Da série Ministro André Mendonça, o “terrivelmente evangélico”.
Nesse artigo, segundo os articulistas Joaquim de Carvalho e Reinaldo Azevedo.
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Por PolitikBr I Brasília, Em 06/09/2026, 16h:32min, leitura: 11min
Editor: Rocha, J.C.

Essa é uma análise documental. Para visualizar “o todo” recomendamos a leitura dos demais artigos e publicações relacionadas, que se somam ao tema de hoje. Boa leitura.
O empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”, operador financeiro de Daniel Vorcaro, fechou um acordo de colaboração premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR) em 8 de agosto de 2026. Em sua delação, ele revelou ter movimentado cerca de R$ 1,3 bilhão (US$ 260 milhões) para Vorcaro entre 2020 e 2025, com valores entregues, em malas, de R$ 1 milhão à 1,5 milhão.
O ponto central da delação: os repasses milionários ao Havengate Development Fund, fundo sediado no Texas, que financiou (?!) o filme “Dark Horse” sobre Jair Bolsonaro. Um documentário chinfrim, com um orçamento digno de grandes produções hollywoodianas, o que levantou suspeitas de lavagem de dinheiro, e outros crimes associados.
Os recursos foram enviados ao Havengate à pedido do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) , que negociou com Vorcaro um aporte total de US$ 24 milhões (R$ 134 milhões), recebidos parcialmente, já que Vorcaro foi preso antes que se integralizasse todo o “pagamento”. O fundo é administrado por Paulo Calixto, advogado ligado ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro, condenado pela justiça brasileira e foragido nos Estados Unidos.

Agora, o futuro da homologação pelo STF da delação está nas mãos do ministro André Mendonça, relator do caso. A pergunta que ecoa nos corredores do poder: Mendonça protegerá Flávio Bolsonaro ou deixará a Justiça seguir o seu curso?
Hoje o Jornal O Estado de Minas publicou: Decisão de André Mendonça no STF define o futuro da delação que abala Minas – Relator do processo analisa os anexos do operador mineiro e pode homologar o acordo nas próximas semanas sem um prazo regimental fixado.
Vamos ver se o ministro agora resolve investigar as relações dos Bolsonaro´s com Vorcaro, e não só àqueles que são do campo adversário político.
Os fatos
A delação de “Mineiro”: malas de dinheiro e R$ 1,3 bilhão
Antônio Carlos Freixo Júnior, dono da Entre Investimentos e Participações – serão essas as elites tão faladas e admiradas? – , firmou colaboração premiada com a Procuradoria Geral da República (PGR) e revelou detalhes estarrecedores sobre a operação financeira de Daniel Vorcaro.
Segundo o empresário, a sua função era “gerar” dinheiro vivo para Vorcaro, entregando os valores em malas contendo entre R$ 1 milhão à 1,5 milhão ao banqueiro. Os destinatários eram Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, ou os motoristas dos dois. O empresário disse às autoridades que os valores eram “solicitados, provavelmente, para pagamento de comissões e vantagens indevidas”.
O pedido de Flávio Bolsonaro e o destino dos recursos
A delação aponta que os repasses ao Havengate Development Fund foram feitos por ordem de Vorcaro, que por sua vez teria sido acionado pelo senador Flávio Bolsonaro.
O senador e candidato à Presidência negociou com Vorcaro um financiamento de US$ 24 milhões (cerca de R$ 134 milhões ) para o filme “Dark Horse”.
Entre fevereiro e maio de 2025, Vorcaro enviou cerca de R$ 60 milhões para a produção cinematográfica. Mas agora se sabe que o volume foi maior. Houve mais dois repasses. Estamos falando de mais de R$ 70 milhões.
Flavio Bolsonaro – que prometeu revelar, e não revelou, como foram gastos os, primeiros, R$ 61 milhões, e agora mais de R$ 70 milhões – diz: “Dá um google” ou algo como “isso é página virada”. E ele quer ser presidente da república.
Você leitor americano, inglês, Japonês, ou de qualquer outra nacionalidade, e que nos acompanha, aceitaria isso? Tentar fazer a cidadão de idiota?
E, por mais esdrúxulo que possa parecer, Flávio ainda clama pelo impeachment do Ministro Alexandre de Moraes, isso pelo ministro ter tido conversas – pelo que se noticia – com o banqueiro preso, e que produziu um rombo de mais de R$ 12 bilhões furtando de aposentados e pensionistas, via esquemas ilegais. O clamor de Flávio chega ser ridículo.
Paulo Calixto e a conexão com Eduardo Bolsonaro
O Havengate Development Fund é administrado por Paulo Calixto, advogado ligado ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro. Calixto atua como advogado de imigração e representa Eduardo nos Estados Unidos.
As autoridades investigam se parte dos recursos pode ter sido destinada para bancar Eduardo Bolsonaro no Texas, lhe dar vida boa e à família.
Ele não possui emprego formal registrado nos Estados Unidos, atuando – alegação dele – principalmente em articulações políticas e lobby internacional (ele recolhe algum tributo ao fisco americano?).
Ele ainda declarou publicamente que se sustenta com recursos privados, o que inclui uma transferência de R$ 2 milhões enviada por seu pai, por meio de uma campanha de doações via Pix, em maio de 2025.
A verdade é que Eduardo Bolsonaro, assim como todos os Bolsonaro´s, vive no luxo, em uma mansão alugada pelo valor de R$ 30.000,00 mensais.
Sobre ter recebido dinheiro ilícito, o ex-deputado nega ter recebido os repasses. Aliás, seria ingenuidade imaginar que ele dissesse: Sim, eu recebi essa dinheirama toda pra viver no “bem bom” aqui no Texas.
O papel de André Mendonça: juiz e parte interessada
O acordo de delação de Freixo foi enviado ao ministro André Mendonça, relator do caso Master e do inquérito do INSS. Cabe a ele decidir se homologa a colaboração.
O problema é que Mendonça se reuniu com Daniel Vorcaro em março de 2025 na sede do ITER, instituto de cursos do ministro. Para o professor de Direito Constitucional da PUC-SP, Pedro Serrano, isso impediria Mendonça de prosseguir como relator.
O contraste com Dias Toffoli
A situação expõe um contraste gritante com a conduta do ministro Dias Toffoli. Quando a PF encontrou menções ao seu nome no celular de Vorcaro, Toffoli pediu para deixar a relatoria do caso. O processo foi redistribuído para Mendonça em fevereiro de 2026.
Mendonça, porém, se recusa a fazer o mesmo. Apesar de sugestões nos bastidores da Corte, o ministro afirmou que não vê motivos para deixar a relatoria. A transferência dependeria de sua renúncia voluntária — o que ele não indica fazer.
O que está em jogo
A delação de “Mineiro” pode:
- Implodir a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência
- Revelar o destino dos R$ 70 milhões negociados com Vorcaro
- Expor Eduardo Bolsonaro como beneficiário dos recursos nos EUA
- Confirmar o uso de métodos “não ortodoxos” (leia-se: ilegais) para enviar dinheiro ao exterior
As análises
Reinaldo Azevedo: “Se Mendonça quiser que a coisa avance, ele pode aceitar”
O jornalista Reinaldo Azevedo destacou a importância do fato de a PGR ter aceitado a delação. Pela Lei 12.850 (Lei das Delações), para que se faça um acordo, o delator precisa esclarecer como funciona a organização criminosa, trazer elementos novos à investigação e apresentar indícios de prova.
“Se a PGR aceitou a delação, é um sinal de que ele apontou elementos que permitem chegar à organização criminosa, e apresentou indícios de prova”, analisou Azevedo.
O jornalista alertou, porém, para o risco de Mendonça engavetar a delação para proteger Flávio Bolsonaro. Na segunda turma do STF, Mendonça teria o apoio de Fux e Nunes Marques — ambos com votações alinhadas ao ministro.
Joaquim de Carvalho: “Mendonça não tem outra saída a não ser homologar”
Joaquim de Carvalho, do Brasil 247, foi mais enfático:
“André Mendonça não tem outra saída a não ser homologar”, disse Joaquim.
Segundo Joaquim de Carvalho, Mendonça não pode negociar a delação — o que ele tem que fazer é verificar se os requisitos legais foram atendidos.
“Não vai ser um juiz que vai deixar de homologar. Só que a grande questão é: ele vai tentar segurar essa delação para que ela seja revelada só depois da eleição, porque o objetivo dele é eleger o Flávio, claro que é”.
Carvalho também faz um alerta importante:
“Essa delação arrebenta o Flávio. É isso que precisa ser dito. Não é defender o Alexandre de Moraes, é mostrar que o Flávio Bolsonaro é ladrão”
É uma acusação das mais fortes. E quem a faz é um dos jornalistas mais respeitados e valentes do Brasil.
O que Mendonça pode fazer
Cenário 1: Homologar a delação
Se Mendonça homologar, a investigação avança. Os detalhes do esquema de lavagem de dinheiro vêm a público. Flávio e Eduardo Bolsonaro podem ser formalmente investigados.
Cenário 2: Negar a homologação
Se Mendonça negar, ainda cabe recurso à segunda turma do STF. O problema: na turma estão o próprio Mendonça, Fux (que vota com ele), Nunes Marques (cujo filho tem ligações com o Banco Master) e Gilmar Mendes. Dias Toffoli se declarou impedido.
“Interessa que essa coisa avance ou não interessa?”, perguntou Azevedo.
Cenário 3: Segurar a delação até depois da eleição
Essa é a grande suspeita levantada por Joaquim de Carvalho: Mendonça pode tentar protelar a homologação até as eleições de 2026, garantindo que Flávio Bolsonaro não seja prejudicado.
O que Virá Agora?
André Mendonça está diante de uma escolha que definirá o seu legado no Supremo Tribunal Federal.
De um lado, a lei e a Justiça: uma delação premiada, aceita pela PGR, com indícios robustos de que R$ 70 milhões foram enviados à pedido de Flávio Bolsonaro, para um fundo administrado por um advogado de Eduardo Bolsonaro.
De outro, a lealdade política: Mendonça foi indicado ao STF por Jair Bolsonaro. Tem laços com o bolsonarismo. E, como mostram os relatórios da PF, já demonstrou disposição para usar o inquérito do Banco Master como arma política contra adversários, ao arrepio da lei.
Dias Toffoli, ao menor sinal de conflito de interesses, pediu para sair. Mendonça, que se reuniu com Vorcaro em março de 2025, se recusa a fazer o mesmo. Por quê? Isso, obviamente, enfraquece as posições dele, especialmente se deseja contar com a boa vontade do fiel do balança, que é a ministra Carmen Lúcia, que se diz horrorizada com a contenda entre Mendonça e Moraes.
O ditado é antigo, mas continua atual: quem com ferro fere, com ferro será ferido. Mendonça tentou usar o caso Master para ferir Alexandre de Moraes. Agora, o mesmo caso pode ferir, e até destruir ele e os seus aliados políticos.
A pergunta que fica é: o “terrivelmente evangélico” vai deixar a Justiça seguir o seu curso ou vai usar a toga para proteger o clã Bolsonaro?
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Referências Utilizadas
- Revista Fórum (2026): Em delação, empresário relata entrega de malas de dinheiro a Vorcaro e repasses a fundo do ‘Dark Horse’
- Jornal de Brasília (2026): Mendonça vai avaliar delação de empresário sobre repasses nos EUA
- Congresso em Foco (2026): Dark Horse: PGR fecha delação com empresário ligado a Vorcaro
- SBT News (2026): Mendonça ouvirá delator de repasses para ‘Dark Horse’
- CNN Brasil (2026): Mendonça ouvirá candidato a delator de Dark Horse antes de validar acordo
- TV Pampa (2026): Ministro do Supremo André Mendonça rejeita deixar relatoria do caso Master
- CBN (2026): Fachin avalia internamente o que fazer para conter crise no STF entre Moraes e André Mendonça
- YouTube (2026): Reinaldo – Dark Horse: empresário delata e diz ter movimentado malas de dinheiro
- YouTube (2026): GRANA DE VORCARO PEDIDA POR FLÁVIO FOI ENVIADA AO IRMÃO NOS EUA, APONTA DELATOR | Cortes 247


