A economia de Lula a 21 dias da eleição — Números Robustos e Indecisão do Eleitor

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Principais entregas deste artigo:

  • A menor inflação acumulada antes de uma eleição desde o Plano Real (17,9% entre janeiro de 2023 e agosto de 2026).
  • Deflação de 0,32% em agosto e expectativa de quinto corte consecutivo da Selic, de 14% para 13,75%.
  • Desemprego em 5,3%, o menor nível da série histórica para o trimestre até julho.
  • Projeção de superávit comercial recorde de quase US$ 100 bilhões em 2026, impulsionado pelo petróleo.
  • A dificuldade do governo em traduzir os bons indicadores macroeconômicos em percepção positiva do eleitorado.

Nacional, Política, Economia, Geopolítica

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Por PolitikBr I Brasília, Em 13/09/2026, 19h:58min, leitura: 6min

Editor: Rocha, J.C.

Essa é uma análise documental. Para visualizar “o todo” recomendamos a leitura dos demais artigos e publicações relacionadas, que se somam ao tema de hoje. Boa leitura.

Faltando 21 dias para o primeiro turno das eleições de 2026, o governo Lula exibe um conjunto de indicadores econômicos que, em qualquer outro contexto, seriam eleitoralmente imbatíveis. Inflação na menor marca pré-eleitoral em mais de 30 anos, desemprego no menor nível da série histórica, superávit comercial caminhando para quase US$ 100 bilhões e juros em queda.

O que os números mostram

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulou alta de 17,9% entre janeiro de 2023 e agosto de 2026 — o menor avanço de preços em um mandato presidencial até as vésperas do pleito desde a implementação do Plano Real, em julho de 1994. Para efeito de comparação, o segundo mandato do próprio Lula (2007-2010) registrou 19% no mesmo recorte temporal, enquanto a gestão Jair Bolsonaro (2019-2022) acumulou 25,3%.

Apenas em agosto, o IPCA registrou deflação de 0,32%, puxada pela redução na conta de energia elétrica, passagens aéreas, parte dos alimentos e combustíveis. O resultado fortaleceu as projeções de que o Banco Central promova mais uma redução de 0,25 ponto percentual na taxa Selic na próxima reunião do Copom, marcada para 15 e 16 de setembro — o quinto corte consecutivo, que levaria a taxa dos atuais 14% para 13,75% ao ano. Ainda assim a segunda maior do mundo, para desgosto da equipe econômica.

O mercado de trabalho também apresenta desempenho histórico. A taxa de desemprego caiu para 5,3% no trimestre até julho, o menor nível da série para esse período, segundo o IBGE. O resultado reflete uma atividade econômica aquecida, estímulos do governo e efeitos demográficos.

No front externo, o Brasil pode encerrar 2026 com um superávit comercial de quase US$ 100 bilhões, impulsionado pelas exportações de petróleo, soja e minério de ferro. Pela primeira vez, o petróleo bruto e a soja em grão podem superar individualmente US$ 50 bilhões em exportações no mesmo ano.

O paradoxo da percepção

Apesar dos números favoráveis, a pesquisa Datafolha divulgada em 11 de setembro mostra que 42% dos brasileiros avaliam o governo Lula como ruim ou péssimo, enquanto 32% o consideram ótimo ou bom e 25% regular. A desaprovação pessoal do presidente está em 50%, contra 47% de aprovação.

O economista Pedro Faria, pesquisador da UFMG, sintetiza o paradoxo: “Os programas existem, as estatísticas macroeconômicas de crescimento da renda do trabalho são bastante claras, a inflação está sob controle, o desemprego está na mínima histórica e há crescimento, inclusive, do número de empregos formais”. No entanto, fatores como o endividamento das famílias — que permaneceu no patamar recorde de 82% em agosto, segundo a CNC — o peso das bets, o custo elevado do crédito e a dificuldade de comunicação do governo bloqueiam a percepção de melhora.

O próprio Lula reconheceu a desconexão durante sabatina no SBT. “Você pensa que eu não fico triste de saber o que nós já fizemos na economia, e que ainda assim a gente não atendeu a expectativa da sociedade porque o custo de vida está caro?”, declarou. O presidente também afirmou que herdou uma inflação de alimentos de 56% do governo Bolsonaro e que, em sua gestão, o índice acumulado seria de 13%.

O que está em jogo

A 21 dias da eleição, a campanha de Lula aposta na comparação direta com o governo Bolsonaro para tentar conectar os números ao eleitor. O partido lançou a plataforma “Mercado da Mentira”, que compara os preços dos alimentos entre as duas gestões — a picanha, símbolo do debate econômico, teria caído de R$ 77,00 para R$ 55,00, e um salário mínimo compraria hoje 29,47 kg do corte contra 21,56 kg no fim do governo anterior.

A estratégia, porém, enfrenta o ceticismo de parte do eleitorado. Na pesquisa Quaest de 7 de setembro, 38% dos entrevistados afirmaram que a economia piorou em relação ao ano anterior, enquanto 28% disseram que melhorou e 31% avaliaram que não houve mudança. Lula lidera as intenções de voto — 39% contra 35% de Flávio Bolsonaro no cenário estimulado do Datafolha, e 46% a 44% no segundo turno —, mas a margem apertada e o empate técnico projetam uma disputa indefinida.

O desafio do governo é claro: levar com eficiência ao eleitor o que os indicadores mostram.

Com a inflação no menor nível pré-eleitoral em três décadas, o desemprego na mínima histórica e o comércio exterior batendo recordes, a economia deveria ser o principal ativo da campanha. Mas entre a estatística e a percepção, há 21 dias para o governo conectar melhor isso à Sociedade.

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