Principais entregas deste artigo:
- Os números recordes da Embraer em 2025: 233 aeronaves entregues no total, sendo 78 jatos comerciais e 155 executivos, superando a projeção de venda anual da empresa.
- O crescimento expressivo da carteira de pedidos firmes, que atingiu US$ 31,6 bilhões — um recorde histórico e mais de 20% superior ao ano anterior.
- O paradoxo estratégico: enquanto os EUA pressionam por espaço no mercado brasileiro, a Embraer consolida a sua posição global como líder no segmento de jatos de até 150 assentos.
Internacional, Nacional, Política, Economia, Geopolítica
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Por PolitikBr I Brasília, Em 20/09/2026, 08h:19min, leitura: 6min
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Editor: Rocha, J.C.

Essa é uma análise documental. Para visualizar “o todo” recomendamos a leitura dos demais artigos e publicações relacionadas, que se somam ao tema de hoje. Boa leitura.
O ano de 2025 terminou com uma notícia que deveria encher de orgulho qualquer brasileiro que acompanha a indústria nacional. A Embraer, nossa gigante da aviação, entregou 233 aeronaves ao longo do ano — um salto de mais de 18% em relação a 2024 —, sendo 78 jatos comerciais e 155 executivos. Mais do que isso: a carteira de pedidos firmes da empresa atingiu a marca histórica de US$ 31,6 bilhões, um crescimento superior a 20% em apenas doze meses. Para se ter uma ideia, essa cifra representa quase três novos pedidos para cada aeronave entregue, um indicador de que o mercado global está, sim, apostando na qualidade e na eficiência dos E-Jets brasileiros.
Enquanto isso, do outro lado do continente, a história é bem diferente. O governo de Donald Trump, em outubro de 2025, apresentou ao Brasil uma proposta de acordo comercial com 21 exigências. Entre elas, uma que chama a atenção pela ousadia: a de que companhias aéreas brasileiras se comprometessem a comprar jatos comerciais da Boeing. O texto da minuta americana era explícito: “Companhias aéreas brasileiras comprometerem-se a adquirir aeronaves comerciais fabricadas nos EUA, incluindo anúncios de intenção de comprar [xx] aeronaves Boeing”. O número exato seria negociado depois, mas a intenção era clara: usar o tarifaço de 50% imposto ao Brasil como alavanca para abrir espaço para o produto americano.

A proposta, no entanto, esbarrou em um detalhe que Washington parece ter subestimado: a autonomia das empresas brasileiras. Das três principais companhias aéreas do país, apenas Gol e Latam operam Boeing. A Gol tem uma frota quase inteiramente composta pela família 737, mas as suas decisões de frota são tomadas em nível de grupo — o Abra Group, que também controla a Avianca —, e não por imposição governamental. Já a Latam, sediada no Chile, usa Airbus na malha doméstica e reserva os Boeing para rotas de longo curso, o que significa que uma eventual compra de widebodies seria uma decisão do grupo, não uma resposta a um aceno de Brasília. Ou seja: mesmo que o governo brasileiro quisesse ceder à pressão, não teria como garantir o que Trump pedia.
O chanceler Mauro Vieira foi categórico ao rejeitar os termos. Segundo relatos, ele considerou o conteúdo inaceitável e orientou os negociadores a não levarem os pontos para as reuniões formais com os americanos. A exigência sobre a Boeing foi classificada como incompatível com a autonomia comercial das empresas brasileiras, e o governo deixou claro que não iria transformar o setor aéreo em moeda de troca.

E há um simbolismo importante nessa recusa. A Embraer não é apenas uma empresa brasileira; é a líder mundial na fabricação de jatos comerciais de até 150 assentos, com mais de 9.000 aeronaves entregues desde sua fundação e cerca de 150 milhões de passageiros transportados por ano em seus aviões.
A empresa compete diretamente com Airbus e Boeing no segmento de corredor único, e os seus números de 2025 mostram que essa competição está longe de ser desfavorável. Enquanto a Boeing entregou 600 aeronaves comerciais no ano e a Airbus, 793, a Embraer, com um portfólio mais focado, registrou o seu melhor desempenho histórico em executivos e uma carteira de pedidos que só cresce.
A tentativa de Trump de “empurrar” jatos Boeing para o Brasil não é um caso isolado. Faz parte de uma lógica mais ampla de usar o poder econômico dos EUA para favorecer as suas indústrias, mesmo que isso signifique atropelar a soberania comercial de parceiros. O problema é que essa lógica ignora uma realidade simples: no mercado da aviação, quem decide a frota são as companhias aéreas, com base em eficiência, custo e estratégia de rede — não em conveniência geopolítica. E, no caso brasileiro, as companhias já têm suas apostas.
A propósito, essa matéria – Sem alarde, Boeing desmonta 777-9 novinho após concluir que ele não serviria para voar – mostra que a Boing há muito tempo vem enfrentando problemas de qualidade, atrasos e obsolescência de seus produtos. Um dos clientes que está nada satisfeito é a Emirates.
A Embraer, por sua vez, segue fazendo o dever de casa: entrega, inova, vende. E decola, enquanto outros tentam vender no grito.

Quer saber mais? Leia a matéria completa “EUA tentaram incluir compra de jatos Boeing por companhias brasileiras em acordo com Brasil” e “Governo Trump exigiu do País compra de aviões da Boeing para voos comerciais para negociar tarifaço”.
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Referências Utilizadas:
- Notícia Brasil (2026): https://noticiabrasil.net.br/20260916/avioes-da-familia-e-jet-da-embraer-batem-recordes-de-entregas-deixando-airbus-para-tras-diz-midia-54186278.html
- Airway (2026): https://www.airway.com.br/eua-tentaram-incluir-compra-de-jatos-boeing-por-companhias-brasileiras-em-acordo-com-brasil/
- Investidor10 (2026): https://investidor10.com.br/noticias/alerta-para-a-embraer-eua-pediram-compra-de-avioes-da-boeing-para-aliviar-tarifaco-122701/
- Estadão (2026): https://www.estadao.com.br/economia/negocios/governo-trump-exigiu-do-pais-compra-de-avioes-da-boeing-para-voos-comerciais-para-negociar-tarifaco/
- Embraer (2026): https://embraer.com/media-center/en/?mediatype=NEWS&detail=23997
- Simple Flying (2026): https://simpleflying.com/embraer-all-time-high-31-billion-backlog-airlines/
- Aeroin (2026): https://aeroin.net/trump-queria-que-companhias-aereas-brasileiras-comprassem-jatos-da-boeing-para-retirar-o-tarifaco/
- O Hoje (2026): https://ohoje.com/2026/09/17/eua-condicionaram-negociacao-com-brasil-a-exigencias-sobre-eleicoes-boeing-e-minerais/
- Aeroin net (2026): Sem alarde, Boeing desmonta 777-9 novinho após concluir que ele não serviria para voar