Principais entregas deste artigo:
- A definição de “patriota entreguista” e a sua aplicação ao clã Bolsonaro
- O documento de 86 páginas enviado por Flávio Bolsonaro aos EUA
- A oferta de equipe de transição ao governo americano como ato de subordinação
- O artigo 359-K do Código Penal e a possível configuração de crime
- A subordinação do PL à governo estrangeiro como causa de cassação do registro da legenda
- O contexto da decadência americana e a tentativa de transformar a América Latina em “Trumpland”
Internacional, Nacional, Geopolítica, Economia
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Por PolitikBr I Brasília, Em 04/07/2026, 19h:48min, leitura: 11min
Editor: Rocha, J.C.

Essa é uma análise documental. Para visualizar “o todo” recomendamos a leitura dos demais artigos, que se somam ao tema de hoje. Boa leitura.
Lula diz: “Flávio é entreguista”.
Reinaldo Azevedo diz: ” Flávio é entreguista. Ponto”
Paulo Nogueira Batista Jr. diz: “Inventamos o patriota entreguista”
Essas opiniões, em resumo, do Presidente Lula, de Reinaldo e de Paulo Nogueira, mostram a vergonhosa e apátrida submissão de um cara – senador da república – que quer ser presidente do Brasil.
Deus livre o Brasil de gente como essa.
Há algo de profundamente revelador na forma como o Brasil, país que sempre se orgulhou de sua soberania e de sua capacidade de se afirmar no concerto das nações, assiste agora a um espetáculo lamentável: Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República pela extrema direita, viaja aos Estados Unidos, pela sexta vez em seis meses, para oferecer o país em bandeja a um governo estrangeiro. Não se trata de diplomacia, não se trata de comércio, não se trata sequer de alinhamento político. Se trata, nas palavras do economista Paulo Nogueira Batista Jr., ex-diretor do FMI, de uma figura sem precedentes: o “patriota entreguista” .
A expressão define bem o fenômeno que ora se desenrola diante de nossos olhos. Como observou Paulo Nogueira Batista Jr. :
“Nós inventamos uma figura sem precedentes que é o patriota entreguista. Que são esses bolsonaro´s e os seus seguidores” .
A ironia é amarga: aqueles que se apresentam como defensores da pátria, como patriotas, são precisamente os que mais ativamente trabalham para subordiná-la aos interesses estrangeiros.


O Documento e a Submissão
Em abril de 2026, Flávio Bolsonaro enviou um documento de 86 páginas ao Escritório de Representação Comercial dos Estados Unidos (USTR). O conteúdo é estarrecedor: o senador ofereceu vantagens comerciais aos americanos, incluindo a eliminação de tarifas sobre o etanol de milho feito nos EUA – no Piauí está para ser inaugurada uma fábrica brasileira para a produção de etanol de milho -, a redução da carga tributária de empresas de cartão de crédito, e a promessa de aprovar leis para que o PIX não seja conectado à “arranjos de liquidação transfronteiriços não ocidentais” — uma clara referência às relações com a China e à expansão internacional do Pix, que deve ser implantado naquele país. Isto é, uma clara submissão aos interesses estratégicos geoeconômicos dos EUA.
E a submissão vai além se lembrarmos que o Pix é o pilar do BRICS Pay, frequentemente chamado de “Pix do BRICS” ou “Pix Global”; uma solução digital para pagamentos internacionais, que integra os sistemas locais do bloco através de tecnologia blockchain e moedas digitais soberanas; e que assim se torna fator chave na supressão do dólar americano como única moeda de reserva, para as transações comerciais internacionais, abalando, portanto, a dominância dos EUA nos mercados financeiros.
Flávio também sugeriu que, em vez de tarifas generalizadas, o governo americano aplicasse a lei Magnitsky sobre os responsáveis por práticas comerciais contestadas pelos Estados Unidos.
Em outras palavras: o senador propõe que os americanos punam brasileiros conforme o seu próprio arbítrio. Ele e o irmão ainda pedem que se houver novas tarifas contra o Brasil, que os EUA espere para depois das eleições de outubro de 2026. Ele vê que a aplicação das novas sanções de 25%, nesse momento, só fortalecem e aumentam a popularidade do Presidente Lula diante da opinião pública. O que, na visão dele, – e o óbvio – pode levar à vitória de Lula – candidato da centro-esquerda – para um novo mandato.
No frigir dos ovos, o que o senador propõe é: se nós ganharmos a eleição, a gente discute as sanções com vocês (americanos). Se nós perdermos, vocês podem sancionar o Brasil. Como você, leitor, chamaria isso, se fosse em uma eleição em seu país?
A mais grave revelação, porém, veio à tona com o vazamento da carta do secretário de Estado americano, Marco Rubio, na qual ele agradece a Flávio por sua “generosa oferta de colocar a equipe de transição à nossa disposição caso o senhor seja eleito” .
Como observou o jornalista Reinaldo Azevedo, “equipe de transição é transição entre dois governos nacionais, não é transição com um governo estrangeiro” . Se trata de uma oferta sem precedentes na história republicana do Brasil — nem mesmo em 1964, quando os Estados Unidos apoiaram o golpe militar, houve algo semelhante, pontuou o Jornalista Reinaldo Azevedo.


O Crime e a Lei
A oferta de Flávio não é apenas um escândalo político; pode configurar crime. O artigo 359-K do Código Penal Brasileiro estabelece pena de 3 a 12 anos de reclusão para quem “entregar a governo estrangeiro, a seus agentes ou a organização criminosa estrangeira, em desacordo com determinação legal ou regulamentar, documento ou informação classificados como secretos, cuja revelação possa colocar em perigo a preservação da ordem constitucional ou a soberania nacional” .
Reinaldo Azevedo, em suas análises, tem sido incisivo:
“O Flávio tem que ser processado pelo artigo 359-K do Código Penal“ . E acrescenta: “Eu quero saber como é que ele escapa do artigo 359-K. Não é lei que vocês querem? Eu quero. Vamos lá. Vamos pra lei” .
Não se trata, note, de perseguição política. Se trata da aplicação da lei — a mesma lei que os bolsonaristas ( extremistas de direita) dizem querer para todos.
O senador ofereceu a um governo estrangeiro o que não lhe pertence: a soberania nacional. Ofereceu informações sigilosas. Ofereceu uma equipe de transição que, se eleita, implicitamente, trabalharia não para o Brasil, mas para defender os interesses dos Estados Unidos.

O Partido e a Cassação
A submissão de Flávio não é um caso isolado. O Partido Liberal (PL), ao qual ele é filiado, pode ter o seu registro cassado com base no artigo 28 da Lei dos Partidos Políticos (Lei 9.096/95), que prevê o cancelamento do registro da legenda que “estiver subordinado à entidade ou governo estrangeiro” .
Como argumentou Reinaldo Azevedo, “o PL tem de ser extinto”. E cita o artigo 17 da Constituição, que estabelece a proibição de “subordinação” à governo estrangeiro. A pergunta que fica é: como pode um partido, e um candidato desse partido, que se subordina aos interesses americanos, reivindicar o direito de governar o Brasil?
O Contexto: A América Latina como “Trumpland”
O fenômeno Flávio Bolsonaro não existe no vácuo. Ele é parte de um movimento mais amplo, que busca transformar a América Latina no que a revista The Economist chamou, com entusiasmo duvidoso, de “Trumpland” . O ex-diretor do FMI Paulo Nogueira Batista Jr., em sua análise, contextualizou esse movimento:
“A Economist já foi uma revista que valia a pena ler. Eu lia regularmente há 15, 20 anos atrás, mas ela entrou em uma decadência muito grande, virou um conjunto de editoriais de direita de apoio ao imperialismo, não me espanta que eles tenham achado Trumpland uma boa para a América do Sul” .
Nogueira Batista Jr. descreve os Estados Unidos como uma superpotência “em declínio e decadência, mas a partir de um patamar muito alto de poder. Então, mesmo em declínio acentuado, acelerado agora com o Trump, ela conserva uma capacidade de fazer um estrago terreno” .
O projeto de transformar a América Latina em Trumpland, segundo o economista, “não estará completa enquanto o Brasil e o México não estiverem dominados” . E é nesse contexto que Flávio Bolsonaro emerge como o feitor da colônia — alguém que, nas palavras de Nogueira Batista Jr., “se coloca como um candidato a tutor da colônia. Tratar o Brasil como colônia, ele quer ser o feitor aqui dessa colônia” .
A Resposta de Lula e a Defesa de Flávio
O presidente Lula, em resposta às movimentações de Flávio, subiu o tom e chamou a carta do senador de “entreguista”, o acusando de querer “submeter o Brasil aos interesses dos Estados Unidos”.
Lula afirmou que “nunca houve e nunca terá qualquer justificativa para esse tarifaço, seja agora ou seja depois” .
Flávio, por sua vez, rebateu as acusações, alegando que a sua iniciativa buscava proteger o Brasil das tarifas americanas. No entanto, as suas próprias palavras e ações contradizem essa defesa. O próprio irmão, e ex-deputado condenado e foragido nos EUA, Eduardo Bolsonaro, revelou, em entrevista, o que eles disseram à Trump: “Se for o caso de impor tarifas ao Brasil, que o faça, que espere as eleições. Se o Lula ganhar, aí que vem a tarifa. Se perder, e no caso o Flávio então sair vitorioso, aí não” .

Ou seja: Flávio e a sua família estão dispostos a que o povo brasileiro seja punido com tarifas, caso Lula vença as eleições. Isso não é defesa do Brasil. É chantagem. É submissão. É, para usar a palavra exata, entreguismo.
A Gravidade Histórica
O que está em jogo não é uma simples disputa eleitoral. Se trata da própria definição do que é o Brasil como nação soberana. Como observou Nogueira Batista Jr., “o Brasil é um país tão importante, que os Estados Unidos estão inquietos com isso. Eles sabem que a obra de transformar a América Latina na Trumpland não está completa enquanto o Brasil e o México não estiverem dominados” .
A eleição de Flávio Bolsonaro representaria, nas palavras de Nogueira Batista Jr., “o Brasil ser conquistado pelo projeto americano decadente, sem disparar um tiro sequer”. É uma rendição voluntária, uma submissão anunciada, um ato de entrega, que viola o princípio básico da Constituição: a soberania nacional.
Reinaldo Azevedo, com a sua habitual acidez, resumiu a questão: “Até o Globo fez um editorial contra. É, até o Globo ficou chocado” . E conclui: “Nunca aconteceu isso no Brasil. Nem em 1964. Nunca alguém falou: eu entrego o governo para vocês tomarem conta. Nem em 64” .
Nota ao leitor: Este artigo buscou compilar, numa análise única e aprofundada, os elementos factuais e contextuais que cercam as ações do senador Flávio Bolsonaro e a sua explícita submissão aos Estados Unidos, conforme documentado em vídeos de opinião jornalística. As análises de Reinaldo Azevedo, do ex-diretor do FMI Paulo Nogueira Batista Jr. e do presidente Lula são de domínio público. e foram reproduzidas fielmente, a partir das fontes mencionadas.
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Referências utilizadas nesse artigo
- PolitikBr: https://politikbr.org/2026/06/27/opiniao-a-subserviencia-de-flavio-bolsonaro-e-a-cobica-dos-eua-pelo-pix-desenham-o-novo-tarifaco/
- Cidade Verde: https://cidadeverde.com/noticias/458664/primeira-industria-de-etanol-de-milho-do-piaui-entra-em-fase-final-em-urucui
- Brasil 247: SENSACIONAL – EX-DIRETOR DO FMI FAZ A MELHOR DEFINIÇÃO DE FLÁVIO BOLSONARO
- You Tube: Reinaldo Azevedo – PL deveria ser extinto e Flávio condenado após carta de Rubio ao senador
- You Tube: Flávio é entreguista. Ponto
- You Tube: Flávio Bolsonaro rebate Lula sobre polêmica de soberania nacional por tarifaço
- You Tube: Reinaldo Azevedo – Flávio vai aos EUA e busca encontro com Eduardo. Existe chance de ordem no caos?
- PolitikBr: https://politikbr.org/2026/06/03/bob-fernandes-se-o-senador-flavio-bolsonaro-fosse-cidadao-americano-ele-seria-condenado-a-morte-ou-a-prisao-perpetua/
- PolitikBr: https://politikbr.org/2026/05/19/reinaldo-azevedo-lula-estadista-flavio-bolsonaro-entreguista/