Reinaldo Azevedo e a Traição de Flávio Bolsonaro — Uma Sabotagem ao Brasil: Novo Tarifaço, Trump e o Pix

Internacional, Geopolítica, Economia

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Por PolitikBr I Brasília, Em 02/06/2026, 17h:00min, leitura: 15min

Editor: Rocha, J.C.

Essa é uma análise documental que lhe conduz ao entendimento de toda uma trama. Para visualizar “o todo” recomendamos a leitura dos demais artigos, que se somam ao tema de hoje. Boa leitura.

A decisão do governo de Donald Trump de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras — anunciada pelo secretário de Estado Marco Rubio na última semana de maio de 2026, e com vigência a partir de 5 de junho — não veio do nada. Ela foi encomendada. Pedida. Entregue na bandeja, por brasileiros, a um governo estrangeiro, como se a soberania da nação fosse uma moeda de barganha eleitoral. E o nome do principal articulador desse episódio é Flávio Bolsonaro, senador pelo PL, filho do ex-presidente condenado a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado, pré-candidato à Presidência da República para o pleito de 2026. Sim. É isso o que você leu.

O jornalista e analista político Reinaldo Azevedo, em transmissão recente, foi direto ao ponto ao qualificar a movimentação de Flávio como aquilo que ela é, sem eufemismos: uma traição ao interesse nacional em nome de uma agenda eleitoral mesquinha. E é dessa tese — documentada em fatos, declarações públicas e consequências econômicas mensuráveis — que o presente artigo se ocupa.

A Visita à Casa Branca e o Pedido que Mudou o Jogo

Na semana anterior ao anúncio de Trump, Flávio Bolsonaro esteve em Washington e se reuniu com o secretário de Estado Marco Rubio. O objetivo da visita era explícito: o senador pediu aos Estados Unidos que declarassem o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. O pedido foi atendido com uma velocidade que, por si só, já diz muito sobre a natureza da relação entre o clã Bolsonaro e o governo Trump.

Não foi a primeira vez que membros dessa família recorreram à Washington para avançar na sua nefasta agenda doméstica. Eduardo Bolsonaro, ex-deputado federal e filho do ex-presidente, e o blogueiro Paulo Figueiredo — neto do general João Figueiredo, o último presidente da ditadura militar — já haviam articulado, em 2025, a aplicação de sanções econômicas contra o Brasil. Além de ataques à autoridades brasileiras, como o ministro do STF Alexandre de Moraes. Paulo Figueiredo chegou a ser mencionado, nominalmente, na ordem executiva de Trump que impôs tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, ao lado do próprio Jair Bolsonaro como se pai e filho fossem coautores de um roteiro escrito em colaboração com a Casa Branca.

O padrão, portanto, é: quando a extrema direita brasileira não consegue o que quer pelas vias institucionais de seu próprio país, bate à porta do governo americano e pede que ele aplique pressão externa sobre o Brasil. É a terceirização da política interna a uma potência estrangeira. É, para usar a palavra que o momento exige: traição.

É a isso que se chama de “Complexo de Vira-lata”?

As Duas Dimensões da Decisão: O Que Reinaldo Azevedo Enxergou

Em sua análise, Reinaldo Azevedo identificou duas dimensões distintas e igualmente graves na decisão dos EUA. A primeira é a dimensão política doméstica: a classificação do PCC e do CV como organizações terroristas foi um presente eleitoral embrulhado para Flávio Bolsonaro, que pôde se apresentar ao eleitorado conservador como um homem capaz de “fazer Trump agir”. A segunda dimensão é a que importa para o Brasil como nação: as consequências econômicas, financeiras e soberanas que isso implica.

O que serve ao projeto eleitoral de Flávio Bolsonaro prejudica, de forma direta, o interesse nacional brasileiro. E é aqui que a tese da sabotagem deixa de ser retórica e se torna análise concreta.

O Pix no Olho do Furacão

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, foi um dos primeiros a dimensionar o tamanho do problema. Em entrevista ao Jornal da CBN, ele disse: “Basta você ter uma alegação, uma visita da família Bolsonaro, uma alegação dizendo que um determinado banco brasileiro tem contas do PCC. Aí a autoridade norte-americana pode dizer o seguinte: ‘Então esse banco está apenado, está sancionado pelo Tesouro norte-americano, as sanções da OFAC; ele não pode operar com o Pix porque o Pix tem sido usado para movimentar dinheiro de facção criminosa.” Durigan qualificou o Pix como “o maior símbolo de soberania financeira do Brasil” e anunciou que iria à Washington para discutir a classificação com autoridades americanas e tentar mitigar os riscos.

Veja em que situação Flávio Bolsonaro, seu irmão Eduardo e outros, meteram o Brasil. A ameaça ao Pix não é hipotética. É uma ameaça a uma conquista do povo brasileiro. O cara que quer ser presidente, recorre aos EUA para fins nada republicanos. Em prol dos interesses mesquinhos dele.

A ameça ao Pix se torna, com a ação de Flávio, estrutural, da própria mecânica da lei antiterrorismo americana.

Flávio acha que fez um golaço ao criar essa situação, fugindo assim dos holofotes do rumoroso escândalo “Hard Horse” e de Daniel Vorcaro. Mas o “golaço” de Flávio foi contra o Brasil. Contra o brasileiro comum, que pagava taxas e mais taxas para usar os cartões Visa, Mastercard, usar sistemas como o PayPal e outros. E agora não paga mais. E sabe o por quê disso? Dessa pressão contra o Pix? É simples. A “real riqueza” dos EUA não vem da venda de bens tangíveis, duráveis. Um carro. Uma lâmpada. Eles abdicaram, nos anos 70-80, de ser uma economia produtiva. Delegaram isso aos chineses, que agora lhes “atropela, passam a perna”. A maior fonte de contribuição de impostos americanos vem de Serviços. Algo como 70% do total arrecado. A lógica do Pix quebra isso.

Quando o Departamento de Estado classifica uma organização como Organização Terrorista Estrangeira (FTO), a legislação dos EUA amplia instrumentos de combate financeiro que permitem o bloqueio de recursos, o aumento de sanções e o monitoramento rigoroso de qualquer operação considerada suspeita. A chave do problema está em que “qualquer ligação, mesmo indireta” com recursos associados a esses grupos já é suficiente para acionar esses mecanismos.

Ele foi ainda mais longe ao traçar o cenário concreto para o cidadão comum: “Imagina o nosso ouvinte que vai fazer um Pix de um banco A para um banco B, e aí aparece: “Você não pode fazer Pix para esse banco porque ele está sujeito a sanções do Tesouro norte-americano”. E claro que se esse banco violar essa sanção, ele não pode mais vender dólar, não pode mais operar com empresas nos Estados Unidos.”

Sobre o Pix em si, Durigan falou também: “O Pix é o maior símbolo de soberania financeira do Brasil. Não podemos ficar presos ao risco de uma intervenção ou de uma subserviência que nos tira do caminho da inovação e da geração de uma infraestrutura segura de pagamento às nossas empresas e famílias.” E ao relacionar diretamente a manobra ao clã Bolsonaro, o ministro não deixou margem para interpretação: “Em paralelo a isso, a gente vê a movimentação da família Bolsonaro com relação à designação de organizações que causam terror no Brasil. São argumentos forçados. É uma forçação de barra sem fim.”

Para ilustrar a gravidade real da ameaça, Durigan citou o precedente mexicano: no México, o Departamento de Justiça dos EUA moveu ações contra instituições financeiras e determinou o fechamento de três bancos após identificar supostas ligações com organizações classificadas como terroristas. Esse é o modelo que pode ser aplicado ao Brasil.

O Ibovespa já reagiu: na semana do anúncio, o índice acumulou queda de 0,64% e recuou 6,53% no mês. O dólar fechou em alta, cotado a R$ 5,0424. O mercado não espera pela certeza do dano — ele precifica o risco.

Parabéns senador Flávio Bolsonaro. Se era isso que o senhor queria, conseguiu.

O Pix Como Alvo Estratégico: Uma História que Já Tinha Começado

Para entender a profundidade do que está em jogo, é preciso recordar que o Pix já estava no centro de uma ofensiva norte-americana antes mesmo da classificação do PCC e do CV. Como documentou a PolitikBr em julho de 2025, o Office of the United States Trade Representative (USTR) havia incluído o Pix em seu relatório de “práticas desleais” do Brasil, ao lado de temas como comércio digital e proteção à propriedade intelectual. A alegação do governo americano era a de que o Brasil favorecia as suas próprias soluções governamentais, em detrimento de intermediários globais tradicionais como Mastercard e Visa.

A razão econômica por trás da pressão é óbvia: de novembro de 2020, até o final do quinto ano de operação, foram movimentados R$ 85 trilhões, segundo dados do Banco Central. A sua expansão, especialmente com o lançamento do Pix Parcelado — previsto para setembro de 2025 —, representava uma ameaça direta ao modelo de negócios das grandes bandeiras de cartão de crédito. Mastercard e Visa deixariam de ganhar fortunas com taxas de transação que, no cartão de crédito, chegam a 2,34%.

O economista Paul Krugman, vencedor do Prêmio Nobel de Economia de 2008, publicou um artigo no Substack elogiando o sistema brasileiro e provocando: “A maioria das pessoas provavelmente não considera o Brasil um líder em inovação financeira. Mas a economia política do Brasil é claramente muito diferente da nossa — por exemplo, eles de fato levam ex-presidentes que tentam anular eleições a julgamento.” Krugman apontou as resistências nos EUA à adoção de um sistema semelhante e destacou que o Congresso americano aprovou projeto de lei impedindo o Federal Reserve de criar uma moeda digital.

O Pix, portanto, não é apenas um meio de pagamento. É um instrumento de soberania tecnológica e financeira, um ativo estratégico nacional que o Brasil construiu com as suas próprias mãos e que incomoda, simultaneamente, as bandeiras americanas de cartão de crédito e o projeto geopolítico de contenção do BRICS.

E o BRICS Pay — o sistema de pagamentos internacionais do bloco, testado em conexão com o Pix — aprofunda essa dimensão estratégica ao reduzir concretamente a dependência do dólar em transações entre os países membros, convertendo o real e o yuan diretamente, eliminando o papel do dólar como intermediário obrigatório. Aí também reside o outro “x” da questão. O BRICS Pay é uma ameaça à hegemonia do dólar. A moeda de chantagem dos EUA, e por onde o mundo financia a forma perdulária de consumo da sociedade americana, assim como a ineficiência estrutural da sua economia.

A CIA, o Crime Organizado e o Padrão Histórico que Ninguém Quer Lembrar

Os Estados Unidos, a quem Flávio Bolsonaro recorreu para tratar o PCC e o CV como organizações terroristas, é o mesmo país que tem um histórico amplamente documentado de parcerias com organizações criminosas sempre que isso serviu aos seus objetivos estratégicos. Não se trata de teoria conspiratória: se trata de fatos registrados em relatórios parlamentares oficiais, investigações do próprio Congresso americano e estudos acadêmicos publicados.

O Church Committee, em 1975, confirmou que a CIA recrutou mafiosos — entre eles Johnny Roselli, Sam Giancana e Santo Trafficante Jr. — para operações destinadas a eliminar Fidel Castro. O Kerry Committee, do Senado americano, concluiu que indivíduos ligados ao abastecimento dos Contras nicaraguenses participavam de operações de narcotráfico. O inspetor-geral da CIA, Frederick Hitz, reconheceu oficialmente que a Agência trabalhou com indivíduos suspeitos de envolvimento com o tráfico de drogas. E Manuel Noriega atuou simultaneamente como informante remunerado da CIA, e colaborador dos cartéis colombianos.

A lógica recorrente, como bem analisou o Jornal GGN, é sempre a mesma: o objetivo geopolítico prevalece sobre a integridade dos parceiros. E é exatamente por isso que o promotor público Lincoln Gakiya, membro do Gaeco e veterano de 20 anos no combate ao PCC, alertou para a consequência mais paradoxal da classificação: “Quando o Departamento de Estado classifica essas organizações como terroristas, o assunto passa a ser tratado como uma questão de defesa, e não mais de ordem policial. Isso pode dificultar a cooperação que já existe entre a Polícia Federal e as polícias americanas”. Em outras palavras: ao transformar o PCC e o CV em tema de segurança nacional americana, os EUA retiram as investigações do âmbito do FBI e da DEA — com quem o Brasil coopera efetivamente — e as transferem para a CIA, cujas operações são secretas e cujos objetivos não são necessariamente os mesmos do Estado brasileiro.

O Dinheiro Sujo, o Banco Master e a Contradição Que Denuncia

A história ficou ainda mais complexa com as revelações sobre o banco Master e o seu proprietário, Daniel Vorcaro — chamado de “irmão” por Flávio Bolsonaro, em diálogo gravado no qual fica “evidente o recebimento de R$ 61 milhões” pelo pré-candidato. Segundo apuração do ICL Notícias o dinheiro seria destinado à produção cinematográfica do filme “Dark Horse”, uma produção sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro; preso. O problema é que a firma Super Empreendimentos — do ex-pastor Fabiano Zettel, cunhado e sócio de Vorcaro — teria associações com a Reag DTVM, uma fintech envolvida com fundos suspeitos ligados ao próprio PCC.

Flávio Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro; a extrema direita brasileira, em geral, vive de contradições. Chega ser cômico, se não fosse pelos danos ao Brasil: o mesmo homem que voou a Washington para pedir que os Estados Unidos classificassem o PCC como organização terrorista pode ter recebido, segundo apuração em curso da Polícia Federal, recursos financeiros que passaram por estruturas ligadas a essa mesma organização, para ele: terrorista. A PF deve desvendar a rota do dinheiro. Siga o dinheiro. Siga o dinheiro….

O Cálculo Eleitoral Que Não Fecha

A professora Mariana Caneparo e o professor Vinicius Vieira, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), apontam que a classificação – do PCC e do CV como organizações terroristas – tende a reforçar a base bolsonarista entre os eleitores preocupados com a segurança pública, e pode atrair parte do eleitorado conservador de centro. É um cálculo que pode fazer sentido dentro da bolha bolsonarista, mas que ignora o cenário eleitoral mais amplo.

O agregador do JOTA, publicado em 29 de maio de 2026, é implacável: a probabilidade de reeleição de Lula chegou a 86%, o maior patamar da série histórica. Flávio Bolsonaro ainda não aparece como ameaça real nas simulações de segundo turno.

O que a manobra de Flávio fez, concretamente, foi o de produzir um ruído que pode animar a base mais fanática do bolsonarismo, mas que cobra um preço altíssimo do país inteiro: possível instabilidade financeira, risco de sanções de 25%, pressão sobre o Pix, deterioração da imagem do Brasil perante os investidores estrangeiros e enfraquecimento da cooperação policial existente com os EUA.

Nós temos certeza que a “Faria Lima” ficou nada contente com o movimento de Flávio.

A avaliação interna do governo federal , e de pesquisas qualitativas, indica que a viagem do senador Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos gerou um desgaste focado na pauta da soberania nacional e não surtiu o efeito eleitoral esperado pela oposição.

Em suma: Flávio Bolsonaro oferece ao Brasil um dano real e distribuído, para obter um ganho eleitoral que, até agora, não se materializou nas pesquisas.

A Soberania Como Conceito Vivo

É preciso nomear o que está acontecendo com toda a precisão que o momento exige. O Brasil construiu, ao longo dos últimos anos, uma infraestrutura financeira digital que é referência mundial. O Pix é elogiado por economistas de renome internacional, é a espinha dorsal da inclusão financeira de milhões de brasileiros, movimenta dezenas de trilhões de reais e está sendo conectado ao sistema de pagamentos do BRICS — um passo civilizatório em direção à autonomia financeira do Sul Global.

A soberania de uma nação não é apenas um conceito jurídico abstrato. Ela se materializa na capacidade de um país de definir as suas próprias políticas, construir as suas próprias infraestruturas e decidir os seus próprios destinos, sem a tutela de potências estrangeiras. Quando um candidato à Presidência da República abre mão dessa soberania em troca de dividendos eleitorais, ele não está apenas fazendo política. Ele está traindo.

Nota ao leitor: Este artigo buscou compilar, numa análise única e aprofundada, os elementos factuais e contextuais que cercam a decisão dos Estados Unidos de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas, a pedido de representantes da extrema direita brasileira, e suas implicações econômicas, financeiras, políticas e soberanas para o Brasil. As fontes utilizadas são públicas e estão devidamente listadas para sua verificação.

Esse artigo foi baseado em:

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