A vantagem estratégica da China que desafia tarifas e guerras

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Por PolitikBr I Brasília, Em 09/09/2026, 20h:07min, leitura: 6min

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Editor: Rocha, J.C.

Essa é uma análise documental. Para visualizar “o todo” recomendamos a leitura dos demais artigos e publicações relacionadas, que se somam ao tema de hoje. Boa leitura.

O cenário

Enquanto o mundo assistia atônito à escalada das tarifas de Trump contra a China e os demais países do globo — acompanhada do caos energético provocado pela guerra no Oriente Médio —, Pequim simplesmente… exportou.

E exportou muito.

Em agosto, as importações totais da China aumentaram 28,2% em relação ao ano anterior, ante uma alta de 27,5% em julho. As exportações, por sua vez, cresceram 23,9% ano a ano no mesmo mês. O superávit comercial aumentou para US$ 119,1 bilhões em agosto, ante US$ 112,5 bilhões em julho do ano passado. Os números não são apenas impressionantes — são um manifesto.

O que a China exportou?

A resposta revela a estratégia: veículos elétricos, máquinas industriais e semicondutores. Ou seja, exatamente os setores que Washington tentou sufocar com sanções e tarifas.

O desempenho nesses segmentos destaca a crescente competitividade da China em bens de elevada tecnologia, à medida que o país sobe rapidamente na cadeia de valor, tornando-se uma força importante na infraestrutura de inteligência artificial e na automação industrial.

O paradoxo das tarifas

Aqui está o grande paradoxo: as exportações chinesas para os EUA cresceram 34,4% no período, alcançando US$ 42,5 bilhões. Enquanto as exportações americanas para a China foram de somente US$ 13,3 bilhões, gerando um superávit de US 29,2 bilhões à favor da China.

As tarifas de Trump, que deveriam proteger a indústria americana – que não existe – terminam, na prática, sendo pagas pelos próprios consumidores dos EUA, engordando os cofres públicos com impostos — enquanto a China segue vendendo pra eles, assim como o Brasil e o restante do mundo.

A diversificação geográfica como escudo

O grande trunfo chinês, porém, foi a diversificação:

  • Sudeste Asiático: alta de 30,2%
  • América Latina: alta de 17,5%
  • União Europeia: modestos 6,6%

“A China resistiu melhor às perturbações causadas pela guerra no Irã do que muitos outros países. Ela também tem exportado mais para o Sudeste Asiático, a América Latina e a África, o que a protegeu do impacto de tarifas mais altas dos EUA”, destaca a reportagem.

Enquanto os EUA sangram no Oriente Médio, vendo as suas reservas estratégicas de petróleo serem drenadas quase a zero, a China constrói pontes de apoio em meio mundo. É a política do ganha – ganha, que atrai a simpatia de mais e mais países do mundo, contra a política de chantagem e coerção, típica das administrações americanas.

A arma silenciosa: as terras raras

A reportagem conclui com um dado que deveria manter acordados os estrategistas americanos: a China controla as exportações de terras raras para os EUA e é o maior produtor mundial desse tipo de produto.

Depósitos recém-identificados no nordeste do país, formados por ciclos de congelamento, podem reduzir custos e impactos ambientais, ampliando ainda mais o potencial estratégico já existente, ao combinar elementos leves e pesados em concentrações superiores.

É a vantagem competitiva que não aparece nas manchetes sobre tarifas — mas que pode determinar quem vence a guerra do século XXI. Entretanto, não se trata somente de ter jazidas. Se trata, antes de mais nada, de todo o controle da cadeia produtiva, e é justamente isso o grande diferencial da China, nesse contexto turbulento das relações econômico e geopolíticas, com o país que lhe vê com principal adversário: Os Estados Unidos.

A dependência americana das terras raras chinesas se revela ainda em sua forma mais cruel: os EUA simplesmente não podem se rearmar.

O domínio chinês sobre a cadeia de suprimentos de terras raras é avassalador. O país é responsável por cerca de 70% da mineração global e mais de 90% do processamento desses elementos. Em 2025, Pequim endureceu ainda mais o cerco, impondo restrições severas à exportação de sete elementos de terras raras, e dos ímãs fabricados com eles, materiais classificados como de “duplo uso” — civil e militar.

A China, além disso, se recusa-se a liberar a exportação de ímãs de terras raras para uso militar, como os de neodímio e samário, essenciais para a fabricação de mísseis. Não se trata apenas de matéria-prima, como dissemos: a China detém o monopólio do processamento e da fabricação dos ímãs de alto desempenho, e a indústria de defesa dos EUA simplesmente não tem capacidade de escala para substituí-la rapidamente

A China não está apenas sobrevivendo ao cenário global mais hostil desde a Guerra Fria. Está prosperando.

Enquanto os EUA afundam no pantanal por eles criados no Oriente Médio, e impõem tarifas que os seus próprios cidadãos acabam pagando, Pequim expande silenciosamente a sua influência econômica — e, com ela, o seu poder geopolítico.

Quer saber mais? Leia a matéria completa e, China aumenta exportações em 25% no último ano e escancara vantagem estratégica sobre EUA, diz mídia — Sputnik Brasil

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