O fim dos laptops? (Jeff )Bezos – Amazon – Quer que Você Pague por Minuto para ler E-mail – E os Direitos Civis?

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Por PolitikBr I Brasília, Em 07/09/2026, 17h:10min, leitura: 6min

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Editor: Rocha, J.C.

Essa é uma análise documental. Para visualizar “o todo” recomendamos a leitura dos demais artigos e publicações relacionadas, que se somam ao tema de hoje. Boa leitura.

Enquanto o mundo celebra e fica embevecido com os avanços da inteligência artificial, o dono da Amazon, Jeff Bezos, parece ter encontrado a verdadeira mina de ouro (pelo menos é o que ele acha)cobrar de você por cada minuto de uso do computador.

Foi o que denunciou o neurocientista Miguel Nicolelis em entrevista recente, ao revelar uma declaração do bilionário que passou despercebida pela maioria.

Três dias antes de Davos, Bezos deu uma entrevista — Nicolelis não precisou onde — e soltou a bomba: o laptop como conhecemos vai acabar, teria dito ele.

Em vez de comprar uma máquina nova, você alugará “potência computacional bruta” na nuvem, pagando por processamento da mesma forma que paga pela conta de luz.

Bezos comparou os laptops de hoje aos geradores elétricos que as fábricas mantinham no porão, antes da eletricidade pública chegar. O futuro, segundo ele, é um modelo de assinatura perpétua. Eles querem ser os senhores feudais e nós os servos, do que se vem chamando de tecnofeudalismo.

Nicolelis, porém, foi além na análise. Para ele, a jogada não é tecnológica — é financeira – e política, evidentemente. As big techs americanas já investiram trilhões em IA sem conseguir monetizar de verdade.

O “aluguel por minuto” seria a saída encontrada – na visão de Bezos – para transformar o computador em um serviço perpétuo. Bezos quer que você pague para ler seu e-mail. Pague para abrir uma planilha. Pague para fazer qualquer coisa.

Ele querer é uma coisa. Eu também quero muitas coisas. A sociedade concordar em ser refém de meia dúzia de tecno senhores é outra coisa bem diferente. E Bezos fala isso com a maior naturalidade do mundo. Afinal, o que são mesmo esses senhores? O que eles acham que são, de fato? Ele e os amiguinhos querem personalizar “O Grande Irmão”? Resistir é inútil? Como dizia os “borg´s” da ficção?

“Eles não estão contentes que a gente compre uma vez na vida o laptop e use para o resto da vida”, resume Nicolelis. “Eles querem que você agora tenha só o teclado.”

O outro lado da moeda

Se o cenário parece distópico, tem quem já esteja se preparando. A Huawei chinesa, segundo Nicolelis, já lançou em Xangai um dispositivo que é “inacreditável” — um telefone que se abre e faz as vezes de computador. Enquanto os americanos querem te prender na nuvem pagante – os americanos abriram mão, há décadas, de produzirem bens tangíveis, agora eles são reféns de tecnologia digital e serviços correlatos, e querem continuar explorando o mundo, parasitando – , os chineses seguem na direção oposta: mais hardware, mais autonomia.

A crítica de Nicolelis encontra eco na Europa, onde a grande disputa dos direitos civis neste momento é dizer não à identidade digital. O argumento é simples: se você não tem mais um computador local, se tudo está na nuvem e sua identidade é digital, você pode ser simplesmente “cancelado” pelo governo e desaparecer instantaneamente. Seu banco, sua casa, sua vida — tudo na mão de quem controla os dados.

O problema de agência

Na mesma entrevista do podcast, também debatia o financista José Kobori. Ele recorreu à teoria de finanças corporativas para explicar o fenômeno: o chamado problema de agência. Quando você troca a sua agência (a sua capacidade de decidir) pela conveniência, quem passa a agir em seu lugar é quem detém os dados. E, como bem lembrou Nicodelis, a última fase do capitalismo — o capitalismo do stakeholder e do shareholder — não está interessada em você, já que o modelo adotado pelas grandes corporações, o objetivo final do sistema, continua sendo o lucro e a sobrevivência do próprio capital, e não o bem-estar real do cidadão comum ou do trabalhador.

Bezos, Peter Thiel e os demais são “sociopatas com toques de narcisismo maligno” – como acusam Trump de ser – , dispara Nicodelis. Eles querem algo simples: o controle total. E estão criando as ferramentas para isso.

O futuro que já chegou

A visão de Bezos não é ficção científica. A Amazon Web Services (AWS) já é a maior rede de computação em nuvem do mundo. A Microsoft experimenta com o Windows 365 e já satura o sistema com recursos de IA via Copilot. A escassez de componentes, agravada pela corrida da IA, está tornando o hardware pessoal progressivamente mais caro. A Micron já fechou o seu negócio de memórias RAM para consumidores. O caminho parece pavimentado.

A pergunta que fica é: você está disposto a pagar por minuto para acessar o que é seu?

Quer saber mais? Leia a matéria completa: NICOLELIS: A CHINA SAIU NA FRENTE DOS EUA NA PRÓXIMA REVOLUÇÃO TECNOLÓGICA

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