Dra. Tatiana diz que a Anvisa errou ao restringir a polilaminina, e chora por negar acesso a pacientes

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Por PolitikBr I Brasília, Em 30/08/2026, 19h:21min, leitura: 6min

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Editor: Rocha, J.C.

Essa é uma análise documental. Para visualizar “o todo” recomendamos a leitura dos demais artigose publicações relacionadas, que se somam ao tema de hoje. Boa leitura.

A polilaminina voltou a ser notícia. E, como quase tudo que envolve a molécula descoberta “por acaso”, a notícia vem acompanhada de esperança, comoção e controvérsia.

Desenvolvida por Tatiana Coelho de Sampaio, renomada bióloga, professora e chefe do Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular, do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ”, onde lidera há cerca de 30 anos as pesquisas voltadas para a regeneração de tecidos nervosos, a polilaninina foi desenvolvida em parceria com o laboratório Cristália — que já investiu mais de R$ 110 milhões no projeto.

A polilaminina é uma proteína derivada da placenta, que tem por função estimular a regeneração de nervos lesionados. Em estudos experimentais, cerca de 10 pacientes conseguiram recuperar os movimentos com o uso da substância. Assim, o sonho de reverter a paraplegia e a tetraplegia, recém-adquiridas por traumas, parece estar mais próximo do que nunca.

A comoção com a divulgação dos resultados iniciais foi tamanha, que dezenas de pacientes recorreram à Justiça para ter acesso ao fármaco, ainda em fases iniciais de validação. A Anvisa autorizou o uso compassivo — modalidade que permite o acesso à medicamentos experimentais, para pacientes sem alternativas terapêuticas. Até o momento, 84 pacientes receberam autorização para esse uso, sendo 44 por decisões judiciais e 40 por vias administrativas.

Mas a ciência, essa senhora incômoda, insiste em pedir calma.

O incômodo chamado Miguel Nicolelis

O neurocientista Miguel Nicolelis, um dos brasileiros mais premiados na área, foi direto: “Sem estudo clínico completo eu não acredito em nada. Sem grupo-controle, sem fazer análise estatística com grandes grupos”.

Para Nicolelis, relatos isolados de melhora não são suficientes para comprovar a eficácia de um tratamento, já que algumas lesões medulares podem apresentar recuperação espontânea.

A posição de Nicolelis — que não é isolada no meio científico — ela aponta para um ponto básico, mas fundamental, da pesquisa clínica: sem método, não há ciência.

O que diz a Anvisa

A própria Anvisa, por meio da Nota Técnica nº 1/2026, foi enfática: a polilaminina permanece em fase inicial de investigação clínica e, até o momento, não há evidências científicas suficientes que comprovem a sua qualidade, segurança e eficácia para uso terapêutico em seres humanos. O fármaco continua classificado como experimental. A autorização para uso compassivo, ressalva a agência, não representa o reconhecimento da eficácia ou da segurança do tratamento.

Em janeiro de 2026, a Anvisa autorizou o início do estudo clínico de fase 1 com a polilaminina — a primeira etapa da pesquisa em seres humanos, que tem como principal objetivo avaliar a segurança do produto. Não a eficácia. Segurança.

O fantasma dos dados

A trajetória da polilaminina também é marcada por percalços científicos. Em março de 2026, a própria Tatiana Sampaio admitiu erros em um artigo prévio com os primeiros testes da substância. A versão corrigida foi apresentada à duas revistas de peso — Nature Communications e Journal of Neurosurgery — e rejeitada por ambas. Entre os motivos: divergências sobre a taxa de recuperação de pacientes, usada como referência no trabalho.

A pesquisadora agora afirma que um novo estudo revisado por pares foi aceito e será publicado em breve, mas não revelou qual publicação, e nem deu detalhes.

Sete mortes e uma pergunta incômoda

Em agosto de 2026, Tatiana Sampaio revelou durante a Rio Innovation Week que sete pacientes que receberam a polilaminina, em uso compassivo, morreram desde fevereiro. Entretanto, cabe ressaltar, que a pesquisadora e o laboratório Cristália afirmam que os óbitos não têm relação direta com a aplicação do produto.

A pergunta que fica: se não há estudo clínico completo, se não há dados robustos de segurança e eficácia, se a própria Anvisa alerta para o caráter experimental da substância — o que, afinal, estamos oferecendo a esses pacientes? Esperança? Ou um risco que ainda não sabemos mensurar?

A disputa que ninguém vê

Há ainda uma batalha nos bastidores que poucos conhecem: a patente original da polilaminina, registrada em 2007 pela UFRJ, perdeu a sua proteção internacional devido à falta de verbas públicas. No cenário nacional, a patente da universidade expira em 2027. O Laboratório Cristália, por sua vez, reivindica a exclusividade do medicamento até 2043 por meio de patentes de processo.

Enquanto a ciência pede cautela, o mercado já está de olho nos possíveis resultados do fármaco, quando e se ele tiver a sua eficácia, segurança para uso humano, e se tornar um produto comercializável.

Os pacientes que recorrem à Justiça não estão errados: eles querem viver. Mas a ciência não se faz com desespero. Se faz com rigor. E, no caso da polilaminina ainda há uma longa caminhada a se trilhar.

O editor torce pelo sucesso da Dra Tatiana Sampaio em validar a polilaminina, como uma quebra de paradigma em terapias de tratamento de casos de paraplegia e tetraplegia, recém adquiridas por traumas.

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“Dra. Tatiana diz que Anvisa errou ao restringir a polilaminina e chora por negar acesso a pacientes; vídeo”

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