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Por PolitikBr I Brasília, Em 05/05/2026, 21h:20min, leitura: 8min
Editor: Rocha, J.C.
O Estreito de Ormuz, o ponto de estrangulamento mais importante do comércio global de energia, voltou a ser palco de confronto direto entre as forças iranianas e a Marinha dos Estados Unidos. O Irã divulgou imagens que mostram mísseis de cruzeiro, foguetes e drones sendo lançados, como advertência, contra um contratorpedeiro americano que, segundo Teerã, tentava forçar a passagem pelo estreito após ignorar repetidos avisos. Washington nega. “Nenhum navio foi atacado”, afirmaram autoridades americanas.

A guerra de narrativas expõe a fragilidade do cessar-fogo e a profundidade do impasse: de um lado, o Irã documenta cada movimento e responde com força dissuasória; do outro, a administração Trump, encurralada pela derrota estratégica, recorre à negação da realidade. O chanceler iraniano, Esmaeil Baghaei, resumiu: “Repetindo os erros, os EUA só se enredam no seu próprio pântano.”

“Há 67 dias, os Estados Unidos e Israel se lançaram em uma guerra contra o Irã sob falsos pretextos. Os objetivos declarados — mudança de regime, fim do programa de enriquecimento de combustível nuclear, fim do programa de mísseis avançados, abandono pelo Irã do apoio à Grupos de Resistência ao sionismo, como o Hesbollah, o Hamas, os Houthis e outros e; mais recentemente, a re-abertura do Estreito de Ormuz — não foram alcançados.
As bases americanas por todo o Oriente Médio foram destruídas. Radares de mais de US$ 1 bilhão destruídos. Caças F-35, F-15, drones Reaper, helicópteros e aviões de transporte de tropas foram abatidos. As defesas iranianas continuam ativas e “a inteligência militar dos EUA acredita que o Irã ainda tem recursos militares significativos” (NBC News) (PolitikBr)
Agora, em meio ao “cessar-fogo eterno”, e à consolidação do controle iraniano sobre o Estreito de Ormuz, um novo confronto expõe a fragilidade do impasse.
O Incidente: Mísseis, Drones e um Contratorpedeiro Americano
De acordo com fontes iranianas, a confrontação começou quando contratorpedeiros americanos se moveram em direção ao estreito através do Mar de Omã. O Irã alegou que os navios tentaram uma “aproximação furtiva”, chegando a desligar os seus sistemas de radar, à medida que avançavam. Teerã, no entanto, diz que estava monitorando o momento em que esses sistemas voltaram a ficar online.

A Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) emitiu avisos de rádio — claros, diretos, repetidos: “Fiquem longe, não entrem, não testem o cessar-fogo”. Os avisos, segundo o Irã, foram ignorados.
Foi quando a situação escalou.

O IRGC declarou o Estreito de Ormuz “completamente fechado” — novamente. “Nenhuma embarcação de qualquer tipo ou nacionalidade está autorizada a passar”, afirmou o comunicado.
No vídeo são mostradas cenas de foguetes sendo lançados, um míssil atingindo as proximidades da proa do contratorpedeiro, e lançando uma imensa coluna de água, que encobriu parte do navio, e drones circulando acima da embarcação americana — não necessariamente para destruir, mas perto o suficiente para enviar um sinal. “Deterrence by demonstration”. Uma demonstração de força projetada para desenhar uma linha vermelha.
O que seguiu foi que as embarcações militares americanas recuaram. Em outras palavras: o anúncio bombástico de Trump de que a Marinha dos EUA iria escoltar, para fora do Estreito de Ormuz, as centenas de navios comerciais que estão retidos a mais de 60 dias dentro do Golfo Pérsico, fracassou.
O Irã declarou: não foi um ataque, mas um aviso. Um movimento calculado para impor o que os iranianos chamam de “perímetro de segurança” no estreito.
A Negação Americana: “Nada Aconteceu”
Do outro lado do oceano, Washington conta uma história diferente.
Autoridades americanas negaram categoricamente que tal ataque de alerta tenha ocorrido. Sem danos, sem impacto, sem confirmação de mísseis ou drones ameaçando os seus navios.
O Comando Central dos EUA (CENTCOM) postou no X que as alegações eram falsas, afirmando que nenhum navio da Marinha dos EUA havia sido atacado, e que as forças americanas estavam ativamente apoiando uma missão marítima batizada de “Projeto Liberdade” — uma operação anunciada por Trump para escoltar e guiar navios comerciais através do estreito.
Se eu fosse apostar diria que essas alegações dos americanos é que são falsas. Até porque se fossem verdadeiras, as mídias sociais do ocidente estariam inundadas de vídeos e depoimentos de marinheiros “salvos dos bárbaros iranianos”. Você, que lê esse artigo, está vendo isso? Não.
A negativa dos EUA veio horas depois de as autoridades iranianas emitirem avisos severos, advertindo a Marinha dos EUA contra entrar no estreito sem coordenação. Uma declaração do Comando Unificado das Forças Armadas do Irã declarou que “a segurança de Ormuz reside exclusivamente com a República Islâmica” e ameaçou de ações contra qualquer presença militar estrangeira, que tente passar sem aprovação.
A Guerra de Narrativas
Não é a primeira vez que o Irã alega ataques a ativos navais americanos nos últimos meses, incluindo um suposto ataque envolvendo um porta-aviões, e que foi posteriormente rejeitada por autoridades dos EUA. Mas, no caso do porta-aviões, a embarcação, de US$ 13 bilhões, deixou o “teatro de operações” e se dirigiu a Chipre, depois que o alegado ataque do Irã ocorreu.
Mas, desta vez, o Irã tem imagens. Um vídeo.
O vídeo divulgado pelo IRGC — e amplamente repercutido pela mídia estatal — mostra o que seria o momento do lançamento dos mísseis. As imagens são granuladas, típicas de câmeras de vigilância, mas mostram claramente projéteis sendo disparados na direção de navios. Um atinge a água à frente da proa do contratorpedeiro. Veja o vídeo.
A questão não é quem está dizendo a verdade. A verdade, seja ela qual for, vai sempre ser negada por Trump, por Hegseth, da mesma maneira que eles negaram que os dois mísseis tomahawk que, deliberadamente mataram 165 meninas em uma escola de Minab, para aterrorizar a população iraniana, tinham sido deles. Nossos artigos mostram como Trump mente compulsivamente. O mesmo para Hegseth. Eles não mentem só para o mundo. Mentem para o povo americano. Para os congressistas.
E Trump admitir que um contratorpedeiro foi enxotado com “tiros de advertência” pelo Irã, seria uma admissão de derrota. A prova de que a espetaculosa missão marítima batizada de “Projeto Liberdade”, – e que Trump disse que se o Irã atirasse em algum navio americano iria se arrepender, – fracassou. Mais um fracasso.
Trump, que já foi expulso da Sala de Situação –“ELES O EXPULSARAM”: Trump Foi Retirado da Sala de Situação Durante o Resgate de Pilotos Abatidos– , que já teve os seus ultimatos ignorados, que já viu a sua base MAGA se voltar contra ele, não pode se dar ao luxo de mais uma humilhação.
O “Pântano” Americano
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, foi direto:
“Os funcionários dos EUA devem finalmente se aperceber de que ameaças e forças não funcionam contra o povo iraniano. Repetindo os erros, os EUA só se enredam no seu próprio pântano.”
O chanceler iraniano também lembrou que o Irã é“o maior guarda de segurança no Estreito de Ormuz” — e que os problemas atuais na região são “consequências diretas das intervenções militares dos EUA e de Israel contra o Irã”. Quem pode negar isso?
O Irã considera responsáveis todos os países que participaram, de uma maneira ou outra, das aventuras militares dos EUA. Até a Alemanha, segundo o chanceler, admite que a UE sofre muito por causa da guerra dos EUA. “Já é hora dos países europeus entenderem ao que leva o cumprimento cego da linha norte-americana”, disse Baghaei.
Sem Saída à Vista
O confronto em Ormuz é um microcosmo da guerra como um todo. Os EUA não podem vencer militarmente — as suas defesas estão exauridas, as suas bases por todo o Oriente Médio foram destruídas ou estão seriamente danificadas; os seus caças, drones, helicópteros, são abatidos, há uma escassez aguda de mísseis de longo alcance.
Os EUA não podem impor um bloqueio efetivo ao comércio de energia do Irã — os seus navios não podem chegar perto do estreito sem serem alvejados, e os iranianos podem, e tem enviado os seus petroleiros, margeando a costa do próprio Irã, e depois entrando no mar territorial do Paquistão, e daí ao Oceano Índico.
E as negociações estão emperradas — o Irã já recusou o plano de 15 pontos apresentado pelos americanos, e Trump recusou o plano de 14 pontos, recém proposto pelo Irã.
É uma queda de braço. Vamos ver quem pisca primeiro.
Esse artigo foi baseado em:
- Sputnik Brasil: EUA ‘se enredam no pântano’ ao seguir com ameaças e forças contra iranianos, diz chancelaria do Irã (04/05/2026)
- Times of India: New IRGC Video Of US Warship Attack; ‘Missiles, Drones Rained…’: Hormuz Clash Goes ‘Out Of Control’ (04/05/2026)
- Agência Brasil: Mísseis atingem navio de guerra dos EUA que tentava entrar em Ormuz (04/05/2026)
- PolitikBr: PEPE ESCOBAR: As Últimas da Guerra do Consórcio EUA/Israel Contra o Irã (17/04/2026)
- PolitikBr: SCOTT RITTER: O Bloqueio de Trump é uma Piada (15/04/2026)
- Youtube: Lawrence: Even Donald Trump seems to know that his war in Iran is now illegal