A DESDOLARIZAÇÃO É UMA REALIDADE: China Vende Títulos Americanos e o Ouro Dispara — o Império do Dólar Está em Declínio Acentuado

A China reduziu a sua participação em títulos do Tesouro dos EUA para o menor nível em 18 anos, enquanto o BRICS+ acelera a compra de ouro e a prata bate recordes históricos.

O movimento de desdolarização não é mais uma especulação — é uma realidade em curso, impulsionado pelas sanções contra a Rússia, confisco de bens, pela guerra contra o Irã, pela crise da dívida americana (US$ 40 trilhões) e pela ascensão do BRICS Pay.

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O que parece uma fuga defensiva do dólar é, na verdade, um movimento coordenado de desinvestimento e reinvestimento: o capital retirado dos títulos americanos é realocado em ouro físico, que lastreia a UNIT, a nova unidade de conta do BRICS+ (40% ouro). O dólar está perdendo o seu status de moeda de reserva única — e o mundo está tomando nota.

Internacional, Geopolítica, Economia

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Por PolitikBr I Brasília, Em 21/06/2026, 08h:27min, leitura: 12min

Editor: Rocha, J.C.

Essa é uma análise documental. Para visualizar “o todo” recomendamos a leitura dos demais artigos, que se somam ao tema de hoje. Boa leitura.

O movimento de desdolarização — a redução deliberada da dependência global do dólar como moeda de reserva e meio de troca — deixou de ser uma hipótese teórica para se tornar uma realidade documentada.


Em abril de 2026, a China reduziu a sua participação em títulos do Tesouro americano de US$ 652,3 bilhões em março para US$ 651,1 bilhões em abril. O menor valor desde o auge da crise financeira global, há 18 anos.

O movimento é parte de uma tendência mais ampla: desde 2021, o BRICS+ vendeu centenas de bilhões de dólares em títulos americanos, enquanto o G7 (liderado por Japão e Reino Unido) aumentou as suas posições, absorvendo essa liquidação.

Mas o que parece uma fuga defensiva do dólar é, na verdade, um movimento coordenado de desinvestimento e reinvestimento. O capital retirado dos títulos americanos está sendo realocado, parte, em ouro físico, que lastreia a UNIT, a nova unidade de conta do BRICS+.

Nos últimos cinco anos, o mercado global de metais preciosos passou por uma mudança estrutural profunda.

Impulsionados pelas sanções ocidentais pós-guerra na Ucrânia e pelo congelamento de ativos russos pelo G7, os bancos centrais do BRICS aceleraram massivamente a compra de ouro físico para desdolarizar as suas economias. Em contrapartida, os países do G7 mantiveram as suas reservas de ouro praticamente estagnadas.

No mercado de commodities, o ouro e a prata atingiram recordes históricos absolutos em 2025 e no início de 2026. O ouro ultrapassou a barreira dos US$ 5.500 por onça troy (oz) e a prata superou os US$ 120 por onça, impulsionados pela inflação global, corte de juros e tensões geopolíticas.

A dívida pública dos Estados Unidos atingiu US$ 40 trilhões em 2026. O pagamento anual de juros da dívida já ultrapassa US$ 1 trilhão por ano. A cada dia, o governo americano paga US$ 2,8 bilhões apenas em juros. Portanto, a insustentabilidade fiscal americana parece ser um dos impulsionadores da desdolarização: investidores estrangeiros, especialmente os do BRICS+, estão se perguntando se o dólar ainda é um porto seguro — e a resposta, claramente, é não. Além do mais, há uma nova arquitetura financeira em construção.

O Fluxo de Capitais: BRICS Vende, G7 Compra — com um Propósito

Bloco do BRICS: Forte Onda de Vendas (Desdolarização)

Os membros tradicionais do BRICS promoveram uma das maiores liquidações de títulos americanos da história recente.

· China: Foi a maior vendedora global. O estoque chinês desabou de aproximadamente US$ 1,05 trilhão em 2021 para cerca de US$ 693 bilhões em 2026. Isso representa uma venda líquida de mais de US$ 350 bilhões.

· Brasil: Reduziu agressivamente a sua exposição. Entre o fim de 2024 e o final de 2025, o Banco Central brasileiro vendeu cerca de US$ 61,1 bilhões em títulos (quase 27% de suas reservas em dólares na época), reduzindo o saldo para a faixa de US$ 167 bilhões.

· Índia: Flutuou ao longo dos anos, mas também intensificou as vendas recentemente, reduzindo cerca de 21% de seu estoque em janelas específicas de tensões geopolíticas.

· Rússia: Já havia zerado quase por completo as suas posições relevantes antes de 2021, devido às sanções econômicas internacionais.

A Motivação do BRICS parece ser de proteção de suas reservas internacionais contra congelamentos de ativos (risco geopolítico), e, passo seguinte, a subsequente diversificação de ativos, em especial na direção do ouro físico e moedas locais.

A venda de títulos americanos não é um fim em si mesmo. Ela é a primeira etapa de um movimento de reinvenção financeira: o capital que deixa o sistema de dívida americano é reinjetado na compra de ouro físico, que lastreia a UNIT e em outros investimentos de futuro.

Bloco do G7: Compras e Estabilização

Diferente do BRICS, as economias do G7 expandiram ou mantiveram os seus estoques históricos elevadíssimos, absorvendo os títulos liquidados no mercado.

· Japão: Segue isolado como o maior credor estrangeiro dos EUA. O volume sob custódia japonesa oscilou, mas se manteve no patamar massivo de US$ 1,22 a US$ 1,24 trilhão em 2026.

· Reino Unido: Registrou forte alta institucional. O volume de títulos comprados pelos britânicos saltou de patamares inferiores a US$ 500 bilhões para quase US$ 897 bilhões em 2026, se tornando o segundo maior detentor global.

· Canadá e França: Também figuram no Top 10 de maiores detentores globais, registrando aumentos graduais em suas carteiras ao longo dos últimos anos, para aproveitar os rendimentos mais altos das taxas de juros americanas.

Motivação do G7: Alinhamento geopolítico com Washington e atratividade financeira, dado que os juros dos títulos públicos americanos de longo prazo atingiram picos de até 5% ao ano neste período.

O balanço macroeconômico dos últimos 5 anos (2021 a 2026) aponta para uma profunda bipolarização geopolítica no mercado de títulos públicos americanos (US Treasuries).

Enquanto as potências do BRICS reduziram e desdolarizaram as suas reservas, os aliados estratégicos dos EUA (G7 e parceiros) absorveram massivamente a dívida americana para financiar o déficit de Washington, o que é compreensível, afinal a posição subalterna aos interesses de Washington, dos aliados europeus e o Japão, vem de décadas. Uma submissão vergonhosa, em detrimento dos seus próprios projetos e interesses nacionais.

O balanço consolidado desse fluxo financeiro, em bilhões de dólares, utilizando como referência os relatórios oficiais do sistema Treasury International Capital (TIC), do governo norte-americano, é mostrado a seguir:

Balanço Geral (Vendas vs. Compras: 2021–2026)

Os EUA se tornaram, dessa forma, dependentes de seus parceiros ocidentais. Só em 2025, os países alinhados a Washington registraram o maior recorde de compras líquidas desde 2016 (cerca de US$ 463,9 bilhões líquidos em apenas um ano).

O interessante é que isso se dá apesar dos EUA se mostrarem extremamente agressivos a seus aliados ocidentais, e em um momento em que a economia de todos esses países “patinam”, estão estagnadas, com crescimento econômico pífio, e com inflação persistente.

O mercado internacional de dívida americana continuou expandindo globalmente e quebrando recordes de volume total (passando de $9,4 trilhões nas mãos de estrangeiros). Isso prova que o BRICS não quebrou a demanda pelos títulos americanos, mas sim que o perfil dos credores mudou radicalmente. O risco fiscal dos EUA hoje está financiado majoritariamente pela sua própria rede de aliados geopolíticos.

BRICS (Reinvestimento — Compra de Ouro Físico):

  • Ouro: O estoque combinado do BRICS+ já supera 6.000 toneladas. Os bancos centrais do bloco foram responsáveis por mais de 50% de todas as compras globais de ouro entre 2020 e 2024.
  • A UNIT: O ouro comprado não é um mero “porto seguro”. É o lastro da UNIT, a nova unidade de conta do BRICS+.

A estratégia é clara: desinvestir do dólar (títulos) e reinvestir no ouro (lastro da nova arquitetura financeira). Não é fuga. É construção.

A UNIT: O Último Prego no Caixão do Dólar

A UNIT não é uma moeda para circulação cotidiana. É um instrumento de liquidação para comércio internacional e reservas. A sua composição é clara:

  • 40% em Ouro Físico: O componente que confere à UNIT um “valor intrínseco” e a protege da volatilidade das moedas fiduciárias.
  • 60% em uma Cesta de Moedas dos BRICS: Composta igualmente (12% cada) pelo real, yuan, rublo, rupia e rand. Este componente reduz a volatilidade cambial com as economias-membro.

A UNIT é a materialização do movimento de desdolarização. A venda de títulos americanos é o desinvestimento. A compra de ouro é o reinvestimento. A UNIT é o novo sistema.

O Ouro e a Prata: A Fuga para Ativos Tangíveis

Enquanto os títulos americanos são vendidos, o ouro é comprado.

O balanço financeiro entre o descarte de títulos da dívida pública americana (US Treasuries) e a aquisição de ouro físico pelo BRICS revela uma assimetria colossal de valores.

Embora o movimento de desdolarização do bloco seja coordenado e de caráter geopolítico profundo, o volume em dólares gerado pela venda de títulos é imensamente superior ao volume gasto na compra física de ouro.

Ao cruzar os dados, se nota que para cada US$ 4,00 liquidados em títulos americanos pelo BRICS, apenas cerca de US$ 1,00 foi convertido diretamente em ouro físico novo no mercado internacional.

Como não há ouro físico disponível no mundo para absorver toda a liquidação de dólares do bloco, os bancos centrais do BRICS dividiram a diferença remanescente em três frentes:

  1. Valorização Mecânica (Efeito de Balanço): O ouro que o BRICS já possuía guardado valorizou mais de 60% apenas em 2025. O valor contábil das reservas físicas do bloco saltou de maneira orgânica sem que eles precisassem gastar mais papel moeda para isso.
  2. Financiamento de Commodities: O capital foi direcionado para a compra direta de ativos reais e contratos de longo prazo de petróleo, gás, terras raras e minerais críticos para a transição energética.
  3. Moedas Locais e Sistemas Alternativos: Uma fatia expressiva foi retida para liquidação de comércio bilateral fora do sistema SWIFT (usando o Yuan chinês, Rúpias e o sistema experimental de blockchain multi-moedas do bloco).

A Transferência de Poder Econômico

O movimento de desdolarização é, na verdade, uma transferência de poder econômico do G7 para o BRICS+ e o Sul Global. A venda de títulos americanos não é apenas uma fuga. É a retirada de capital do sistema fiduciário americano para ser reinjetado na nova arquitetura financeira: a UNIT, lastreada, parte, em ouro; e em projetos e infraestruturas portadoras do futuro. Geradoras e multiplicadoras de riqueza.

O dólar não vai desaparecer. Mas o seu status de moeda de reserva única não faz mais sentido. O mundo está em um processo de transição para um arranjo multipolar — e o Brasil, como membro fundador do BRICS e criador do Pix, tem um papel central nessa transição.

A história, como sempre, está do lado de quem se prepara para o futuro. E o futuro é multipolar.

Nota ao leitor: Este artigo buscou compilar, numa análise única e aprofundada, os elementos factuais e contextuais que cercam a desdolarização em curso — desde a redução das participações chinesas em títulos do Tesouro americano e o fluxo de capitais entre o BRICS e o G7, até a valorização do ouro e da prata como reservas de valor tangíveis, e a ascensão do BRICS Pay como alternativa concreta ao sistema financeiro centrado no dólar. As fontes utilizadas são públicas e estão devidamente listadas para sua verificação.

Em apenas 20 dias de junho de 2026, o PolitikBr foi acessado a partir de dezenas de países – talvez o seu. Agradecemos aos leitores dos Estados Unidos, Japão, Brasil, Israel, China, Irã, Rússia, Canadá, Polônia, Reino Unido, e de tantos outros países que nos acompanham. Seguimos dedicados à verdade e à paz, em todos os idiomas.

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