G-B03B8X4TWM

O “ACIDENTE” QUE EXPÔS A VERDADE: Dinheiro só Para a Guerra. Trump quer cortar Medicaid, Medicare e creches

Internacional, Geopolítica, Economia

PolitikBr é uma mídia independente. Informar não é “torcida”. Não é distorcer, manipular ou mentir.

As pessoas. Talvez você, queira, como eu, entender o mundo em que vive. E é isso que o PolitikBr oferece. Conectar fatos, em uma “linha do tempo”. Venha conosco! Subscreva o nosso conteúdo.

Por PolitikBr I Brasília, Em 04/04/2026, 05h:59, leitura: 6 min

Editor: Rocha, J.C.

A Casa Branca tentou esconder. Publicou um vídeo de um discurso fechado de Trump, depois o deletou. Mas a internet, como sempre, é mais rápida. O que Trump disse em particular — e que seus assessores tentaram manter longe das câmeras — é a confissão mais honesta de toda a sua presidência: a guerra contra o Irã custa bilhões, e para pagá-la, ele quer cortar Medicaid, Medicare e creches. Que se danem os americanos. O importante é o “poder militar”.

E então, a máscara caiu. Não por acaso, não por “erro” — mas porque quem a usa já não tem mais controle sobre o próprio rosto.

Na última quarta-feira (1º), a Casa Branca publicou acidentalmente — ou nem tão acidentalmente assim — um vídeo de um discurso fechado de Donald Trump. A transmissão ao vivo foi ao ar, depois deletada. Mas não antes de ser baixada, salva e compartilhada por milhões.

O conteúdo do vídeo é devastador para a narrativa trumpista. Trump, referindo-se ao chefe do Escritório de Orçamento e Gestão (o autor do Project 2025, Russell Vought), diz sem rodeios:

“Não podemos cuidar de creches. Somos um país grande. Temos 50 estados. Temos todas essas outras pessoas. Estamos lutando uma guerra. Não podemos cuidar de creches. Você tem que deixar o estado cuidar das creches. E eles deveriam pagar por isso também. Eles têm que aumentar seus impostos, mas deveriam pagar por isso. Nós temos que cuidar de uma coisa: proteção militar. Temos que proteger o país.”

A declaração é um resumo perfeito da ideologia trumpista: o Estado federal existe para financiar guerras, não para cuidar dos seus cidadãos. Creches? Problema dos estados. Medicaid? Corte. Medicare? Corte. A prioridade é a máquina de guerra.

A Conta da Guerra: US$ 2 Bilhões por Dia

O vídeo vazado veio a público em um momento em que os custos da guerra contra o Irã já são conhecidos. De acordo com o modelo orçamentário da Penn Wharton, a guerra já custou US$ 65 bilhões em pouco mais de um mês. A Casa Branca está pedindo ao Congresso mais US$ 200 bilhões para continuar o conflito.

Só os mísseis Tomahawk — que levam de um a dois anos para serem fabricados — custaram US$ 3 bilhões até agora.

Leia ainda:

Idas e Vindas: Trump Anuncia Força Extrema Contra o Irã nas Próximas 2 ou 3 Semanas

(Video) The Commander of Chaos: World Disorder and the War to Choose a President Between Lies and Delirium

O senador democrata Chris Van Hollen, membro do Comitê de Relações Exteriores, fez as contas em voz alta:

“Estamos pagando US$ 2 bilhões por dia, nós, contribuintes americanos, enquanto os preços da gasolina sobem”.

E, como Van Hollen observa, isso ocorre depois que Trump e os republicanos já haviam cortado Medicaid e programas de nutrição para financiar seu “grande e belo projeto de lei” — que, como ele ironiza: “é belo se você é bilionário”, pois deu enormes cortes de impostos para os super-ricos .

O Padrão: Os Pobres Pagam, os Ricos Lucram

A lógica é cruel, mas previsível. As guerras americanas sempre tiveram dois grupos que se beneficiam: os produtores de petróleo e os fabricantes de armas. E os que pagam a conta são sempre os mesmos: os trabalhadores, os pobres, os idosos, as crianças.

Van Hollen é direto:

“Os contratantes de defesa vão faturar rios de dinheiro. Outras pessoas próximas ao presidente também vão faturar. Mas o povo americano vai sofrer.”

O senador lembra que, durante a campanha, Trump prometeu exatamente o oposto: manter os EUA fora de guerras estrangeiras e focar nos problemas domésticos. Em vez disso, ele começou uma guerra — e agora diz que precisa cortar investimentos federais para pagá-la.

A Mentira da “Ameaça Nuclear”

O vídeo vazado é apenas a ponta do iceberg. No mesmo programa, Van Hollen destrói a principal justificativa de Trump para a guerra: a “ameaça iminente” de um ataque nuclear iraniano contra os Estados Unidos.

“Isso é uma conversa sem sentido. Não há discussão sobre o Irã lançar uma arma nuclear contra a América em seis meses ou seis anos. Foi uma mentira completa e total.”

Van Hollen lembra que o próprio Trump disse ao país, no ano passado, que havia “obliterado” o programa de enriquecimento nuclear iraniano.

Ou seja: a ameaça nunca existiu. A guerra foi fabricada sobre uma mentira. E agora, para pagar essa guerra fabricada, Trump quer cortar os programas que mantêm vivos os americanos mais vulneráveis.

O “Acidente” que Revela o Método

A Casa Branca tentou deletar o vídeo. Mas a internet, como sempre, é mais rápida. O arquivo foi salvo, compartilhado, republicado. E o que ele revela é um presidente que, em particular, repetimos, diz o que pensa: a guerra é a prioridade. O povo americano que se vire.

É a mesma lógica que levou Trump a sugerir que o Reino Unido “crie coragem” e “vá lá e TOME” o petróleo no Estreito de Ormuz. A mesma lógica que o fez ameaçar “voltar à Idade da Pedra” o Irã . A mesma lógica que o fez se contradizer dezenas de vezes sobre se a guerra está “vencida” ou se precisa de mais “três semanas de força extrema”.

A guerra nunca foi sobre defender os americanos. Foi sobre poder. É sobre apoiar incondicionalmente Netanyahu, mesmo que a maioria dos americanos rejeite isso e ele tenha prometido que os Estados Unidos não mais entrariam em guerras eternas. A guerra é para satisfazer o apetite de quem lhe financia: o complexo industrial-militar, os endinheirados sionistas e outros grupos de lobby que lucram com o caos. E sobre um presidente que não tem a menor ideia do que está fazendo — mas que sabe muito bem quem vai pagar a conta.

O Que Vem Agora: A Batalha no Congresso

O pedido de US$ 200 bilhões adicionais para a guerra enfrentará forte resistência no Congresso. Van Hollen já declarou:

“Não votarei em nem mais um centavo para esta guerra ilegal de escolha. Acho que vamos encontrar muitas pessoas, em ambos os lados do corredor, que vão dizer que ninguém nos deu uma explicação de por que precisamos gastar mais um centavo nesta guerra”.

A oposição democrata, combinada com a crescente revolta da base trumpista (que votou contra guerras intermináveis), pode inviabilizar o financiamento adicional. E sem dinheiro, a guerra não continua.

Trump, isolado, contradizendo-se a cada dia, com a sua base de apoiando se voltando contra ele e a economia americana em frangalhos, pode estar vivendo os seus últimos meses como comandante-em-chefe. Resta saber quantas vidas — e quantos bilhões — serão desperdiçados até lá.

Esse artigo foi baseado em:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *