Da série Ministro André Mendonça, o “terrivelmente evangélico”.
Nesse artigo, as revelações dos bastidores do poder, feitas pela jornalista Daniela Lima, do UOL.
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Por PolitikBr I Brasília, Em 10/09/2026, 19h:47min, leitura: 6min
Editor: Rocha, J.C.

Essa é uma análise documental. Para visualizar “o todo” recomendamos a leitura dos demais artigos e publicações relacionadas, que se somam ao tema de hoje. Boa leitura.
A tempestade perfeita no Supremo
Em mais um capítulo da série que acompanha os passos do ministro André Mendonça no Supremo Tribunal Federal, a jornalista Daniela Lima trouxe à luz uma sequência de eventos que expõe, de forma crua, a guerra interna na mais alta corte do país. O episódio que envolve o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Passos Rodrigues, e a Operação Dark Horse não é apenas mais um ruído institucional. É a evidência de que o “terrivelmente evangélico” — como Mendonça se autodenominou em sua sabatina — está disposto a usar a caneta e a estrutura do Estado para proteger o seu grupo político e, ao mesmo tempo, golpear os seus adversários dentro da própria corte.
A cronologia de um embaraço
A jornalista Daniela Lima revelou, com base em relatos de aliados do ministro Flávio Dino, que o afastamento de Andrei Rodrigues, determinado por André Mendonça no dia 8, foi um embaraço direto à organização da Operação Dark Horse, deflagrada pela Polícia Federal no dia 3 de setembro. A operação, autorizada por Flávio Dino, visitou quatro estados e 49 alvos, mirando uma rede de empresas montada para lavar dinheiro, com ramificações que incluem o financiamento do filme “Dark Horse” — quase 70 milhões de reais transferido por Daniel Vorcaro, por meio de um doleiro, para um fundo – Havengate Development Fund – nos EUA, a pedido do senador e candidato Flávio Bolsonaro.
O timing não poderia ser mais suspeito. No mesmo dia 3, o Partido Novo pediu a prisão do diretor-geral da PF. Cinco dias depois, Mendonça determina o seu afastamento.
Para os aliados de Dino, o movimento de Mendonça não foi um ato de zelo institucional, mas uma tentativa calculada de sabotar uma investigação que se aproximava de pessoas próximas ao próprio ministro.
“O clima no Supremo é de desconfiança nessa monta. De que, de alguma forma, a montagem de uma operação que tem pessoas próximas ao ministro André Mendonça no alvo, chega aos gabinetes, vaza no próprio Supremo e provoca algum tipo de efeito dominó.” — Daniela Lima
A resposta de Fachin: uma falsa equivalência
Pressionado a agir, o presidente do STF, Edson Fachin, tomou uma série de decisões que, segundo a avaliação de um grupo de ministros mais próximos de Alexandre de Moraes, pesaram muito mais contra Moraes do que contra Mendonça.
Fachin retirou o inquérito das fake news das mãos de Moraes — um movimento já esperado, mas de forte carga simbólica —, mas manteve Mendonça como relator dos casos Master e INSS, apesar das claras evidências de que Mendonça manteve relações com Vorcaro.
A punição a Mendonça se resumiu à anulação da decisão que afastava o diretor-geral da PF, decisão essa que já havia sido revertida por Flávio Dino em dois “atropelos” que desagradaram Fachin. O resultado foi uma sensação de falsa equivalência: Moraes perdeu um instrumento simbólico, mas Mendonça manteve o poder de conduzir investigações que podem protegê-lo. Pelo menos, por enquanto, já que a situação é extremamente volátil.
“Na tentativa de punir os dois pelas últimas brigas que foram registradas ali no Supremo, ele acabou pesando muito mais a mão no outro, criando uma falsa equivalência.” — Daniela Lima
O papel de Flávio Dino: o “doido e meio”
A grande verdade, como bem resumiu Daniela Lima, é que Flávio Dino usou a lógica do “o melhor remédio para um doido é sempre um doido e meio”. Ao reconduzir o diretor-geral da PF ao cargo e blindá-lo, Dino forçou Fachin a agir. A estratégia funcionou: Fachin se mexeu, mas de forma ambígua. Dino conseguiu manter Andrei no cargo, mas a blindagem que o protegia de novas ofensivas dentro do Supremo foi derrubada. O diretor-geral voltou, mas está mais exposto do que nunca, na visão da jornalista.
O que está em jogo: a eleição e o futuro do STF
A poucos dias da eleição, o ambiente no Supremo é de desconfiança brutal. A sessão marcada para o dia 15, que discutirá a abertura de uma investigação contra Mendonça, e a sessão seguinte, que tratará do relatório de inteligência da PF contra o ministro, serão momentos decisivos. A pergunta que ecoa nos corredores é se Fachin terá coragem de levar adiante um julgamento desse porte faltando 12 dias para o pleito (04/10).
“Eu duvido que o ministro Luiz Edson Fachin banque uma discussão dessa no plenário, faltando 12 dias para a eleição.” — Ministro do STF, em relato a Daniela Lima
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Referências Utilizadas:
- Daniela Lima (2026). Afastamento de chefe da PF era embaraço à operação de Dark Horse, dizem aliados de Dino. YouTube. Disponível em: https://youtu.be/11hZOBL6DPw
- PolitikBr (2026). André Mendonça – o “Terrivelmente Evangélico”: A Delação que Pode Implodir o Clã Bolsonaro. Disponível em: https://politikbr.org/2026/09/06/andre-mendonca-o-terrivelmente-evangelico-a-delacao-que-pode-implodir-o-cla-bolsonaro/
- PolitikBr (2026). André Mendonça – O “Terrivelmente Evangélico”: Quem com ferro fere, com ferro será ferido. Disponível em: https://politikbr.org/2026/09/06/andre-mendonca-o-terrivelmente-evangelico-quem-com-ferro-fere-com-ferro-sera-ferido/

