Coronel Douglas Macgregor: A Guerra Contra o Irã à Serviço de Israel – A Vergonhosa Submissão de Trump

A guerra que chegou ao bolso do cidadão comum.

Internacional, Geopolítica, Economia

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Por PolitikBr I Brasília, Em 01/06/2026, 19h:20min, leitura: 14min

Editor: Rocha, J.C.

E chega um momento em que a realidade nua e crua é que fala mais alto. Para os EUA esse momento chegou. E há cada vez mais vozes que contestam o que ocorre nos Estados Unidos sob a caótica e desastrosa liderança de Trump. Ele disse que iria acabar com a guerra entre a Rússia e a Ucrânia em um dia. Ao contrário. Continuou enviando armas, fornecendo logística e dinheiro para que a guerra prosseguisse.

O cara que disse que os Estados Unidos não iriam mais entrar em guerras eternas, abriu mais uma: a do Irã. O cara que disse que iria se voltar para os objetivos que o elegeu: O MAGA, esqueceu o que disse. Eram só promessas vazias. E ele esqueceu todas as promessas feitas porque faz parte do sistema. Ele é prisioneiro do sistema. Prisioneiro do lobby sionista – que contribuiu com centenas de milhões de dólares para a sua campanha. Do lobby armamentista. Prisioneiro de vários lobbies. Cada um deles tentando arrancar um naco de Trump, e do povo americano.

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Donald Trump, o presidente que se elegeu prometendo “América em Primeiro Lugar”, se ajoelhou perante o lobby sionista. Perante o establishment dos grupos de poder. Perante o fantasma de Jeffrey Epstein.

O Coronel Douglas Macgregor, um homem que liderou soldados sob fogo cerrado, que olhou nos olhos de jovens americanos antes de os conduzir para batalhas onde alguns não regressariam, não é um político. E o que ele diz, em uma declaração que deveria incomodar todas as consciências dos EUA, mostra o abuso autoritário de Trump: a guerra contra o Irã não foi declarada pelo Congresso, não foi autorizada pelo povo americano, e não serve aos interesses dos Estados Unidos. Serve aos interesses de Israel, disse com todas as letras Douglas Macgregor.

“Quem governa este país?” – A pergunta que Macgregor não teme fazer

O Coronel Macgregor, agora presidente e CEO da National Conversation, começou o seu discurso com uma série de perguntas que as elites políticas de Washington fazem tudo para abafar:

“Quanto – você – pagou pela gasolina esta semana? Quanto foi a sua conta de supermercado? Olhou nos olhos dos seus filhos e se perguntou, em silêncio, na calada da noite, até onde vai chegar isto? Se o fez, não está sozinho. Dezenas de milhões de americanos estão fazendo a mesma pergunta esta noite.”

Macgregor se refere à absurda guerra, não autorizada pelo Congresso Americano, sem provocação, lançada por Trump e Netanyahu contra o Irã. E essa não foi a primeira. Foi a segunda vez. A primeira vez foi em junho de 2025, com o apoio, mas sem o envolvimento direto dos Estados Unidos no conflito, que acabou em um cessar fogo à pedido de Israel; e aceito pelo Irã.

O que Macgregor diz não é retórica vazia. A guerra iniciada pelos EUA/Israel em 28 de Fevereiro de 2026 contra o Irã —, e que o presidente chegou a dizer que duraria 04 dias, está – em um impasse diplomático e militar – no terceiro mês, destruindo a economia doméstica americana e arrastando o mundo para uma crise sem precedentes.

O que Macgregor diz é de conhecimento de todos: o tráfego comercial de navios através do Estreito de Ormuz, aquela artéria estreita por onde passa uma parte crítica do combustível, do fertilizante e das matérias-primas do mundo, caiu mais de 90%.

“Isso não é meramente uma estatística. É uma catástrofe para todo o mundo civilizado. Quando o fertilizante não se move, as colheitas não crescem. Quando o combustível não flui, os caminhões não funcionam, os medicamentos críticos não chegam, os alimentos não chegam às prateleiras.”

A inflação silenciosa que devora o salário do trabalhador

Onde está o impacto da guerra no bolso do cidadão comum? Naquele que acorda às seis da manhã, que enfrenta o trânsito para chegar a um emprego que mal paga as contas? Está no carrinho de compras. Está na bomba de gasolina. O Coronel Macgregor descreve o mecanismo invisível, mas implacável da guerra:

“As subidas de preços que chegarão ao seu supermercado nos próximos meses não se anunciarão educadamente. Chegarão silenciosa e impiedosamente na sua conta de aquecimento ou ar condicionado, no seu carrinho de compras, na mesa da sua família.”

Essa é a verdade que a grande mídia não mostra. Enquanto os canais de notícias exibem vídeos de mísseis e imagens de explosões ao longe, como se fosse um videogame, a realidade do americano é feita de contas que não fecham, de prateleiras que se esvaziam. A guerra contra o Irã não é um conflito distante. É uma sobretaxa invisível sobre cada litro de leite, sobre cada quilo de pão, carne, café, sobre cada gota de combustível.

Macgregor sintetiza a tragédia em uma frase:

“Agora, cada família americana paga um imposto de guerra sob a forma de preços na bomba, no supermercado, nos medicamentos e nos caixões cobertos pela bandeira que começam a chegar a casa.”

Por que razão um presidente americano serve um país estrangeiro?

A pergunta central do discurso de Macgregor — aquela que nenhum dos apresentadores da Fox News ou da CNN tem coragem de fazer — é a mais simples e a mais constrangedora:

“Quem governa este país? Para quem eles estão governando os Estados Unidos?”

E ele mesmo responde, invocando os pais fundadores: “O governo dos Estados Unidos deriva a sua autoridade e poder do consentimento dos governados, não de tribunais estrangeiros, não de tesouros estrangeiros, não de governos estrangeiros”. Um princípio que, segundo o coronel, está sendo violado “sistematicamente, abertamente e com quase total impunidade”.

A evidência dessa violação vem de várias frentes. O ex-analista da CIA John Kiriakou, um homem que passou dois anos na prisão por denunciar os programas de tortura da agência, revelou que:

“Não havia um programa de armas nucleares no Irã. O aiatolá Khamenei lançou uma fatwa em 2003 declarando que era um pecado desenvolver uma arma nuclear. E a CIA, duas vezes, disse que não havia um programa de armas nucleares.”

Então, por que razão Trump atacou o Irã? Porque acreditou numa “informação” — uma mentira — fornecida por Israel. Kiriakou disse: “Essa informação, essa mentira, veio de Israel”. E quando o jornalista Tucker Carlson perguntou: “Por que um presidente acreditaria numa agência de inteligência estrangeira antes da sua própria?”, Kiriakou respondeu com honestidade: “Não sei, essa é realmente a pergunta de 64 mil dólares”.

O duplo garrote: dinheiro do AIPAC e chantagem de Epstein

Para entender a submissão de Trump é preciso olhar para as duas correntes que o apertam. A primeira é financeira: o American Israel Public Affairs Committee (AIPAC) – e os seus doadores bilionários – injetou centenas de milhões de dólares na campanha de Trump às eleições de 2024, garantindo não apenas a vitória do então candidato Donald Trump, mas também a derrota de qualquer crítico de Israel nas primárias democratas.

O senador Bernie Sanders, numa intervenção que o colocou na mira das máquinas de difamação sionistas, lembrou que Netanyahu é “um criminoso de guerra indiciado internacionalmente”, responsável pela morte de dezenas de milhares de civis palestinos. Mesmo assim, Trump o recebeu de braços abertos na Sala de Situação da Casa Branca, quando então, Netanyahu traços os planos e os objetivos da guerra contra o Irã. Isso, em plena Sala de SituaçãoREVELAÇÃO: Netanyahu Traçou o Plano de Guerra Contra o Irã na Casa Branca

A segunda corrente é mais sombria e envolve o escândalo Epstein. O Coronel Macgregor não teve papas na língua:

“O que esses arquivos representam não é meramente um escândalo de tráfico sexual, embora isso seja uma grande parte. Os arquivos representam o sistema operacional do poder político degradado em Washington, D.C. — um poder refém de interesses divorciados do interesse nacional americano. Poder que é corrupto, ou estrangeiro, ou ambos.”

Macgregor assim descreve os bastidores do poder:

“Os arquivos revelam como a influência é comprada, como a chantagem se transforma em alavancagem. Como os homens e mulheres mais poderosos do nosso país alcançam e mantêm as suas posições não através do mérito, não através do serviço público, não através do consentimento dos governados, mas através do comprometimento, através de segredos, através do entendimento silencioso e não dito de que todos na sala têm algo a perder e, portanto, todos na sala se mantêm na linha.

Não é preciso ser um teórico da conspiração para ligar os pontos. Dezenas de figuras proeminentes — incluindo Trump, Bill Clinton, Alan Dershowitz, e vários príncipes do poder — aparecem nos arquivos associados ao escandaloso Caso Epstein ou em depoimentos judiciais. A própria natureza do caso — uma rede de tráfico e perversão sexual de menores, com ligações documentadas à serviços de inteligência estrangeiros — transforma qualquer pessoa envolvida em um alvo potencial de chantagem. A pergunta não é se o arquivo Epstein foi usado como alavanca; é quem o está usando. O propósito. Creio que todos nós podemos imaginar.

Mearsheimer e o tribunal de Nuremberg: o preço do genocídio

O professor John Mearsheimer, um dos mais respeitados analistas de relações internacionais do mundo, trouxe para o debate uma perspectiva que transcende a análise política imediata e entra no terreno do julgamento histórico e moral. Numa palestra no Arab Center Washington DC, Mearsheimer afirmou:

“Se houvesse um novo tribunal de Nuremberg, Joe Biden e os seus principais tenentes, Donald Trump e os seus principais tenentes, e Benjamin Netanyahu e os seus principais tenentes, seriam condenados e enforcados. Estamos falando de um genocídio.”

Mearsheimer detalhou os três pilares da estratégia expansionista israelense: expandir as fronteiras para o chamado “Grande Israel” (incluindo todo o Líbano, parte da Síria, a Jordânia, parte do Egito até o Nilo – controlando o canal de Suez, parte do Kuwait, do Iraque e da Arábia Saudita); proceder à limpeza étnica das áreas tomadas; e enfraquecer os vizinhos, em especial o Irã, até à desagregação ou mudança de regime. “O objetivo é desmembrar o Irã ou provocar uma mudança de regime”, disse. E acrescentou que Netanyahu e o Mossad convenceram Trump de que uma vitória rápida contra o Irã era possível — uma aposta que se revelou um fracasso retumbante.

O impacto humano e económico: a guerra que chegou à cozinha de cada americano

O que diferencia a análise de Macgregor de outras críticas à guerra é a sua ênfase no sofrimento concreto, mensurável, quotidiano do povo americano. Enquanto os especialistas em relações internacionais discutem balanças de poder e projeções hegemônicas, Macgregor fala do preço do pão. E o faz com a autoridade de quem sabe que uma nação que não consegue alimentar os seus filhos é uma nação que já perdeu, independentemente de quem vença a batalha no Médio Oriente.

“Você sabia, antes dos preços da gasolina subirem. Você sabia que algo estava errado antes das contas do supermercado aumentarem. Você sabia que algo estava para chegar, antes dos navios pararem de transportar combustível através de Ormuz. Você sabia que as pessoas que tomam estas decisões não as estavam tomando por você”

Esta percepção instintiva de que algo está fundamentalmente errado na relação entre o governo e o povo, é o que Macgregor procura validar e amplificar.

Macgregor liga a guerra ao bolso do trabalhador:

“As consequências são óbvias na sua bomba de gasolina. Estão no seu carrinho de compras. Estão nas casas de famílias cujos filhos e filhas americanos estão envolvidos no combate a uma guerra que nunca foi colocada em votação, num Golfo Pérsico que nunca deveria ter sido incendiado.”

A chantagem como sistema de governo e a cumplicidade do Congresso

Macgregor não se limita a apontar o dedo para Trump. Ele denuncia um sistema inteiro — um “sistema operacional de poder degradado” — no qual o Congresso, a administração e os lobbies dançam uma coreografia hipócrita enquanto o povo paga a conta. Ele pergunta:

“Por que é que os mesmos nomes se reciclam em escândalo após escândalo, com zero responsabilidade, zero consequências e zero vergonha?”

A resposta, para Macgregor, está nos arquivos Epstein e na cultura de comprometimento que permeia Washington há décadas. Quando todos os poderosos têm segredos que podem destruí-los, ninguém tem coragem de desafiar o status quo. E o resultado é uma política externa que serve a interesses estrangeiros — no caso, os de Israel — em detrimento dos interesses nacionais.

O que fazer? Macgregor apela a um novo partido

O Coronel não se limita a diagnosticar. Ele propõe uma saída, ainda que amarga e incerta. A “National Conversation”, que ele lidera, não é um movimento político tradicional; é uma tentativa de construir uma alternativa que não responda à lobby nenhum, à nenhum empreiteiro de defesa, à nenhuma máquina política, à nenhum arquivo de chantagem.

“A conversa nacional existe porque a verdade — verdade real, documentada, sem filtros, destemida — precisa de uma plataforma que não responda a nenhum lobby estrangeiro, nenhum empreiteiro de defesa, nenhuma máquina política, nenhum arquivo de chantagem. Apenas a vós. Apenas ao povo americano.”

Ele recusa pedir donativos à maioria dos americanos — “vocês precisam mais do vosso dinheiro do que nunca” — mas apela àqueles que podem fazê-lo para investirem diretamente num novo movimento, numa nova esperança. O caminho, porém, é longo, e o tempo urge. A incerteza da guerra é uma realidade. Os preços dos alimentos, dos combustíveis, continuam subindo.

A submissão de Trump é a traição a uma nação

O que o Coronel Douglas Macgregor nos revela, com a franqueza de quem já não tem nada à perder, e com a autoridade de quem serviu ao seu país no campo de batalha, é que a guerra contra o Irã não é um erro tático ou um excesso de zelo patriótico. É uma traição. Uma traição ao juramento que Trump fez perante a Constituição. Uma traição ao povo americano, que vê o seu poder de compra definhar enquanto o Pentágono gasta bilhões de dólares em munições, que alimentam uma agenda expansionista alheia. E uma traição à própria ideia de democracia, que exige que as decisões de guerra e paz sejam tomadas com o consentimento dos governados — não com a chantagem de arquivos secretos, nem com os dólares de lobbies estrangeiros, nem com as promessas falsas de Netanyahu que quer arrastar o mundo para o holocausto nuclear.

A história, como lembrou Mearsheimer, não esquecerá. E quando as próximas gerações perguntarem como foi possível que os EUA se tornasse obediente, dócil, a um Estado estrangeiro, a resposta estará nestas palavras de Macgregor:

“Os americanos que sabem quem são, a sua história, a sua identidade, o seu propósito. Americanos que sabem o que esta república deve ser, e que recusam, absoluta e permanentemente, estar calados.”

Esse artigo foi baseado em:

Nota ao leitor: Este artigo buscou compilar, numa análise única e aprofundada, os elementos factuais e contextuais que cercam a subordinação do governo Trump aos interesses geopolíticos de Israel na guerra contra o Irã, com ênfase nas consequências económicas e sociais para o cidadão comum norte-americano, conforme denunciado pelo Coronel Douglas Macgregor. As fontes utilizadas são públicas e estão devidamente listadas para a sua verificação.

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