A “Destruição” da Marinha Americana: Uma Análise de Larry Johnson

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Por PolitikBr I Brasília, Em 19/08/2026, 07h:00min, leitura: 5min

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Editor: Rocha, J.C.

Essa é uma análise documental. Para visualizar “o todo” recomendamos a leitura dos demais artigos, e publicações relacionadas, que se somam ao tema de hoje. Boa leitura.

A afirmação de que o Irã estaria “destruindo” a Marinha dos EUA não se refere a uma aniquilação física de todos os navios, mas sim a um colapso sistêmico.

Para Larry Johnson, a Marinha Americana enfrenta um desgaste multidimensional que a torna ineficaz, e o Irã é o agente central desse processo, tanto por sua ação direta quanto por expor as fragilidades internas dos EUA.

Vamos destrinchar os pilares dessa análise.

1. O Cerco ao USS Abraham Lincoln: Fome, Motim e Colapso Moral

O caso do porta-aviões USS Abraham Lincoln é emblemático. Johnson descreve a situação a bordo como catastrófica, com a tripulação de 5 mil homens há meses no mar, racionando comida e vivendo sob constante ameaça.

Em sua entrevista, ele afirmou: “Se o Lincoln tem 5 mil pessoas a bordo e não vê terra há 38 semanas, elas estão passando fome, sem encomendas, racionando café, esperando morrer por causa de um míssil hipersônico iraniano” .

O estopim para o motim foi a visita do conselheiro do CENTCOM, Brad Cooper à embarcação, para tentar acalmar os ânimos. Em vez disso, ele foi recebido com vaias e garrafas atiradas pelos tripulantes, com a confusão escalando para uma luta corporal generalizada. As condições materiais — falta de comida, água, sabão e sistemas de saneamento — são apontadas como a causa raiz. A resposta do Pentágono, como esperado, descartou as queixas como “fake news”, e isso apenas agravou a crise de confiança .

2. O Cerco Logístico: Quando a China Controla a Chave das Armas

A degradação das condições operacionais da Marinha dos EUA não se limita ao moral. Johnson argumenta que a capacidade militar dos EUA está sendo estrangulada por sua dependência logística da China, aliada do Irã, formando uma tríade com a Rússia.

Quase 80% dos sistemas de armas americanos dependem, de alguma forma, de elementos de terras raras e de tungstênio, fornecidos majoritariamente pela China. Com Pequim cortando o fornecimento, os EUA não conseguem produzir mísseis suficientes para sustentar uma guerra prolongada.

Johnson compara a situação a alguém “pagar 10 mil dólares para alguém se fazer um bolo, sem fornecer a farinha, o açúcar ou os ovos”. Sem a matéria-prima, a indústria de defesa não produz. A Lockheed Martin, por exemplo, não consegue fabricar os mísseis PAC-3 para o sistema Patriot, essenciais na defesa contra os mísseis iranianos, devido à falta desses minerais.

Some-se a isso a baixa capacidade de produção de armamentos pela indústria americana. Não há uma indústria verticalizada. Ela é composta por múltiplos fornecedores contratados, que levam à atrasos e, em consequência, baixa eficiência de produção ao longo do tempo; e custos produtivos extremamente elevados.

3. A Derrota Estratégica: A Marinha dos EUA como um “Gigante de Pés de Barro”

A combinação de crise moral e gargalo logístico levou à derrota estratégica americana no campo de batalha. A tentativa dos EUA de reabrir o Estreito de Ormuz por meio de bombardeios resultou em fracasso e humilhação. As forças americanas estão recuando. Os Estados Unidos estão, literalmente, sendo expulsos do Oriente Médio pela força. Que ironia. A Sede da Quinta Frota no Bahrein está “em ruínas”, e o Centro de Operações Aéreas Combinadas no Catar foi fechado e transferido para a Carolina do Sul .

Os ataques iranianos às bases americana no Kuwait, no Bahrein, na Jordânia, na Arábia Saudita e em Omã, forçaram os EUA a retirar ativos valiosos, como o drone MQ-4C Triton, de volta para a Itália, a fim de evitar que fossem todos destruídos. Para analistas, a guerra é, de fato, uma derrota estratégica dos EUA. O Irã, por sua vez, sai fortalecido e de peso geopolítico muito maior do que antes do ataque combinado dos EUA/Israel em 28 de fevereiro. Ele consolidou as alianças com Rússia e com a China, comercializa em yuan e rublos, e vê o seu tempo geopolítico como favorável. A imagem de poder dos EUA, um dia temida, se revelou a de um “velho encolhido” .

Quer saber mais? Leia a matéria completa e, assista a entrevista de Larry Johnson no Podcast de Danny Haiphong: Trump em Pânico Foge em Caminhão de Catering da Turquia e Deixa Staff Para Trás

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