O medo de Bolsonaro de acabar na Papuda (prisão federal masculina no distrito federal) virou assunto nacional após relato de Mônica Bergamo na BandNews: a perspectiva de encarar a prisão mais célebre de Brasília, palco de condenações de políticos como Maluf, Geddel e Luiz Estevão, dissolveu qualquer bravata do ex-presidente – que já admite o risco entre interlocutores e sonha com um desfecho menos traumático. Segundo apurado, o ex-presidente não ficaria com presos comuns, mas isolado, em cela separada, pela alta vulnerabilidade e risco decorrente da notoriedade política e do ódio gerado.
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Por PolitikBr I Brasília, Em 09/09/2025, 16h:05, Leitura: 2 min
A história lembra o caso recente de Fernando Collor de Melo, condenado por corrupção mas beneficiado por um parecer da PGR que sugeriu ao STF a prisão domiciliar por Collor alegar sofrer de “transtorno bipolar, dificuldades de sono e Parkinson”. Embora a Suprema Corte debata precedentes para idosos com comorbidades, vale lembrar que no sistema penitenciário normal, dezenas de detentos com Parkinson já tiveram o pedido negado – porque, segundo jurisprudência, a doença não é considerada incompatível com o cumprimento em regime fechado, desde que haja assistência médica básica disponível. Collor negou haver qualquer doença em audiência de custódia, mas laudos médicos anexados e o apoio da Procuradoria garantiram o benefício, levantando críticas pesadas sobre o duplo padrão judicial: privilégios para políticos, descaso para idosos comuns cumprindo penas.
O caso Bolsonaro expõe dilemas maiores e ainda não tem solução definida. Moraes e o STF podem optar entre a Papuda, a carceragem da PF, o cumprimento da pena em uma unidade militar (o que os militares não querem) ou a prisão domiciliar monitorada. Mas o clima político e institucional se deteriorou tanto – especialmente pela escalada de ataques, ameaças e tentativas de chantagem estrangeira promovidas por aliados do ex-presidente e pelo seu filho Eduardo Bolsonaro – que a tolerância ao benefício se esgota a cada bloco de pressão. Os Magistrados avaliam que Bolsonaro já ultrapassou todos os limites, desafiando ordens e regras cautelares. “Qualquer outro réu, na situação de Bolsonaro, já estaria em preventiva há muito tempo”, diz um jurista ouvido por Megale – realçando o excesso de condescendência com um réu gravíssimo.
Cabe lembrar que essa tolerância toda não foi dada ao presidente Luís Inácio Lula da Silva quando ele foi injustamente preso em 2018. Ele não tentou um golpe de Estado, não tramou contra o país, se aliando a uma potência estrangeira. Não atacou em nenhum momento o judiciário, muito menos afrontou ou usou do artificio de terceiros falando por ele – é só ver as manifestações bolsonaristas – para atacar e desacreditar os ministros do STF e mesmo o sistema eleitoral do Brasil. Mesmo assim não tiveram qualquer deferência em relação a ele. E por quê? Ah…Porque ele é de esquerda e não da direita, da extrema direita. Sim. É isso. O inimigo comum, que não se pauta ao lado do grande empresariado ou das elites financeiras, mas ao lado do povo e pelo povo. Esse foi o crime maior de Lula. Hipócrita justiça. Agora enredada em constranger ou não um homem acusado de golpe de Estado. Discutindo o que é melhor ou pior para ele. Tenha dó.
No fundo, como mostra o relato da BandNews, nada está garantido para Bolsonaro: nem selo de privilegiado, nem cenário tranquilo. Se Collor, com apoio político e laudos, conseguiu convencer o STF e a PGR a aliviar sua condenação, Bolsonaro enfrenta um Judiciário acuado, ministros sob ameaça e uma sociedade vigilante, pouco inclinada a repetir a desigualdade judicial do passado. Entretanto, por questão de injustiça e por semelhança, nos parece mais que óbvio que Bolsonaro, já se sabe mais que condenado, terá mesmo a benesse da prisão domiciliar, afinal, o caso de saúde dele, a idade, nos parece mais indicativa, mesmo que duvidosa, da concessão do benefício da prisão domiciliar, com conforto, claro, ar condicionado, boa cama, boa comida, e tudo o mais que só os ricaços e os bem de vida podem ter.
O medo de Bolsonaro acabar no “inferno” da Papuda é real? Certamente não. Ele, de antemão, já prevê que será beneficiado. Se trata de puro cinismo do sistema em propalar a “fajuta” igualdade de tratamento entre cidadãos. Isso é uma grotesca falácia. O que vale mesmo, no frigir dos ovos, é a blindagem institucional aos poderosos.

