu, entender o mundo em que vive. E é isso que o PolitikBr oferece. Conectar fatos, em uma “linha do tempo”: Uma cartografia documental do presente. Venha conosco! Subscreva o nosso conteúdo.

Dedicado à Verdade e à Paz.

Por PolitikBr I Brasília, Em 05/09/2026, 18h:00min, leitura: 8min

Editor: Rocha, J.C.

Essa é uma análise documental. Para visualizar “o todo” recomendamos a leitura dos demais artigos e publicações relacionadas, que se somam ao tema de hoje. Boa leitura.

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, está no centro de uma crise institucional que expõe, em detalhes, o seu modus operandi como relator dos Inquéritos Sem Desconto (INSS) e Compliance Zero (Banco Master).

Relatórios de inteligência da Polícia Federal, obtidos e tornados públicos pelo ministro Alexandre de Moraes, revelam que Mendonça agiu como verdadeiro militante político, direcionando investigações contra os adversários — incluindo Moraes, o senador Davi Alcolumbre e o filho do presidente Lula, Lulinha — enquanto blindava aliados como Dias Toffoli e Nunes Marques.

Os documentos, produzidos entre 3 e 31 de agosto de 2026, apontam que Mendonça usurpou funções típicas da polícia, determinou investigações “sem autorização específica” e perante juízo incompetente, e aplicou critérios distintos conforme o “espectro político” do alvo. O relatório é taxativo: o ministro atuou como “julgador e como investigador”, violando a separação entre supervisão judicial e condução da investigação.

O que se vê é um ministro que, segundo a própria PF, transformou o tribunal em campo de batalha político, mirando inimigos e poupando aliados — uma conduta que configura abuso de autoridade e crime de responsabilidade, segundo vários juristas.

Os fatos

O direcionamento contra Moraes: “O relator indagou expressamente”

O ponto central dos relatórios é a investigação direcionada contra o MinistroAlexandre de Moraes. Segundo a PF, Mendonça sabia que Moraes seria atingido pelas buscas determinadas por ele no celular de Daniel Vorcaro. O documento registra: “O relator indagou expressamente sobre o que constava, quanto àquele ministro, nos dados extraídos do aparelho celular de Daniel Bueno Vorcaro”.

A PF avalia com “confiança moderada” que Mendonça “já tinha conhecimento de que aquele ator seria alcançado pela pesquisa determinada”. Mais grave: a ordem de Mendonça para que a PF fornecesse “a íntegra de todas as mensagens e interações existentes” envolvendo os nomes encontrados foi classificada pela corporação como “ato de investigação de alcance amplo, dirigido à pessoas determinadas, produzido sem autorização específica e perante juízo que, quanto a duas delas, não detém a competência”.

Em reunião de 24 de agosto de 2026, Mendonça convocou investigadores em seu gabinete e entregou-lhes uma decisão sem assinatura — prática atípica que, segundo a PF, “impede a aferição imediata de autenticidade e de conteúdo definitivo”. O formato exigido para o material, ainda segundo os relatórios, permitiria a Mendonça “selecionar, suprimir ou manipular documentação”.

Alcolumbre: “Provável alvo estratégico”

Davi Alcolumbre, presidente do Senado, também foi alvo preferencial de Mendonça. A PF avalia que o senador “constitui provável alvo estratégico, considerada a sua força política, o favoritismo para manter-se na presidência do Senado Federal, e o consequente controle da pauta daquela Casa, notadamente quanto ao processamento de pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal”.

O motivo, segundo o relatório, é político: Mendonça “possa enxergar em Antonio Rueda rota de acesso à Alcolumbre, com quem manteve desavença conhecida por ocasião de sua própria indicação ao Tribunal”. Em outras palavras: Mendonça usou a investigação para atingir Alcolumbre por meio de Rueda, em um claro movimento de retaliação política.

Lulinha: “Sem lastro probatório”

O filho do presidente Lula, Fábio Luís Lula da Silva (Lulinha), é alvo de três inquéritos conduzidos por Mendonça. A PF, porém, afirma que não há “indícios de que ele esteja diretamente envolvido nas condutas relativas aos descontos associativos fraudulentos dos aposentados”. O relatório reconhece que a peça dedica espaço à Lulinha “admitindo não haver lastro para vinculá-lo”. Então, por quê o ministro “terrivelmente evangélico” investiga Lulinha, já que a PF não vê motivo? Além do mais, os vazamentos de informações dos inquéritos envolvendo Lulinha são frequentes. Quem e com que intenção essas informações são vazadas?

A crítica da PF envolve ainda o tratamento dado à Lulinha, com o dado à Antônio Carlos Magalhães Neto (ACM Neto), do União Brasil. Segundo o documento, “a situação fática apurada quanto a ele guarda similaridade relevante com a de Fábio Luís Lula da Silva, o que sugere a adoção de standards probatórios distintos conforme o espectro político da pessoa envolvida nos fatos”. Enquanto Lulinha é alvo de múltiplos inquéritos sem provas concretas, ACM Neto, que recebeu R$ 3,6 milhões do Banco Master, foi tratado com leniência.

Vamos lembrar ainda que Flávio Bolsonaro e os milhões de “Dark Horse” continua sendo poupado de investigação pelo “terrivelmente evangélico” – André Mendonça – O Terrivelmente Evangélico: Antecedentes e as “Jogadas de Vorcaro”

A assimetria política: blindagem de aliados

Os relatórios documentam um padrão claro de tratamento diferenciado. Mendonça adotou posturas distintas diante de ilícitos aparentes envolvendo os ministros Dias Toffoli e Nunes Marques — ambos com relações documentadas com Vorcaro — enquanto perseguia Moraes, Alcolumbre e Lulinha. A PF aponta que essa estratégia poderia ser interpretada como “recomposição de forças no tribunal”. E isso é realmente muito grave.

Em reunião presencial de 13 de agosto, Mendonça considerou que ACM Neto “aparentaria estar exercendo atividade de representação de interesses dentro dos limites do permitido”. Em contraste, determinou o desmembramento da investigação de Antônio Rueda — uma decisão que, segundo a PF, visava abrir um canal com Rueda para atingir Alcolumbre.

O “estado policial paralelo”

O relatório da PF descreve um cenário alarmante: Mendonça exerceu “poderes típicos de presidência da investigação, e não de supervisão judicial”. Documentos foram tornados públicos “sem a supervisão do delegado”, e “a inferência bruta de analistas ingressou nos autos, sem filtro e sem validação da autoridade”. A PF foi categórica: isso configura um “estado policial paralelo”.

A análise de Reinaldo Azevedo

O jornalista Reinaldo Azevedo, que teve acesso em primeira mão à decisão de Moraes, afirmou que não concede á Mendonça “licença para atuar fora da lei”. Para Azevedo, a conduta do ministro representa uma “mutação investigativa” do lavajatismo, na qual o julgador se torna acusador, e a lei é subvertida em nome de uma agenda política.

Azevedo também criticou a grande mídia, que, segundo ele, tem atuado com equívoco ao pedir a saída de Moraes “sem enfrentar a legalidade da conduta do relator do caso Banco Master”. O silêncio dos grandes jornais sobre os relatórios da PF, argumenta o jornalista, revela um alinhamento com a agenda de desestabilização democrática.

Conclusão

Os relatórios da PF desnudam a atuação de André Mendonça como relator: um ministro que transformou a supervisão judicial em arma política, perseguindo adversários, blindando aliados e violando a lei. A PF foi clara: Mendonça atuou como “julgador e como investigador”, determinou ações “sem autorização específica” e aplicou “padrões probatórios distintos conforme o espectro político”.

A pergunta que fica é: até onde vai a impunidade do “terrivelmente evangélico”? E, mais importante: o que o STF fará para impedir que um de seus ministros continue a usar o tribunal como instrumento de vingança política?

Quer saber mais? Leia a matéria completa e o vídeo original no YouTube: Reinaldo – Relatórios da PF mostram alvos prévios de Mendonça: Moraes, Lulinha, Alcolumbre e Andrei

Outros artigos do PolitikBr correlacionados:

Agradecimento

O PolitikBr vem sendo acessado e lido a partir de dezenas de países — talvez o seu. Agradecemos aos leitores dos Estados Unidos, Japão, Brasil, Israel, China, Irã, Rússia, Canadá, Polônia, Reino Unido, e de tantos outros países que nos acompanham. Seguimos dedicados à verdade e à paz, em todos os idiomas.

O desafio do PolitikBr é crescer. Se tornar mais útil na proposta de “levar a verdade”, na nossa perspectiva, de forma independente, a mais pessoas. Para tal, precisamos da sua ajuda para cobrir os custos de nosso trabalho. Em breve, iniciaremos uma cobrança simbólica pela leitura completa de nosso conteúdo. Você continuará tendo grátis o briefing de cada análise que realizarmos.

Referências Utilizadas

Deixe um comentário